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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

SYRIZA: Devagar com o andor...



Comentário: Algumas pessoas tem externado sua empolgação com a vitória do Syriza na Grécia e particularmente creio que é sempre bom se ter otimismo. Mas é importante lembrar que o mundo é governado pelas grandes corporações o que torna o capitalismo cada vez pior e o movimento de resistência dos trabalhadores, dadas a deterioração da qualidade de vida dos operários, mais frágil. E não há esquerda radical sem ruptura também radical com o status quo. Voto de protesto não é necessariamente voto consciente e a população sem consciência é facilmente manobrada. Não conheço a realidade grega, mas analisando os números das eleições vê-se que o partido-nazista Aurora Dourada é a 3a. força política do país, atrás da "Nova Democracia". Desde os tempos de Hitler os fascistas adoram as grandes corporações (Coca-Cola e IBM que o digam). Se o povo não é protagonista político a máxima de Magahães Pinto torna-se realidade. Que o diga o PASOK (partido "socialista" grego) que há 8 anos recebia 38,10% dos votos e que na eleição do último domingo (25/01) quase fica sem representação no Parlamento grego obtendo apenas 4,68% dos votos. Sinceramente espero que o Syriza melhore de fato a vida dos trabalhadores e da juventude da Grécia e não seja mais um a transar com o "retado" monstro Sist.

Fidel Castro: "Não confio na política dos Estados Unidos"

COMENTÁRIO: O velho Comandante sempre com as barbas de molho.


Fonte: Granma; tradução de José Reinaldo Carvalho, editor do Portal Vermelho

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, enviou uma mensagem nesta segunda-feira (26) à Federação Estudantil Universitária no quadro do 70º aniversário de seu ingresso na Universidade de Havana. 

Para meus companheiros da Federação Estudantil Universitária

Queridos companheiros:


Desde o ano de 2006, por questões de saúde incompatíveis com o tempo e o esforço necessário para cumprir um dever — o que me impus a mim mesmo quando ingressei nesta Universidade em 4 de setembro de 1945, há 70 anos —, renunciei aos meus cargos.

Não era filho de operário nem carente de recursos materiais e sociais para uma existência relativamente cômoda; posso dizer que escapei milagrosamente da riqueza. Muitos anos depois, o norte-americano mais rico e sem dúvida muito capaz, com quase 100 bilhões de dólares, declarou ― segundo publicou uma agência de notícias na quinta-feira da semana passada (22) —, que o sistema de produção e distribuição privilegiada das riquezas converteria de geração em geração os pobres em ricos.

Desde os tempos da antiga Grécia, durante quase 3 mil anos, os gregos, sem ir mais longe, foram brilhantes em quase todas as atividades: física, matemática, filosofia, arquitetura, arte, ciência, política, astronomia e outros ramos do conhecimento humano. A Grécia, contudo, era um território de escravos que realizavam os mais duros trabalhos em campos e cidades, enquanto uma oligarquia se dedicava a escrever e filosofar. A primeira utopia foi escrita precisamente por eles.

Observem bem as realidades deste conhecido, globalizado e muito mal dividido planeta Terra, onde se conhece cada recurso vital depositado em virtude de fatores históricos: alguns com muito menos recursos do que necessitam; outros, com tantos que não têm o que fazer com eles. Agora, em meio a grandes ameaças e perigos de guerras reina o caos na distribuição dos recursos financeiros e na repartição da produção social. A população do mundo cresceu, entre os anos 1800 e 2015, de um bilhão a sete bilhões de habitantes. Poderão ser resolvidos dessa forma o incremento da população nos próximos 100 anos e as necessidades de alimento, saúde, água e moradia que a população mundial terá, quaisquer que sejam os avanços da ciência?

Bem, deixando de lado estes enigmáticos problemas, é de admirar pensar que a Universidade de Havana, nos dias em que eu ingressei nesta querida e prestigiosa instituição, há quase três quartos de século, era a única que existia em Cuba.

Certamente, companheiros estudantes e professores, devemos recordar que não se trata de uma, mas contamos hoje com mais de cinquenta centros de Educação Superior espalhados em todo o país.

Quando vocês me convidaram para participar no lançamento da jornada pelo 70º aniversário de meu ingresso na Universidade, o que soube com surpresa, e em dias muito atarefados por diversos temas nos quais talvez ainda possa ser relativamente útil, decidi descansar dedicando algumas horas à recordação daqueles anos.

Impressiona-me descobrir que se passaram 70 anos. Na realidade, companheiros e companheiras, se me matriculasse de novo nessa idade como alguns me perguntam, responderia sem vacilar que seria em uma carreira científica. Ao graduar-me, diria como Guayasamín: Deixem-me uma luz acesa.

Naqueles anos, já influenciado por Marx, consegui compreender mais e melhor o estranho e complexo mundo em que a todos nos coube viver. Pude prescindir das ilusões burguesas, cujos tentáculos enredaram muitos estudantes quando menos experiência e mais ardor possuíam. O tema seria longo e interminável.

