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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Reflexões sobre as eleições 2014 em Itaperuna

COMENTÁRIO: Como vovó já dizia: "Antes tarde do que nunca". Há tempos queria fazer uma análise sobre as eleições de outubro de 2014 em Itaperuna. Espero poder contribuir de alguma forma para o debate.

Foto: Google Street View

Reflexões sobre as eleições de outubro de 2014 em Itaperuna

Superar a abstenção
As eleições de outubro de 2014 em Itaperuna trouxeram novos e importantes fatores que terão reflexos no futuro da nossa cidade, ou seja, nas eleições de 2016. A abstenção no 1º turno subiu de 20,73% (eleições de 2010) para 22,29% (eleições de 2014) e no 2º turno subiu de 24,67% (eleições de 2010) para 25,88% (eleições de 2014). Índices acima do percentual nacional que nas eleições de 2014 foram de 19,39% e 21,10% para o 1º e 2º turnos , respectivamente. O percentual de abstenção nas últimas eleições municipais (2012) foi de 18,93%. 
A participação nas eleições está diretamente relacionada com o grau de politização e mobilização da população. Perder a perspectiva de que o nosso voto pode mudar o estado de coisas nas nossas cidades, estados e país é uma das justificativas para esses enormes índices de abstenção.

Votação dos candidatos itaperunenses

Creio que a votação expressiva recebida pelo candidato a deputado federal Dr. Vinícius e a eleição de Jair Bittencourt para a Assembleia Legislativa  são os fatores que terão mais impacto nas eleições municipais do ano que vem.
Os 17.655 votos que Dr. Vinícius recebeu o qualificam para polarizar a política municipal e se apresentar como alternativa ao grupo do Doutor Péricles. Esse último não poderá mais se arriscar lançando candidatos novatos e muito provavelmente decida por lançar “seu” deputado estadual como candidato a prefeito ou ele mesmo assuma a candidatura.
Após as eleições de 2012 escrevi aqui no blog sobre as responsabilidades políticas dos 2 vereadores eleitos pelo PT na nossa cidade (vide aqui: http://emlugardeumacarta.blogspot.com.es/2012/10/eleicoes-municipais-em-itaperuna-alguns.html).

Caso Dr. Vinícius resolva se candidatar a prefeito de Itaperuna, sua tarefa talvez seja a mais difícil pois terá que quebrar um ciclo de quase 40 anos de poder. Precisará ter habilidade para construir um projeto que represente uma nova política para o município, capaz de transformar Itaperuna da atual cidade de poucos em uma cidade que atenda as demandas de seus cidadãos que há muito tempo estão represadas. Essas demandas respondem pelos nomes de educação, saúde, lazer, cultura, moradia, transporte coletivo e geração de empregos de qualidade.  Mas para atingir esse objetivo ele terá, juntamente com as forças políticas que possam apoiá-lo, vencer outro desafio: fazer o povo de Itaperuna voltar a acreditar que a política é capaz de melhorar sua cidade e por tabela suas vidas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Stédile: Direita quer Alckmin 2018 e prefere sangrar Dilma a impeachment

COMENTÁRIO: Stédile mais uma vez faz uma análise precisa da conjuntura política atual. Aponta três caminhos que o governo Dilma pode seguir. Com muita propriedade diagnostica que o que a direita quer de verdade é sangrar o governo Dilma para ter a hegemonia em 2018. 
  

Líder do MST afirma que o poder econômico, ao exercer sua hegemonia na política e na economia do país, está degenerando a república e a democracia
Do Portal da Revista Fórum 
Por Paulo Donizetti de Souza, da Rede Brasil Atual

Os meios de comunicação formam um time organizado e vão empregar todas as suas armas para manter o governo da presidenta Dilma Rousseff no córner nos próximos anos. A observação é do economista João Pedro Stédile, uma das principais lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Eu não acredito em impeachment”, diz.

De acordo com o ativista, a direita brasileira pode até usar essa ferramenta como uma das armas para promover o desgaste do governo e do PT, mas prefere investir numa operação de “sangramento” de Dilma e do partido para eleger Geraldo Alckmin (PSDB) legitimamente em 2018. “Se conseguir elegê-lo com ampla maioria (como fizeram na eleição de São Paulo agora), e retomar o poder pelo voto, quem vai conseguir fazer oposição a ele depois? Nem ‘são Lula’”, argumentou Stédile, durante visita ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região na última segunda-feira (9).

O governador de São Paulo parece saber disso. E não quer correr riscos. Nos últimos dias, segundo informações ventiladas a partir das redações dos principais veículos da imprensa corporativa, o tucano já teria iniciado corpo a corpo junto às direções dos jornais para se queixar do fato de seu governo ter sido alvo de noticiário negativo, diante do agravamento da crise hídrica no estado mais rico da federação. Não será de estranhar se a cobertura de Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, voltar a adotar uma dosimetria mais parcimoniosa com o tucano, como no período pré-eleitoral do ano passado, quando a blindagem da imprensa sobre escândalos do governo paulista – dos contratos com empreiteiras à omissão na crise da água – contribuiu de maneira decisiva para a reeleição tranquila do governador.

