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terça-feira, 29 de abril de 2014

Somos todos filhos da Mama África!!!

Comentário: Grande Chico César, cabra arretado de Catolé do Rocha!!!


MUHAMMAD ALI E SUA LUTA CONTRA O RACISMO

Comentário: Grande lutador contra o racismo!!! Cassius Clay e suas palavras que soam como um cruzado de direita ou um upper na cara dos racistas!!!
Neymar tem muito a aprender com o maior lutador de boxe de todos os tempos.
Como disse Douglas Belchior: "Nada de bananas, nada de macacos, por favor!!!"


https://www.youtube.com/watch?v=qH5ZyPARQuE



Nada de bananas, nada de macacos, por favor!

Comentário: Há alguns dias publiquei sobre o racismo no futebol e uma entrevista com o grande Paulo César Caju, tri-campeão mundial de futebol pela Seleção Brasileira em que dizia que Pelé tinha uma parcela de culpa nessa profusão de atos de racismo no futebol mundial. O "Atleta do Século" nunca se pronunciou acerca do racismo e nunca utilizou o seu prestígio para combater esse câncer em nossa sociedade. Ontem Neymar (que acredito ser futebolísticamente falando da mesma classe de jogadores como Robinho), inicia uma "campanha contra o racismo" afirmando: #somostodosmacacos. No texto a seguir, Douglas Belchior faz uma crítica a essa iniciativa "de" Neymar e denuncia o oportunismo das celebridades e suas bananas. A luta contra o racismo vai além de hashtags e poses na rede mundial de computadores. É uma luta grande!!!



Daniel Alves, a banana e as críticas ao oportunismo na internet

publicado em 28 de abril de 2014 às 23:14
Camisetas colocadas à venda por Luciano Huck na internet (foto UOL)
Charge de Vitor Teixeira, via Facebook
Fotomontagens compartilhadas por Gerson Carneiro no Facebook
Contra o racismo nada de bananas, nada de macacos, por favor!

À esquerda, foto de Neymar em apoio a Daniel Alves; À direita foto de Ota Benga, Zoológico do Bronx, Nova York, em 1906.
 Por Douglas Belchior, na CartaCapital
A foto da esquerda todo mundo viu. É o craque Neymar com seu filho no colo e duas bananas, em apoio a Daniel Alves e em repulsa ao racismo no mundo do futebol.
Já a foto à direita, é do pigmeu Ota Benga, que ficou em exibição junto a macacos no zoológico do Bronx, Nova York, em 1906. Ota foi levado do Congo para Nova York e sua exibição em um zoológico americano serviu como um exemplo do que os cientistas da época proclamaram ser uma raça evolucionária inferior ao ser humano. A história de Ota serviu para inflamar crenças sobre a supremacia racial ariana defendida por Hitler. Sua história é contada no documentário “The Human Zoo”.
A comparação entre negros e macacos é racista em sua essência. No entanto muitos não compreendem a gravidade da utilização da figura do macaco como uma ofensa, um insulto aos negros.
Encontrei essa forte história num artigo sensacional que li dia desses, e que também trazia reflexões de James Bradley, professor de História da Medicina na Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele escreveu um texto com o título “O macaco como insulto: uma curta história de uma ideia racista”. Termina o artigo dizendo que “O sistema educacional não faz o suficiente para nos educar sobre a ciência ou a história do ser humano, porque se o fizesse, nós viveríamos o desaparecimento do uso do macaco como insulto.”
Não, querido Neymar. Não somos todos macacos. Ao menos não para efeito de fazer uso dessa expressão ou ideia como ferramenta de combate ao racismo.
Mas é bom separar: Uma coisa é a reação de Daniel Alves ao comer a banana jogada ao campo, num evidente e corriqueiro ato racista por parte da torcida; outra coisa é a campanha de apoio a Daniel e de denúncia ao racismo, promovida por Neymar.
No Brasil, a maioria dos jogadores de futebol advém de camadas mais pobres. Embora isso esteja mudando – porque o futebol mudou, ainda é assim. Dentre esses, a maioria dos que atingem grande sucesso são negros. Por buscarem o sonho de vencer na carreira desde cedo, pouco estudam. Os “fora de série” são descobertos cada vez mais cedo e depois de alçados à condição de estrelas vivem um mundo à parte, numa bolha. Poucos foram ou são aqueles que conseguem combinar genialidade esportiva e alguma coisa na cabeça. E quando o assunto é racismo, a tendência é piorar.
E Daniel comeu a banana! Ironia? Forma de protesto? Inteligência? Ora, ele mesmo respondeu na entrevista seguida ao jogo:
“Tem que ser assim! Não vamos mudar. Há 11 anos convivo com a mesma coisa na Espanha. Temos que rir desses retardados.”
É uma postura. Não há o que interpretar. Ele elaborou uma reação objetiva ao racismo: Vamos ignorar e rir!
Há um provérbio africano que diz: “Cada um vê o sol do meio dia a partir da janela de sua casa”. Do lugar de onde Daniel fala, do estrelato esportivo, dos ganhos milionários, da vida feita na Europa, da titularidade na seleção brasileira de futebol, para ele, isso é o melhor – e mais confortável, a se fazer: ignorar e rir. Vamos fazer piada! Vamos olhar para esses idiotas racistas e dizer: sou rico, seu babaca! Sou famoso! Tenho 5 Ferraris, idiota! Pode jogar bananas à vontade!
O racismo os incomoda. E os atinge. Mas de que maneira? Afinal, são ricos! E há quem diga que “enriqueceu, tá resolvido” ou que “problema é de classe”! O elemento econômico suaviza o efeito do racismo, mas não o anula. Nesse sentido, os racistas e as bananas prestam um serviço: Lembram a esses meninos que eles são negros e que o dinheiro e a fama não os tornam brancos!
Daniel Alves, Neymar, Dante, Balotelli e outros tantos jogadores de alto nível e salários pouca chance terão de ser confundidos com um assaltante e de ficar presos alguns dias como no caso do ator Vinícius; pouco provavelmente serão desaparecidos, depois de torturados e mortos, como foi Amarildo; nada indica que possam ter seus corpos arrastados por um carro da polícia como foi Cláudia ou ainda, não terão que correr da polícia e acabar sem vida com seus corpos jogados em uma creche qualquer. Apesar das bananas, dificilmente serão tratados como animais, ao buscarem vida digna como refugiados em algum país cordial, de franca democracia racial, assim como as centenas de Haitianos o fazem no Acre e em São Paulo.
O racismo não os atinge dessa maneira. Mas os atinge. E sua reação é proporcional. Cabe a nós dizer que sua reação não nos serve! Não será possível para nós, negras e negros brasileiros e de todo o mundo, que não tivemos o talento (ou sorte?) para o estrelato, comer a banana de dinamite, ou chupar as balas dos fuzis, ou descascar a bainha das facas. Cabe a nós parafrasear Daniel, na invertida: “Não tem que ser assim! Nós precisamos mudar! Convivemos há 500 anos com a mesma coisa no Brasil. Temos que acabar com esses racistas retardados, especialmente os de farda e gravata”.
Quanto a Neymar, ele é bom de bola. E como quase todo gênio da bola, superacumula inteligência na ponta dos pés. Pousa com seu filho louro, sem saber que por ser louro, mesmo que se pendure num cacho de bananas, jamais será chamado de macaco. A ofensa, nesse caso, não fará sentido. Mas pensemos: sua maneira de rechaçar o racismo foi uma jogada de marketing ou apenas boa vontade? Seja o que for, não nos serve.
Sou negro, nascido em um país onde a violência e a pobreza são pressupostos para a vida da maior parte da população, que é negra. Querido Neymar – mas não: Luciano Hulk, Angélica, Reinaldo Azevedo, Aécio Neves, Dilma Rousseff, artistas e a imprensa que, de maneira geral, exaltou o “devorar da banana” e agora compartilham fotos empunhando a saborosa fruta, neste país, assim como em todo o mundo, a comparação de uma pessoa negra a um macaco é algo culturalmente ofensivo.
Eu como negro, não admito. Banana não é arma e tampouco serve como símbolo de luta contra o racismo. Ao contrário, o reafirma na medida em que relaciona o alvo a um macaco e principalmente na medida em que simplifica, desqualifica e pior, humoriza o debate sobre racismo no Brasil e no mundo.
O racismo é algo muito sério. Vivemos no Brasil uma escalada assombrosa da violência racista. Esse tipo de postura e reação despolitizadas e alienantes de esportistas, artistas, formadores de opinião e governantes tem um objetivo certo: escamotear seu real significado do racismo que gera desde bananas em campo de futebol até o genocídio negro que continua em todo o mundo.
Eu adoro banana. Aqui em casa nunca falta. E acho os macacos bichos incríveis, inteligentes e fortes. Adoro o filme Planeta dos Macacos e sempre que assisto, especialmente o primeiro, imagino o quanto os seres humanos merecem castigo parecido. Viemos deles e a história da evolução da espécie é linda. Mas se é para associar a origens, por que não dizer que #SomosTodosNegros ? Porque não dizer #SomosTodosDeÁfrica ? Porque não lembrar que é de África que viemos, todos e de todas as cores? E que por isso o racismo, em todas as suas formas, é uma estupidez incompatível com a própria evolução humana? E, se somos, por que nos tratamos assim?
Mas não. E seguem vocês, “olhando pra cá, curiosos, é lógico. Não, não é não, não é o zoológico”.