Outro gênio da ação revolucionária, fundador do Partido Comunista, foi Lênin. Por isso, não vacilei um segundo quando no julgamento do Moncada, onde me permitiram assistir, mesmo que somente uma vez, declarei perante juízes e dezenas de altos oficiais batistianos que éramos leitores de Lênin.

Não falamos de Mao Zedong porque ainda não tinha terminado a Revolução Socialista na China, inspirada em idênticos propósitos.
Advirto, contudo, que as ideias revolucionárias hão de estar sempre em guarda à medida que a humanidade multiplique seus conhecimentos.

A natureza nos ensina que podem ter transcorrido dezenas de bilhões de anos luz e a vida em qualquer de suas manifestações está sempre sujeita às mais incríveis combinações de matéria e radiações.

A troca de cumprimentos pessoalmente entre os presidentes de Cuba e dos Estados Unidos ocorreu no funeral de Nelson Mandela, insigne e exemplar combatente contra o Apartheid, que tinha amizade com Obama.

Basta assinalar que já naquele dia, tinham transcorrido vários anos desde que as tropas cubanas derrotaram de forma esmagadora o exército racista da África do Sul, dirigido por uma burguesia rica e com enormes recursos econômicos. É a história de uma contenda que está por ser escrita. A África do Sul, o governo com mais recursos financeiros daquele continente, possuía armas nucleares fornecidas pelo Estado racista de Israel, em virtude de um acordo entre este e o presidente Ronald Reagan, que o autorizou a entregar os dispositivos para o uso de tais armas com as quais golpear as forças cubanas e angolanas que defendiam a República Popular de Angola contra a ocupação desse país pelos racistas. Desse modo se excluía toda negociação de paz enquanto Angola era atacada pelas forças do Apartheid com o exército mais treinado e equipado do continente africano.

Em tal situação não havia possibilidade alguma de uma solução pacífica. Os incessantes esforços por liquidar a República Popular de Angola para sangrá-la sistematicamente com o poder daquele bem treinado e equipado exército, foi o que determinou a decisão cubana de assestar um golpe contundente contra os racistas em Cuito Cuanavale, antiga base da Otan, que a África do Sul tratava de ocupar a todo custo.

Aquele prepotente país foi obrigado a negociar um acordo de paz que pôs fim à ocupação militar de Angola e o fim do Apartheid na África.

O continente africano ficou livre de armas nucleares. Cuba teve que enfrentar, pela segunda vez, o risco de um ataque nuclear.

As tropas internacionalistas cubanas se retiraram com honra da África. Sobreveio então o Período Especial em tempo de paz, que durou já mais de 20 anos sem levantar bandeira branca, algo que não fizemos nem faremos jamais.

Muitos amigos de Cuba conhecem a conduta exemplar de nosso povo e lhes explico a minha posição essencial em breves palavras.

Não confio na política dos Estados Unidos nem troquei uma só palavra com eles, sem que isto signifique, muito menos, um rechaço a uma solução pacífica dos conflitos ou perigos de guerra. Defender a paz é um dever de todos. Qualquer solução pacífica e negociada aos problemas entre os Estados Unidos e os povos ou qualquer povo da América Latina, que não implique a força ou o emprego da força, deverá ser tratada de acordo com os princípios e normas internacionais. Defenderemos sempre a cooperação e a amizade com todos os povos do mundo e entre eles os de nossos adversários políticos. É o que estamos reclamando para todos.

O presidente de Cuba deu os passos pertinentes de acordo com suas prerrogativas e faculdades que lhe concedem a Assembleia Nacional e o Partido Comunista de Cuba.

Os graves perigos que hoje ameaçam a humanidade teriam que dar lugar a normas que fossem compatíveis com a dignidade humana. Nenhum país está excluído de tais direitos.

Foi com este espírito que lutei e continuarei lutando até o último suspiro.

Fidel Castro Ruz
26 de janeiro de 2015, às 12h35

sábado, 17 de janeiro de 2015

O atentado ao "Charlie Hebdo" foi um filme mal produzido?

Comentário: Como vovó já dizia: "Canja de galinha e uma dose de Jerry Fletcher não fazem mal a ninguém". Pulga atrás da orelha  sobre o atentado à revista Charlie Hebdo neste texto de Wanderley Roberto Vieira Ferreira.