Stédile considera que a fragilidade em que se encontra o governo federal facilita a ação orquestrada dos veículos e forças econômicas reunidas em torno do Instituto Millenium. Para ele, o Brasil vive problemas estruturais graves na economia, na política e na área social.

No campo econômico, tanto o setor produtivo como o financeiro se favorecem da elevada remuneração dos investidores em título públicos. Com a tese de que o governo não pode gastar para assegurar o superávit primário, associada a elevação dos juros, os capitalistas brasileiros não precisam fazer os investimentos de que o país precisa para continuar crescendo e criar novos empregos. “As aplicações financeiras lhes garantem a rentabilidade.”

No campo da política, a democracia, “degenerada” pela crise de representatividade, é uma “hipocrisia”. “Não temos uma república, em que os interesses e decisões da maioria da população estejam representados. O poder econômico domina as eleições, a burguesia controla o Legislativo, e também o Judiciário”, avalia. “E no campo social, por mais que tenhamos avançado nos últimos anos, ainda padecemos de graves problemas estruturais. Ótimo que em dez anos aumentou de 5% para 15% a presença da população jovem com acesso ao ensino superior. Mas e os outros 85%? Nossa universalização do ensino superior já bateu no teto, enquanto a Bolívia cria vagas para 67% dos jovens. A Coreia do Sul, para mais de 90%. Que país em guerra perde 40 mil jovens assassinados por ano, como nós?”, questiona.

Diante do que chama de “encruzilhada”, Stédile vê o governo Dilma diante de três alternativas a tomar: (1) emparedado no Congresso e na mídia, ceder demais nos ajustes liberais; (2) insistir no “neodesenvolvimentismo”, que marcou sobretudo o segundo mandato de Lula, e colocar o Estado para financiar o setor privado, para que este volte a investir – “tem de investir em política industrial, tirar o dinheiro do Estado que hoje vai para os bancos e emprestar para a indústria, mas botar o dinheiro dos bancos públicos nas indústria certa, e não concentrar no setor automotivo; ou (3) ir para a esquerda e jogar todo peso e capital político em reformas estruturais, compor forças com os movimentos sociais, com os partidos progressistas e se lançar aos debates com a sociedade para colocar na ordem do dia as reformas política e tributária e a democratização da mídia.

Até agora, porém, o governo parece estar tomando a opção um, segundo o ativista, para quem esse caminho seria um desastre capaz até de comprometer o projeto Lula 2018. “Esse modus operandi do governo tem a ver com um núcleo duro muito burocrático, formado por gente que não tem nada ver com o povo”, critica, referindo-se à equipe de conselheiros mais próximos da presidenta, citando nominalmente o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil).


Stédile vê o poder de reação dos movimentos sociais a esse ambiente como incipiente e que, apesar de não haver ainda um nível de unidade que leve a uma reação organizada imediata dos trabalhadores, já há sinais de que essa unidade pode se fortalecer. “As centrais sindicais se posicionam contra os ajustes e há uma movimentação social se afunilando em defesa de uma reforma política séria, que mexa com o financiamento de campanhas, que entende que só uma Constituinte exclusiva pode mexer pra valer com as regras do jogo. O Lula se posicionando em defesa da Constituinte exclusiva é um grande reforço”, diz.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Maricá, a cidade do passe livre

COMENTÁRIO: Essa conquista do povo de Maricá/RJ é imensurável. Durante 4 anos como parlamentar em Viçosa/MG travei uma grande luta contra o monopólio do transporte coletivo naquela cidade. Luta que teve vitórias como a aprovação do projeto do passe-escolar na Câmara (mas que infelizmente não virou realidade na vida da juventude da cidade) e uma liminar que conquistamos (movimentos sociais, cidadãos e mandato) que revertia o sempre abusivo aumento da passagem. Em relação à liminar recordo quando entrávamos nos ônibus mostrando a decisão da justiça e dizendo que o povo devia pagar o 1 real (preço antigo). Nesse período foi iniciada a mobilização dos trabalhadores do transporte coletivo de Viçosa, me recordo com saudade da combatividade daqueles companheiros. Infelizmente ao final assistimos ao corte de cabeças patrocinado por aqueles que não admitem que os trabalhadores se organizem. Nesse meio campo ainda atuou um sindicato pelego que se dizia o verdadeiro "representante" regional da categoria. Resumindo a ópera o lobby dos empresários do transporte coletivo (que tem dinheiro para comprar muitos) é imenso. Ao final fizeram uma licitação pra inglês ver e quem ganhou??? A empresa que detém o monopólio na cidade há décadas. Notícia alvissareira vinda das bandas de Maricá. Espero que contagie outros municípios e se lembrando de um bom samba cantado pela Pimentinha e que faz uma referência ao bravo prefeito da cidade é sempre bom lembrar que "o vento que venta aqui é o mesmo que venta lá". Portanto moçada por que não fazemos a pergunta: "Se Maricá pódi, porque que nóis num pódi". Mãos à obra!!!
P.S. 1 - Não vale argumentar que Maricá só fez isso por causa dos royalties do petróleo.
P.S. 2 - O transporte coletivo é um serviço PÚBLICO que pode ser objeto de concessão. Assim como a eletricidade, a telefonia, etc.
P.S. 3 - Depoimento 1: Famílias que não podiam ir às praias da cidade porque não tinham dinheiro pra pagar passagem e agora podem tomar banho de água salgada. 
P.S. 4 - Depoimento 2: "Com R$ 2,70 vou fazer o sacolão".
P.S. 5 - Depois desses depoimentos não precisa dizer mais nada.
P.S. 6 - Mais dinheiro para o povo e menos nos bolsos de empresários aves de rapina!!!
Sou mais o vermelhinho!!!
Assista o vídeo realizado pela Carta Capital