Portanto, nada de bananas, nada de macacos, por favor!

domingo, 27 de abril de 2014

Botafogo contra o racismo

Comentário: Como diria Bob Marley: "One love, One Heart". Uma imagem diz muito, mas para além dessa imagem é necessário ações práticas contra o racismo.




Sobre a Copa do Mundo no Brasil 5

Comentário: Um bom texto sobre a Copa do Mundo no Brasil postado na página Política no Face. Aborda a incompetência da Comunicação do Governo. Discordo totalmente quando o texto aborda a questão de que torcer pela seleção seja sinônimo de patriotismo. Infelizmente há algum tempo, desde a campanha do "Melhor do Brasil são os brasileiros" e "Brasileiro não desiste nunca", que a Comunicação do Governo não faz campanhas para mexer com o brio do povo brasileiro. Creio que a Comunicação do Governo é algo mais que incompetente, mas isso é motivo para um outro longo debate.


A COPA É DO BRASIL E NÃO DO PT



Da Página Política no Face

Talvez o problema seja de origem. É que se por um lado FHC trazia o FMI, por outro Lula trouxe a Copa. E são os comunistas do PCdoB que estão à frente do Ministério dos Esportes faz mais de uma década. A antipatia com ambos estimulou e desenvolveu o pensamento conservador brasileiro a ir aos poucos contestando a Copa, coisa que era desejo de décadas do povo brasileiro. Chegam até ao absurdo de dizer que João Figueiredo, o último ditador militar, se negou a sediar a copa para priorizar a saúde e a educação. Como se vê, ele revolucionou as duas áreas...
Aí então parece que o Brasil sediar a copa passou a ser a origem de todos os problemas do país. "Porque a educação brasileira não é perfeita?", ora porque botaram a grana toda na Copa. Sem resposta, esse pensamento simplista e absolutamente equivocado foi se consolidando. Gerou vigorosas manifestações no ano passado. Hoje não adianta mostrar que o orçamento da educação por ano é 4 vezes maior que o custo da Copa (http://goo.gl/qsK2aJ), qualquer carteira quebrada numa escola é culpa do evento. Dizer que na saúde se gasta 5 vezes mais do que a Copa POR ANO (http://goo.gl/i0XgEU) não entra na cabeça daquele que torce para que a copa seja um fiasco.
Muito disso está na campanha midiática de gerar escândalos a qualquer custo. Mas está também na absoluta incompetência comunicativa do atual governo, o pior de todos os tempos nessa área (viu Reinaldo Azevedo, em alguma coisa a gente concorda). Há, além disso, a absoluta arrogância da FIFA e muita confusão de prefeituras na hora de executar seus projetos e obras locais, inclusive no caso das remoções que deixaram 25 mil famílias insatisfeitas (antes que nos batam, 250 mil remoções, 10% não curtiram e DEVEM buscar reparação judicial). Prefeitos e governadores aproveitaram a Copa pra incluir trocentas obras de mobilidade como obras do evento - justas - mas que as vezes nada tem a ver com o evento. Tem até hospital na Matriz da Copa.
Fora isso tudo, a copa é um INVESTIMENTO que se faz e que dá LUCRO ao país, além do lucro dado aos que exploram comercialmente o evento em todas as suas áreas. Os gastos com estádios, por exemplo, já foram pagos só com o que entrou no estado brasileiro com a Copa das Confederações (http://goo.gl/evGXbm).
Outra loucura é achar que o Brasil não vai ter capacidade de organizar a Copa. Se já fizemos uma em 1950, imagine agora...
Mas acima de tudo o que se fez de pior foi partidarizar o evento. Os que não gostam do governo, encontraram na Copa a antipatia necessária para atacá-lo. Não entendem que a dimensão do Mundial 2014 ultrapassa em muito o papel do governo federal, que entrou nas obras de mobilidade e como coordenador das ações envolvidas. Os estádios ou são estaduais, ou são de clubes, ou são de consórcios que vão explorar seus lucros. Alguns deles belíssimos, como a Arena Pernambuco, construída pelo neo oposicionista Eduardo Campos. Ou o fantástico Mineirão, feito pelo governo mineiro. O estádio do Corinthians, onde vai ter abertura da Copa, conta com apoio público, do Governo de São Paulo, de Geraldo Alckmin. A comercialização do evento é praticamente toda privada, o governo só taxa os impostos. A Globo vai ganhar uma pequena fortuna gerando imagens para o mundo todo. Os hotéis que vão abrigar mais de 600 mil turistas, que gastam entre 300 e 600 dólares por dia, são todos privados. As companhias aéreas contam com a copa para suspirar, pois seus gastos com investimentos diante do aumento dos voos são sufocantes (não é à toa que TAM e GOL tem prejuízos todos os anos, apesar de ter quadruplicado a venda de passagens. Precisam pagar pelos aviões comprados). Os 250 milhões que serão gastos com churrasquinho e souvenirs não tem nada a ver com o governo, que nem vai ver imposto disso.
Definitivamente, não matem a alegria de um povo que ama e venera o futebol. Isso é pura tolice. A experiência mostra que o resultado da Copa não influenciará as eleições. A seleção pode ser campeã e Dilma perder, como aconteceu com a vitória de Lula em 2002 no governo FHC. O Brasil pode ser derrotado e Dilma ganhar, como aconteceu nas últimas copas. Dilma, Aécio e Eduardo e todos os candidatos vão torcer pela seleção brasileira. Sabem que o evento vai botar mais de 120 bilhões no caixa do governo para poderem investir em seus projetos para o país. Fora o que botam no caixa de governos estaduais.
Torcer pelo sucesso da copa não é governismo, é patriotismo. Além dos bilhões, a copa vai gerar visibilidade positiva ao país, vai enaltecer nossas belezas e nosso povo para o mundo inteiro. Quem pode ser contra isso?
A copa, senhoras e senhores, não é do PT. É do Brasil. Pode torcer a vontade.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pelé e o racismo no futebol

