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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Moçambique: a maldição da abundância?

Comentário: Muito bom esse texto de Boaventura Santos sobre a atualidade em Moçambique. As riquezas do país devem ser convertidas em melhorias para o conjunto da população expresso no desenvlvimento social de fato e não para o enriquecimento ilícito de uma elite política seja ela da direita ou da esquerda. Espero que o povo moçambicano se livre dos oportunistas que crescem em qualquer organização política seja a FRELIMO (com um grande histórico de luta contra a dominação colonialista) ou outra organização de esquerda. Infelizmente esse oportunismo tem marcado presença há muito tempo no Brasil.

 


Charge do Latuff

 Do Correio do Brasil

Moçambique: a maldição da abundância?

25/7/2012 15:32,  Por Boaventura de Sousa Santos

A “maldição da abundância” é uma expressão usada para caracterizar os riscos que correm os países pobres onde se descobrem recursos naturais objeto de cobiça internacional. A promessa de abundância decorrente do imenso valor comercial dos recursos e dos investimentos necessários para o concretizar é tão convincente que passa a condicionar o padrão de desenvolvimento económico, social, político e cultural.
Os riscos desse condicionamento são, entre outros: crescimento do PIB em vez de desenvolvimento social; corrupção generalizada da classe política que, para defender os seus interesses privados, se torna crescentemente autoritária para se poder manter no poder, agora visto como fonte de acumulação primitiva de capital; aumento em vez de redução da pobreza; polarização crescente entre uma pequena minoria super-rica e uma imensa maioria de indigentes; destruição ambiental e sacrifícios incontáveis às populações onde se encontram os recursos em nome de um “progresso” que estas nunca conhecerão; criação de uma cultura consumista que é praticada apenas por uma pequena minoria urbana mas imposta como ideologia a toda a sociedade; supressão do pensamento e das práticas dissidentes da sociedade civil sob o pretexto de serem obstáculos ao desenvolvimento e profetas da desgraça. Em suma, os riscos são que, no final do ciclo da orgia dos recursos, o país esteja mais pobre econômica, social, política e culturalmente do que no seu início. Nisto consiste a maldição da abundância.
Depois das investigações que conduzi em Moçambique entre 1997 e 2003 visitei o país várias vezes. Da visita que acabo de fazer colho uma dupla impressão que a minha solidariedade com o povo moçambicano transforma em dupla inquietação. A primeira tem precisamente a ver com a orgia dos recursos naturais. As sucessivas descobertas (algumas antigas) de carvão (Moçambique é já o sexto maior produtor de carvão a nível mundial), gás natural, ferro, níquel, talvez petróleo anunciam um El Dorado de rendas extrativistas que podem ter um impacto no país semelhante ao que teve a independência. Fala-se numa segunda independência. Estarão os moçambicanos preparados para fugir à maldição da abundância? Duvido.
As grandes multinacionais, algumas bem conhecidas dos latino-americanos, como a Rio Tinto e a brasileira Vale do Rio Doce (Vale Moçambique) exercem as suas atividades com muito pouca regulação estatal, celebram contratos que lhe permitem o saque das riquezas moçambicanas com mínimas contribuições para o orçamento de estado (em 2010 a contribuição foi de 0,04%), violam impunemente os direitos humanos das populações onde existem recursos, procedendo ao seu reassentamento (por vezes mais de um num prazo de poucos anos) em condições indignas, com o desrespeito dos lugares sagrados, dos cemitérios, dos ecossistemas que têm organizado a sua vida desde há dezenas ou centenas de anos.
Sempre que as populações protestam são brutalmente reprimidas pelas forças policiais e militares. A Vale é hoje um alvo central das organizações ecológicas e de direitos humanos pela sua arrogância neo-colonial e pelas cumplicidades que estabeleceu com o governo. Tais cumplicidades assentam por vezes em perigosos conflitos de interesses, entre os interesses do país governado pelo Presidente Guebuza e os interesses das empresas do empresário Guebuza donde podem resultar graves violações dos direitos humanos como quando o ativista ambiental Jeremias Vunjane, que levava consigo para a Conferência da ONU, Rio+20, denúncias dos atropelos da Vale, foi arbitrariamente impedido de entrar no Brasil e deportado (e só regressou depois de muita pressão internacional), ou quando, às organizações sociais é pedida uma autorização do governo para visitar as populações reassentadas como se estas vivessem sob a alçada de um agente soberano estrangeiro.
São muitos os indícios de que as promessas dos recursos começam a corromper a classe política de alto a baixo e os conflitos no seio desta são entre os que “já comeram “ e os que “querem também comer”. Não é de esperar que nestas condições, os moçambicanos no seu conjunto beneficiem dos recursos. Pelo contrário, pode estar em curso a angolanização de Moçambique. Não será um processo linear porque Moçambique é muito diferente de Angola: a liberdade de imprensa é incomparavelmente superior; a sociedade civil está mais organizada; os novos-ricos têm medo da ostentação porque ela zurzida semanalmente na imprensa e também pelo medo dos sequestros; o sistema judicial, apesar de tudo, é mais independente para atuar; há uma massa crítica de acadêmicos moçambicanos credenciados internacionalmente capazes de fazer análises sérias que mostram que “o rei vai nu”.
A segunda impressão/inquietação, relacionada com a anterior, consiste em verificar que o impulso para a transição democrática que observara em estadias anteriores parece estancado ou estagnado. A legitimidade revolucionária da Frelimo sobrepõe-se cada vez mais à sua legitimidade democrática (que tem vindo a diminuir em recentes atos eleitorais) com a agravante de estar agora a ser usada para fins bem pouco revolucionários; a partidarização do aparelho de estado aumenta em vez de diminuir; a vigilância sobre a sociedade civil aperta-se sempre que nela se suspeita dissidência; a célula do partido continua a interferir com a liberdade acadêmica do ensino e investigação universitários; mesmo dentro da Frelimo, e, portanto, num contexto controlado, a discussão política é vista como distração ou obstáculo ante os benefícios indiscutidos e indiscutíveis do “desenvolvimento”. Um autoritarismo insidioso disfarçado de empreendorismo e de aversão à política (“não te metas em problemas”) germina na sociedade como erva daninha.
Ao partir de Moçambique, uma frase do grande escritor moçambicano Eduardo White cravou-se em mim e em mim ficou: “nós que não mudamos de medo por termos medo de o mudar” (Savana, 20-7-2012). Uma frase talvez tão válida para a sociedade moçambicana como para a sociedade portuguesa e para tantas outras acorrentadas às regras de um capitalismo global sem regras.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