Da Carta Capital
O município de Maricá, no Rio de Janeiro, enfrenta empresários de transportes e implanta ônibus com tarifa zero
por Renan Truffi — publicado 04/02/2015
De Maricá (RJ)

A catraca, símbolo maior da cobrança de tarifa no transporte público brasileiro, continua lá para registrar o número de passageiros. Mas a cadeira do cobrador agora está vazia. Ninguém precisa pagar mais. É assim desde 18 de dezembro do ano passado em Maricá, município fluminense na Região dos Lagos. Há pouco mais de um mês, a prefeitura local fundou a Empresa Pública de Transportes (EPT) e instituiu o passe livre para todos. O objetivo, o prefeito Washington Quaquá (PT-RJ) admite, é “quebrar o monopólio” das empresas que detêm o serviço há pelo menos 25 anos na cidade.

Primeiro município brasileiro com mais de 100 mil habitantes a oferecer ônibus gratuito, Maricá é palco de uma verdadeira queda de braço entre o poder público e os empresários de transporte. Isso porque a implantação da tarifa zero se deu ao mesmo tempo em que as duas empresas privadas de transportes da cidade continuam tendo concessão para operar com cobrança de passagem. Por isso, desde o fim do ano passado, os usuários têm à disposição tanto os ônibus que cobram tarifa, com valor mínimo de 2,70 reais, quanto os gratuitos, da Prefeitura de Maricá, sendo que ambos fazem trajetos semelhantes.

“Nós estamos quebrando um monopólio de uma família sobre um setor econômico da cidade”, afirma o prefeito ao citar a maior empresa da região, a Viação Nossa Senhora do Amparo, que há mais de 40 anos controla tanto o transporte municipal quanto o intermunicipal. A outra empresa é a Costa Leste que, apesar de menor, já possui concessão há 25 anos. Quaquá não esconde que a sua briga é mesmo com a Viação Amparo. “Eles eram os donos da cidade. Quando eu saí de uma favela de Niterói com nove anos de idade e vim morar aqui, eles eram os coronéis. Mandavam, desmandavam, matavam, só não faziam viver”, acusa o petista. “Eles financiaram meus adversários. Então, a primeira vez que um prefeito rompeu com o monopólio deles foi quando ganhei a eleição. (...) Já era para eles”, diz sem hesitar.

No cargo desde 2008, Quaquá é um dos fundadores do PT na cidade e o atual presidente estadual do partido no Rio de Janeiro. Conhecido por ser de uma corrente mais à esquerda, Quaquá fez parte da sua campanha eleitoral focando na disputa com os empresários do transporte. “Maricá é bonita demais para ser controlada por uma empresa de ônibus”, dizia o slogan político. “Essa Constituição estabelece que transporte é serviço público que pode, pode [repete] ser concedido.  A lógica de Maricá é a seguinte: o serviço será público e gratuito”, garante.

Após conquistar a reeleição, Quaquá colocou a proposta em prática. Impossibilitado de romper os contratos de concessão com as duas empresas de transporte da cidade, já que ambos foram renovados em 2005, com duração até 2020, o prefeito começou os estudos para criar uma empresa com tarifa popular. O objetivo era iniciar a operação com passagem em torno de dois reais para, progressivamente, reduzir até a tarifa zero. Mas a ideia esbarrou em entraves jurídicos. A solução foi fundar uma autarquia municipal e implantar a tarifa zero desde o início.

De onde vem o dinheiro?