Comentário: Pelé quer receber elogios em vida. Uma coisa Pelé: tá difícil! Quando converso com os amigos de outros países e digo que Pelé não é amado pelo povo brasileiro eles ficam boquiabertos. Pelé foi um grande jogador de futebol, mas está muito longe de ser merecedor do carinho e estima do povo brasileiro. Como disse Maradona sobre Pelé: "Há 20 anos que ele não faz nada. Não é visto nem no supermercado.O único lugar onde podemos vê-lo atualmente é nas entregas de prêmios junto do presidente da Fifa, onde ele parece um boneco de controle remoto." Essa entrevista com Paulo César Caju sobre os atos de racismo que vem acontecendo no futebol brasileiro diz muito sobre o papel que o "atleta do século" poderia jogar nesta luta.

Paulo C. Caju diz que Pelé também tem culpa por racismo 

Paulo César caju: Tri-campeão pela seleção brasileira

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro 10/04/201406h00

"Isso é coisa muito séria, não vou falar por telefone. Esse assunto precisa ser debatido, conversado". Foi assim que o ex-jogador Paulo Cezar Caju respondeu ao primeiro contato da reportagem do UOL Esporte ao ser questionado sobre a polêmica do racismo no futebol nos últimos meses. E, de fato, o tricampeão do mundo pela seleção brasileira falou bastante sobre o tema que ganhou ainda mais repercussão no Brasil após os casos do árbitro Márcio Chagas, no Rio Grande do Sul, do meia Tinga, no Peru, e do volante Arouca, em Mogi Mirim.
Relaxado nas areias da praia do Leblon, no Rio de Janeiro, Caju analisou com calma o assunto e não poupou ataques àqueles que ele considera os grandes culpados pelo preconceito ainda marcar presença nos campos e estádios. E as críticas mais duras foram para um ex-companheiro bastante conhecido: Pelé.
Segundo o ex-jogador com passagens marcantes por Botafogo, Fluminense, Flamengo, Grêmio e Olympique de Marselha, Pelé não se comporta da melhor maneira em relação ao racismo, se omitindo de uma luta que poderia ser vencida com a participação do maior atleta do século.
"As grandes entidades precisam se posicionar e não fazem. E o que dizer do maior jogador do mundo? Ele é lamentável neste caso, não se posiciona. É um absurdo. O cara é o atleta do século, a figura mais popular do mundo e não usa isso para brigar por causas justas. E sempre que abre a boca para se pronunciar não fala nada correto", atacou Caju.
"A declaração do Pelé nos últimos dias (vídeo abaixo) foi patética, dizendo que mortes em obras de estádios são normais. Pelo amor de Deus, como é ridículo. E fica dizendo que devemos nos preocupar com a Copa. Ele só pode estar brincando. Copa é o car... Cheio de problemas no país, o povo protestando contra corrupção, desordem, brigando por condições melhores e ele só preocupado com Copa. Isso já diz muito sobre a postura dele", analisou.
Paulo Cezar relembrou até grandes líderes mundiais negros para criticar Pelé, aquele que, segundo Caju, "não fez nada de bom fora de campo".
"Se o Pelé tivesse um pouco de noção ou sensibilidade, faria uma revolução neste caso [racismo]. Ele tem mais repercussão que líderes políticos e religiosos. Mas não, prefere ficar falando besteira. E, na boa, nem quero mais falar dele. Não vale. Temos que falar de Muhammad Ali, Martin Luther King, Nelson Mandela... Estes, sim, foram grandes líderes que aproveitaram o espaço que tinham para brigar pelos negros. Abdicaram de suas vidas e compraram brigas sérias, coisa que o Pelé deveria fazer e nunca fez. É brincadeira".
Com vasta experiência no futebol brasileiro e internacional, inúmeros jogos pela seleção ao redor do mundo e passagens marcante pela Europa (futebol francês), Caju diz que a questão do racismo assusta nos dias atuais, visto que em sua época de atleta era uma coisa mais contida.
"Isso choca muito, principalmente porque eu não estava acostumado com isso quando joguei. Nunca ouvi um tom de discriminação, nem na seleção, nem na França. Passei por um caso isolado em 1968, mas não lembro dessas agressões que acompanhamos hoje.  Fiz uma excursão com o Botafogo para Bagé, no interior do Rio Grande do Sul, que era a cidade de um dirigente do clube. Fomos lá no Country Clube da cidade, jogamos, vencemos e depois teria um jantar. Quando chegamos lá à noite, paramos em uma outra porta do clube e tinha a placa 'proibido a entrada de negros'. Voltamos para o hotel na mesma hora, pegamos o ônibus até a Porto Alegre e depois embarcamos para o Rio. Nunca mais voltei lá", recordou.
Por fim, Paulo Cezar Caju disse que as entidades precisam aplicar punições mais severas do que simples multas aos autores para que que o preconceito não se faça presente.
"Esse racismo está se tornando uma coisa banal. As punições da Fifa não existem, são uma m... Tudo isso contribui. As pessoas responsáveis seguem sem punir como deveria. Numa boa, tem que tirar do campeonato imediatamente, prender o cara. Se não der o exemplo, não acaba. A Federação Gaúcha não fez m... nenhuma no caso do árbitro. Não dá. No dia seguinte, vão fazer de novo. No caso do Cruzeiro, uma punição ridícula da Conmebol [multa de 12 mil dólares]. Em São Paulo, idem. Assim não dá. Tem que existir uma punição severa. O que mais me preocupa é isso. Daqui a pouco, se não controlarem, a briga tomar uma proporção incontrolável. E imagina se os negros resolvem começar a reagir. Não dá. Tem que haver um grito de basta nisso, não dá para aceitar essa guerra de raças"

