Fotos: Adriano Ferrarez
Comentário: Hoje parti de
Itaperuna/RJ às 6 h da manhã com destino à Viçosa. Esperava chegar com folga
para a aula das 9 horas na Universidade Federal de Viçosa (estou cursando a
disciplina ERU 784 no período de verão como créditos do doutorado). É chover no
molhado (hehehehehehehehehe) dizer que chuvas = problemas na estrada, mas
passei pela primeira gambiarra da BR 356 na altura do município de Limeira,
aquela "ponte" tava quase caindo (como aconteceu nos primeiros dias
de 2012), mas foi possível atravessar. Nessa hora pensei aliviado: "É a
viagem agora é tranquila, mais 50 minutos e estarei em Viçosa." Porém me
esqueci do 2o. round da luta que é passar por essa BR. Outro "desvio"
ou "ponte" existe na estrada, dessa vez próximo à Ervália. O que se
via era um verdadeiro rio cruzando a estrada (vejam as fotos). Uns "corajosos"
se arriscavam a atravessar, ocasião que ficavam sem as placas de seus carros,
mas eu não sou tão corajoso assim e sinceramente não quis me estabelecer como
"a bridge over troubled water" como diria Paul Simon. Ainda mais que
dentro do carro (que ainda estou pagando estava minha família - meus filhos
vieram visitar os avós antes do fim das férias de Bebella).
Pois então, o medroso aqui não
quis se arriscar. E aí um senhor morador da redondeza nos dá a alvissareira
notícia: havia um desvio, em bom estado de conservação, a uns 100 metros
retornando do ponto de onde nós estávamos que iria passar próximo à Pequena
Central Hidrelétrica que nos levaria a uns 400 metros adiante do desvio. Até
então estava acatando o conselho de um outro morador da região que disse que em
2 horas a água baixava uns 40 cm mais ou menos. Estava resignado com essa
possibilidade, mas a boa nova do desvio me convenceu a encarar o desvio. Na
hora da verdade, a estrada não estava tão boa assim, tive que dar ajuda a um
outro carro para tirá-lo do barro. Na realidade protagonizamos cenas de um
enduro off-road, emocionante!!! Bebella dava gargalhadas no banco de trás
colocando mais essa aventura nas várias que viveu nessas férias. Ela vai ter
muito assunto com os coleguinhas de escola. João Francisco, o caçula, dormia no
alto de sua cadeirinha e a patroa era minha co-piloto, dizendo: Adriano,
Adriano, Adriano!!!
Perdi uma hora e meia de aula,
mas ainda deu tempo de participar dos debates acerca da Taxa Interna de Retorno
Modificada para a avaliação de projetos.
O fato que quero destacar de toda
essa aventura é a verdadeira calamidade que é essa estrada. Não estou aqui
dando uma de reclamão de ocasião. Choveu deveras ontem à noite e claro que
encontrar problemas de queda de barreira, buraco na estrada, etc. Mas em
relação ao trecho mineiro da BR 356, o buraco é mais embaixo. Passo por esta
estrada desde os idos de 1995, quando iniciei meu curso de Física na UFV. Naquela
época a estrada era 70% de terra, nós estudantes muito jovens gastávamos quase
4 horas de Muriaé à Viçosa. Me recordo
de uns colegas Fábio Ganso da Arquitetura, Rodrigo Panta da Biologia, Roger da
Zootecnia, Robson da Informática, etc. Cantávamos Legião Urbana durante a
viagem e o termo cata-jeca, com todo o respeito aos camponeses afinal minha
origem de classe é o campesinato, era o que mais se adequava ao
busão-jardineira da UNIDA. Dado esses fatos creio que tenho propriedade para
falar dessa estrada, não que um cidadão que passe pela primeira vez pela BR 356
não tenha essa propriedade, mas minha relação afetiva com essa rodovia vem de
longos 17 anos. Acompanhei as obras de pavimentação e construção dessa estrada,
as máquinas e os operários, as intermináveis interrupções em meia pista, etc,
etc, etc. A cada quilômetro asfaltado ficava feliz pois representava uma
redução do suplício que era visitar a família em Muriaé. Mas com o fim das
obras, isso foi mais ou menos em 1998 (se não me engano), todo mundo percebeu
que 3 trechos da obra ficaram incompletos (tem mais um quase dentro de
Ervália). Pensei: daqui a dois meses essas pontes estão prontas. O quê? Até
hoje esses projetos não foram concluídos. E daí é que vem todo o transtorno
para quem precisa dessa estrada para trabalhar ou estudar.
Amo demais esse país, tenho um
grande orgulho de pertencer a esse povo brasileiro, e sempre afirmo que o que
estraga nosso Brasil é essa elite venal. Creio que as soluções dos problemas da
nossa sociedade passam necessariamente pela denúncia indignada. A intenção
dessa epopeia que estou redigindo é esta: denunciar o descaso das autoridades
regionais com essa estrada.
Dentre essas autoridades existem
várias que há muitos anos são eleitos pelo povo da região, muitos deles
conseguem votos para si e sua prole. Nomes como Danilo e Rodrigo de Castro,
José, Renzo e Bráulio Braz, Lael Varela e Dr. Wilson Batista figuram na lista
dos que em vários anos de “ação política” não resolveram esse problema. Não vou
excluir desse puxão de orelhas os companheiros do PT e do PCdoB. Aliás vou
mandar essa carta para a Jô Moraes, Carlin Moura e Padre João. Mesmo sendo hoje
eleitor fluminense, já paguei muito imposto em Minas Gerais e continuo a pagar,
e como cidadão brasileiro tenho o direito de reivindicar do Caboraí ao Chuí. Que
a BR 356 se torne transitável!!!
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