Depois da criação da autarquia, a prefeitura investiu aproximadamente 5 milhões de reais, comprou dez ônibus e contratou 29 motoristas por meio de concurso público, em caráter temporário, por 12 meses. No total, a EPT já tem 90 funcionários, que trabalham exclusivamente para o funcionamento das quatro linhas de ônibus. Os veículos atendem do bairro Recanto à Ponta Negra, nas extremidades do município, 24 horas por dia e nos finais de semana. Todos os veículos comprados pela cidade têm ar condicionado e elevador para deficientes físicos nas portas.
“Nós vamos comprar mais 20 ônibus, provavelmente ônibus elétricos, sem emissão de carbono, que funcione a energia solar”, explica Quaquá. Os recursos para manter todo esse sistema são provenientes da verba que o município tem direito em função dos royalties do petróleo. No ano passado, por exemplo, Maricá recebeu repasses que totalizaram 220 milhões de reais, segundo o Portal da Transparência da cidade.
Em um mês de funcionamento, com os dez ônibus, a operação custou aproximadamente 700 mil reais, mas a ideia é que o gasto suba para 1,5 milhão de reais por mês, quando a empresa tiver capacidade de concorrer com as empresas privadas. Isso porque o objetivo é que Maricá tenha autonomia para garantir o transporte dos moradores independentemente de concessão.
O plano de Quaquá provocou uma reação imediata dos empresários. Menos de dez dias depois de os ônibus começarem a circular pelas ruas de Maricá, as empresas deram entrada em uma liminar na 5ª Vara Civil da Comarca de São Gonçalo para impedir o funcionamento da Empresa Pública de Transportes (EPT). O pedido não foi aceito pela Justiça.
Os empresários reclamam pois a prefeitura não paga o subsídio previsto em contrato desde que Quaquá assumiu o cargo, há sete anos. Pelo documento, as empresas Costa Leste e Viação Amparo devem receber da Prefeitura de Maricá o valor da passagem de cada usuário com direito à gratuidade (estimado em 120 mil pela Costa Leste), como idosos e estudantes de escola pública. “Não pago nada”, diz o petista. “Esses dias eu vi que eles estão cobrando na Justiça 13 milhões de reais. Você imagina: com esse dinheiro eu garanto dois anos de empresa gratuita para todos. Eles estão acostumados com poder público que não controla, não fiscaliza. Agora nós temos a planilha e estamos abrindo a planilha”, enfatiza.
Ônibus gratuito
Em guerra declarada, Maricá usa ônibus gratuito (vermelho) contra empresas de ônibus, que cobram 2,70 reais de tarifa (Foto: Adriano Marçal)
Além da guerra judicial, o prefeito ainda aprovou no ano passado uma lei que mudava o nome da rodoviária da cidade. Até então, o local era conhecido como Terminal Rodoviário Jacintho Luiz Caetano, em referência justamente ao nome do fundador da Viação Amparo. Quaquá renomeou o local para “Terminal Rodoviário do Povo de Maricá". O busto de Caetano que ficava na entrada do terminal ainda foi removido e devolvido para a família.
A opinião da população
CartaCapital acompanhou por dois dias o funcionamento e a circulação dos ônibus gratuitos da cidade. Apesar de ter anunciado ônibus de 20 em 20 minutos, os dez veículos da Prefeitura de Maricá que estão em circulação ainda não conseguem cumprir a mesma pontualidade das empresas privadas, todos os dias. Quando alguns motoristas estão de folga, o tempo de espera pode levar de 40 minutos a uma hora.
“Gratuito é bom para o povo, né. Acho que tinha que ter mais [ônibus]. Por um lado é gratuito, mas, por outro, a gente tem que ficar esperando meia hora, 40 minutos”, alerta o segurança Diego Silva, de 27 anos.
A explicação, segundo o presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos, é o tamanho da cidade. Apesar de ter aproximadamente 127 mil habitantes, Maricá tem uma extensão de 363 quilômetros quadrados. O município é maior, por exemplo, do que cidades como Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com uma população de mais de 1,2 milhão de pessoas. E o dobro do tamanho da vizinha Niterói (RJ), que tem quase 500 mil habitantes. Por conta disso, os ônibus gastam aproximadamente 1h30 para fazer todo o percurso e voltar para a rodoviária da cidade. Segundo Santos, a tendência é que a circulação se normalize com a chegada dos novos ônibus.
Mas, mesmo com a demora em alguns dias da semana, os usuários fazem fila para esperar o “Vermelhinho”, como já ficou conhecido o ônibus gratuito em função de sua cor (os ônibus da Costa Leste e da Viação Amparo são pintados em tons de azul). Na última terça-feira 27, por exemplo, a reportagem contou 27 pessoas à espera de uma linha sentido Ponta Negra, a área turística da cidade, e outras 21 pessoas na fila para embarcar para o bairro de Itaipuaçu, por volta das 15h, na rodoviária. No mesmo horário, o ônibus da Costa Leste que faz trajeto parecido e cobra 2,70 reais aguardava vazio o embarque de passageiros. A Costa Leste admitiu que a medida vem tendo “grande impacto” no número de usuários do sistema, mas não deu mais informações. A Viação Amparo não retornou os pedidos de entrevista da reportagem.