A reportagem entrou em contato com a assessoria de Pelé para que o ex-jogador comentasse as declarações de Paulo Cezar Caju, mas não obteve uma resposta até o fechamento da reportagem.

Sobre a Copa do Mundo no Brasil 4: Pelé é mais um rato tentando pular fora do barco

Comentário: Quando Einstein explicou sua Teoria da Relatividade no início do século XX poucas pessoas entenderam. Quando Pelé fala ninguém entende. Pelé é mesmo um gênio. Mais um rato tirando o dele da reta.



Pelé se diz incompreendido em entrevistas e criticas jornalistas: 'não entendem o que eu digo'
Por ESPN.com.br com Agência Gazeta Press
Pelé já se acostumou com as polêmicas que resultam de suas entrevistas, mas se diz incompreendido pelo público e pela imprensa. Aos 73 anos, o melhor jogador de futebol de todos os tempos manifestou o desejo de ser reconhecido em vida por seus feitos no esporte.
"Muitas vezes, as pessoas não entendem. Já estou nessa vida há muito tempo e sei que o que os jornalistas querem é escrever. As duas últimas críticas que me fizeram, por exemplo, foi porque não entenderam o que eu disse", afirmou Pelé nesta quinta-feira, em São Paulo.
O ex-jogador foi criticado por considerar "normal" um acidente fatal durante a construção do estádio do Corinthians, sede do jogo de abertura da Copa do Mundo, e por desencorajar a população a promover manifestações durante a disputa do torneio.
"O futebol é o esporte que mais promove o Brasil. Falam muito dos estádios superfaturados, da corrupção, do caso da Petrobras. A gente sabe de tudo isso. Mas o que os jogadores têm a ver? Eles não têm culpa pela corrupção", afirmou, tentando explicar seu ponto de vista.
O ex-jogador costuma ser ridicularizado por Romário, atual deputado federal e autor da célebre fase: "Pelé calado é um poeta". As previsões do antigo camisa 10 antes das Copas do Mundo também já foram motivos de chacota em países como Colômbia e Chile.

"O brasileiro é muito exigente, principalmente no futebol. É uma coisa que não tem explicação", disse Pelé, antes de fazer um pedido. "Quando alguém morre, vira bonzinho. Quero ser elogiado em vida, quero me reconheçam agora. Não esperem que eu morra para me elogiar".

Sobre a Copa do Mundo no Brasil 3: Ronaldo "O Fenômeno"

Comentário: Os ratos pulando pra fora do navio. Esse cara é mesmo um rato. Os destaques em vermelho nos levam à reflexões, como vovó já dizia: "Pra quem sabe ler um pingo é letra".

Tio Ronaldam, convoca pra Copa - Quanto não ganhou com esse comercial?



Ronaldo valoriza cargo no COL, mas critica políticos e não vê Copa do Mundo como 'salvação' do país

Fenômeno não se arrepende de ter aceitado cargo para ajudar na organização do Mundial e, de olho na evolução do Brasil, pede consciência ao povo nas eleições deste ano

Do Lancenet

Bruno Andrade - 25/04/2014


Membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, Ronaldo acredita que o Mundial não resolverá todos os problemas enfrentados pelo Brasil. Convidado especial do 1° Fórum de Gestão Esportiva, organizado pela IESE Business School, nesta sexta-feira, em São Paulo, o ex-atacante da Seleção Brasileira criticou duramente os políticos do país.
- Nas Copas fora do país, como jogador, eu sempre vi tudo certo, aeroportos e hotéis tranquilos, tudo em ordem. Agora, como se trata de Brasil, as coisas se complicam ainda mais. Mas ainda vejo a Copa como uma grande oportunidade de crescimento para o país. Uma oportunidade para crescermos. No entanto, a Copa do Mundo não vai resolver todos os nossos problemas. E são muitos problemas - declarou.
- Infelizmente, muitas obras não vão ficar prontas até a Copa, mas já fico feliz de ver que elas ao menos começaram. O brasileiro tem achado que a Copa vai ser a salvação do nosso pais, com avanço na educação, saúde e segurança. Ela vai trazer vários benefícios, mas não vai resolver estes problemas - complementou.
Ao criticar os políticos, Ronaldo lembrou que somente os esportistas têm dado alegrias ao povo brasileiro nos últimos anos. Hoje, no entanto, o ex-jogador está trabalhando diretamente com a organização da Copa do Mundo.
- Não me arrependo (de ter assumido o cargo de membro do COL), pois meu papel é o de motivar as pessoas sobre as oportunidades com a Copa. Sou contra superfaturamento de obras e estádios, contra a corrupção, mas não sou eu que faço auditoria, não sou eu que assino contratos, não sou eu que contrato ninguém. Espero que a população cobre cada vez mais os nossos políticos. A população está de saco cheio com tudo o que está acontecendo no país - criticou.
Revoltado com a situação política do país, o Fenômeno ainda fez um apelo aos brasileiros: votar com consciência nas eleições deste ano (para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual).
- Está chegando a hora de mostrarmos o nosso valor, as eleições estão chegando e é preciso escolher bem os candidatos. É a população que escolhe os politicos, não pode reclamar depois. É hora de organizar a casa e fazer as coisas direito. Investir em saúde e, principalmente, em educação, que é a coisa mais importante e que irá salvar o nosso futuro. Precisamos escolher bem os nossos politicos - finalizou.



