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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Boas Festas e Feliz 2014!!!



Dos versos de Carlos Drumond de Andrade os nossos votos de Boas Festas e Feliz 2014!

" (...)Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre".

domingo, 15 de dezembro de 2013

Mandela e Fidel: O que não foi dito sobre a amizade desses dois homens!!!





Comentário: Isso a gente não viu na televisão. Importante destacar o internacionalismo cubano e a luta contra as injustiças no mundo. Como diz Fidel Castro: "Não lutamos por glória nem por honra; lutamos por ideias que consideramos justas."

Do Blog do Miro

Mandela e Fidel: o que não se diz
Por Atílio Borón, no sítio da Adital

A morte de Nelson Mandela precipitou uma catarata de interpretações sobre sua vida e obra, todas o apresentando como um apóstolo do pacifismo e uma espécie de Madre Teresa da África do Sul.
Trata-se de uma imagem essencial e premeditadamente equivocada, que ignora que após a matança de Sharperville, em 1960, o Congresso Nacional Africano (CNA) e seu líder, exatamente Mandela, adotaram a via armada e a sabotagem de empresas e projetos de importância econômica, mas sem atentar contra vidas humanas.
Mandela percorreu diversos países da África em busca de ajuda econômica e militar a fim de sustentar essa nova tática de luta. Foi preso em 1962 e, pouco depois, condenado à prisão perpétua, que o manteria relegado em uma prisão de segurança máxima, em cela de 2x2 metros, durante 25 anos, exceto os últimos dois anos, nos quais a formidável pressão internacional para conseguir sua libertação melhorou as condições de sua detenção.
Mandela, portanto, não foi um "adorador da legalidade burguesa”, mas um extraordinário líder político, cuja estratégia e táticas de luta foram variando conforme mudavam as condições sob as quais se davam suas batalhas. Diz-se que foi o homem que acabou com o odioso apartheid sul-africano, o que é uma meia-verdade.
Outra parte do mérito cabe a Fidel e à Revolução cubana, que com sua intervenção na guerra civil de Angola selou a sorte dos racistas, ao derrotar as tropas do Zaire (hoje, República Democrática do Congo), do exército sul-africano e dos dois exércitos mercenários angolanos, organizados, armados e financiados pelos EUA através da CIA. Graças a sua heroica colaboração, na qual uma vez mais se demonstrou o nobre internacionalismo da Revolução Cubana, conseguiu-se manter a independência de Angola, sentar bases para a posterior emancipação da Namíbia e disparar o tiro de misericórdia contra o apartheid sul-africano.
Por isso, informado do resultado da crucial batalha de Cuito Cuanavale, em 23 de março de 1988, Mandela escreveu da prisão que o desfecho do que se chamou de "Stalingrado africana” foi "o ponto de inflexão para a libertação de nosso continente, e do meu povo, do flagelo do apartheid”. A derrota dos racistas e seus mentores estadunidenses deu um golpe mortal na ocupação sul-africana da Namíbia e precipitou o início das negociações com o CNA, que, devagar, terminariam demolindo o regime racista sul-africano, obra mancomunada por aqueles dois estadistas gigantescos e revolucionários.
Anos mais tarde, na Conferência de Solidariedade Cubano-Sul-Africana de 1995, Mandela diria que "os cubanos vieram a nossa região como doutores, professores, soldados, especialistas agrícolas, mas nunca como colonizadores. Compartilharam as mesmas trincheiras de luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o apartheid... Jamais esqueceremos esse incomparável exemplo de desinteressado internacionalismo”. É uma boa recordação para quem ontem e ainda hoje fala da "invasão” cubana a Angola.
Cuba pagou um preço enorme por este nobre ato de solidariedade internacional que, como recorda Mandela, foi o ponto de inflexão da luta contra o racismo na África. Entre 1975 e 1991, cerca de 450.000 homens e mulheres da ilha passaram por Angola, apostando nisso sua vida. Pouco mais de 2.600 perderam-na, lutando para derrotar o regime racista de Pretória e aliados. A morte deste extraordinário líder que foi Nelson Mandela é uma excelente ocasião para homenagear sua luta e, também, o heroísmo internacionalista de Fidel e da Revolução Cubana.

* Traduzido por Gabriel Brito, do sítio Correio da Cidadania.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Atenção!!!

Comentário: O problema do tudo junto e misturado é que a decantação, filtragem ou destilação vai ficando muito complicada.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma reflexão sobre as mobilizações em Itaperuna

Comentário: Essa foi uma reflexão que fiz endereçada principalmente aos meus alunos do IFF que são a vanguarda do movimento que exige melhorias em nossa cidade.



Gostaria de compartilhar com vocês uma reflexão. Tenho assistido às úlltimas manifestações que ocorrem em nosso país nos últimos dias. Estive atarefado com a qualificação do meu doutorado até a última sexta-feira, mas nesse tempo li alguma coisa e conversei com alguns camaradas. É muito importante que Itaperuna entre no mapa das manifestações e fico muito satisfeito de ver a grande mobilização que os alunos do IFF Itaperuna estão realizando. A nossa escola não forma apenas técnicos, mas também cidadãos conscientes de seus direitos e deveres e é principalmente pra eles que são a vanguarda desse movimento que dedico essas linhas. É um pouco grande esse texto mas peço que leiam.