A guerra dos tucanos contra os blogs progressistas

Comentário: Os tucanos continuam na sua cruzada anti-blogs. Isso demonstra o tanto que esses veículos incomodam. O caminho para a democratização do acesso à informação passa necessariamente pelos blogs. O problema é o acesso à internet pela população e o que se faz com esse acesso. Sigamos desmascarando esses tucanos.

 

PSDB: O Estado-anunciante e a liberdade suja

25/7/2012 17:08,  Por Saul Leblon-Carta Maior - de São Paulo

Serra, representante do PSDB, comprou milhares de assinaturas da VEJA para as escolas paulistas

A representação do PSDB ao Procurador Geral Eleitoral contra blogs que criticam suas lideranças e agenda partidária, é um pastel revelador. O recheio exala as prendas do quituteiro; a oleosidade da fritura qualifica o estado geral da cozinha. Na primeira mordida fica explícito que a referência de ‘bom’ jornalismo do PSDB é a revista VEJA, uma ferradura editorial adestrada para escoicear três dimensões da sociedade: agendas progressistas; lideranças que as representem; governos que lhes sejam receptivos.
Curto e grosso, o poder tucano pleiteia a asfixia publicitária – com supressão de publicidade estatal – de qualquer outra forma de imprensa que não se encaixe no tripé que o espelha. A singular concepção de pluralidade afronta boa parte dos sites e blogs alternativos que se reservam o direito de exercer a crítica política da sociedade e do desenvolvimento de uma perspectiva não conservadora. ‘São blogs sujos’, fuzila a representação tucana, cuja coerência não pode ser subestimada. Há esférica sintonia entre a forma como o PSDB se exprime e o higienismo de uma prática que São Paulo, a ‘cidade limpa’, tão bem conhece.
O tema da publicidade estatal mereceria um discernimento mais amplo do que o reducionismo estreito do interesse eleitoral tucano. O Estado deve se comunicar com a sociedade. A comunicação deve se pautar pelo interesse público. Campanhas educativas e institucionais não podem ser confundidas com propaganda partidária, nem servir aos seus interesses, sejam eles quais forem. Dito isso, resta o ponto sensível ao PSDB: quem merece veicular tais mensagens de pertinência pública reconhecida?
O tucanato e certos ‘especialistas em comunicação’ parecem convergir, ainda que por caminhos diversos, a um consenso: a mídia alternativa deve ser alijada dessa tarefa. O ‘Estado anunciante’, uma corruptela do cacoete neoliberal ‘Estado interventor’, teria atingido, asseguram, uma hipertrofia perigosa; deslizamos a centímetros do abismo anti-democrático. No país que tem um dispositivo com o poder intromissor da Rede Globo, insinua-se que a principal ameaça à democracia é o Estado impor seu ‘monólogo’ à sociedade. Afirma-se isso com ares de equidistância acadêmica e engajamento liberal,.
Passemos.
Evitar essa derrocada exigiria um veto cabal a toda e qualquer publicidade oriunda da esfera pública? Em termos. Na verdade, não seria exatamente essa essa a malha do coador tucano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo esclarecedor no ‘Estadão’, de 3 de junho último, foi ao ponto: “Será que é democrático”, disse ele, “deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? (…) O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.”