Sobre a Copa do Mundo no Brasil 2



Em 15 de março publiquei um post sobre a Copa do Mundo no Brasil e sobre um evento que debateu o assunto e que esperava fosse um ponto de inflexão na postura de submissão que o governo tem tido com a FIFA, atitude que tem afastado o governo do povo no que diz respeito à Copa. Volto a afirmar que promover uma Copa do Mundo no Brasil é mais do que justo, haja visto que esse esporte é uma paixão nacional. Mais uma vez  repito as sábias palavras de Stédile: "os 8 bilhões de reais investidos na Copa correspondem a 2 semanas de juros da dívida pública brasileira". Esses 8 bilhões não vão resolver os nossos problemas em saúde e educação e é certo a Copa trará divisas para o país, principalmente no turismo. É lamentável assistirmos no entanto alguns fatos que ocorrem nas cidades-sede como no Rio de Janeiro onde a PREFEITURA (e não o governo federal) está promovendo uma "limpeza" nos cartões postais da cidade por conta do mundial. Uma outra questão importante que deve-se debater é acerca do legado da Copa do Mundo para o país como: (i) a infra-estrutura urbana (que na maioria das cidades-sede não foi construída); (ii) a utilidade das arenas depois do Mundial de Futebol (que podem ter uma função social importante - se não forem entregues à consórcios como o Maracanã), (iii) a melhoria do futebol brasileiro em termos de moralização (infelizmente o candidato de Marín foi eleito e a múmia-torturadora continua mandando na CBF como vice-presidente); (iv) a melhoria do futebol em termos de organização (continuamos assistindo à violência nos estádios, muitos clubes - como o meu Botafogo - estão à bancarrota); (v) democratização do futebol (uma boa notícia foi o movimento do Bom Senso FC, mas que está correndo o sério risco de se esvaziar); (vi) o futebol para todos (infelizmente as arenas têm sido sinônimo de elitização). 
O que é decepcionante nisso tudo é que episódios como o do tal Valcke que disse " O Brasil merece um chute na bunda", mostram o tanto que o governo dobrou as costas para que a FIFA pudesse montar sobre o país e os brasileiros. O governo apostou muito na Copa, em outras palavras colocou muito o seu na reta, num evento que é um Rock in Rio do Futebol em que o Medina é o Blatter e seus asseclas (metáfora polêmica essa também!). O fato é que o sucesso de um governo que nos últimos quatro anos, a trancos e barrancos, deu continuidade a um "projeto" iniciado em 2003 e que incontestavelmente melhorou em demasia a vida do povo está visceralmente ligado ao sucesso desse evento promovido por uma empresa (FIFA). 
Em 14 de dezembro de 2013 lí um artigo de Antônio Lassance, na Carta Maior, intitulado: "A Copa pode ser a bala de prata da oposição em 2014?". Há um mês e meio do evento e considerando que o governo não tomou uma atitude mais enfática no sentido de ganhar o povo pra Copa, vendo ratos como Ronaldo o "Fenômeno" pulando fora do barco e tirando o seu da reta, espero que a resposta à Lassance seja um rotundo NÃO!!!


sexta-feira, 18 de abril de 2014

18 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: Para que ninguém se esqueça!

Comentário: Como diria Renato Russo: "E essa justiça desafinada é tão "humana" e tão errada".


AE - 29/04/1996


Curva do “S”, em Eldorado dos Carajás, amanhece tomado pelos Sem Terra
18 de abril de 2014

Por Márcio Zonta 
Da Pagina do MST

A Curva do “S” na BR 155, em Eldorado dos Carajás, amanheceu como há 18 anos, tomado pelos Sem Terra.

Um mar vermelho monocolor tomou a pista e, com um ato político - cultural rememorou um dos principais massacres da história do Pará contra camponeses.

Vinte e um trabalhadores tombados no dia 17 de abril de 1996 pela Polícia Militar marcaram para sempre a história de uma curva, antes, insignificante aos olhos de quem transitava pela rodovia.

“Eu sempre que passo por aqui olho para essas castanheiras, diminuo a velocidade e faço o sinal da cruz”, conta o caminhoneiro Manuel Catará, que de fora da boleia do caminhão assiste ao ato, fazendo referencia as arvores que simbolizam os trabalhadores assassinados.

Para Tito Moura da coordenação nacional do MST no Pará, o Massacre de Eldorado dos Carajás não foi somente contra o movimento: “Esse genocídio é contra toda a sociedade, não somente a nós, pois foi contra toda a classe trabalhadora do campo e da cidade”, expõe.

Esse é o sentimento de muitos que agüentam o sol forte intercalado aos chuviscos do inverno amazônico no meio da estrada. A professora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), Célia Regina, afirma que sua presença é pela solidariedade de classe que tem pelos trabalhadores do campo.

“Minha vinda é pela questão da memória por um massacre que acontece todos os dias contra o povo e o fundamental é lutar a favor da concretização da reforma agrária que dê condições para as pessoas viverem no campo e garantir nosso alimento saudável na cidade”, diz.

Estudo de Cena 

A cena do crime ainda é real, quase duas décadas depois. Para dinamizar ainda mais o local, o grupo paulista Estudo de Cena acampou com os jovens militantes do MST por toda semana.  No meio da estrada interditada nessa manhã tirou sentimentos  do público que parou para assistir ao espetáculo teatral.

“Eu to ali no carro esperando os Sem Terra abrirem a pista, meio furiosa porque tenho compromisso em Marabá, mas agora até mais calma com essa gente encenado. Me emocionei, depois fiquei com raiva de quem matou eles”, fala Minerva Souza,que trabalha numa empreiteira.

A peça a qual a jovem se refere traz a história da carnificina ocorrida na tarde do dia 17 de abril, chamada a Farsa da Justiça, escrita em 2005 pelo coletivo de cultura do MST.

“Nosso objetivo é colocar o teatro a serviço da luta de classes. Estar aqui é somar com a força do movimento. A gente acredita que o esquecimento do massacre faz parte do massacre então não podemos nunca deixar isso acontecer e deixar essa burguesia assassina impune”, protesta Diogo Noventa, integrante da trupe.

Ayala Ferreira, também dirigente nacional do MST no Pará acredita que a mobilização todo ano do MST na pista ajuda a desnaturalizar o acontecido. “Desde que nós construímos a mística do acampamento o objetivo foi manter viva essa chaga de nossa história e afirmar a continuidade de nossas lutas por meio da nossa juventude Sem Terra”, define.  

No quintal do crime

Para uma mulher, em especial, já com seus quase setenta anos, o Massacre de Eldorado dos Carajás nunca vai se naturalizar.

Dona Rita, testemunha ocular da tarde sangrenta é dona do quintal onde tudo ocorreu. Desde abril de 1996 até hoje eu recebo os Sem Terra aqui com o maior prazer, já vi tanto menino e menina crescer por esses anos.

Com olhos marejados e abraços apertados começa a se despedir de homens, mulheres, crianças, jovens e idosos, que participaram de mais um ano da história do Massacre de Eldorado dos Carajás.