A verdadeira democracia se faz com o povo na rua. Desde sempre o povo brasileiro lutou por seus direitos e ao contrário do que alguns gostam de dizer somos um povo batalhador e guerreiro. Posso falar um pouco da grande batalha que a minha geração travou contra o neoliberalismo representado no Brasil pela corja entreguista FHC-Serra-Aécio Neves na década de 1990. Me lembro que naqueles tempos enfrentamos as bombas de gás lacromogênio e a cavalaria e isso acontecia não porque depredávamos (como muita gente mal intencionada infiltrada no movimento faz nesses dias) o patrimônio público, mas sim por que estávamos defendendo a Universidade Pública, a Vale do Rio Doce, a Telebrás e todo o patrimônio construído pelo povo brasileiro com suór, sangue e lágrimas ao longo de décadas e que foi entregue de bandeja pelos tucanos ao capital internacional. Felizmente devido às nossas mobilizações a Petrobrás não foi privatizada e nem as universidades e as escolas técnicas federais. Naquelas ocasiões o PIG (Partido da Imprensa Golpista) representado pelas organizações Globo, Folha de São Paulo e Estadão não colocavam a música “Caminhando contra o vento” de fundo musical das imagens de nossas manifestações e o máximo de repercussão que davam às nossas mobilizações eram notinhas de canto de página. Esses eram tempos tenebrosos.
Devido à essas grandes mobilizações o aparato neoliberal representado pelos tucanos foi derrotado nas urnas em 2002 com a eleição do presidente Lula. Nesses 10 anos o povo brasileiro teve grandes conquistas, mas ainda existem léguas para se percorrer até atingirmos o país que queremos. A minha grande crítica ao governo Lula/Dilma foi não ter contado mais com a força das ruas para promover as grandes reformas que o nosso país necessita, optando na maioria das vezes pelos acordos com setores que não representam o povo. Sou um enxadrista amador, e acredito que a principal peça do tabuleiro democrático é o povo na rua fazendo ecoar sua voz em todos os cantos e não as jogadas feitas nos acordos de gabinete. Mas não se pode jogar a água da bacia fora com a criança dentro. Temos que ir às ruas pra deixar bem claro para a presidenta Dilma que ela pode contar conosco para implementar as mudanças que a gente quer e que ela não precisa ceder ao PIG (Globo, Folha, Estadão, etc) e nem tampouco aos setores da elite instalados no governo. O recado que temos que dar à Dilma é o seguinte: QUEREMOS QUE O GOVERNO ELEITO PELO POVO, SEJA CADA VEZ MAIS DO POVO E PARA O POVO. Dilma não teme o povo e nem deve temer. Quem tem medo do povo é a elite venal deste país, os representantes dos interesses da elite nos poderes judiciário, legislativo e executivo de nossos estados e municípios e os fascistas que muitas vezes estão usando máscaras mas que representam as forças mais retrógradas com seu discurso anti-partidos e sindicatos. Espero que amanhã haja muitos cartazes denunciando o descaso das autoridades municipais com a cidade de Itaperuna e menos contra o governo democraticamente eleito da presidenta Dilma. Aliás é muito bom deixar claro que Itaperuna apesar de votar majoritariamente nos candidatos da direita tucana tem recebido grandes investimentos do governo federal, isso é um fato. Para citar dois exemplos de investimentos do governo federal no período Lula/Dilma destaco a construção de um Campus do Instituto Federal Fluminense (no qual tenho a honra de ser professor) e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Isso é investimento em saúde e educação na cidade. Investimento do dinheiro do povo brasileiro por meio do governo federal. Em relação ao IFF é bom lembrar que o seu papel é ofertar oportunidades de formação para a juventude e pros trabalhadores da região noroeste fluminense. A UPA é uma instituição pública que deve promover a saúde da população, que na nossa região tem uma forte presença da iniciativa privada.
Na manifestação que teremos amanhã (24/06) em Itaperuna seria muito interessante que um dos cartazes levantados fosse a cobrança da conclusão das obras de drenagem e esgotamento do bairro Vinhosa. Esta obra está prometida desde março de 2011. O último prefeito cavou um monte de buracos na cidade (vide a Rua Buarque de Nazareth) na véspera da eleição do ano passado. O prefeito atual tapou os buracos e maquiou as ruas e avenidas da cidade para a Festa de Maio. E aí vem a pergunta cadê os 10 milhões de reais da obra???
Um outro cartaz que gostaria de ver na rua e que se puder irei pintar é denunciando a indústria da enchente em Itaperuna. Isso mesmo, da mesma forma que no nordeste existe a indústria da seca que troca votos por água, aqui em Itaperuna existe a indústria da enchente em que muitos vereadores, deputados e prefeitos são eleitos devido à “solidariedade” que prestam nos períodos de tragédia. Esse pessoal fica aí posando de bons samaritanos, ocupando as cadeiras no legislativo municipal, estadual, federal, gostando quando chove mais do que devia e não movem uma palha para resolver os problemas de infra-estrutura na nossa cidade. Vamos pra rua pra denunciar esses sanguessugas. Vamos pra rua para exigir obras de infra-estrutura que acabe de vez com o flagelo das enchentes na nossa cidade.
Um outro cartaz deveria pedir mais cultura e lazer pra nossa juventude e pro nosso povo. Quais as opções de lazer que temos nessa cidade? Quantas praças públicas existem no nosso município?
Um outro cartaz que sugeriria é aquele que pede um transporte coletivo de qualidade e ônibus aos sábados e domingos. Já tentaram andar de ônibus nos finais de semana. Transporte Coletivo é um serviço público concedido a uma empresa. Infelizmente essas empresas financiam as campanhas de muitos postulantes à cargos no executivo e legislativo municipal dando um cala boca naqueles que são eleitos. Aliás vamos protestar pedindo o financiamento público de campanha para que os interesses privados deixem de dar a tônica na nossa política.
Claro não podem faltar cartazes pedindo o Passe-Livre. Esse é um direito fundamental dos estudantes não só para irem à escola mas também para participarem de atividades culturais, esportivas e de lazer.
Eu queria ser um octopus para segurar muitos cartazes nessa manifestação, ideias e temas para os cartazes não faltam pois são muitas as reivindicações da nossa sociedade.
Mas uma coisa não pode faltar na manifestação amanhã além da irreverência, alegria e contestação da juventude: a paz. A manifestação deve ser pacífica, sabem por quê? Por que os inimigos da juventude e do povo irão soltar rojões se for feito algum dano ao patrimônio público ou privado. Isso é o que eles querem para nos chamar de vândalos, mas nós não somos vândalos! Portanto, amanhã na manifestação é fundamental que se fique atento a qualquer indivíduo mais esquentadinho pois esse cara pode ser um provocador infiltrado no movimento. Ele pode ser um agente pago pra tumultuar. Se algum indivíduo desses estiver no meio da manifestação é necessário que ele seja isolado e apontado como um vândalo sobre o qual devem atuar as forças de segurança pública.
Às ruas, à luta, pela Itaperuna que queremos, por um Brasil mais justo, solidário e humano.

Stédile: É necessário mudar a forma de se fazer política

Comentário: Abaixo uma entrevista do gigante que nunca esteve adormecido chamado João Pedro Stédile (MST). Na minha opinião Stédile vai na raiz do problema, pega na jugular. A conjuntura exige muitas leituras.


Stedile: “A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política”

25/6/2013 12:37
Por Nilton Viana, BdF - de São Paulo

João Pedro Stedile é um dos principais líderes do MST


É hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro. Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sobre as recentes mobilizações em todo o país. Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. “As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais”, afirma. Para o dirigente do MST, a redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.

Em uma entrevista exclusiva ao jornal semanal Brasil de Fato, nesta terça-feira, reproduzida aqui no Correio do Brasil, Stedile fala sobre o caráter dessas mobilizações, e faz um chamamento: devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para a rua disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes. “A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil”, constata. E faz uma alerta: o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. As forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas as suas energias para ir para a rua, pois está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. “Precisamos explicar para o povo quem são os principais inimigos do povo”.

– Como você analisa as recentes manifestações que vêm sacudindo o Brasil nas últimas semanas? Qual é a base econômica para elas terem acontecido?

– Há muitas avaliações sobre o porquê estão ocorrendo estas manifestações. Me somo à análise da professora Ermínia Maricato, que é nossa maior especialista em temas urbanos e já atuou no Ministério das Cidades na gestão Olívio Dutra. Ela defende a tese de que há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. Houve uma enorme especulação imobiliária que elevou os preços dos aluguéis e dos terrenos em 150% nos últimos três anos. O capital financiou – sem nenhum controle governamental – a venda de automóveis para enviar dinheiro para o exterior e transformou nosso trânsito um caos. E, nos últimos dez anos, não houve investimento em transporte público. O programa habitacional Minha casa, minha vida empurrou os pobres para as periferias, sem condições de infraestrutura. Tudo isso gerou uma crise estrutural, em que as pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais. Somado a isso, a péssima qualidade dos serviços públicos, em especial na saúde e mesmo na educação, desde a escola fundamental, ensino médio, em que os estudantes saem sem saber fazer uma redação. E o ensino superior virou loja de vendas de diplomas a prestações, onde estão 70% dos estudantes universitários.

– Do ponto de vista político, por que isso aconteceu?