É isso. O grão tucano adiciona nuances na investida contra o Estado anunciante. Nas páginas de ‘Veja’, e sucedâneos, não haveria risco de influencia editorial. Ali a ‘voz do consumidor e a concorrência’ preservam a ‘isenção do jornalismo’. “Mas nas mídias locais e regionais…’ Quais? Sobretudo aquelas que incomodam ao engenho e à arte tucana de governar e fazer política.
‘Especialistas em comunicação’ com passagem pelo governo Lula – experiência descrita sempre como ‘traumática, mas de uso conveniente nos salões conservadores – reivindicam, é bem verdade, uma intolerância mais abrangente contra o ‘Estado-anunciante’. No limite, advertem, o uso da máquina publicitária instrumentalizaria um poder de coerção de tal forma desproporcional que ameaçaria a própria alternância no poder. A evocação colegial de um ambiente quase-nazista sob o terceiro Reich petista tem, como se sabe, audiência cativa em certos veículos e tertúlias filosóficas de endinheirados. Mas o libelo anti-totalitário tropeça nos seus próprios termos ao não adotar idêntica ênfase na denúncia de uma oligárquica estrutura de propriedade do sistema de comunicação que, esta sim, instituiu um verdadeiro diretório paralelo no país, arvorado em corregedor das urnas, da economia e da ética.
A hipocrisia que perpassa esse descuido pertence a mesma matriz ideológica que inspirou agora a representação tucana contra os ‘blogs sujos’. Contra ela Brecht resolveu cunhar um dia a metáfora de hígida atualidade: ‘O que é assaltar um banco, em comparação com fundar um banco?’ Leia neste endereço, a íntegra da sugestiva representação do PSDB que pede, especificamente, a investigação dos blogs de Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.
Saul Leblon é jornalista e escreve para a Agência Carta Maior.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Bruno Mazzeo dá pau no tal Rafinha Bastos

Comentário: Bruno Mazzeo falou tudo que eu queria ouvir. Esse tal de Rafinha Bastos é mesmo um escroque. Bruno é um cara que traz aquele humor cara de pau com as trapalhadas em que muitos de nós nos identificamos e isso me lembra alguém. Quem? Quem? Quem? Chico Anysio, esse grande gênio do humor brasileiro. Fico muito impressionado com a forma como os 8 filhos de Chico Anysio falam dele. Com tantos casamentos e dos vários filhos esperava-se que Chico fosse um pai ausente, mas nota-se que todos os filhos dele tem por ele um respeito e amor enormes. E me parece que esse sentimento dos filhos não é jogo de cena. Creio que Bruno Mazzeo seja o mais  talentoso dos filhos de Chico, espero que continue a fazer com que a gente ria, continue fazendo humor de verdade e não isso que esses babacas, como o tal Rafinha Bastos, andam fazendo por aí.   

 

“Nem gosto de assistir”, diz Bruno Mazzeo sobre Rafinha Bastos

Bruno Mazzeo está no elenco de "Cheias de Charme" na pele do empresário Tom (Foto: AgNews)
Bruno Mazzeo não tem papas na língua. O humorista deu uma entrevista ao jornal "O Globo" desta terça-feira (10) e aproveitou para cutucar o colega Rafinha Bastos. "Faz um programa que não chegou a um ponto no ibope. Nem gosto de assistir", alfinetou Bruno.
Leia também:
Rafinha Bastos alfineta Bruno Mazzeo em rede social