“Já estou ficando triste com a ida desse povo embora”. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Gabo, presente!


Comentário: A primeira vez que ouvi falar de Gabriel Garcia Márquez foi na novela Ana Raio e Zé Trovão da extinta TV Manchete nos idos de 1990. Naquele folhetim havia um escritor chamado Armando Rosas, interpretado pelo ator Luiz Maçãs, que escrevia cartas de amor endereçadas a um misterioso GGM. Todos queriam saber quem era GGM. Seria uma mulher, um homem? Depois de um tempo o mistério foi revelado: GGM era Gabriel Garcia Márquez, escritor colombiano e vencedor do Nobel de Literatura. Depois tive o prazer de ler "Cem anos de solidão", uma obra maravilhosa e inspiradora. Me recordo que a versão que lí tinha desenhos do pintor baiano-argentino Carybé. Como era muito metido a artista me recordo que pintei um "quadro" totalmente inspirado num desenho de Carybé representando a morte do Coronel Buendía. Esse "quadro" dei de presente a uma amiga de universidade e uma hora dessas (o "quadro") já deve ter se biodegradado. Relato essas experiências para demonstrar o quanto GGM é inspirador. Além de um escritor extraordinário, Gabo foi um homem extremamente envolvido com a luta do povo, um defensor das revoluções socialistas na América Latina e amigo pessoal do Comandante Fidel Castro. Hasta siempre, compañero!!!

Fidel e Gabo


domingo, 6 de abril de 2014

A história de Juliana, a menina que gostava de sorvete de morango

Comentário: Conforme dito anteriormente abaixo uma matéria do Estado de Minas sobre a filha da militante Gilse Cosenza e as tirinhas de Henfil que driblaram a Ditadura Militar. Tive a honra de conhecer pessoas maravilhosas como Gilse e Gildásio, irmaõs e militantes que dedicaram a sua juventude por lutar por um Brasil democrático, justo e solidário.
Do Estado de Minas
Conheça a história de como o cartunista Henfil conseguiu driblar a ditadura com desenhosO cartunista Henfil conseguiu contar com desenehos para a cunhada, presa e torturada, que a filha estava bem


Publicação: 02/03/2014 00:12 Atualização: 02/03/2014 08:06


O Estado de Minas conta duas histórias que pouca gente conhece, mas que mostram bem a tensão e o terror dos anos de chumbo que se seguiram após a queda do presidente João Goulart (1919-1976), em 31 de março 1964. A ex-militante Gilse Cosenza, cunhada do cartunista Henfil, e a artista plástica Yara Tupinambá são as personagens principais dessas histórias narradas nesta edição, dentro da série iniciada pelo EM no domingo passado para lembrar os 50 anos do Golpe de 1964, que levou os militares ao poder.





Graúna, o bode Francisco Orelana, o Capitão Zeferino e os frades Cumprido e Baixim são todos
geniais personagens de Henfil, mas, apesar de marcarem  a história do cartum brasileiro, nenhum deles conseguiu ser tão politizado e passar uma mensagem certeira como um desenho do irmão do Betinho, que para a maioria dos leitores soou despretensioso. Uma criancinha advertida em uma tirinha publicada em jornal: “Juliana, chega de comer sorvete com morango, pois você vai ter caganeira”.
Para entender a história é preciso voltar ao início dos anos 1970, quando Gilse Cosenza, então uma aguerrida militante da Ação Popular (AP), estava presa na Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Era o auge da repressão, iniciada com o golpe militar, em 1964, e agravada com a decretação do Ato Institucional número 5 (AI-5), em 1968. Gilse foi barbaramente torturada nos porões da ditadura em Belo Horizonte e quando foi presa, sua filha Juliana tinha apenas 4 meses. A irmã de Gilse, Gilda Cosenza, era casada com Henrique de Souza Filho, o Henfil, que ainda hoje é chamado carinhosamente por elas de Henriquinho.
Gilda e Henfil cuidaram de Juliana por dois anos, enquanto Gilse estava presa. Gilse recorda que quando chegou ao presídio em Juiz de Fora não sabia como estava sua filha. “Durante as sessões de tortura, eles (torturadores) colocavam uma criança chorando, dizendo que estavam maltratando a Juliana”, lembra Gilse da violência psicológica, acompanhada das barbáries físicas.
Quando foi transferida para Juiz de Fora, Gilse recorda que a condição era melhor. “Fazíamos greves de fome para ter direito a banho de sol e até conseguir ler um jornal diário”, destaca. “Quando chegou o primeiro exemplar do Jornal do Brasil todas queriam o primeiro caderno para ler as notícias de política, mas eu queria ver a parte com os cartuns para saber se estava tudo bem com o Henfil e, assim, com a Juliana.”
Quando leu o quadrinho, ela não se recorda se era com a Graúna ou algum dos fradinhos, viu um recado, que a fez chorar de emoção e gritar de alegria para as colegas de luta que estavam presas: “Juliana, chega de comer sorvete com morango, pois você vai ter caganeira”. O recado cifrado de Henfil fez com que Gilse soubesse que sua filha estava bem. “Depois, soube que não era a primeira vez que ele fazia isso”, conta Gilse. O irmão dela, Gildásio, que também era preso político, assim como o marido, Abel Rodrigues Avelar, também recebiam recados cifrados de Henfil.
 “Eles esconderam, protegeram e criaram minha filha”, recorda Gilse. O agradecimento dela foi tanto, que, quando ficou grávida pela segunda vez, ainda levando uma vida clandestina, com nome falso, decidiu que o nome do filho seria um agradecimento para a irmã e o cunhado. “O nome dela vai ser Gilda, se for menina, e Henrique, se for menino. Foi uma forma de dizer obrigado”, lembra Gilse, que batizou a filha com o nome da irmã.
NAMORO Gilse era namorada do também militante da AP Abel, amigo de Henfil. Os dois estudavam juntos na Faculdade de Economia da UFMG. “O Henriquinho era espirituoso em tudo. Minha irmã já estava namorando, mas ele ficou doido com ela.”, recorda Gilse. Ela lembra que Gilda vestia uma saia xadrez em preto e branco e o Henfil tentou conquistá-la de todas as maneiras. “Ele fez uma charge e colocou um desenho de uma moça com aquela saia sentada em um banco de praça com o namorado e com um desenho dele entrando por trás dos dois e separando”, recorda Gilse.
Outra história da corte de Henfil é um documento, com tom de galhofa, que ele registrou em cartório e entregou a Gilse e Abel dizendo que se comprometia a dar um pagamento mensal para o resto da vida se eles dessem força para que ele conseguisse namorar Gilda. Os planos, aliados a outros, deram certo e os dois começaram a namorar.
Quando a barra pesou para Gilse, em 1967, ela tinha que sair de Belo Horizonte e viver uma vida clandestina. “Eu não podia mais dormir na casa do meu pai. Cada dia tinha que dormir em um lugar. Fiquei sabendo que havia uma lista de 17 líderes estudantis que seriam presos a qualquer momento”, lembra Gilse. Ela foi avisar o namorado, que decidiu ir junto. Porém, quando avisou o pai, escutou: “Filha comunista já um problema grande, mas amasiada é demais. Casa primeiro, mas casa rápido”. Quando Henfil soube da situação, decidiu aproveitar o embalo e se casar também com Gilda. “Se é para limpar a moral da família limpa a área toda”, disse Henfil, segundo Gilse. E assim os dois casais se casaram no mesmo dia, na Igreja Santo Antônio.
DOENÇA “O Henriquinho era uma pessoa muito contraditória. Por um lado, era um gênio, um artista, uma pessoa muito inquieta, que queria desvendar o mundo e a sociedade. Ele queria sempre mudar e buscar novas situações. Inclusive para o trabalho dele. Por outro lado, ele tinha o problema da hemofilia, que fazia ele sofrer muito e o impedia de muita coisa”, conta Gilse.
Juliana Cocenza hoje tem 45 anos e lembra do tio Henfil como “um cara extremamente brincalhão”. Ela recorda de uma foto em que ela está com ele, em 1979, quando foi decretada a anistia. Na foto também está a irmã de Juliana, Gilda. Outra recordação que ela guarda é um bilhete deixado pelo tio, lamentando não ter se encontrado com ela em São Paulo, em 1984. “Ele gostava de brincar com tudo quanto é tema e brincava com os assuntos da vida. Passou muito disso para o cartum”, destaca Juliana. “Tenho uma gratidão sem tamanho por ele e por minha tia. Sem tamanho. Eu devo minha vida a eles.”
Gilda, a tia de Juliana, lembra que a criança estava muito frágil, quando uma companheira de Gilse a levou para seus cuidados. “Tinha 4 meses e apenas três quilos”, detalha. Gilse teve gêmeas prematuras, mas somente Juliana sobreviveu e precisava de cuidados intensos. “É importante falar dessa época para que as pessoas não se esqueçam disso. Assusta-me muito que os jovens não saibam o que foi a ditadura, o que essas pessoas passaram e o horror que foi a tortura”, lamenta Gilda.
Traços da resistência