Do blog Cinema Secreto:Cinegnose
Wanderley Roberto Vieira Ferreira
Sobre o autor
Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som). Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Linguagem Audiovisual. Pesquisador e escritor, co-autor do "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, organizado pelo Prof. Dr. Ciro Marcondes Filho e autor dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose – a recorrência de elementos gnósticos na produção cinematográfica" pela Editora Livrus.
 sexta-feira, janeiro 09, 2015 
Como em todos eventos agudos que envolvem a interminável “guerra contra o terrorismo”, muitos analistas apontam inconsistências, ambiguidades e lacunas na cobertura midiática ao atentado contra o jornal "Charlie Hebdo" em Paris.  São tantas que parece que estamos diante de um roteiro de um filme mal produzido: uma ação militar profissionalmente cirúrgica feita por jovens que esquecem um cartão de identidade no carro da fuga. Coincidências e conveniências para muitos lados (e até para a grande mídia brasileira) envolvem a chacina dos jornalistas e cartunistas franceses, gerando uma espiral de especulações e conspirações. Será que alcançamos o estágio mais avançado do terrorismo, o “meta-terrorismo”? O relato midiaticamente ambíguo de um atentado pode se tornar tão letal quanto o próprio atentado.

Como diria a personagem Church Lady (feita pelo comediante Dana Carvey no programa Saturday Night Live, sempre preocupada com as conspirações satânicas por trás das coincidências): “How Con-VEEN-ient!” (“Tão conVEEEniente!”).

Numa primeira análise, o ataque terrorista (alguns afirmam que foi na verdade uma ação militar pela precisão) ao jornal satírico francês Charlie Hebdo em Paris, que vitimou 12 pessoas entre eles cartunistas, editores e colunistas do veículo francês, tem se revelado bem conveniente para três personagens do atual cenário internacional e, de quebra, para o senso de oportunismo da grande mídia brasileira:


(aa) Para o politicamente desgastado presidente da França François Hollande – 85% dos franceses declaram que Hollande não deveria se candidatar à reeleição e 50% o acusam de não cumprir promessas da campanha, segundo o Instituto Francês de Opinião Pública. Com a economia estagnada e falando para a mídia em “pacto de responsabilidade” onde cada um teria sua cota de sacrifício (aumento de taxação e redução dos custos dos trabalhos), Hollande  acenava com “união” para uma “França forte”. Medo e infelicidade são importantes ingredientes para a unificação diante de um suposto inimigo externo. O 11 de setembro nos EUA provou isso.

(bb) Para o fascismo europeu – com dezenas de milhares indo às ruas das capitais europeias desde o ano passado no movimento chamado Pegida (sigla em alemão para Europeus Patriotas Contra a Islamização do Ocidente), isso sem falar no crescimento eleitoral da extrema-direita de Marine Le-Pen na França, o atentado dá forças à xenofobia alimentada pela crise econômica continental. O atentado cairia midiaticamente como uma luva pois representaria um ataque àquilo que supostamente distinguiria o Ocidente do “obscurantismo” islâmico: a liberdade de expressão.

(cc) Para os EUA – Enquanto em Paris os supostos terroristas faziam uma chacina na redação do Charlie Hebdo, um carro bomba explodia em frente à Academia de Polícia no centro de Saná, capital do Iêmen, resultando em 37 mortos. Informou-se que o braço jihadista da Al-Qaeda do Iêmen reivindicou a autoria. Quase ao mesmo tempo em Paris, os terroristas encapuçados gritavam na rua para todos que pudessem ouvir: “Digam para a imprensa que somos da rede Al-Qaeda do Iêmen”.

Por que agora o Iêmen? O que agora o mundo (ou os EUA) querem com esse país pobre fronteiriço da Arábia Saudita? Leia esse trecho do documento “A Agenda Secreta do Iêmen: por trás dos cenários da Al-Qaeda, o gargalo estratégico do petróleo” de 2010 do Centre of Research on Globalization (CRG): 

“A importância estratégica da região entre o Iêmen e a Somália torna o ponto de interesse geopolítico. Lá está o estreito de  Bab el-Mandeb, um dos sete pontos que os EUA consideram gargalos para o transporte de petróleo – um gargalo entre o cabo da África e Oriente Médio, e uma ligação estratégica entre o Mar do Mediterrâneo e o Oceano Índico”.

O impactante atentado de uma suposta ramificação da Al-Qaeda no Iêmen seria um pretexto perfeito para a militarização da águas em torno de Bab el-Mandeb pelos EUA ou OTAN. Os EUA buscam o controle desses gargalos críticos no mundo. Essa região seria estratégica em um futuro próximo pela possibilidade de controle do petróleo para a China, União Europeia ou qualquer região que se oponha à política norte-americana.

(d)  Para a grande mídia brasileira – diante do fantasma da regulamentação midiática através da possibilidade da implementação Lei dos Meios, oportunisticamente colunistas brasileiros dão o ponta pé inicial na transformação do atentado em combustível para sua agenda. Diogo Mainardi e Felipe Moura Brasil, por exemplo, tentam associar a tragédia de Paris a uma onda ofensiva contra a liberdade de imprensa do qual faria parte “os ataques petistas”.
                    
E ainda, a inacreditável "jornalista" Rachel Sherazade, em comentário na Rádio Jovem Pan, comparou a revista Veja ao Charlie Hebdo. Para ela, o veículo estaria sendo vítima não do radicalismo islâmico, mas do "radicalismo de esquerda".

Um filme mal produzido?