Fila do ônibus gratuito
Enquanto usuários fazem fila para usar o ônibus gratuito (vermelho), veículo da empresa Costa Leste (azul) aguarda por passageiros na rodoviária (Foto: Renan Truffi)
“Para a gente foi muito útil, as passagens aqui em Maricá são muito caras. Para um trecho curtinho, você já paga três reais para ir e três reais para voltar. Por exemplo, um casal e duas crianças, você já vai pagar um preço absurdo. Tem família aqui que não conseguia ir à praia porque não tinha condições de pagar um ônibus. Com esse dinheiro já dá para comprar um pão, ou um leite para as crianças”, conta a dona de casa Marilza Marques, de 63 anos, durante uma das viagens.
Desde que começou a operar, em pouco mais de um mês, os ônibus gratuitos já transportaram mais de 200 mil passageiros. A Prefeitura de Maricá estima que já esteja atendendo 70% da população. A gratuidade fez até com que moradores de cidades vizinhas pudessem começar a frequentar as praias de Maricá. “Onde a gente mora é supertranquilo. Agora começou a vir um povo de São Gonçalo para as praias. Eles não consomem nada. O pessoal do quiosque reclama também”, critica uma professora que não quis se identificar, enquanto espera o ônibus gratuito.
A Prefeitura espera ainda que o dinheiro, antes aplicado na passagem, comece a ser injetado no comércio da região. Como o ônibus funciona também de madrugada, as lojas próximas à rodoviária passaram a estender o horário de atendimento. “É um retorno que a prefeitura vem dando para o povo. O povo não ganha nunca nada. Agora tem ar condicionado, serviço de qualidade”, conta o empresário Luiz Carlos Souza. “Eu estou economizando esse dinheiro para fazer um sacolão”.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Fernando Brito: Cunha, a nova faca no pescoço de Dilma

COMENTÁRIO: Eu prefiro acreditar nos versos iniciais do poeta da Mangueira: "Ainda é cedo amor..." É possível trazer o povo pra luta e reverter essa derrota.! Mas é importante nunca se esquecer que "o mundo é um moinho".
Fernando Brito, do Blog Tijolaço
 Consumou-se o óbvio.
Eduardo Cunha teve uma vitória avassaladora, eleito em primeiro turno, com praticamente o dobro dos votos de Arlindo Chinaglia.
Não foi, propriamente, uma vitória da Oposição, mas uma vitória de oposição ao Governo.
Foi, sobretudo, uma vitória do “sindicato” dos deputados, o que já, de cara, Cunha deixou claro ao prometer colocar, de imediato, em votação e aprovar o orçamento impositivo, ou a “mordida” obrigatória no dinheiro público para projetos de prefeituras, de estados e para os malsinados “convênios”, dos quais não me permito falar por problemas estomacais.
Cunha vai seguir, claro, fazendo seus lobbies, como fez nos governos de Lula e de Dilma.
Mas, depois de um pequeno período de “pose de estadista”, o que ele fará é o mesmo, em ponto muito maior.
Porque, agora, é quem decide o que entra ou não em pauta para votação.
Cunha mudou de “ordem de grandeza”.
O negócio, agora, não é uma diretoria da Caixa ou de algum outro órgão.
É tudo.
Experimente-se, para ver, resistir à sua gazua.
Porque, no sistema eleitoral que temos, montam-se bases parlamentares com base em que?
Porque é que Marina, com Itaú e tudo, não conseguiu formar partido e Paulinho da Força fez o Solidariedade com um pé nas costas?
E não pense que essas “boas obras” vão para a conta deles, não.
Vão para a conta do governo que eles pressionam e politicamente chantageiam.
O Governo Dilma ganhou a reeleição, mas reluta em assumir o poder.
E o poder exige alinhamento entre os que o partilham.
Se não há um mínimo de alinhamento, não pode haver esta partilha.
Atentem para o que quer dizer o resultado.
Mesmo com parte dos votos tucanos para Julio Delgado, o “cunhismo” teve maioria absoluta da Câmara.
Com o PSDB fechado, tem maioria até para mudanças constitucionais.
Resta ao governo, agora, a triste sina de negociar cada projeto de lei ou Medida Provisória no varejinho da esquina parlamentar.
Ou dialogar com a população, o que até ameaçou fazer – e recuou – ao propor a reforma político-eleitoral em 2013.
Mas dialogar com a população, como?
Cada vez mais o governo vai atando seus movimentos.
Eu sigo os conselhos do velho Brizola e recorro aos poetas, a um dos grandes, Cartola:
Quando notares estás à beira do abismo

Abismo que cavastes com teus pés.