– Os 15 anos de neoliberalismo e mais os últimos dez anos de um governo de composição de classes transformou a forma de fazer política em refém apenas dos interesses do capital. Os partidos ficaram velhos em suas práticas e se transformaram em meras siglas que aglutinam, em sua maioria, oportunistas para ascender a cargos públicos ou disputar recursos públicos para seus interesses. Toda a juventude nascida depois das Diretas Já! não teve oportunidade de participar da política. Hoje, para disputar qualquer cargo, por exemplo, o de vereador, o sujeito precisa ter mais de um milhão de reais. O de deputado custa ao redor de dez milhões de reais. Os capitalistas pagam e depois os políticos os obedecem. A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil. Mas o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. E, portanto, gerou na juventude uma ojeriza à forma dos partidos atuarem. E eles têm razão. A juventude não é apolítica, ao contrário, tanto é que levou a política para as ruas, mesmo sem ter consciência do seu significado. Mas está dizendo que não aguenta mais assistir na televisão essas práticas políticas que sequestraram o voto das pessoas, baseadas na mentira e na manipulação. E os partidos de esquerda precisam reapreender que seu papel é organizar a luta social e politizar a classe trabalhadora. Senão cairão na vala comum da história.

– E por que as manifestações eclodiram somente agora?

– Provavelmente tenha sido mais pela soma de diversos fatores de caráter da psicologia de massas, do que por alguma decisão política planejada. Somou-se todo o clima que comentei, mais as denúncias de superfaturamento das obras dos estádios, que são um acinte ao povo. Vejam alguns episódios. A Rede Globo recebeu do governo do estado do Rio de Janeiro e da prefeitura R$ 20 milhões do dinheiro público para organizar o showzinho de apenas duas horas do sorteio dos jogos da Copa das Confederações. O estádio de Brasília custou R$ 1,4 bilhão e não tem ônibus na cidade! A ditadura explícita e as maracutaias que a Fifa/CBF impuseram e que os governos se submeteram. A reinauguração do Maracanã foi um tapa no povo brasileiro. As fotos eram claras, no maior templo do futebol mundial não havia nenhum negro ou mestiço! E aí o aumento das tarifas de ônibus foi apenas a faísca para acender o sentimento generalizado de revolta, de indignação. A gasolina para a faísca veio do governo tucano Geraldo Alckmin, que protegido pela mídia paulista que ele financia, e acostumado a bater no povo impunemente – como fez no Pinheirinho e em outros despejos rurais e urbanos – jogou sua polícia para a barbárie. Aí todo mundo reagiu. Ainda bem que a juventude acordou. E nisso houve o mérito do Movimento Passe Livre, que soube capitalizar essa insatisfação popular e organizou os protestos na hora certa.

– Por que a classe trabalhadora ainda não foi à rua?

– É verdade, a classe trabalhadora ainda não foi para a rua. Quem está na rua são os filhos da classe média, da classe media baixa, e também alguns jovens do que o Andre Singer chamaria de subproletariado, que estudam e trabalham no setor de serviços, que melhoraram as condições de consumo, mas querem ser ouvidos. Esses últimos apareceram mais em outras capitais e nas periferias. A redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe livre, soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo. E o povo apoiou as manifestações. Isso está expresso nos índices de popularidade dos jovens, sobretudo quando foram reprimidos. A classe trabalhadora demora a se mover, mas quando se move afeta diretamente o capital. Coisa que ainda não começou acontecer. Acho que as organizações que fazem a mediação com a classe trabalhadora ainda não compreenderam o momento e estão um pouco tímidas. Mas a classe, como classe, acho que está disposta a também lutar. Veja que o número de greves por melhorias salariais já recuperou os padrões da década de 1980. Acho que é apenas uma questão de tempo, é só as mediações acertarem nas bandeiras que possam motivar a classe a se mexer. Nos últimos dias já se percebe que em algumas cidades menores e nas periferias das grandes cidades já começam a ter manifestações com bandeiras de reivindicações bem localizadas. E isso é muito importante.

– Vocês do MST e dos camponeses também não se mexeram ainda…

– É verdade. Nas capitais onde temos assentamentos e agricultores familiares mais próximos já estamos participando. Inclusive, sou testemunha de que fomos muito bem recebidos com nossa bandeira vermelha e com nossa reivindicação de reforma agrária, alimentos saudáveis e baratos para todo o povo. Acho que nas próximas semanas poderá haver uma adesão maior, inclusive realizando manifestações dos camponeses nas rodovias e municípios do interior. Na nossa militância está todo mundo doido para entrar na briga e se mobilizar. Espero que também se mexam logo.

– Na sua opinião, qual é a origem da violência que tem acontecido em algumas manifestações?

– Primeiro vamos relativizar. A burguesia, através de suas televisões, tem usado a tática de assustar o povo colocando apenas a propaganda dos baderneiros e quebra-quebra. São minoritários e insignificantes diante das milhares de pessoas que se mobilizaram. Para a direita, interessa colocar no imaginário da população que isso é apenas bagunça e no final, se tiver caos, colocar a culpa no governo e exigir a presença das Forças Armadas. Espero que o governo não cometa essa besteira de chamar a guarda nacional e as Forças Armadas para reprimir as manifestações. É tudo o que a direita sonha! Quem está provocando as cenas de violência é a forma de intervenção da Policia Militar. A PM foi preparada desde a ditadura militar para tratar o povo sempre como inimigo. E nos estados governados pelos tucanos (SP, RJ e MG), ainda tem a promessa de impunidade. Há grupos direitistas organizados com orientação de fazer provocações e saques. Em São Paulo, atuaram grupos fascistas e leões de chácaras contratados. No Rio de Janeiro, atuaram as milícias organizadas que protegem seus políticos conservadores. E claro, há também um substrato de lumpesinato que aparece em qualquer mobilização popular, seja nos estádios, carnaval, até em festa de igreja, tentando tirar seus proveitos.

– Há, então, uma luta de classes nas ruas ou é apenas a juventude manifestando sua indignação?

– É claro que há uma luta de classes na rua. Embora ainda concentrada na disputa ideológica. E o que é mais grave, a própria juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica. Eles estão fazendo política da melhor forma possível, nas ruas. E aí escrevem nos cartazes: somos contra os partidos e a política? Por isso têm sido tão difusas as mensagens nos cartazes. Está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. Os jovens estão sendo disputados pelas ideias da direita e pela esquerda. Pelos capitalistas e pela classe trabalhadora. Por outro lado, são evidentes os sinais da direita muito bem articulada e de seus serviços de inteligência, que usam a internet, se escondem atrás das máscaras e procuram criar ondas de boatos e opiniões pela internet. De repente, uma mensagem estranha alcança milhares de mensagens. E aí se passa a difundir o resultado como se ela fosse a expressão da maioria. Esses mecanismos de manipulação foram usados pela CIA e pelo Departamento de Estado Estadunidense, na Primavera Árabe, na tentativa de desestabilização da Venezuela, na guerra da Síria. É claro que eles estão operando aqui também para alcançar os seus objetivos.

– E quais são os objetivos da direita e suas propostas?

– A classe dominante, os capitalistas, os interesses do império estadunidense e seus porta-vozes ideológicos, que aparecem na televisão todos os dias, têm um grande objetivo: desgastar ao máximo o governo Dilma, enfraquecer as formas organizativas da classe trabalhadora, derrotar quaisquer propostas de mudanças estruturais na sociedade brasileira e ganhar as eleições de 2014, para recompor uma hegemonia total no comando do Estado brasileiro, que agora está em disputa. Para alcançar esses objetivos, eles estão ainda tateando, alternando suas táticas. Às vezes, provocam a violência para desfocar os objetivos dos jovens.