"A minha turma é muito mais legal. Mas, de repente, veio essa galera do stand-up, e eles começaram a se definir como se fossem o último biscoito da caixinha. O Rafinha Bastos praticamente inventou o humor, né? Ele dá entrevistas sobre o humor como se não existisse o gênero antes dele. Só que faz um programa que não chegou a um ponto no ibope. Com essa galera do stand-up eu não compartilho. E nem gosto de assistir, acho bobo, monótono. É uma opinião minha", defendeu o humorista.
A língua afiada é uma herança que recebeu do pai, o humorista Chico Anysio, que faleceu em março deste ano. "O meu pai me ensinou que o sucesso é acidente de percurso. Se cochilar, o cachimbo cai. Ele era uma referência muito forte, em todos os sentidos: na conduta, no pé no chão, no profissionalismo. Estou aqui hoje falando com você graças à influência dele", disse Bruno.
Apesar de ter sido uma das celebridades pioneiras no uso do Twitter, hoje o humorista faz pouco caso do microblog e desdenha os usuários do site. "Twitter é um erro. Não tenho o menor arrependimento de ter saído. As pessoas inteligentes não usam. A minha empresária mudou a senha, eu não a tenho mais", afirmou.
Atualmente, Bruno está no ar na novela das 19h da Rede Globo, "Cheias de Charme", na qual vive o empresário de Chayene (Cláudia Abreu) e Fabian (Ricardo Tozzi), Tom Bastos.

Alice Braga na estrada: além de linda, ela é perspicaz e sensível

Comentário: Alice além de linda (DNA, né?) se mostra como uma atriz inteligente e sensível. Espero que não me decepcione futuramente. Os trabalhos feitos por ela, mesmo que os pequenos, são marcantes. Em "Ensaios sobre a cegueira" a sua interpretação foi muito forte. A crítica que ela faz acerca da facilidade de comunicação e da necessidade da juventude encontrar seus caminhos é muito procedente. Não sou um profundo conhecedor do movimento de Kerouac, mas posso dizer que ele tem muito de "carpe diem" e posso afirmar que da altura de meus 35 anos (hehehehehehehehehehe), o "carpe diem" foi reponsável por minhas grandes aventuras e descobertas que foram positivas para minha formação humana. Que venha o filme de Walter Salles. Quero ver Terry, se possível no cinema. 

Alice Braga fala de sua participação em Na Estrada, novo longa de Walter Salles
10/07/2012 13h30 -  Roberto Guerra, do Cineclick
Foto: Rogério Gomes

Alice Braga: fã de On the Road, livro que deu origem ao filme Na Estrada

Revelada por Fernando Meirelles em Cidade de Deus, no papel de uma garota da Zona Sul alvo romântico de um rapaz da favela, a paulistana Alice Braga vem traçando uma carreira internacional mais bem-sucedida que a de qualquer outro ator brasileiro até então. Trabalhando incessantemente, a atriz faz uma breve, mais intensa, participação no novo longa do diretor Walter Salles, Na Estrada, adaptação do livro do escritor americano Jack Kerouac, On the Road, que conta suas aventuras pelas estradas americanas recheadas de drogas e álcool no final dos anos 40.

“Eu li Na Estrada quando tinha uns 17, 18 anos. Foi um livro que me marcou. Quando o Walter me chamou para fazer eu fiquei muito honrada. Eu sou fã do livro e sei de sua importância para a literatura. E sabia da importância desse livro na vida do Walter, de como ele era apaixonado por essa história. Então foi um convite maravilhoso. Eu fiquei muito feliz, muito emocionada”, revela atriz em entrevista ao Cineclick.

No longa Alice interpreta Terry, camponesa catadora de algodão que cruza o caminho do protagonista Sal Paradise. “O Waltinho é uma referência no nosso cinema. Ele coloca os personagens em belas jornadas, que não são apenas físicas, mas também espirituais. Minha personagem é pequena no filme, é uma passagem, uma pincelada. Eu queria passar cada gesto, cada emoção, cada olhar para trazer um pouco de alma para ela. Para fazer a Terry, especificamente, tive uma conexão extrema com o diretor", conta Alice sobre o trabalho com Salles, que também dirigiu dois road movies antes de Na Estrada: Central do Brasil e Diários de Motocicleta.

Foto: Divulgação

Terry, personagem de Alice: camponesa que cruza o caminho do protagonista

Alice disse que o filme, que narra a jornada de dois jovens em busca da última fronteira americana e à procura deles mesmos, é um retrato do que falta à sua geração e à geração que vem depois da dela - a atriz tem 29 anos. "Nós vivemos de maneira muito protegida, quase que já pronta, muito por causa da facilidade de comunicação que existe hoje. Eu acho que esse filme tem a qualidade de emocionar quem leu o livro e tocar quem não conhece a história ainda. Porque tem uma mensagem que cada vez mais os jovens precisam, de viver intensamente cada momento da vida”, avalia.

