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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Show Business: Briga do Charlie Brown Jr.

Comentário: Como diria Marcelo Nova: "Lá vem a garota pintada de zarcão, ela tá confundindo a cabeça do Cheirão ..." Hehehehehehehehehehe. Esse colunista Regis Tadeu é um figuraça, não tem papas na língua e fala com propriedade quando o assunto é música. Gostei da comparação desses "roqueiros" com telespectadores dos programas da Márcia Goldsmith. Quanto ao chilique dos dois, parafraseando um provérbio popular (dizem ser inglês): "Quando o dinheiro fala, a verdade cala".

Vejam os vídeos:

 

“Lavagem de roupa suja” em pleno palco escancara as entranhas do show business

Nunca me canso em alertar aos mais jovens e aos mais ingênuos que o mundo do show business é muito diferente do universo de glamour que eles imaginam.
Poucas coisas são tão desmistificadoras quanto presenciar o que se passa nos bastidores de programas de TV e de grandes shows. A maneira fria e por vezes desonesta com que o público é tratado na intimidade de um camarim e nos corredores dos estúdios e de grandes festivais é algo que faria qualquer um nunca mais sair de casa para presenciar porcaria alguma.
Também é uma realidade que ter uma carreira de sucesso dentro de uma banda significa ter um "casamento" entre seus integrantes. Assim como acontece no casamento de verdade, a convivência contínua — no caso, na estrada e nos estúdios, principalmente - precisa ser muito bem administrada para não descambe para um desgaste irreversível ou, na pior das hipóteses, para a porrada explícita.
Outra realidade é ainda mais dura e cruel: toda artista e banda de sucesso é uma empresa. Sem aspas, porque é isto mesmo. Ter uma carreira de sucesso significa lidar com advogados e contadores O TEMPO TODO. Significa contratar assessorias de imprensa para divulgar e, muitas vezes, mentir em nome do artista, que ainda por cima é obrigado a lidar com gente inescrupulosa e desonesta para conseguir determinados objetivos na carreira e ter que lidar com fãs inconvenientes O TEMPO TODO. Luxo, glamour, grana, mulherada? Isto só rola para poucos e apenas em uns alguns raros momentos...
Por trabalhar no meio musical há vários anos — e de uns tempos para cá também no mundo televisivo e do rádio -, vi com meus próprios olhos coisas que beiraram o inacreditável e ouvi da boca daqueles diretamente envolvidos em episódios controversos histórias verídicas e grotescas. Se você soubesse a quantidade de músicos que saem de uma banda por causa de trocas de porradas entre os integrantes, adultérios descobertos e roubalheiras de dinheiro, ficaria estarrecido. Sabe aquele papo "fulano saiu do grupo X por causa de 'diferenças musicais'"? Isto só acontece de verdade em 3% dos casos. No restante, o que rola de verdade é aquilo citei anteriormente. Pode acreditar.
Resolvi escrever a respeito disto porque um exemplo recente mostrou que, às vezes, este tipo de sentimento extrapola as fronteiras do backstage e acaba invadindo o próprio palco, que é o lugar sagrado para qualquer artista, seja ele tranquilo como o James Taylor ou alucinado como o Iggy Pop.
Veja o vídeo abaixo:
Para quem não entendeu, trata-se de um tremendo esporro que o vocalista Chorão, do Charlie Brown Jr., deu no baixista do grupo, Champignon, na frente de toda uma plateia em um show domingo passado em Apucarana (PR), e que acabou sendo gravado por um fã. Calado e sem poder responder — o próprio Chorão avisou que havia retirado o microfone dele para evitar que ele "falasse merda" -, Champignon ficou ouvindo toda a esculhambação de maneira humilhante e aguentou tudo até o momento em que Chorão avisou que iriam tocar a música "O Preço". Foi então que o baixista largou o seu instrumento e abandonou o palco, obrigando a banda a tocar o restante da apresentação sem ele.
Tão inacreditável quanto o acontecimento em si foi perceber que o público foi ao delírio com esta que foi certamente uma das cenas mais lamentáveis da história da música brasileira em todos os tempos. Hoje em dia, as pessoas andam tão ávidas por boatos, desgraças e baixarias por parte dos artistas que até mesmo "roqueiros" na plateia se deliciam com este tipo de coisa, agindo exatamente como espectadores descerebrados de programas de fofoca da TV. Que praga isto se tornou...
Ainda que Chorão tenha razão ao afirmar que o baixista voltou a tocar com o grupo por causa de dinheiro, isto não é motivo para que este tipo de "roupa suja" tenha sido lavada em público, ainda mais levando em consideração que todo músico profissional toca por dinheiro. Ou os cachês agora são pagos em discos, pacotes de arroz, uísque ou Ovomaltine e ninguém me avisou?
A coisa pegou tão mal — entre os contratantes de shows, principalmente — que, antes que os shows marcados começassem a ser cancelados e que futuras apresentações não fossem mais agendadas, os dois protagonistas deste episódio grotesco resolveram fingir que está tudo bem e gravaram um novo vídeo, agora pedindo desculpas. Veja abaixo:
Não é de se estranhar que nos dias de hoje ainda existam pessoas que celebrem este tipo de coisa com o grito "isto é rock n' roll, porra!", dada a pouca capacidade mental existente no espaço existente entre as orelhas dos fãs. Mesmo no passado, histórias de bandas quebrando quartos, jogando TVs pela janela e apostando corrida de moto nos corredores de hotéis de luxo sempre soaram como babaquice em escala extrema para mim. Ser "roqueiro" nunca foi passaporte para a estupidez, ainda que muita gente pense o contrário, o que explica a ainda existente idolatria por panacas como Axl Rose, os irmãos Noel e Liam Gallagher (ex-Oasis) e outros "arruaceiros de butique".
O que Chorão e Champignon — dois caras gentis e simpáticos em todas as vezes que os entrevistei no passado, diga-se de passagem — deveriam ter feito é resolvido qualquer pendência entre eles longe dos olhos das plateias. Afinal de contas, a gente paga ingresso para ver um show e não para assistir "DR" ("discussão de relação") em público.
Agora, se tem anormal que se delicia com isto, aí já é caso para psicanalista, né?

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