O mineiro Henrique de Souza Filho, o Henfil, nascido em Ribeirão das Neves, foi um dos maiores cartunistas brasileiros. Resistiu à ditadura com cartuns inteligentes e irônicos e é o autor da expressão “Diretas Já”, que marcou a campanha pela volta das eleições populares para presidente e pelo fim dos anos de chumbo. Fez história no semanário O Pasquim, em companhia dos não menos brilhantes Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Paulo Francis e Ivan Lessa. Em 5 de fevereiro Henfil completaria 70 anos, mas morreu em janeiro de 1988, um mês antes de completar 44 anos, vítima do vírus da Aids, contraído em uma das transfusões de sangue a que era submetido periodicamente. O cartunista era hemofílico, assim como seus irmãos o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e o músico Chico Mário. Henfil teve um filho com Gilda, Ivan Cosenza, hoje responsável pela acervo da obra do pai. Recentemente, a Coleção Fradim foi relançada pelo instituto e ONG batizados com o nome do artista.

Crianças também foram vítimas da Ditadura

Comentário: Lendo o artigo de Milton Pomar me vem à mente uma palestra de Gilse Cosenza, uma grande militante comunista, que assisti nos meus tempos de movimento estudantil. Nela Gilse falava de sua filha Juliana que tinha poucos meses quando ela caiu presa pela repressão e da tortura física e psicológica que sofrera na mão dos fascínoras. Numa das torturas os covardes trouxeram uma banheira com gelo e disseram à Gilse que iriam colocar a menininha nela e que a mãe comunista desnaturada iria ver a filha morrer porque não queria entregar (e não entregou) seus camaradas. Sobre esse episódio vou fazer uma postagem a seguir. Pois bem, espero que tenhamos mais quatro anos de governo progressista no Brasil e que no próximo período essa ferida chamada Ditadura seja cicatrizada com justiça!!! 

As filhas e os filhos das vítimas da ditadura militar no Brasil

Da Revista Carta Maior

A clandestinidade salvou, talvez, milhares de filhas e filhos de vítimas da ditadura militar no Brasil de cair nas mãos de torturadores e da repressão.


Milton Pomar
Arquivo do SNI

















Quando Carlos Alexandre Azevedo, filho de Dermi Azevedo e Darcy Andozia, suicidou-se em fevereiro de 2013, e sua trágica história foi amplamente divulgada, muita gente se espantou ao saber que no Brasil, na década de 1970, crianças foram levadas para os locais (DOPS, DOI-CODI etc.) onde seu pai ou sua mãe (ou os dois) estava(m) sendo torturado(s), para assistirem o sofrimento e servirem de pressão adicional – a ameaça de também serem torturadas desmontava de vez os presos, que acabavam falando o que os criminosos queriam saber.
 
Milhares de militantes políticos de esquerda, em março de 1964, tinham filhas e filhos ainda pequenos. Vários, dentre os mais conhecidos, tinham também netos e netas. Quando ocorreu o golpe militar, de 31 para 1º de abril, essas milhares de crianças  tornaram-se alvo da repressão, e ingressaram em um mundo novo, de medo, fuga e perseguições – cheio de segredos sussurrados, senhas, codinomes, “ponto”, “aparelho”, “queda” e outras variáveis importantes, que constituíam a terminologia da clandestinidade, espécie de universo paralelo ao qual a maioria desses militantes e suas famílias submeteram-se para poder continuar vivendo e atuando no país.

Pouco depois do golpe, meu pai e outros militantes foram presos em Iaçu, interior da Bahia, e levados para um quartel do Exército em Salvador, no bairro de Amaralina. Minha mãe conseguiu um habeas-corpus para ele, superando enormes dificuldades, e algum tempo depois nos reencontramos. Eu estava com cinco anos de idade, e havíamos regressado (minha mãe, meu irmão mais velho e eu) de Iaçu, na Bahia, para o Rio de Janeiro, pouco antes dos generais e coronéis derrubarem o presidente eleito João Goulart.

Vivemos daí em diante para lá e para cá, em casas de parentes e amigos, nunca muito tempo em lugar nenhum. Já havíamos passado pelo Rio, Minas, Bahia e São Paulo, quando, em 1966, fomos morar em Goiânia. Foi lá que fiquei sabendo por meus pais que teria um novo nome: Milton, bem mais adequado aos tempos de intensa perseguição que sofríamos, do que o meu nome original (Vladimir).