A atriz revelou à reportagem ser muito intensa e passional na escolha de um trabalho, apesar de não desprezar o lado financeiro. “Dinheiro paga minhas contas e não se deve fazer pouco da independência e da estabilidade que ele proporciona”, afirma. No entanto, Alice diz que, independente do tamanho do filme ou do cachê, o que importa é estar completamente conectada ao trabalho. “Eu primo por estar ligada a todo mundo: diretor, roteirista, atores, operador de câmera, maquiador... É muito importante você vivenciar cada segundo porque aquele é um momento que vai ficar, vai para a lata, vai ser eterno. É um momento que faz parte de sua vida, de sua carreira”.

Na Estrada estreia no Brasil no dia 13 de julho. Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Amy Adams e Elisabeth Moss também estão no elenco.

Foto: Rogério Gomes

Alice Braga fala ao editor do Cineclick sobre participação em longa de Walter Salles

sábado, 7 de julho de 2012

Bial o boçal

Do blog do Miro

 

 Charge de Henrique

 

Pedro Bial e os semideuses

Por Cris Rodrigues, no blog Somos andando:

Ontem, Pedro Bial, aquele do Big Brother, lançou um programa destinado, basicamente, à defesa do preconceito. Despolitização é a palavra que melhor se encaixa.


E o fez consciente e descaradamente. Primeiro, promoveu a defesa do músico Alexandre Pires, acusado de promover o sexismo, o machismo, o preconceito racial, com o clipe da música Kong. Segundo a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, “o vídeo usa clichês e estereótipos contra a população negra” e “reforça estereótipos equivocados das mulheres como símbolo sexual”.


E o apresentador do Big Brother o fez usando – ele e seus convidados, escolhidos intencionalmente pela sua produção – do velho argumento falacioso e manipulador da censura, da ditadura disfarçada.

Como se não bastasse defender o vídeo que fala de negros e é ilustrado com macacos, ainda reforçou o discurso preconceituoso ao levar ao palco do seu programa pessoas vestidas de gorila e mulheres “popozudas”, que apresentam uma visão sexista do papel da mulher na sociedade, vista como objeto. E ó, eu não faço parte de nenhum movimento feminista, mas como mulher me sinto ofendida com esse uso da imagem, com a consolidação, o reforço de algo que há tanta luta para romper, que é estereotipar a mulher, mostrá-la como um ser que não pensa. Além do apelo sexual da figura da mulher, é um incentivo ao tratamento superficial das pessoas, reduzidas à aparência.

Da mesma forma que a mídia não pode condenar antecipadamente acusados ainda não julgados de algum crime, também não cabe a ela inocentá-los, principalmente quando se trata de um suposto crime contra a coletividade. Qual era o propósito de absolver Alexandre Pires em rede nacional? Para que comprar essa história?

Isso sem falar que o assunto está velho, o caso já foi até arquivado. E o irônico é que Bial começou o programa criticando assédio sexual e assédio moral, que esse tipo de apelo sexual e rebaixadamento da mulher à categoria de objeto incentivam absurdamente.

A linha do programa já ficava clara pela escolha dos participantes. Destaco o reacionarissimo Luís Felipe Pondé, tratado a pão de ló. Apesar de estar presente também Antônio Carlos Queiroz, a diferença de tratamento foi evidente. Queiroz é autor da cartilha “Politicamente correto & Direitos”, criada pelo governo federal como uma tentativa de combater preconceitos e criticada pelo apresentador, o mesmo que diz que críticas não servem pra nada, que nem ouve as direcionadas a ele.

“A cartilha foi dedicada a professores, policiais etc. etc. (aqui entrou uma lista de profissões que eu não vou saber repetir, todas passíveis de receber orientação externa) e… tchan tchan tchan, jornalistas (os intocáveis). E aí você mexe com a liberdade de expressão.” Fora o que está dentro dos parênteses e os et ceteras, foi bem assim que o Bial falou, com o tom dramático que traduz em absurdo jornalistas sofrerem qualquer tipo de influência, inclusive a de uma orientação.