O historiador norte-americano Daniel Boorstin, talvez o primeiro pesquisador a compreender o papel da simulação como elemento dominante da cultura, chamou a atenção da “era do artifício” atual onde a vida pública estaria sendo dominada pelos “pseudo-eventos”: fatos deliberadamente planejados e roteirizados para serem “noticiáveis”, ganhando a atenção da opinião pública – e isso Boorstin escreveu em 1963 no seu livro The Image – a guide of pseudo-events in America.

Para Boorstin, um dos critérios para podermos diferenciar um pseudo-evento de um “evento produzido por Deus” é a sua “ambiguidade” em relação à realidade subjacente. Enquanto diante de um evento real (terremotos, enchentes, desastres aéreos) o interesse está em saber o que aconteceu e as consequências, no pseudo-evento há uma ambiguidade presente através de inconsistências, detalhes inverossímeis e conveniências ou coincidências que tornam o evento noticiável. O pseudo-evento obedece o timing dos ritmo midiático da transmissão das notícias.

Somado ao timing e conveniência a múltiplos interesses que o atentado veio aparentemente de forma involuntária atender, acrescenta-se uma narrativa com diversas ambiguidades. Um roteirista de cinema experiente condenaria a produção como um filme mal produzido. Vamos analisar sete das inúmeras ambiguidades que analistas e teóricos da conspiração estão discutindo:

(a) Apesar da proximidade do Centro de Paris, as ruas próximas ao atentado estavam vazias. O  atentado ocorreu  no primeiro dia dos “Soldes” (temporada de liquidação de inverno dos saldos do Natal que ocorre de 7 de janeiro a 17 de fevereiro), caracterizado pelo frenesi de turistas, grande movimentação de carros. O Citroën dos terroristas estava parado no meio da rua. Particularmente nesses dias de “Soldes” você não consegue ficar parado sem, em questão de segundos, formar-se uma fila de carros;

(b) A suposta execução de um policial numa calçada de concreto foi um ato arriscado para o terrorista: ninguém atira numa superfície de concreto, a não ser que queira ser morto por um ricochete;

(c) Problemas com o “figurino” dos policiais: intrigante é que os policiais anti-terroristas não estavam com capacetes e máscaras. Aparecem no vídeo com boné e roupa casual;

(d) O ponto positivo cinemático é o bom efeito de realidade conseguido com a imagem da execução do policial ferido e indefeso caído na calçada. Apesar do fator inverossimilhança (o ricochete da bala), o roteirista deve ter achado necessário inserir uma imagem de execução, já que as imagens liberadas para as redes de TV do mundo seriam muito “frias” – apesar das informações de 20 vítimas (mortos e feridos) simplesmente não vemos urgência: apenas duas ambulâncias e a foto de uma pessoa ferida. Não há declaração de testemunhas oculares.

A imagem da execução do policial consegue dar uma amostra da suposta crueldade e frieza dos terroristas que invadiram uma redação para matar um por um por chamada através do nome de cada vítima. Comparado com as imagens do atentado de 11 de setembro em Nova York, lá houve mais esmero na produção: um grande número de “extras” correndo em pânico pelas ruas e imagens apocalípticas de urgência ;

(e) A narrativa é extremamente conveniente para as autoridades: policiais encontram um documento de identificação de um dos terroristas no Citroën abandonado ruas acima. Mas com que diabos, por que terroristas do braço iemenista da Al-Qaeda andam com documentos de identidade?

(f) O suposto “atentado terrorista” foi, na verdade, uma “cirúrgica” ação militar metodicamente planejada contra vítimas pré-selecionadas. Foram treinados militarmente, o que, pela logística de assalto demonstrada (proteção em “ala” – quem não dispara “gira”, fechando a saída do alvo – deslocam-se para o veículo de fuga sem correr, atiraram bem com fuzis sem extensão de ombro e apoio axilar), não se encaixam com o perfil que a mídia agora começa a fazer dos jovens – o mais novo dos irmão Kouachi era fã de rap (vídeo dele em shows agora são exibidos), “um aprendiz de perdedor” como declarou seu antigo advogado Vincent Ollivier, limítrofes sociais que viviam de bicos em pizzarias e peixarias.

Surgem informações que ficaram alguns meses no Iêmen sendo treinados (sim! sempre Iêmen), o que lembra o script do atentado de 11 de setembro – os terroristas que jogaram o Boeing 747 contra o WTC teriam feito um curso em um Aeroclube na Flórida...

Uma ação militar precisa com o modus operandi de mercenários ou profissionais a serviço da CIA ou Mossadi levada a cabo por jovens que esquecem o cartão de identidade no carro da fuga... o que lembra o erro crasso de todo roteiro mal feito, chamado pelos roteirista de “Deus ex-machina” – termo para designar soluções arbitrárias, sem nexo ou plausibilidade na narrativa para solucionar becos sem saída em roteiros mal conduzidos.