Às vezes, colocam nos cartazes dos jovens a sua mensagem. Por exemplo, a manifestação do sábado (22), embora pequena, em São Paulo, foi totalmente manipulada por setores direitistas que pautaram apenas a luta contra a PEC 37, com cartazes estranhamente iguais e palavras de ordem iguais. Certamente, a maioria dos jovens nem sabem do que se trata. E é um tema secundário para o povo, mas a direita está tentando levantar as bandeiras da moralidade, como fez a UDN em tempos passados. Isso que já estão fazendo no Congresso, logo, logo vão levar às ruas. Tenho visto nas redes sociais controladas pela direita, que suas bandeiras, além da PEC 37 são: saída do Renan do Senado; CPI e transparência dos gastos da Copa; declarar a corrupção crime hediondo e fim do foro especial para os políticos. Já os grupos mais fascistas ensaiam Fora Dilma e abaixo-assinados pelo impeachment. Felizmente, essas bandeiras não têm nada a ver com as condições de vida das massas, ainda que elas possam ser manipuladas pela mídia. E, objetivamente podem ser um tiro no pé. Afinal, é a burguesia brasileira, seus empresários e políticos que são os maiores corruptos e corruptores. Quem se apropriou dos gastos exagerados da copa? A Rede Globo e as empreiteiras!

– Nesse cenário, quais os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora e as organizações populares e partidos de esquerda?

– Os desafios são muitos. Primeiro devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para a rua disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência na luta de classes. Segundo, a classe trabalhadora precisa se mover, ir para a rua, manifestar-se nas fábricas, campos e construções, como diria Geraldo Vandré. Levantar suas demandas para resolver os problemas concretos da classe, do ponto de vista econômico e político. Terceiro, precisamos explicar para o povo quem são os principais inimigos do povo. E agora são os bancos, as empresas transnacionais que tomaram conta de nossa economia, os latifundiários do agronegócio e os especuladores. Precisamos tomar a iniciativa de pautar o debate na sociedade e exigir a aprovação do projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas; exigir que a prioridade de investimentos públicos seja em saúde, educação, reforma agrária. Mas para isso, o governo precisa cortar juros e deslocar os recursos do superávit primário, aqueles R$ 200 bilhões que todo ano vão para apenas 20 mil ricos, rentistas, credores de uma dívida interna que nunca fizemos, deslocar para investimentos produtivos e sociais. É isso que a luta de classes coloca para o governo Dilma: os recursos públicos irão para a burguesia rentista ou para resolver os problemas do povo? Aprovar em regime de urgência para que vigore nas próximas eleições uma reforma política de fôlego, que, no mínimo institua o financiamento publico exclusivo da campanha. Direito a revogação de mandatos e plebiscitos populares autoconvocados. Precisamos de uma reforma tributaria que volte a cobrar ICMS das exportações primárias e penalize a riqueza dos ricos, e amenize os impostos dos pobres, que são os que mais pagam. Precisamos que o governo suspenda os leilões do petróleo e todas as concessões privatizantes de minérios e outras áreas publicas. De nada adianta aplicar todo os royalties do petróleo em educação, se os royalties representarão apenas 8% da renda petroleira, e os 92% irão para as empresas transnacionais que vão ficar com o petróleo nos leilões! Uma reforma urbana estrutural, que volte a priorizar o transporte público, de qualidade e com tarifa zero. Já está provado que não é caro, e nem difícil instituir transporte gratuito para as massas das capitais. E controlar a especulação imobiliária. E, finalmente, precisamos aproveitar e aprovar o projeto da Conferência Nacional de Comunicação, amplamente representativa, de democratização dos meios de comunicação. Assim, acabar com o monopólio da Globo, para que o povo e suas organizações populares tenham amplo acesso a se comunicar, criar seus próprios meios de comunicação, com recursos públicos. Ouvi de diversos movimentos da juventude que estão articulando as marchas que talvez essa seja a única bandeira que unifica a todos: abaixo o monopólio da Globo! Mas, para que essas bandeiras tenham ressonância na sociedade e pressionem o governo e os políticos, é imprescindível a classe trabalhadora se mover.

– O que o governo deveria fazer agora?

– Espero que o governo tenha a sensibilidade e a inteligência de aproveitar esse apoio, esse clamor que vem das ruas, que é apenas uma síntese de uma consciência difusa na sociedade, que é hora de mudar. E mudar a favor do povo. Para isso o governo precisa enfrentar a classe dominante, em todos os aspectos. Enfrentar a burguesia rentista, deslocando os pagamentos de juros para investimentos em áreas que resolvam os problemas do povo. Promover logo as reformas políticas, tributárias. Encaminhar a aprovação do projeto de democratização dos meios de comunicação. Criar mecanismos para investimento pesados em transporte público, que encaminhem para a tarifa zero. Acelerar a reforma agrária e um plano de produção de alimentos sadios para o mercado interno. Garantir logo a aplicação de 10% do PIB em recursos públicos para a educação em todos os níveis, desde as cirandas infantis nas grandes cidades, ensino fundamental de qualidade até a universalização do acesso dos jovens a universidade pública. Sem isso, haverá uma decepção e o governo entregará para a direita a iniciativa das bandeiras, que levarão a novas manifestações, visando desgastar o governo até as eleições de 2014. É hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Homenagem ao grande brasileiro Bautista Vidal


Comentário: Uma homenagem a esse grande brasileiro que foi Bautista Vidal que nos deixou no último sábado (01/06) aos 78 anos. Tive a honra de participar de duas conferências de Bautista Vidal, uma no final dos anos 1990 na Universidade Federal de Viçosa promovida pelo Diretório Central dos Estudantes e outra num evento em Belo Horizonte em 2007, quando já cursava o mestrado. Em todas as conferências pude comprovar a propriedade com que falava esse grande cientista brasileiro que deu uma grande contribuição para o nosso povo. Agora mesmo, durante meus estudos de qualificação, estou fazendo uma revisão sobre o marco regulatório do etanol e das biomassas no Brasil. Não há como falar de etanol e biomassa sem lembrarmos de Bautista Vidal. Com ele aprendi que um estudioso das energias renováveis deve ser acima de tudo um militante político. Sua obra permanece, vamos precisar de muitos Bautistas para que o Brasil exerça de fato o seu PODER DOS TRÓPICOS. Abaixo um belo texto de Elaine Tavares em sua homenagem.

 Com Bautista Vidal ao centro durante evento em BH em 2007.

Encantou Bautista Vidal

 

 