Opa, jornalista, como formador de opinião, não pode receber orientações sobre preconceito, para evitar na sua prática diária que forme opiniões discriminatórias contribuindo para que as diferenças de gênero, classe, cor etc. nunca tenham fim. É a velha história do jornalista como dono da verdade. A gente não erra, não mente, não manipula, não tem ideologia (não pode!), então não tem por que ter nosso trabalho observado. Jornalista tem direito a fazer o que quiser, mesmo que isso ofenda a dignidade de outras pessoas. Afinal, somos semideuses, perfeitos. Vai ver é por isso que o diploma é desnecessário. Afinal, a faculdade orienta, e jornalistas estão acima desse tipo de coisa.

Não vou falar em decepção com esse programa porque né, 12 anos de BBB não deixam criar nenhuma expectativa. Mas um mínimo de bom senso vinha bem, viu.

Isso tudo sem contar o nome do programa, que seria bacaninha uns 15 anos atrás, quando a gíria era moderninha.

Maurício Rands renuncia a mandato de deputado federal

Comentário: Vale a pena a renúncia? Creio que o povo de Pernambuco perde um bom parlamentar. A política é a arte de engolir sapos. É lamentável assistirmos a esses fatos, renúncia de Erundina à vice prefeitura em São Paulo e a renúncia de Rands. Talvez os motivos firam os princípios deles. Afinal: quais princípios cara-pálida??? E onde eles estão?????? Talvez a questão não seja de princípios e sim de vaidades.

 

Maurício Rands renuncia ao mandato de deputado federal

Arquivo - Brizza Cavalcante
Maurício Rands
Rands: renúncia por carta e desfiliação do PT.
O deputado João Caldas (PSDB-AL), que neste momento exerce a presidência da sessão plenária, leu há pouco uma correspondência do deputado Maurício Rands (PT-PE) em que ele renuncia ao mandato de deputado federal. Rands exerce o segundo mandato consecutivo. De acordo com o Regimento Interno da Casa, a renúncia, para ser efetivada, ainda precisa ser publicada no Diário da Câmara.
No texto lido por Caldas no Plenário e endereçado ao presidente Marco Maia, Maurício Rands afirma que “chegou ao fim o ciclo da vida político-partidária em razão já explicada aos pernambucanos”. Nesta quinta, o deputado divulgou uma nota em que anunciou sua desfiliação do PT, a renúncia do mandato de deputado e do cargo de secretário de Governo de Pernambuco, que ocupava desde fevereiro do ano passado. A decisão está relacionada a disputas políticas em torno da candidatura do PT à prefeitura de Recife.
“Hoje o Brasil perde um dos seus grandes quadros da vida pública”, disse o deputado João Caldas.
Reportagem - Janary Júnior
Edição - Natalia Doederlein

SEPARADAS NO NASCIMENTO

Fátima Bernardes






Márcia Goldsmith



Fátima Bernardes e o IBOPE

Fátima (4,7%) atinge
credibilidade da Globo

É o que a Globo tem a oferecer em termos de credibilidade e densidade.

É o que o Ali Kamel tem de melhor


Na última hora do programa “Encontro com Fátima Bernardes” desta terça-feira a leitura preliminar do IBOPE mostrava:

- SBT 6,3%

- Record 5,5%

- Globo 4,7%

(Esses números devem ser analisados com reserva: depois da leitura preliminar, depois que o jogo acabou, a Globo costuma fazer uns gols no Globope.)

O problema não é a Fátima: é a Globo.

O problema é o jornalismo da Globo.

Fátima foi 14 anos âncora do jornal nacional, desde a queda de Lillian Witte Fibe, ainda na desastrosa jestão de Evandro Carlos de Andrade na chefia do jornalismo da Globo.

Ele não entendia de televisão e fazia questão de dizer isso.

O desempenho de Fátima atinge a credibilidade do jornalismo da Globo, agora sob a batuta de Ali Kamel, renomado autor de reportagens (escritas), como o clássico “Não, não somos racistas” – rsrsrsrsrsrs

Fátima é o rosto do jornalismo global.

Ela, o Bonner e sua sucessora, Poeta.

É o que a Globo tem a oferecer em termos de credibilidade e densidade.

Ou seja, fora da zona de conforto, do sanduíche entre a novela “das Sete” e a “novela das Oito” é o que vale o jornalismo da Globo.

Fora do sanduíche, quanto daria o jornal nacional, amigo navegante ?

4,7% ?

Em tempo: outra ideia jenial do Evandro foi a Urubóloga Miriam Leitão. Imagine a Urubóloga fora da Globo, amigo navegante …


Paulo Henrique Amorim