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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Lembrando do João sem Medo

Comentário: Um dia após as eleições para presidente do Botafogo lembro nesta postagem de um dos maiores Botafoguenses de todos os tempos: o Camarada João Saldanha. Acompanhei ontem as parciais da eleição como se fosse uma partida do meu Glorioso. Espero que o Sr. Carlos Eduardo Pereira resgate o Botafogo e o faça ter novamente todo o seu resplendor. Para mim o que o Fogão precisa é de culhão, de gente igual o João. Senta a púa, Fogão!!!


por Raul Miller
“João, que, quando convidado para ser técnico da Estrela Solitária, não aceitou receber salário do time do seu coração, ‘pois só assim posso fazer o que quiser sem me encherem a paciência’.”

“João, que não rejeitava uma parada em nome de seus princípios: ‘minhas ideias valem mais do que minha conta bancária’.”

“João, que, como técnico da seleção brasileira, nunca deixou de denunciar aos quatro cantos as torturas e assassinatos no Brasil em tempos de ditadura militar.”

“João, que dizia que ‘a vida é o que a gente pode tirar da vida’. João, que saiu da seleção bem a seu estilo, estranhando e ironizando João Havelange, que, um dia antes de demiti-lo, o abraçara efusivamente. ‘Se eu não gostasse tanto da minha mulher, casava com ele’.”

“João, que por não ter papas na língua, muitas vezes metia os pés pelas mãos e que podia ser acusado de tudo, menos de não ser verdadeiro nas esquinas de sua vida.”

“João, que teve em uma declaração de Garrincha talvez o maior elogio que recebeu: ‘Seu João deixa (…) a gente jogar o que sabe. Nasci na roça e aprendi a jogar futebol espontaneamente. Não sei receber instruções. Sinto que eles sempre envenenam o meu jogo. Quando eu vim para o Botafogo era um pouco tarde para corrigir esse erro. Como eu não gostava de parecer indisciplinado, tentava cumprir as determinações do técnico. Misturava isto com o que eu tenho de natural, mas nunca deu certo. (…) Seu João mostra os erros mas sempre adverte: se vocês acharem que meu conselho não está certo, podem mudar o jogo. Quem está lá dentro sabe mais das dificuldades. O fato concreto: com seu João eu jogo o que está dentro de mim’.” (Roberto Assaf, Banho de bola, citando entrevista de Mané Garrincha a Ney Bianchi)

“Campeonato carioca de 1971. Botafogo x Fluminense. (…) 43 minutos do segundo tempo. (…) Gol ilegal do Fluminense, com o goleiro Ubirajara do Botafogo sendo empurrado a meio metro do juiz José Marçal. Flu campeão. Em seu comentário final, possesso, João Saldanha disse: ‘Este campeonato foi decidido ali, entre o bebedouro e o mictório. Haja naftalina para tanto fedor.’

“Quando lhe passaram a palavra [durante uma mesa redonda na televisão após o Botafogo conquistar o campeonato de 1967 contra o Bangu e com Manga sob suspeição de estar na “gaveta” do presidente do Bangu, Castor de Andrade], Saldanha voltou à carga. ‘Este senhor Castor de Andrade, bicheiro, contraventor em várias frentes de suas atividades, tenta estender o seu poder para o futebol. Mas o futebol derrotou o senhor Castor, que por incrível que pareça já foi, inclusive, chefe de uma delegação da seleção brasileira em viagem ao exterior, a convite da CBD. O senhor Castor, além de responsável por esta atuação suspeita do goleiro Manga, cometeu a covardia de contratar espancadores contra torcedores do Botafogo. Muita gente me aconselhou a não dizer isto. Mas saiba este senhor que não tenho medo. É só escolher. Terreno baldio no mano a mano, sou mais eu. Se preferir topo revólver ou o que ele quiser…’ Pouco depois Castor invadiu os estúdios da TV Globo com seguranças armados. O programa saiu do ar e o tempo fechou. Em 1980, Castor de Andrade, em entrevista a Marcelo Rezende e Milton Costa Carvalho da revista Placar, abriu o jogo: ‘Eu com duas máquinas na mão. Foi um corre-corre danado.” Castor vai contando e rindo, se diverte muito. ‘Pois bem: o homem é macho, me enfrentou’.”

“Quando foi editado o Ato Institucional número 5 (AI 5), Castor e vários banqueiros de bicho foram presos. Chamaram, João para fornecer provas contra o patrono do Bangu. Recusou-se terminantemente. ‘Não sou dedo-duro e nem vou colaborar com essa ditadura’, disse à época. Assim era João”.

“Vida que segue”.

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