(g) Embora caricato e canastrão, o roteiro segue o padrão “sujos, feios e malvados” para caracterizar os protagonistas: a aproximação metonímica entre rap, muçulmanos e armas russas (nas primeiras informações da grande mídia destacava-se que os terroristas teriam utilizado “armas russas”). Por isso, os protagonistas se encaixam no padrão RAV hollywoodiano: Russos, Árabes e Vilões em geral. Se o episódio fosse no Brasil, o perfil dos terroristas certamente seria o de funqueiros.

Teorias Conspiratórias

Todas essas ambiguidades estão ajudando a turbinar duas principais teorias conspiratórias: o “Trabalho Interno” (Inside Job – governos estimulam ou permitem determinada ação do inimigo pela conveniência das consequências - algo como foi o ataque de Pearl Harbor para os EUA na II Guerra Mundial) e a teoria da “Falsa Bandeira” (False Flag – operação conduzida por governo, corporação ou organização que simula serem ações do inimigo para tirar proveito das consequências resultantes):

(a) Foi um “Trabalho Interno” – os supostos terroristas sabiam quando e como atacar a sede do Charlie Hebdo. Todos foram assassinados juntos, em uma reunião de pauta do jornal. Os funcionários mais importantes do veículo estavam lá reunidos naquele momento. Os “terroristas” lidaram com a situação como profissionais, o que contraria a prática até aqui do terrorismo – destruição e mortes em larga escala para produzir pânico e repercussão midiática. Foi um assassinato. Os teóricos dessa linha se perguntam: como os terroristas sabiam que os mais importantes nomes do Charlie Hebdo estariam lá, reunidos naquele momento?


 
(b) Foi uma “Falsa Bandeira”- a equipe do jornal estava sob sistemática proteção policial desde 2013 e o editor Stephanie Charbonnier (Charb) estava numa hipotética lista negra da Al-Qaeda. Como, então, foi possível uma ação metodicamente planejada? Os teóricos dessa linha levantam a questão de que no vídeo não há tráfego visível no centro de Paris. Onde foram parar as armas da ação e para onde foram as balas da execução do policial? Ao explorar a teoria da Falsa Bandeira é impossível não trazer à tona a ação de mercenários contratados por agência como CIA ou Mossad. Alguns mais radicais falam de simulação cenográfica pura e simples, assim como teria ocorrido no atentado à Maratona de Boston em 2013.

Hipóteses finais

A narrativa informada pela grande mídia sobre o atentado ao Charlie Hebdo está tão carregada de lacunas, ambiguidades e inverossimilhanças que podem resultar em duas hipóteses:

(a) Estamos diante de mais uma peça de propaganda dominada pela canastrice dos atuais dispositivos de propaganda: vídeos e mensagens excessivamente saturadas, over, melodramáticos (imagine a cena da funcionaria chegando com sua filha pequena e coagida pelos terroristas armados a digitar o código que abria a porta do jornal) e com “appeal” ou “look” semelhante às produções medianas de Hollywood. Hipótese comprovada pela estereotipagem RAV dos supostos terroristas.



(b) Hipótese ainda mais sinistra: as ambiguidades e lacunas foram propositalmente deixadas na produção. Desde os estudos feitos por Gordon Allport e Leo Postman em 1947 (leia A Psicología del Rumor, Psique, 1988), o fator ambiguidade é considerado o fator mais importante na transformação de uma informação em boato ou meme. A dúvida entre a realidade e a mentira dá ainda mais alcance à notícia, produzindo uma espiral especulativa. Portanto, estaríamos diante de um meta-terrorismo: um terrorismo autoconsciente onde o relato midiaticamente ambíguo do atentado se torna mais uma arma letal.

O caso Charlie Hebdo visto por Latuff

Comentário: Considero Latuff um grande artista. Em seu blog evoca uma frase de Glauber Rocha que diz: "A função do artista é violentar". Mas de qual violência falava Glauber Rocha e fala Latuff? Só posso concluir que é a violência de revolucionar o "modus operandi" desse mundo e que é capaz de fazer tremer as classes dominantes.
Outros trabalhos de Latuff em:

https://latuffcartoons.wordpress.com/





Charge de Latuff de 2012, representando o então editor do periódico francês conhecido como Charb.

Charge de Latuff de 2012 e o "dois pesos e duas medidas".

Mais uma sobre a "liberdade de expressão" ocidental. Charge de 2012.


Charge após o "atentado" que mostra o verdadeiro alvo.



O regresso do fascismo: A propósito de Charlie Hebdo

Comentário: Após o "ser ou não ser Charlie" e análises realizadas no calor da hora, esse texto do Prof. Jorge Beinstein se apresenta como uma fonte importante de reflexão sobre a conjuntura mundial após esses "atentados". Estamos assistindo aqui, lá e em todo lugar sinais de que os fascistas estão chegando, estão chegando os fascistas. E isso, infelizmente, não é alarmismo das pessoas de esquerda. É fundamental não subestimar tudo isso e se preparar para elevar bem alto a bandeira do humanismo.     




