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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E se eu fosse você?

Comentário: O trabalho do Fernando Braga é um bom exemplo de qual o papel que a academia deve desempenhar na sociedade qual seja fazer com que vejamos as nossas mazelas e apontar os caminhos para corrigir as aberrações. Me lembrando de Spinoza: "Mau seria se o saco fosse melhor que o cereal que nele vai". Muita gente vive da embalagem e se baseiam em rótulos. Espero que um dia a democracia verdadeira chegue e que o lema a nortear a nossa vida seja: "De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades". E que os garis "do alto de suas vassouras", assim como outros trabalhadores braçais sejam valorizados e respeitados como os médicos, engenheiros, professores, etc.


Experiência de psicólogo
como gari vira livro

Marina Monzillo
 
Uma vez por semana, Fernando Braga da Costa veste uniforme e vai varrer ruas. Carrega esterco, limpa fossas, trabalha debaixo de chuva ou sol. Por causa disso, desenvolveu tendinite nos antebraços. A rotina começou há 10 anos, com um trabalho de Psicologia Social 2, disciplina que cursava na USP e que propunha aos alunos assumirem uma profissão reservada às classes pobres durante um dia. Fernando escolheu ser gari na própria universidade. As descobertas o levaram a estudar profundamente a relação da sociedade com esses trabalhadores, o que resultou no livro Homens Invisíveis – Relatos de uma Humilhação Social (Globo, 256 págs., R$ 32).
“Como gari, senti na pele o que é um trabalho degradante.
Vivi situações que me impulsionaram a entender melhor o
nosso meio psicossocial”, explica ele, que desenvolveu a tese sobre a “invisibilidade pública”, isto é, profissionais como faxineiros, ascensoristas, empacotadores e garis não são “vistos” pela sociedade, que enxerga a função, não a pessoa. Uma das situações experimentadas por Fernando foi atravessar os corredores da faculdade uniformizado. Ninguém nem sequer olhou para ele ou o cumprimentou. “A invisibilidade e a humilhação repercutem até na maneira como você anda,
fala, olha. Eles não conseguem nos olhar de frente e, quando olham, piscam rapidamente. O modo de andar lembra movimentos de robô”, conta ele.
O objetivo não é só conquistar condições melhores para os varredores. “É preciso reinventar a divisão de trabalho para que não exista uma pessoa responsável por limpar nossa sujeira. Se não, não conheceremos democracia de verdade ou uma sociedade de iguais. O trabalho de gari parece natural hoje como a escravidão era há 300 anos.”

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