Sanguessugado do Palavras Insurgentes
Elaine Tavares


Encantou no último sábado, o paladino da biomassa: José Walter Bautista Vidal. Um nacionalista, apaixonado e apaixonante. Impossível ficar impassível diante do profundo amor que tinha pelo país e pelo pensamento próprio, autóctone, original. Cientista, professor universitário, físico de renome, ele foi, juntamente com Urbano Ernesto Stumpf (1916-1998), o idealizador do motor à álcool, que hoje move a maioria dos carros brasileiros. Fez da sua vida uma peregrinação incansável pela soberania energética, dando conferências por todo o país, nos recantos mais inauditos, e escrevendo livros. Conseguiu editar 12 títulos entre os quais estão : De Estado Servil à Nação Soberana; Civilização Solitária dos Trópicos; Soberania e Dignidade, Raízes da Sobrevivência; O Esfacelamento da Nação; e A Reconquista do Brasil.
O último trabalho foi a "Economia dos Trópicos", no qual martela pesada crítica ao pensamento cepalino do desenvolvimento e manifesta seu desejo de ver o Brasil saindo da dependência, rompendo com o sistema de dominação global. Bautista acreditava que o sol, a água e a mata eram as maiores riquezas do país e que com esses dois elementos o Brasil poderia ser auto suficiente em energia. Fez dessa ideia o seu discurso itinerante e defendeu até o fim dos seus dias a proposta da biomassa como substituta do petróleo e dos outros sistemas poluentes e destruidores.
Bautista Vidal era chamado para discutir energia em todos os lugares do Brasil, mas foi muito pouco escutado por aqueles que tinham o poder de fazer acontecer as suas idéias. Sonhava com um encontro íntimo com Fidel. Acreditava que o gigante cubano iria entender a sua proposta e ser cúmplice dos seus desejos. O encontro nunca se deu. Quando Chávez assomou no cenário latino-americano, voltou seus olhos para o venezuelano sonhando também trazê-lo para sua proposta de energia limpa. Com esse teve muitas conversas mas, ao que parece, não teve tempo de fazer brotar uma outra proposta de matriz energética para a Venezuela. Foi-se o comandante, e agora Vidal.
Lembro dele, numa noite amena em Campina Grande, falando alto, as bochechas vermelhas na excitação das palavras que jorravam aos borbotões. Tudo o que queria era que o Brasil acreditasse nos seus jovens, que os governos criassem laboratórios, centros de pesquisa, e criassem a ciência nova, descolonizada. Vidal se mudava em menino quando defendia esse sonho. Ele acreditou nisso até o fim dos seus dias. Crítico feroz do neoliberalismo e das privatizações efetuadas por FHC, Bautista não poupava imprecações contra aqueles que chamada de vende-pátria. Amava o Brasil, amava a ciência.
Enquanto vivo, suas ideias mofaram nas prateleiras. Agora, encantado, haverá de brotar outra vez, descoberto por um ou outro. E, dos livros agora heréticos, haverão de repercutir seus sonhos de um país autônomo, soberano. Porque é sempre assim que acontece. Existem pessoas que são póstumas, com suas ideias reconhecidas só bem depois de deixarem o mundo. Espero que não demore.
De minha parte, tive a alegria de ter convivido com esse "quixote" por várias ocasiões, sentada a seus pés, ouvindo seus ensinamentos, seus palavrões, suas indignações. O Brasil fica mais pobre sem esse homem especial. Mas, Bautista Vidal é um desses seres eternos, que deixam sua marca indelével. Agora, transformado ele mesmo em energia, retornará, na íntima fusão a qual tanto amava, de sol, verde a água. E nós, que o conhecemos e o amamos, o receberemos como merece: estudando seus livros, defendendo nossa soberania, criando pensamento próprio.
Bautista Vidal, nacionalista, tropical, homem de paixão. Nunca nos deixe em paz. Tua voz troante, indignada e profética seguirá ecoando. Tu vives.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Amado Batista e a Ditadura

Comentário: Como dizia Jean Paul Sartre: "Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos".


Amado Batista fala sobre a tortura que sofreu na ditadura

Por Paulo Kautscher
Do Fuxico
O cantor deu entrevista no De Frente com Gabi e falou sobre quando foi preso pelos militares
Na madrugada desta segunda-feira (27) foi ao ar a entrevista de Marília Gabriela com Amado Batista no programa De Frente com Gabí do SBT.
E quando a entrevistadora falou sobre o Regime Militar, um dos momentos mais terríveis da história do Brasil, o papo ficou polêmico.
Amado contou que quando era jovem, entre 18 e 19 anos, trabalhava numa livraria e com este emprego conheceu e facilitou o acesso de alguns escritores, jornalistas e intelectuais aos livros proibidos na época, geralmente de filosofia, política, etc.
Foi aí que quando os militares investigaram aqueles intelectuais acabam chegando até ele, e prenderam Amado Batista, que ainda não cantava. Levaram-no à uma cela e o torturaram, e Amado contou:
“Me bateram muito. Me deram choques elétrico, e ainda um dia me colocaram com uma cobra”.
O músico ainda conta que fizeram muitas torturas psicológicas e ameaçam de morte o tempo todo, disse ele:
“Um dia me soltaram. Todo machucado. Fiquei tão atordoado que pensei em ser mendigo. Queria largar tudo. E virar andarilho”.
Marília citou a atual Comissão da Verdade que está ouvindo as pessoas e investigando alguns acontecimentos da tortura militar, e fez-lhe uma pergunta: 
“Você não tem vontade de encontrar os caras que fizeram isso contigo? Ir a fundo, limpar esse passado?"
Amado causou surpresa em Gabí com sua resposta:
“Não. Eu acho que eu mereci. Eu fiz coisas erradas, então eles me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho”.
Marília boquiaberta retrucou: “Que coisa errada você fez?”
Amado prontamente disse: 
“Eu acho que eu estava errado de estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força”, e acrescentou: “Fui torturado, mas merecia”.
A repórter foi enfática: “Você passou para o lado de quem te torturou!”.
O cantor tentou finalizar o assunto dizendo que era passado e que achou que os militares estavam certos, pois se eles não fizessem “aquilo” o Brasil poderia ter se tornado uma Cuba.
Gabí disse que entendia a posição do músico, mas contou que Amado recebe uma indenização pela tortura no tempo da Ditadura Militar, oferecido pela Comissão de Direitos Humanos e da Lei de Anistia e quis saber o valor do salário mensal.
Amado resistiu um pouco, mas depois respondeu: “Eu recebo um salário de R$1 mil e pouco, todo mês desde algum tempo”, finalizou ele.
Marília lembrou-o que os militares também tomaram o poder à força e continuou a entrevista focando o papo em sua carreira e também em sua relação com os fãs.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Hawking boicota Israel

Comentário: Uma importante manifestação de Hawking para a causa do povo palestino. Como diria Karl, o velho barbudo: "A missão dos homens avançados e de sua filosofia não é apenas explicar o mundo, mas sim transformá-lo".

 

Cientista Stephen Hawking adere ao boicote acadêmico a Israel


Um dos mais importantes físicos teóricos e cosmólogos do mundo voltou atrás em sua decisão de participar, em junho, da conferência anual do presidente israelense Shimon Peres
08/05/2013

Baby Siqueira Abrão

O movimento internacional de boicote acadêmico e cultural a Israel acaba de ganhar um membro de peso. Stephen Hawking, um dos mais importantes físicos teóricos e cosmólogos do mundo, aderiu à causa, informou o jornal inglês The Guardian de hoje, 8 de maio (http://www.guardian.co.uk/world/2013/may/08/stephen-hawking-israel-academic-boycott).
Hawking, 71 anos, professor da Universidade de Cambridge, aceitara o convite para participar da conferência anual do presidente israelense Shimon Peres em junho, data em que também serão comemorados os 90 anos do mandatário sionista. Mas mudou de ideia. Segundo o Guardian, ele não anunciou a decisão publicamente. Foi uma declaração divulgada pelo Comitê Britânico para as Universidades da Palestina, com a aprovação de Hawking, que colocou a notícia na ordem do dia. O texto afirma que o cientista tomou “a decisão independente de respeitar o boicote, baseado em seu conhecimento sobre a Palestina e na recomendação unânime de seus contatos acadêmicos palestinos”.
Ao aderir ao boicote acadêmico e cultural a Israel, Stephen Hawking une-se a outras personalidades britânicas que recusaram convites para apresentar-se lá, como Elvis Costello, Brian Eno, Annie Lennox, Mike Leigh e Roger Waters, um dos fundadores do extinto Pink Floyd e ativista incansável a favor dos direitos do povo palestino.
Desde que anunciou sua ida a Israel, quatro semanas atrás, Hawking diz ter sido “bombardeado” com mensagens de várias partes do mundo, que procuravam persuadi-lo a não ir. No final, segundo comentou com amigos, ele resolveu seguir o conselho de seus colegas das universidades palestinas e desistiu da viagem.
Essa seria sua quinta visita a Israel. A última aconteceu em 2006, quando ele deu conferências públicas em universidades israelenses e palestinas, a convite da embaixada britânica em Tel Aviv. De lá para cá a situação mudou muito, levando Hawking a repensar o país sionista. O bombardeio do exército israelense a Gaza, entre o final de 2008 e o início de 2009, teve um papel fundamental nessa mudança. À época, ele declarou à rede Al-Jazira que a ação de Israel era “completamente desproporcional”. “A situação é semelhante à da África do Sul antes de 1990 [durante o apartheid] e não pode continuar”, afirmou então.
O gabinete do presidente Peres, ainda de acordo com o Guardian, não anunciou formalmente a desistência de Hawking nem aceitou pronunciar-se sobre o assunto. Mas o nome do cientista não consta mais da lista de oradores do site oficial da conferência (confira em http://2013.presidentconf.org.il/en/speakers/). É interessante notar que a maior parte dos conferencistas é de Israel e dos Estados Unidos, a maioria oriunda da comunidade judaica; os poucos que virão de outros países (França, Suíça, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha) têm, todos, sobrenomes judeus. Será, portanto, um encontro entre pares.