Emir Sader: Crônica de uma derrota anunciada

COMENTÁRIO: O Prof. Emir Sader faz uma análise interessante do caminho que se percorreu até a vitória de Eduardo Cunha. Diz com propriedade que o Congresso mais conservador desde a Ditadura Militar se torna um obstáculo à democracia do Brasil. Sem tapar o Sol com a peneira diz que essa derrota de 01 de fevereiro de 2015 se iniciou no primeiro turno das eleições de outubro de 2014, quando a esquerda foi derrotada nas urnas. A metáfora do boi de piranha foi precisa e infelizmente mordeu-se a isca. Aborda ainda a questão da hegemonia que não pode ser conquistada para fazer avançar a democracia, a justiça social e a igualdade de oportunidades se não for construída com o povo. Perdeu-se uma batalha, mas para a guerra o povo tem que deixar de ser espectador e virar protagonista!




Não ocorreu nada melhor ao PT, diante de uma situação adversa, do que lançar uma candidatura própria na Câmara. Nada poderia aprofundar mais seu isolamento.



por Emir Sader

Uma derrota como essa não se improvisa. É construída com afinco e determinação. E, ao mesmo tempo, é uma derrota anunciada, prevista, mas ao mesmo tempo – para dar-lhe um caráter ainda mais grave -, foi vivida por seus coordenadores sem a consciência do momento e das dimensões do que está em jogo.

Antes de tudo, a derrota de termos um Congresso mais conservador, não apenas na sua composição, mas na perda de alguns dos mais valiosos parlamentares que a esquerda tinha. Resultando, entre outros, a inviabilidade de ser aprovado pelo Congresso qualquer projeto de lei de democratização dos meios de comunicação ou de fim do financiamento privado de campanhas – dois dos temas centrais do país hoje. O Congresso passa a ser um problema, um obstáculo para o aprofundamento da democracia no país.

O PT e a esquerda em geral – veja-se o resultado ruim também do PCdoB – sofreram derrotas pela diminuição das suas bancadas, expressando o isolamento da esquerda no conjunto do eleitorado, correlato à vitória apertada da Dilma.

O clima histérico criado contra o PT, a Dilma, a esquerda, levou ao isolamento político, resultado de muitos erros, mas antes de tudo o de não haver avançado na democratização dos meios de comunicação, o que permitiu a campanha de ódio e o aprofundamento da criminalização da imagem do PT.

Em seguida, o fim do primeiro mandato da Dilma e o vazio que se instaurou, até que o segundo comece a funcionar. Não há vazio na política. As forças conservadoras foram construindo sua hegemonia no Congresso, através de uma candidatura que melhor expressa o que de pior tem o Congresso. Uma aliança do setor de direita do PMDB, – incluindo um forte protagonismo de todos os lobbies que se situam ali-, mais a interminável lista de siglas corporativas, que vivem do que lhes permite a legislação eleitoral: as prebendas das negociações de legenda, de horário eleitoral, de cargos, etc. Estes tinham no candidato da direita à presidência da Câmara um candidato perfeitamente talhado às suas necessidades.

O governo, o PT, viram se articular o candidato da oposição à presidência da Câmara, sem fazer nada. (Era a repetição dos 7 a 1. “Deu um apagão”, diria o diagnóstico dos que não tem diagnóstico. Enquanto apostados ao lado do campo, os dois técnicos campeões do mundo assistiam impassíveis à debacle.)

Mesma atitude do governo e do PT, diante das articulações da candidatura finalmente – e obviamente – vencedora, contra o governo e contra o PT.

Não ocorreu nada melhor ao PT, diante de uma situação tão adversa, do que lançar uma candidatura própria. Nada poderia  aprofundar mais seu isolamento e favorecer a vitória da oposição. E não deu outra.

Incapacidade de fazer política, de articular um campo de forças para sair do isolamento, completaram o quadro de uma derrota anunciada e construída tijolo por tijolo num desenho trágico.

A Presidência parecia acreditar que a vitória lhe daria o brinde da lua de mel, de ganhar o poder da iniciativa de forma automática. Como setores da direita extremavam suas posições e atraíam, isolados por sua verbalização sectária, como bois de piranha, a atenção da esquerda, avançava o verdadeiro inimigo, na candidatura opositora à presidência da Câmara.

Foi uma derrota acachapante, mas nada surpreendente, que consolida o isolamento do PT e da esquerda, assim como constrói um novo campo de enfrentamentos para o governo. Não bastasse ter que renegociar com setores do grande empresariado para poder retomar um ciclo de investimentos produtivos e de crescimento da economia, o governo vê o caráter mais conservador do Congresso se expressar numa presidência que vai afrontar o governo de forma mais direta, em temas fundamentais e que vai colocar todas as pedras que possa no funcionamento do governo, na linha estratégica da oposição de inviabilizar o sucesso do segundo mandato da Dilma.