O regresso do fascismo: A propósito de Charlie Hebdo

Jorge Beinstein - Publicado em Terça, 13 Janeiro 2015 00:00

Do Diário Liberdade

Como era de prever, o ataque contra Charlie Hebdo desatou uma onda mediática global de condenação ao "terrorismo islâmico", um verdadeiro fedor a "11 de setembro à francesa" (1) fica patente.

Como também era de prever, a direita ocidental capitaliza essa onda, na tentativa de orientar para uma combinação de islamofobia e autoritarismo, de justificativa da cruzada colonial contra a periferia muçulmana e, ao mesmo tempo, de impulso em Ocidente à discriminação interna contra as minorias de imigrantes árabes, turcos e outros. E como também era de prever, não faltaram os cortesãos progressistas do sistema que, depois de abrirem o guarda-chuva assinalando em muito primeríssimo lugar que o "ataque terrorista"... "deve ser condenado sem atenuantes" atribuindo-o ao "fanatismo religioso" (obviamente islâmico) passam sissudamente a enumerar algumas culpas ocidentais sem um mínimo de prudência e decoro diante de um assunto que cheira a podre.

O menos que pode ser dito é que o affaire Charlie Hebdo entrou rapidamente para o pântano da confusão: os dois supostos atacantes foram liquidados dois dias após o ataque, ainda não se sabe bem como é que foram tão facilmente identificados em umas poucas horas, salvo que aceitemos a incrível versão policial de que um deles esqueceu seu bilhete de identidade no automóvel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex Subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos assinala que "a Polícia encontrou o bilhete de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (perto da sede de 'Charlie Hebdo'). Não acham isso familiar? Lembrem que as autoridades (norte-americanas) afirmaram terem encontrado o passaporte intato de um dos supostos sequestradores do 11 de Setembro entre as ruínas das torres gêmeas. Uma vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais estúpidos vão acreditar qualquer mentira evidente, vão recorrer à mentira uma e outra vez" (2).

Não haverá julgamento, os irmãos Kouachi nem desmentirão nem confessarão nada. Por outra parte, em diferentes meios jornalísticos aparece a informação de que estes irmãos franceses filhos de imigrantes argelinos teriam sido recrutados há algum tempo pelo aparelho de inteligência francês, que os encaminhou para o yihadismo em sua luta contra o governo sírio. Inclusive aparece o nome do agente recrutador, um tal David Drugeon assinalado desde faz tempo como um personagem de alto nível do aparelho de inteligência francês que, é claro, desmentiu em seu momento essa informação reiterada antes e depois do desmentido por meios de imprensa norte-americanos e europeus (3).

E como se isto fosse pouco, um dia após o "atentado", de maneira muito marginal, deu-se a conhecer o estranho suicídio de Helric Fredou, comissário subdiretor da Polícia judicial de Limoges que trabalhava no caso Charlie Hebdo (4).

Guerras e bobos

Philippe Grasset assinala com razão que o ataque contra Charlie Hebdo não é um "atentado terrorista", mas um "ato de guerra" perfeitamente orientado para um objetivo concreto realizado por meio de uma operação de tipo comando (5).

Mas de que guerra se trata?

Uma primeira constatação é que a França desprega atualmente de maneira formal por volta de 8 mil soldados em diferentes intervenções militares na periferia, mais de 5 mil em África e importantes contingentes na Ásia Central e Médio Oriente, a mais recente delas foi no Iraque com o argumento de combater o "Estado Islâmico" (6). A intervenção no Afeganistão subordinada ao comando militar dos Estados Unidos despregou uns 4 mil soldados em 2009 (7).

Embora a operação mais ruidosa fosse a realizada contra a Líbia, os bombardeios franceses, fator decisivo na intervenção da OTAN, fizeram milhares de mortes entre a população civil, importantes centros urbanos foram destruídos, o Estado líbio foi liquidado. Segundo diferentes avaliações, depois da derrocada de Kadafi, cerca de dois milhões de libios, um terço da população total, deixaram o país no meio do caos, disputado por gangues rivais. Também França intervém ativamente na operação da OTAN contra Síria introduzindo mercenários e armas.

Dito de outra maneira, o Estado francês é hoje uma componente decisiva do dispositivo operacional da OTAN embarcado em uma estratégia de intervenção global destinada à recolonização ocidental do planeta. O comando supremo corresponde, certamente, aos Estados Unidos, e a parte operacional da agressão não se limita a um conjunto de ações militares de tipo clássico, abrangendo um complexo leque de dispositivos destinado à desestruturação, à caotização de diferentes áreas do "resto do mundo", à sua transformação em uma massa informe fácil presa da predação. Assim o demonstra a longa série de intervenções ocidentais recentes na Ásia, Africa e América Latina, em alguns casos através de invasões militares como no Afeganistão e Iraque, em outros combinando bombardeios e/ou introdução de mercenários como em Líbia e Síria ou bem instalando bases militares e inflando exércitos locais e bandos paramilitares, como na Colômbia, mas em todos os casos incentivando formas caóticas e ultra violentas que desarticulam o tecido social, dos quais as realidades atuais do México, Líbia ou Iraque são um bom exemplo.