Mudaram nossos nomes e sobrenomes e locais de nascimento, e assim passei a ser natural de Goiânia, e, aos sete anos de idade, totalmente clandestino.

A clandestinidade salvou, talvez, milhares de filhas e filhos de vítimas da ditadura militar no Brasil. Quem já leu a respeito do que os militares argentinos fizeram durante a ditadura de 1976/82 com as crianças (inclusive centenas de bebês) e adolescentes, filhas e filhos de militantes políticos, presos, torturados, assassinados e/ou desaparecidos, pode estimar o que teria sido de nós, se não estivéssemos clandestinos.

Os militares argentinos tinham como lema matar os comunistas, seus parentes e amigos.

(Ler sobre os feitos da repressão promovida pelas ditaduras militares no Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Perú, ... é traumatizante, tal a covardia e crueldade dos torturadores e assassinos – todos servidores públicos, com salários e previdência pagos pelo Estado – e a quantidade de casos de sofrimentos inacreditáveis de militantes políticos de esquerda.)

Quando meu pai foi preso pela segunda vez, em dezembro de 1976, meu avô Pedro Pomar foi assassinado, em episódio (conhecido como Massacre na Lapa) no qual morreu também Ângelo Arroyo, dirigente operário e líder da guerrilha do Araguaia. Durante os interrogatórios (e as torturas) a que meu pai foi submetido, uma das questões nas quais os militares insistiam era justamente onde nós (os filhos) estávamos.

Fiquei um ano sem vê-lo, e quando consegui visitá-lo, em dezembro de 1977, no presídio do Barro Branco, em São Paulo, onde ficavam presos os militantes políticos de esquerda julgados pela ditadura militar, eu estava às vésperas de cumprir serviço militar obrigatório. No início de janeiro de 1978, ingressei como recruta em um quartel do Exército, no qual permaneci (clandestino...) até o início de 1979.

Quando veio a Anistia, em 1979, algumas pessoas voltaram à identidade original, mas a maioria não acreditou que a ditadura acabara, e preferiu aguardar até considerar seguro sair da clandestinidade – eu inclusive, que defini como critério na época somente acreditar no fim da ditadura quando votasse para presidente da República, algo que demorou dez anos para acontecer. Em 1990, entrei com ação judicial para recuperar a minha identidade. Recebi a sentença favorável somente em 1993, e assim, 27 anos de clandestinidade depois, voltei a utilizar a minha certidão de nascimento verdadeira.

Mas muitos descendentes das milhares de vítimas da ditadura brasileira não conseguiram recuperar suas identidades; por receio, dificuldade de provar a clandestinidade, falta de recursos para a ação judicial, e até por não acreditarem que conseguiriam.

Todos(as) que sobrevivemos à ditadura militar de 1964/1985, militantes e descendentes, convivemos até hoje com os traumas adquiridos naquela época, independentemente de terem sofrido torturas físicas. Foram tantas as pessoas conhecidas atingidas, presas, torturadas, exiladas, assassinadas e desaparecidas, que a vida continuou, mas marcada pela ditadura militar. E a vida, naqueles longos 21 anos, foi uma tensão permanente. Viver sob terror de Estado, por tanto tempo, é algo realmente difícil de suportar e de descrever.

Adquire-se hábitos de segurança que o tempo não desfaz, de sempre olhar à sua volta, para avaliar quem está em qualquer ambiente, prestar atenção a todas as pessoas em qualquer ambiente, a prestar atenção, quando voltava para casa, se a luz da varanda estava acesa, ou em outro detalhe

 A propaganda permanente contra nós, estilo “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, perturbava, não era fácil ser criança e sentir-se criminoso, portador de um segredo perigoso etc. Além dela, havia também a propaganda anti-comunista boçal, disseminada entre a população, que a repetia com freqüência, obrigando-nos a manter-se em alerta total, para não despertar suspeitas. Alguém que fosse chamado de “melancia” (vermelho por dentro...), em alguns ambientes, corria o risco de ser detido e torturado, até provar que não era “vermelho”.

O estresse resultante daquela situação opressiva, certamente contribuiu para adoecer muitas mães, filhos e filhas, não diretamente envolvidas, mas de fato na linha de frente, se fossem pegas sofreriam muito – como ocorreu com centenas delas.

Muitos desses filhos e filhas nasceram durante a ditadura. Já nasceram clandestinos, sem ao menos saber que seu pai e sua mãe levavam uma vida “diferente” da dos vizinhos, e que seus parentes tinham outras identidades. Muitos(as) não possuem amigos(as) daquela época, tal a frequência com que mudavam de casa e escola, e a impossibilidade de contar a verdade e fornecer o novo endereço a tais amigos(as) ou namoradas(os).

Durante o período em que a ditadura espalhava cartazes de “procurados”, com dezenas de fotos de militantes políticos que ela acusava de “terroristas”, o terror de muitas dessas crianças era encontrar ali a foto de seu pai, mãe, avô ou avó.

Há o trauma de dezembro, mês preferido pela repressão para atacar quem tentava visitar suas famílias: muitos militantes foram capturados assim. E naquela época, capturados significava presos, torturados, mortos, desaparecidos. Por isso, o Natal sempre nos deixa tristes, tanto tempo depois.

Essas questões voltaram agora com força, dada a proximidade dos 50 anos do golpe militar no Brasil. É emocionante ver nas redes sociais as fotos de muitas das vítimas da ditadura militar, algumas das quais conhecemos, nos anos 1960/70. Dói lembrar que há muitas vítimas que permanecem anônimas, ou das quais muito pouco se sabe. Pessoas corajosas, determinadas, generosas, que enfrentaram a ditadura militar como puderam, e por isso não estão aqui conosco, vivenciando o país muito melhor que nos legaram. Para pessoas como eles e elas, o poeta alemão Bertold Brecht  escreveu “Aos que virão depois de nós”, uma bela homenagem a quem tombou na luta por um mundo melhor.

Nós, os milhares de filhas, filhos, netos e netas desses(as) militantes, que sobrevivemos aos 21 anos de terror de Estado, e até hoje continuamos na batalha, apesar do sofrimento, dos traumas, e da saudade de nossos parentes, mortos e desaparecidos pela ditadura militar, não aceitamos a impunidade dos torturadores e assassinos.

A ditadura militar no Brasil foi cruel e covarde, como todas são, mas foi derrotada. E agora em 2014, coincidindo com os 50 anos do golpe militar, há de ser também a eleição do 4º mandato consecutivo das esquerdas na Presidência da República, e, por ironia da história, a reeleição de uma ex-presa política da ditadura, barbaramente torturada.

Adiante, que ainda há muito o que fazer para melhorarmos a vida do povo.