BDS, uma campanha em crescimento
BDS, sigla formada pelas iniciais das palavras boicote, desinvestimento e sanções [a Israel], é um movimento iniciado na Palestina em 2005 (http://www.bdsmovement.net/). Baseados no que ocorreu com a África do Sul na época do apartheid – em que o boicote econômico internacional foi decisivo para derrubar o governo colonial e racista –, os palestinos fizeram um chamado à população mundial para que boicotasse produtos de Israel, evitasse investir no país ou retirasse seus investimentos de lá e pressionasse governos e órgãos internacionais a impor sanções ao país sionista pelos crimes cometidos contra a população nativa.
Em seus oito anos de duração, a campanha já se espalhou pelo mundo, levando universidades, colégios, Igrejas, governos, supermercados, indústrias e centrais sindicais a votar a favor do BDS e a deixar de comprar produtos israelenses, sobretudo os que vêm das colônias ilegais construídas na Palestina. O crescimento do apoio à campanha tem acarretado prejuízos sérios à economia do país sionista, a ponto de em 2011 o Parlamento aprovar uma lei criminalizando quem quer que apoie o BDS dentro de Israel. Os sionistas também tentaram impor sanções ao movimento na França, sem sucesso.
Em 2013 prepara-se uma nova ofensiva contra o BDS e contra o crescimento do apoio internacional à Palestina. No Fórum Global de Combate ao Antissemitismo (Jerusalém, 28 a 30 de maio), três grupos de trabalho terão como foco estratégias para “construir uma imagem mais positiva de Israel”. Não se espere, porém, que isso signifique o fim da ocupação da Palestina e o reconhecimento dos direitos da população nativa. Os grupos estão propondo levar aos tribunais os ativistas solidários aos palestinos, sob a acusação de antissemitismo. Não se sabe como os sionistas conseguirão essa proeza, uma vez que os palestinos são os verdadeiros semitas da história. A maioria dos israelenses, vinda do Leste Europeu, tem origem cazar, asquenázi, não semita. Nesse caso, antissemitismo seria apoiar o sionismo, e não o contrário.
Outro objetivo do encontro é mudar as leis, de Israel e de países onde o BDS e o apoio à Palestina aumentam. Um dos alvos são os movimentos nos campus estadunidenses, onde o sionismo vem perdendo terreno de maneira acelerada. É importante lembrar que outras tentativas nesse sentido deram em nada. Como escreveu o comentarista político Stephen Landmann em análise recente, “Israel já perdeu toda a credibilidade”.
A decisão de acadêmicos importantes como Stephen Hawking está ancorada nesse tipo de atitude, de insistência na repressão e no colonialismo, no regime de apartheid, na negação dos direitos do povo palestino. No mês passado, o governo israelense sofreu mais revezes: a União dos Professores da Irlanda tornou-se a primeira associação de mestres europeus a apoiar o boicote acadêmico a Israel. Nos Estados Unidos, também em abril, a Associação de Estudos Asiáticos-Estadunidenses votou pelo apoio ao BDS.
No Brasil, carta recente dos movimentos sociais critica o governador Tarso Genro pelo acordo assinado com a Elbit Systems, a principal indústria bélica israelense, exige o fim do acordo militar entre Brasil e Israel e subscreve o BDS. A CUT, Central Única dos Trabalhadores, votou pelo BDS em 2010. Oficialmente lançado aqui em setembro de 2011, o movimento vem sendo coordenado pela Frente em Defesa do Povo Palestino, reunião de dezenas de associações, sindicatos, movimentos populares, organizações não governamentais, partidos, centrais sindicais e cidadãos solidários à causa palestina.
Só falta agora a cantora Gal Costa recusar o convite de se apresentar em Israel. Artistas brasileiros como Roberto Carlos, Gilberto Gil e Daniela Mercury não respeitaram o boicote, apesar da campanha que o BDS Brasil realizou no sentido de explicar a importância do boicote. Em relação a Gal, fãs da Europa já se uniram aos do Brasil para convencê-la a desistir da viagem a Israel.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um vídeo didático: George Galloway na Universidade de Oxford

Comentário: Existem muitos "young men" iguaizinhos a esse do filme, sem rumo e sem direção.

Ferreira Gullar e o salto sobre a barricada

Comentário: Da mesma forma que "Como dois e dois são quatro" é regra quase aritmética a mudança de lado, felizmente esses saltadores de barricadas contribuem para depurar os combatentes da luta popular. Um indivíduo como José Ribamar Ferreira faz parte da nova direita que na definição de Leandro Fortes, articulista da Carta Capital, é "cheia de cristãos novos e comunistas arrependidos tem no DNA um instinto de sobrevivência mais pragmático, gestado nos verdadeiros interesses em jogo, não mais na espuma do gosto popular. Não por outra razão, se ancora menos na ação parlamentar e mais na mídia, onde mantém brigadas de colunistas, e onde também atua, nas redações, de cima para baixo, de modo a estabelecer um padrão único de abordagem sobre os temas que lhe dizem respeito: dinheiro, liberdade irrestrita de negócios, dominação de classe, individualismo, acúmulo de riqueza e concentração fundiária", é triste pensar que o autor dos versos "sei que vida vale a pena" esteja metendo o porrete na revolução bolivariana em troca de alguns patacões que garantam um cafezinho em Saint Elisée. O melhor seria que tal qual como o poema, senhores, José Ribamar não cheirasse e nem fedesse. A seguir ótimo artigo de Max Altman sobre a revolução que Gullar diz que nunca existiu.

 

Do Portal Vermelho

Altman: "Há sim uma revolução na Venezuela, Ferreira Gullar"


Existe um expressão comum no mundo político da Venezuela – “saltar la talanquera” – que poderia ser traduzido por "pular sobre a barricada" e que significa passar para o outro lado. Muita gente que na sua juventude, e por largos anos, abraçou os ideais do socialismo, resolveu “saltar la talanquera’, renegando, sob os mais variados pretextos, tudo o que pensava e defendia, e muda de lado, de mala e cuia.

