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terça-feira, 2 de maio de 2017

Até mais ver meu Camarada Belchior!!!



COMENTÁRIO: Esse texto é uma singela homenagem a esse grande poeta chamado Belchior que inspira muitos sonhadores por esse mundo afora. 

Até mais ver, meu Camarada Belchior!!!
É meu Camarada, hoje o meu olhar tá lacrimoso por você ter partido. Mas os seus versos e sua voz continuam ondeando e se propagando me fazendo alegre como um rio, como um bando de pardais. Nesses tempos em que o lado obscuro da força está aí a nos fazer muito mal, eu não posso deixar de cantar como os galos e não posso emudecer mesmo não estando feliz.
Tenho ouvido muito os seus discos, conversado com pessoas, trilhado os meus caminhos, sem perder jamais a ternura e ainda acreditando que tudo pode ser maravilhoso, como dizia um antigo compositor baiano. Mas não é possível viver como convém sem querer ferir ninguém, pois a realidade nos corta como navalha e sem dúvida a vida está muito pior. Mas como dizia um outro poeta, esse alemão, se não lutarmos os dias ficam piores ainda.
A prática continua sendo o critério da verdade, já foi dito por um homem com nome de rio há uns 100 anos. Por isso não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia. A amanita, a mescalina e a Lúcia no seu Céu com Diamantes que dentre outros inspiraram o João, o Jorge, o Paulo e o Ringo podem até ser inspiradoras... Mas a minha alucinação é suportar o dia-a-dia e o meu delírio é com a realidade das pessoas normais, os humilhados do parque, a violência da noite. E mesmo com tudo isso, mesmo com os profetas do terror, amar e mudar as coisas me interessa mais.
Pra gente viver o Sol, viver a Lua e não ir caminhando pra morte pensando vencer na vida é necessário dizer não a esses senhores infalíveis. Sim, tudo poderia ter mudado. É Camarada, trabalhamos muito para isso, mas o dinheiro é cruel e um vento forte levou os companheiros para longe dos sonhos, dos planos e dos ideais, das nossas esperanças de jovens. Porém, o mano velho do tempo me fez conhecer o inimigo. Eu sei seu nome, sei seu rosto, residência, endereço. Minha voz resiste, a fala insiste e grito: não cante vitória muito cedo não, nem leve flores pra cova do inimigo, porque as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo podem fazer renascer o “mal” antigo. Quem viver verá.
Apesar das angústias, todos os dias o Sol inunda o quintal e faz a paixão morar na filosofia. Perdendo o senso, ouvindo estrelas, vendo o cintilar da Via-Láctea. Se embriagando da poesia preciosista à poesia imagista ou futurista segue-se escrevendo em letras grandes pelos muros do país que a felicidade é uma arma quente.
Pra quem saiu de casa aos 17 e até hoje não voltou (mesmo com a pouca distância), depois de alguns blusões de couro estragados, o Sol ainda continua se fazendo na América do Sul e no coração do Brasil. Apesar da dor de perceber que ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, você me falou que o novo sempre vem. E é por causa desse novo que eu quero tudo outra vez: o meu cachorro ligeiro e a minha normalista linda, que sabe que eu ainda sou um estudante da vida.

Adriano Henrique Ferrarez

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