Estas ações são combinadas com uma larga exibição midiática, destinada a controlar, regimentar as sociedades ocidentais e a degradar, desarticular, submeter o resto do mundo. É reafirmado o velho mito de Ocidente como civilização verdadeira, única com legitimidade universal relegando os demais à categoria de "bárbaros" ou "semicivilizados", segundo as circunstâncias. Mito imperial que atravessou toda a história da modernidade até chegar a sua mutação em delírio criminoso no século XX como fascismo ou nazismo. Desse modo, o liberalismo imperialista civilizador, o cristianismo colonial redentor e o nazismo que floresceram em três momentos diferentes terminam agora em plena decadência sistêmica convergindo em uma mistura e grotesca expressão de sociedades privilegiadas em retirada cultural. Assim é como a Frente Nacional abertamente neonazista convertida no primeiro partido político da França, se vincula na prática com comunicadores ou intelectuais na moda como Éric Zemmour, que reivindica a colaboração com a ocupação alemã durante a segunda Guerra Mundial e a segregação das minorias muçulmanas e outras, todo isso em nome dos "valores cristãos" da França (8) ou outros como Bernard-Henri Levy, instigador do genocídio da OTAN na Líbia. Do alto, o presidente socialista François Hollande explica a intervenção na Síria e Iraque e o apoio ao regime neonazista da Ucrânia como parte de sua luta pela defesa dos interesses da França.

Santiago Alba Rico elogia os assassinados de Charlie Hebdo localizando na categoria de bobos e explica-nos que "está também o horror de que suas vítimas se dedicassem a escrever e a desenhar... tarefas que uma longa tradição histórica partilhada situa no extremo oposto da violência... Em termos humanos, sempre é mais grave matar um bobo que um rei, porque o bobo diz o que todos queremos ouvir embora seja improcedente ou inclusive hiperbólico... O que mata um bobo, a quem encomendamos o dizer livre e geral, mata a humanidade mesma. Também por isso os assassinos de Paris são fascistas. Só os fascistas matam bobos. Só os fascistas acham que há objetos não hilariantes ou não ridiculizáveis. Só os fascistas matam para impor seriedade" (9).

Não creio que Hitler exercendo a arte de escrever, por exemplo "Mein Kampf", estivesse realizando uma atividade oposta à violência, e sim todo o contrário, a legitimando. Por outra parte, é necessário destacar que grandes massacres foram acompanhados pela ridicularização das vítimas. Nesse sentido, a arte de ridicularizar aparece como um complemento necessário da chacina, cobrindo com um manto de humor, oculta a tragédia, desculpabiliza os assassinos.

Tenho diante três fotografias referidas ao "Batalhão policial 101", unidade operativa alemã famosa por sua extrema crueldade durante a Segunda Guerra Mundial nos territórios ocupados da Europa do Leste. Em uma delas se vê um grupo de soldados-policiais alemães morrendo de rir arredor de um velho judeu barbudo, os nazistas muito divertidos estão a ponto de lhe cortar as barbas. Nas outras duas, aparecem custodiando um grupo de judeus na localidade de Lukov, a ponto de serem enviados ao campo de exterminio de Treblinka, em uma delas um soldado nazista se diverte à grande, obrigando um velho judeu farrapento a fazer gestos de bobo (10).

Os reis costumavam incluir bobos na sua corte que espalhavam humor se debochando às vezes astutamente do Rei e de alguns cortesãos, mas sobretudo dos inimigos do reino e dos vassalos mais pobres, camponeses ou humildes artesãos, ridicularizando seus gestos, sua maneira de falar e vestir, isto é, suas culturas. Um bobo da corte não é um bobo de modo geral, não está ali porque sim, não é a expressão de algo bom, sendo antes o encarregado de banalizar a tragédia, de a tornar entretida.

Fazer bobagens na corte, ou seja, em Ocidente, ridicularizando as crenças e costumes de muçulmanos bombardeados, invadidos, colonizados faz parte da banalização do mal, integra a maquinaria ideológica legitimadora da tentativa ocidental de colonização da periferia. O suposto "humor libertário" de Charlie Hebdo ensina-nos que todo pode fazer parte da festa, os fascistas realmente existentes não matam bobos de modo geral, mas certos bobos chatos e em numerosos casos incorporam bobos à sua corte, a ridicularização da vítima é um aspecto significativo do humor fascista, faz parte da humilhação do martirizado.

Finalmente, nem tudo é ridicularizável, não acho que seja um fascista quem considerar inadmissível fazer piada do assassinato em massa de crianças na Palestina, executado pela aviação israealita, ou os massacres de população civil na Líbia realizadas pela aviação da OTAN, ou os assassinatos de camponeses na Colômbia praticados pelos paramilitares. Quem considerar que se é possível converter esses fatos em alvos de chacota pode ou não ser ideologicamente fascista, mas seguramente se trata de um sacana.