A nova e certamente muito mais qualificada coordenação política do governo chegou atrasada, quando o jogo já estava sendo jogado, tendo que subir uma ladeira íngreme e pouco pôde fazer para reverter um jogo em que, entre o silêncio e a incompetência, estava montada uma derrota anunciada.

Esse conjunto de fatores, – perfeitamente previsíveis se houvesse uma direção política estratégica do governo, do PT, da esquerda -, levou à estrepitosa derrota da eleição para a presidência da Câmara.

Derrota anunciada, mas não inevitável. Se contava com a reeleição da Dilma e com a capacidade de iniciativa e de manobra que isso possibilita. Com a designação – e demora para tomar posse e começar a atuar – de uma boa equipe de coordenação do governo. Se dispunha de um coordenador politico excepcional como o Lula. Se poderia ter montado uma proposta alternativa com aliados e não centrada numa candidatura do PT, a menos indicada num momento de grande isolamento do partido.

Em suma, às condições desfavoráveis, soubemos acrescentar uma grande incompetência de articulação politica, que desembocaram nessa derrota expressiva. E que aprofundam o isolamento do PT e os obstáculos do governo no segundo mandato.

Política é a arte da construção de hegemonia. O verdadeiro nome da governabilidade é hegemonia. Esse objetivo tem que ser o norte do governo, do PT, da esquerda, se querem consolidar e avançar decisivamente, de forma irreversível no extraordinário processo de democratização social, econômica, política e cultural apenas iniciado. Não é mais possível seguir governando empiricamente, de conjuntura em conjuntura, sem uma visão estratégica do que se quer – que tipo de sociedade, que tipo de Estado, que tipo de Brasil.



E se o Arlindo tivesse ganhado?


COMENTÁRIO: Temos assistido a uma enxurrada de avaliações das eleições para presidência da Câmara dos Deputados. Irei publicar essas resenhas que eu pesquei da rede hoje e farei alguns comentários. Mas uma pergunta fica no ar: E se o Arlindo Chinaglia tivesse derrotado o Cunha? Será que teríamos esse uníssono de "o Rei está nú"? E olha que o Rei tá peladão já faz muito tempo. Como Vovó já dizia: "Antes tarde do que nunca!!!" ainda bem que isso está sendo dito. Que nem o Gonzaguinha: "eu acredito é na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão!!!", ou seja, no povo na luta e nas ruas. Essa derrota só poderá ser revertida com a mobilização popular. E mais uma vez tenho que utilizar o jargão exaustivamente empregado durante a reeleição de Dilma para rechaçar as hordas golpistas: "Retroceder nunca, render-se jamais!!!" Nem um passo atrás nos avanços que, aos trancos e barrancos, foram conquistados! Nem um passo atrás na democracia que com sangue conquistamos! Abaixo os Cunhas e os escroques anti-povo! Por mais democracia direta! Pra frente é que se anda!!!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Contra o racismo

COMENTÁRIO: "Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra" Bob Marley


Reportagem sobre a máfia das próteses



COMENTÁRIO: Nossa trajetória neste planeta é realmente sensacional. Quando os marxistas falam de dialética, de contradições e os físicos falam da dualidade que está na essência da matéria não se deve fazer ouvido de mercador. As Organizações Globo estão sem dúvida no rol do que há de mais nefasto, manipulador e lesa-povo na nossa sociedade. Mas a Globo é capaz de fazer peças jornalísticas como essa que são elogiadas por grandes jornalistas defensores do povo como Altamiro Borges (vide aqui: http://emlugardeumacarta.blogspot.com.es/2015/02/mafia-das-proteses-e-os-eleitores-de.html). Se a "Vênus Platinada" fosse assim 24 horas por dia, teríamos uma sociedade mais bem informada e não tenho dúvidas de que teríamos menos bandidos dando uma de "bicho solto" nas nossas ruas, nossos hospitais, universidades e parlamentos. Parabéns ao jornalista Giovanni Grizotti por escancarar a hipocrisia dos "homens de branco". Felizmente nem todos os médicos são picaretas. 

Máfia das Próteses e os eleitores de Aécio

COMENTÁRIO: Artigo de Altamiro Borges em seu blog sobre a Máfia das Próteses. Onde estão os "homens e mulheres de branco" arautos da ética e da moral para denunciar isso? Não se fala nada em nome da ética profissional, mas se esquecem da ética para com o povo. Esse tipo de corporativismo, que aliás existe em todas as categorias profissionais, prejudica a população e a sociedade. Destaco no artigo de Altamiro Borges a atitude reativa do "Zé Cardoso" e do ministro da Saúde. Infelizmente enquanto esse governo for pautado pelo Fantástico as coisas não avançam no nosso país. Fica a máxima: se até a Globo fez a reportagem denunciando é porque isso tava na cara. Um governo que pretenda ser de todos os brasileiros, um país que pretende ser rico e sem miséria e acima de tudo uma pátria educadora deve ser proativo e quebrar essas quadrilhas que lesam o nosso povo. Que a apuração desses fatos seja implacável e que os responsáveis sejam punidos.

