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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Reflexões de um velho camarada sobre a Carta ao Povo Brasileiro de José Dirceu

Comentário: Compartilho as reflexões do velho camarada Alberto Jones sobre a carta ao povo brasileiro escrita por José Dirceu por ocasião de sua condenação pelo STF. Creio que o maior crime cometido por Zé Dirceu foi não observar os ensinamentos da sabedoria popular e de grandes líderes como Lênin. Como destaca no texto do ponto-de-vista do "Direito Formal" Zé Dirceu deveria ser absolvido, mas politicamente seu erro e da cúpula do PT de então foi enorme.




REFLEXÕES SOBRE A CARTA AO POVO BRASILEIRO DE JOSÉ DIRCEU:

“Fico emocionado e triste ao mesmo tempo, com essa bela e valorosa defesa de princípios do José Dirceu.
Sei que do ponto de vista do Direito Formal ele realmente deveria ser absolvido. Fora deste Direito, tenho sérias dúvidas, apesar de admirar a Luta da qual ele participou.
Mas sei também – e ele deveria saber – que no jogo bruto da batalha político-ideológica não podemos dar nenhuma brecha aos nossos inimigos.
E que estes inimigos (como Satã) tem muitas formas e aparências: sobretudo a de “amigos”, “amantes”, “correlegionários” e “aliados”. Portanto, apenas pelos atos é que identificamos os Inimigos da democracia.
LÊNIN NOS ENSINOU:

“Por trás do que dizem dele e do que ele diz de si mesmo, vamos saber quem ele realmente é, ANALISANDO O QUE ELE FAZ”.

Dirceu certamente conhece essa assertiva de Lênin. Não consigo compreender como ele não a levou em consideração.
Afinal ele tinha FORÇA E PODER MAIS DO QUE SUFICIENTES PARA NÃO SE DEIXAR ILUDIR. NÃO CONCILIAR COM ANTIGOS INIMIGOS,
E, MENOS AINDA, ACEITAR A ALIANÇA DESSA CORJA DE INIMIGOS DO POVO.
DEIXE-ME DAR UM EXEMPLO REAL QUE VIVENCIEI:
Presenciei uma situação semelhante, porém mais dura e efetiva (como tem que ser) em Moçambique, em 1976:
“Depois de acompanhar (o Governo Revolucionário da FRELIMO) por mais de dois anos uma série infindável de atos “contra-revolucionários” no País, o GOVERNO AGIU, sufocou um levante armado no Quartel de Boane e autorizou a população (literamente) a prender quaisquer membros das Forças Populares (indpendente da patente) que se encontrasse “a paisana” ou quem quer que pedisse ajuda ou hospedagem em suas residências; o que foi cumprido a risca e sem excessos.
Nos dias seguintes vieram as AÇÕES FORMAIS, INSTITUCIONAIS:

O Governador de MAPUTO – a capital do País, que aqui corresponderia, em importância, a São Paulo – foi Deposto, preso e acusado de corrupção. Então, no seu Pronunciamento o PRESIDENTE SAMORA MACHEL disse em cadeia de Radio a este respeito (não havia TV na época lá):
“E uma pena que o Camarada fulano de tal (o Governador, esqueci o nome) resistiu, durante mais de 15 anos, às BALAS DE CHUMBO DO IMPERIALISMO. E se deixou abater apenas em SEIS MESES ÀS BALAS DE CHOCOLATE DO CAPITALISMO”

Esta foi uma das experiências ética e política mais profunda e linda que aprendi na minha vida. Devo muito ao POVO MOÇAMBICANO.
VOLTEMOS A CARTA DE DIRCEU:
Diz o dito popular: “Quem com porcos se mistura, farelos come”.
E, mais ainda, ensina o HERMETISMO PROFUNDO: “Não se deve lançar pérolas aos porcos”. E o Cristo: “Não pode a árvore má dar bons frutos”.
Como que Dirceu se deixou seduzir apesar de todos esses Antiquíssimos e Sábios avisos?
E A SEDUÇÃO E O EGO SÃO O PIOR DA PAIXÃO DO HOMEM DESPREPARADO PARA A VIDA POLÍTICA E COTIDIANA”.

A seguir a carta de José Dirceu:

AO POVO BRASILEIRO

No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.

Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.

Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012

José Dirceu
 

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