Bárbaros e civilizados

Para além de se o ataque contra Charlie Hebdo foi uma operação montada pelo aparelho de inteligência francês, só ou em cooperação com a CIA ou outra estrutura, ou então uma ação de um grupo islâmico manipulada pelo aparelho francês ou inclusive independente e hostil a Ocidente, o que é um fato é que uns ou outros o consideraram um objetivo concreto da guerra globalizada em curso.

Seguindo a "hipótese 11 de Setembro" (autoatentado) se trataria de mobilizar na cruzada imperial a uma Europa abafada pela recessão. Poderíamos fazer coincidir o acontecimento com o anúncio de que a União Europeia vai entrando em uma etapa de deflação que ameaça ser prolongada e completamente submetida à estratégia global dos Estados Unidos. Isso significa que as elites dominantes precisam criar rapidamente fatores de coesão social funcionais às suas aventuras militares e financeiras. O demônio islâmico bem pode justificar, fazer aceitar ou obrigar a aceitar guerras externas combinadas com repressões e empobrecimentos internos.

A quota de barbárie introduzida com o golpe de estado na Ucrânia e a posterior tentativa de depuração étnica no sudeste desse país juntaria com a ascensão generalizada do fascismo na Europa, desde a Ucrânia e o países bálticos, até chegar à Frente Nacional na França e ao movimento Pegida na Alemanha, passando por Aurora Dourada da Grécia. Prefigurando a conformação de um fascismo muito estendido no espaço europeu, coincidente com a previsível ascensão do Partido Republicano nos Estados Unidos. Neste palco, a intensificação de atos de barbárie imperial na periferia estaria convergindo com a internalização de formas significativas de barbárie no centro imperial.

Seguindo a hipótese oposta, estaríamos em presença do início da caotização do centro imperial do mundo, o desenvolvimento da sua "Guerra de Quarta Geração" contra a periferia começaria a ter um efeito boomerang sobre o protagonista ocidental. O caotizador ocidental começa a ser por sua vez caotizado por uma exibição que começa a escapar a seu controle e que gera dislocações em sua retaguarda. A crise econômica, suas derivações financeiras, ecológicas, sociais e militares iriam submergindo o espaço euro-norte-americano em uma espiral descendente irreversível.

Em ambos casos, a imponente civilização ocidental, seus pretensos "valores universais" estariam se evaporando e deixando a nu a sua barbárie profunda.

Notas

(1) Thierry Meyssan, “¿Un 11 de septiembre en París?. ¿Quién está detrás del atentado contra Charlie Hebdo?”, Voltairenet.org, 8 de enero de 2015; http://www.voltairenet.org/article186413.html.

(2) Paul Craig Roberts: "Ataque contra 'Charlie Hebdo' fue una operación de falsa bandera", RT, 11/01/2015; http://actualidad.rt.com/actualidad/162898-roberts-ataque-paris-falsa-bandera-francia-vasallo-eeuu.

ver también: Kevin Barret, “Planted ID card exposes Paris false flag”, PRESSTV, Sat Jan 10, 2015, http://presstv.com/Detail/2015/01/10/392426/Planted-ID-card-exposes-Paris-false-flag.

(3) Mitchel Prothero, “Videos show Paris gunmen were calm as they executed police officer, fled scene”, McClatchy DC, January 7, 2015; http://www.mcclatchydc.com/2015/01/07/252225_gunmen-in-paris-terror-attack.html?rh=1. 

(4) Quenel+, “Le numéro 2 de l’enquête sur Charlie hebdo s’est suicidé”, 8 janvier 2015, http://quenelplus.com/revue-de-presse/le-numero-2-de-lenquete-sur-charlie-hebdo-sest-suicide.html.

(5) Philippe Grasset, “Un “11-septembre à la française” ?”, Dedefensa.org, 08/01/2015.

http://www.dedefensa.org/article-un_11-septembre_la_fran_aise__08_01_2015.html.

(6) “De l'Irak au Mali, le casse-tête budgétaire de l'armée française”, Les Echos, le 23/09/2014, http://www.lesechos.fr/23/09/2014/LesEchos/21777-034-ECH_de-l-irak-au-mali--le-casse-tete-budgetaire-de-l-armee-francaise.htm.

(7) “French forces in Afghanistan”, Wikipedia, http://en.wikipedia.org/wiki/French_forces_in_Afghanistan.

(8) Éric Zemour, “Le suicide français”, Albin Michel, Paris 2014.  

(9) Santiago Alba Rico, “Lo más peligroso es la islamofobia”, Rebelión, 08-01-2015, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=194053.

(10) D. J. Goldhagen, “Los verdugos voluntarios de Hitler”, páginas 314 y 331, Taurus, Madrid, 1997. 


Tradução: Diário Liberdade.