Por Max Altman



AVN



Como necessitam ser bem recebidos pelos novos correligionários, mostram-se crescentemente mais realistas que o rei. Ou seja, homens com uma história de esquerda passam a defender algumas das teses mais caras à direita. Mudar de lado não é um ato gratuito. Há que se pagar pedágio sempre – e ele é caro e exigente -, demonstrando por atos e palavras que são leais à nova trincheira e aos seus valores. É o caso de Arnaldo Jabor, Roberto Freire, Marcelo Madureira, Alberto Goldman e tantos outros. E do poeta e cronista Ferreira Gullar.
Gullar publicou na Folha de S. Paulo de domingo, 17 de março, artigo sob o título “A revolução que não houve”. Não vou refutar suas posições ideológicas ou políticas. Eles tem as deles, nós, as nossas, e assim vamos travando a batalha de idéias. O que quero rebater são suas inverdades e distorções – e até um grave vilipêndio - acerca de fatos concretos. O poeta Gullar não pode alegar desconhecimento, pois é jornalista, nem ignorância, posto que é intelectual.
O articulista afirma que Hugo Chávez “não só fechou emissoras de televisão como criou as Milícias Bolivarianas, que, a exemplo da conhecida juventude nazista, inviabilizava pela força as manifestações políticas dos adversários do governo”.
O sinal eletro-eletrônico, lá como aqui, é de propriedade do Estado. A concessão de transmissão por sinal aberto da RCTV – e este foi um caso único – deixou de ser renovada, entre muitas outras razões, pelo fato da emissora ter tramado e liderado o Golpe de Estado de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez, fato cabalmente demonstrado no documentário “A Revolução Não Será Televisionada”.
Nos Estados Unidos, por exemplo, esta ocorrência levaria os donos da estação a uma condenação severíssima. O sinal fechado da RCTV continua funcionando normalmente. À parte a odiosa e absurda comparação com as milícias hitleristas, a Lei Orgânica da Força Armada Bolivariana da Venezuela (FABV) estabelece que a Milícia Bolivariana, subordinada ao Comando Estratégico Operacional da Força Armada Bolivariana da Venezuela, tem como missão treinar, preparar e organizar o povo para a defesa integral com o fim de complementar o nível de prontidão operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), contribuir para a manutenção da ordem interna, segurança, defesa e desenvolvimento integral da nação com o propósito de coadjuvar e independência, soberania e integridade do espaço geográfico da Nação. Repto o Sr. Gullar ou qualquer outro a mencionar um só caso em que a Milícia Bolivariana tenha sido utilizada para inviabilizar, pela força ou não, qualquer manifestação política ou de outra ordem da oposição.
Diz mais o cronista: “O azar dele foi o câncer que o acometeu e que ele tentou encobrir. Quando não pode mais, lançou mão da teoria conspiratória, segundo a qual seu câncer foi obra dos norte-americanos.” Agora mesmo estamos assistindo à autorização da família do ex-presidente João Goulart para a sua exumação, 37 anos após o falecimento, porque há forte suspeita que ele tenha sido envenenado para induzir o ataque cardíaco pela Operação Condor, sabidamente apoiada e orientada pela CIA. Foi possível com Jango, porque não poderá ser com Chávez. A ciência provavelmente irá dirimir a dúvida em ambos os casos.
“De qualquer modo, tinha que se curar e foi tratar-se em Cuba, claro, para que ninguém soubesse da gravidade da doença...” Não é nada claro, Sr. Gullar. Vindo do Equador e do Brasil desce Chávez em Havana, caminhando com dificuldade e apoiado numa muleta. Foi estar com Fidel e com ele se queixou das dores. Fidel lhe fez uma enxurrada de perguntas e o convenceu a passar imediatamente por uma bateria de exames no melhor hospital de Havana. Foi nesse momento que se descobriu que carregava na região pélvica um tumor “do tamanho de uma bola de beisebol.” E lá mesmo passou pela primeira das quatro operações cirúrgicas. A Venezuela e o mundo todo souberam imediatamente da gravidade da doença e com algum detalhe. Razões de Estado sempre cercam enfermidades de chefes de Estado e de governo. Não obstante, no caso de Chávez foram 27 comunicados públicos ao longo dos quase dois anos, feitos por ele mesmo ou por ministros do governo. François Mitterrand passou dois setenatos carregando um câncer de próstata, que o acabou matando, sem que a opinião pública soubesse de algo. Antes dele, o presidente Georges Pompidou morreu no exercício do cargo, inesperadamente, de Macroglobulinemia de Waldenström e ninguém soube de nada, salvo alguns jornalistas que suspeitaram de seu súbito inchaço.
Gullar omite e distorce quando diz que “Para culminar, (Chávez) fez mudarem a Constituição para tornar possível sua reeleição sem limites. Aliás, é uma característica dos regimes ditos revolucionários não admitir a alternância no poder.” Na verdade, Chávez fez questão que a emenda constitucional permitindo a postulação indefinida passasse por referendo popular e não simplesmente aprovada pela Assembleia Nacional onde detinha praticamente a totalidade das cadeiras. (A oposição se recusara a concorrer às eleições legislativas.) Houve ampla e livre campanha e o SÍ ganhou por boa margem. O povo assim decidiu. A propósito, nos Estados Unidos havia uma tradição de apenas dois mandatos de quatro anos mas nada na Constituição impedia a postulação indefinida. Roosevelt foi eleito em 1932, reeleito em 1936, novamente eleito em 1940 e outra vez eleito em 1944. Faleceu em abril de 1945 com apenas 63 anos. Seria facilmente reeleito pela 5ª, 6ª e 7ª vez, pois saíra vitorioso da Segunda Guerra Mundial e os Estados Unidos confirmavam a condição de super-potência. Alguém tisnou de anti-democrático a contínua reeleição de Roosevelt ? Essa possibilidade foi revogada posteriormente por uma eventual maioria republicana.
O articulista envereda sibilina e maliciosamente pelo terreno jurídico. “Contra a Constituição, Nicolás Maduro ... assume o governo, embora já não gozasse, de fato, da condição de vice-presidente, já que o mandato do próprio Chávez terminara.” E mais adiante “Mas, na Venezuela de hoje, a lei e a lógica não valem. Por isso mesmo, o próprio Tribunal Supremo de Justiça – de maioria chavista, claro – legitimou a fraude, e a farsa prosseguiu até a morte de Chávez; morte essa que ninguém sabe quando, de fato, ocorreu.” O sr. Gullar nunca se referiu ao nosso STF como de maioria tucana, claro, em especial durante o julgamento midiático da AP 470.
Os membros da Suprema Corte na Venezuela, que devem ser cidadãos de reconhecida honorabilidade e juristas de notória competência, gozar de boa reputação e ter exercido a advocacia ou o magistério em ciências sociais po r pelo menos 15 anos, e possuir reconhecido prestígio no desempenho de suas funções, são eleitos por um período único de 12 anos. Postulam-se ou são postulados ante o Comitê de Postulações Judiciais. O comitê, ouvida a comunidade jurídica, envia uma pré-seleção ao Poder Cidadão, que, por sua vez, faz uma nova pré-seleção e a envia à Assembleia Nacional que fará a seleção definitiva. (arts. 263 e 264 da Constituição Bolivariana). Cabe, por outro lado, à Sala Constitucional do Tribunal Supremo da Venezuela (art. 266) exercer a jurisdição constitucional, como única intérprete da Constituição. E ela considerou, em decisão articulada e bem fundamentada, que: a) pelo fato de estar ainda em curso a licença concedida pela Assembleia Nacional ao presidente Chávez; b) que havia uma continuidade administrativa pois Chávez havia sido reeleito; a posse poderia se dar em outro momento e ante o TSJ, fato também previsto na Constituição e que Nicol ás Maduro poderia continuar exercendo a vice-presidência executiva. (Na Venezuela o vice-presidente é indicado pelo presidente e não eleito conjuntamente.) Com a morte de Chávez, aplicou-se o art. 233, passando Maduro a exercer o cargo de Presidente Encarregado, obrigando-se a convocar eleições em 30 dias, o que foi feito.
E onde reside o vilipêndio, a ignomínia de Ferreira Gullar? Repetindo maquinalmente o que a extrema-direita golpista e corrupta da Venezuela alardeou, afirma que a farsa prosseguiu até a morte de Chávez, que ninguém sabe quando de fato ocorreu. Isto é uma grave ofensa antes de mais nada à dignidade dos pais, irmãos e filhos de Hugo Chávez, porquanto afirmar que ninguém sabe quando ocorreu a morte é imputar à família do presidente participação numa farsa. As filhas de Chávez em discursos emocionados, num e noutro momento, repeliram a rancorosa e covarde acusação, reafirmando que Chávez faleceu, quase diante de seus olhos, no dia 5 de março no hospital militar de Caracas, exatamente às 16 h25.
E por quê afirmo no título que há uma revolução socialista bolivariana em marcha ? Evidentes êxitos dos programas sociais do governo Chávez não a caracterizaria. Esta proeza pode ser alcançada por países em regime capitalista. Há, porém, um dado da realidade na Venezuela: a massa pobre e de trabalhadores alcançou um bom nível de consciência política e ideológica e está organizada. Vale-se do Partido Socialista Unido da Venezuela para a sua mobilização. E dispõe-se a respaldar o governo a fim de levar adiante o “Plano Socialista da Nação – 2013-2019”, programa histórico de cinco objetivos fundamentais, que tem por lema ‘desenvolvimento, progresso, independência, socialismo’.
Sempre com fundamento na Constituição que estabelece que a soberania reside intransferivelmente no povo que a exerce diretamente na forma prevista na Carta Magna e nas leis e indiretamente, mediante o sufrágio direto e secreto, Chávez liderou a expansão da democracia participativa, diminuiu o peso do empresariado, dos meios comerciais de comunicação e das casamatas mais retrógadas do aparelho estatal, especialmente no sistema judiciário. Criou com isso a base social que permite agora avançar na transformação socialista em curso, trazendo a Força Armada para dela lealmente participar.
Uma das mais relevantes medidas de transferência de poder ao povo é a criação e o desenvolvimento do poder comunal. Trata-se de pequenas áreas geográficas, distritos ou bairros, que funcionam como instituições políticas e que também podem organizar seus próprios serviços públicos, constituir empresas para diferentes atividades e receber financiamento direto do governo nacional. Busca-se, assim, esvaziar os estamentos burocráticos ainda controlados ou corrompidos pelos antigos senhores.
Ao contrário de outras experiências de identidade socialista, a ampliação da democracia direta não foi acompanhada pela redução de liberdades, mesmo daqueles setores que participaram do golpe de Estado em 2002 ou que insistem na oposição golpista. Não se tolheu a liberdade de expressão nem a liberdade de imprensa. Partidos de cariz neoliberal, de direita, sociais-democratas ou ultra-esquerdistas continuam a funcionar normalmente com ampla liberdade de organização e manifestação pacífica.
Dois fortes sinais indicam que a revolução socialista bolivariana está atingindo um ponto de não retorno. O primeiro foi o extraordinário comportamento do povo venezuelano diante da morte de seu comandante-presidente. Milhões saíram às ruas para homenageá-lo. Embora comovido, mostrou-se sereno, pacífico, responsável e democrático. Isto permitiu que o governo funcionasse e, principalmente, a estabilidade institucional fosse garantida. Não caiu nas provocações alimentadas por setores raivosos da direita. Reagiu com senso civilizado extraordinário, com dignidade. No entanto, como se pôde assistir, disposto a qualquer coisa para defender o legado de Hugo Chávez, o progresso e as conquistas sociais, o desenvolvimento da economia, a soberania e a independência da pátria, a consolidação da integração regional latino-americana.
O segundo sinal está por vir e será a confirmação desta vontade popular. No dia 14 de abril serão realizadas eleições livres, justas e transparentes, como garante o Conselho Nacional Eleitoral, para presidente da Venezuela. A vitória de Nicolás Maduro constituirá um marco histórico e dará início a uma nova etapa da revolução socialista bolivariana.
*Max Altman é jornalista