Charge de Sinovaldo
Charge de Tacho

“Máfia das próteses” e os votos de Aécio

Por Altamiro Borges

O programa Fantástico, da TV Globo, apresentou no último domingo (4) uma longa reportagem sobre a “máfia das próteses”. Ela revela que alguns médicos prescrevem cirurgias desnecessárias, colocando em risco a vida de pacientes, para ganhar comissões das empresas que comercializam os produtos para os implantes. Eles também fraudam documentos para obter liminares judiciais que obrigam o SUS e os planos privados de saúde a pagar por procedimentos superfaturados. A negociata renderia até R$ 100 mil por mês aos médicos corruptos. Segundo o Fantástico, a “máfia das próteses” movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano.

O repórter Giovanni Grizotti levou três meses para produzir a reportagem. Ele se fez passar por médico e, com uma câmera escondida, flagrou várias destas transações criminosas. Da responsável pela contabilidade de uma grande clínica em São Paulo, ele ouviu um relato assustador: “Aquilo ali parecia uma quadrilha. Uma quadrilha agindo e lesando a população... Um exemplo que eu tenho aqui: R$ 260 mil de cirurgia, R$ 80 mil pra conta do médico. Tem uma empresa pagando R$ 590 mil de comissão para o médico no período aqui de seis meses”. Em outros cinco Estados visitados pelo repórter, as mesmas cenas de corrupção e de desrespeitos aos pacientes.

Guerra aos médicos mafiosos

Diante do escândalo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, decidiu declarar guerra à máfia das próteses ortopédicas e acionou a Polícia Federal, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Vamos determinar que a PF proceda às investigações para responsabilizar e punir os responsáveis”, afirmou ao Jornal do Brasil nesta segunda-feira (5). O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia estranhado o aumento de processos para viabilizar os implantes em todo país. Na esfera federal, os gastos com medicamentos e insumos para cumprimento de decisões judiciais passaram de R$ 2,5 milhões, em 2005, para R$ 266 milhões em 2011.

o ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou a criação de um grupo interministerial, formado pelos ministérios da Saúde, da Justiça e da Fazenda, e ainda pelos conselhos nacionais de secretários municipais e estaduais, “para que, juntas, as três pastas possam corrigir e aperfeiçoar todas as questões relacionadas ao uso dos dispositivos médicos. Segundo o ministro, em até 180 dias serão apresentadas medidas de reestruturação do setor, visando tanto a área pública quanto a privada... Só em 2013 o Sistema Único de Saúde gastou R$ 1,2 bilhão com procedimentos envolvendo próteses, órteses e dispositivos especiais”, descreve o Jornal do Brasil.

Cadê a indignação dos "éticos"?

O curioso em mais este escândalo é que até agora as associações nacionais e regionais de medicina – que fizeram tanto barulho contra o programa “Mais Médicos” do governo federal e destilaram veneno anticomunista e racista contra os profissionais cubanos – estão em silêncio. Nenhum discurso mais contundente ou peça publicitária nas emissoras de tevê. Nada de protestos histéricos nas praças públicas contra a corrupção. Outro silêncio emblemático é o de Aécio Neves, o cambaleante e derrotado presidenciável do PSDB. Na campanha eleitoral, o senador mineiro-carioca obteve o apoio de inúmeros médicos “indignados com os petralhas e mensaleiros”.

Pelas redes sociais circula, inclusive, a informação de que alguns dos médicos metidos na “máfia das próteses” fizeram campanha para Aécio Neves. Esta suspeita a TV Globo não levou ao ar – talvez por falta de tempo para uma apuração rigorosa. Um dos ortopedistas citados na reportagem é Fernando Sanchis. Ele falsificaria assinaturas em ações judiciais para superfaturar os produtos dos implantes. “Procurado pelo Fantástico, o cirurgião Fernando Sanchis nega que receba comissão de fornecedores de próteses. Mas reconhece que pode ter assinado laudos em nome de outros médicos”, relata o jornalista Giovanni Grizotti.


Em sua página no Facebook, o “doutor” Fernando Sanchis se apresentava como defensor da ética e ativo militante contra a corrupção. No cartão de apresentação entregue a seus pacientes, ele inclusive pregou abertamente o voto contra a “petralha” Dilma. Agora, ele poderá ser acusado de corrupção e até ser preso por sua ligação com a “máfia das próteses”. O episódio só confirmaria que os corruptos costumam se fantasiar de moralistas para esconder as suas sujeiras! O triste é que muita gente boa – inclusive médicos – acaba sendo manipulada por esta gente inescrupulosa e hipócrita.