sexta-feira, 15 de março de 2013

Limites do município de Varre-Sai é objeto de projeto de lei na ALERJ

COMENTÁRIO: Notícia enviada pelo Professor Sebastião Menezes sobre o projeto de lei que trata dos limites de Arataca e Jacuringa na ALERJ. Espero que seja dada a devida importância a essa matéria pelos "nossos" deputados estaduais.
 
APROVADA A CONSTITUCIONALIDADE DOS LIMITES DE ARATACA E JACURINGA PELA ALERJ

Limites de costume, uso e boa fé estão definidos no projeto de lei.

A divergência entre os limites respeitados de costume, uso e boa fé e aqueles definidos na lei estadual das localidades de ARATACA e JACUTINGA como partes integrantes do município de VARRE-SAI só foi constatada por ocasião do Censo 2007, quando uma importante inovação tecnológica (PDA – Personal Digital Assistant), dotada de GPS (Global Position System), foi utilizada pelo IBGE, permitindo que o recenseador se localize na sua área de trabalho e capte as coordenadas geográficas de estabelecimentos e domicílios da zona rural. Tudo não passou de um equívoco, um erro de legislação, no processo de criação do município de Varre-Sai, uma vez que os moradores das duas comunidades rurais são eleitores de Varre-Sai e votaram no plebiscito para criação do município.

Parar corrigir o erro da legislação estadual constantes dos mapas oficiais, o Prefeito Everardo Ferreira (PP) reuniu-se em 6 de março com o Líder do Governo na Assembleia, Deputado Estadual André Corrêa (PSD), para sugerir que o Projeto de Lei n° 808/11, de autoria do Deputado Jânio Mendes (PDT), que trata sobre a questão, seja priorizado e votado em regime de urgência, promovendo, assim, a retificação dos atuais limites geográficos entre os municípios de Varre-Sai e Porciúncula.

- “Precisamos garantir que a história de Varre-Sai seja preservada: Arataca e Jacutinga sempre foram atendidas pela Prefeitura de Varre-Sai. Toda rotina da população dessas duas localidades está aqui – como as escolas (uma em cada localidade), transporte escolar, atendimento médico e odontológico, cartório, a assistência técnica agrícola e manutenção das estradas vicinais. Recentemente, até construímos duas pontes em Jacutinga”, apontou o Prefeito.

Para o Deputado Estadual André Corrêa, que também preside a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, a vontade da população local deve estar acima de qualquer outra questão e ser determinante na decisão final:

- “Recebi o Prefeito Everardo em meu gabinete e entendo que, nesse caso, as tradições do povo devem estar acima de qualquer discussão. Não podemos deixar que uma falha técnica prejudique as comunidades de Arataca e Jacutinga. Eles se sentem cidadãos varre-saiense e são de fato: o domicílio eleitoral dos moradores de Arataca e Jacutinga é Varre-Sai. Vamos oficializar o fato e as tradições vigentes, com os erros do passado sendo corrigidos”. Concluiu o Deputado.


O assunto foi levado para discussão e votação na ordem do dia da reunião extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj do dia 14 de março e foi aprovado por unanimidade.

André Corrêa se comprometeu a trabalhar junto aos demais membros da CCJ para priorizar submeter o PL 808 ao Plenário da Assembleia Legislativa.