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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Deputada Jandira Feghali: Lutar em defesa do Rio até o fim

Comentário: A Deputada Jandira Feghali do PCdoB exerce seu papel de representar o povo e sabe da importância desses recursos para a implementação de políticas públicas capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Paralelamente a esse movimento em defesa da manutenção da distribuição dos royalties do petróleo temos que em nossos municípios criar mecanismos de fiscalização da aplicação desse dinheiro.De acordo com o Banco do Brasil, o município de Itaperuna recebeu até março de 2012 um total de R$ 826.898,53.Isso é muito pouco se comparado com a arrecadação de Campos dos Goytacazes que no mesmo período foi de R$ 54.815.703,44. De toda forma seria muito importante para povo itaperunense saber para onde vai esse dinheiro que apesar de pouco em relação à Campos, pode fazer a diferença por aqui.
 
ROYALTIES
Jandira: Lutar em defesa do Rio até o fim




Na próxima semana, nós, da bancada de deputados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, enfrentaremos uma das maiores batalhas pela garantia dos contratos em vigor de campos de petróleo licitados. A garantia dos recursos de diversos municípios produtores entrará em jogo quando o veto da presidenta Dilma Rousseff for votado em Plenário. Mas nós, parlamentares em defesa do Rio, estaremos juntos buscando a manutenção da decisão do governo.

Na sexta-feira (30), último dia no prazo de sanção do governo ao Projeto de Lei 2565/11, que tratava a redistribuição dos royalties, tivemos bons motivos para comemorar. A decisão da presidenta Dilma foi tomada com coragem e equilíbrio, anunciando a garantia da constitucionalidade dos contratos em execução em nosso estado. E foi mais além. Com coragem e ponderação, o governo respondeu diretamente ao Brasil no destino dos recursos para uma das áreas mais importantes: a Educação.

Na Câmara, nossa movimentação é trabalhar a manutenção do veto até o fim, usando instrumentos regimentais, jurídicos e políticos. É representar o povo fluminense, que deseja os recursos existentes, muitos já programados em políticas públicas e necessários aos orçamentos de prefeitos recentemente eleitos em diversas cidades, onde os recursos dos royalties por vezes significam 60% a 70% do total do orçamento. E o nosso desejo é esse: proteger o direito adquirido, avançar para o equilíbrio federativo, os recursos que mantém os municípios e o estado, além da imagem do País no cenário internacional.

E a esperança que fortemente nos move é a mesma de muitos fluminenses.

Que nada mude a partir de agora.


Jandira Feghali
Deputada Federal PCdoB/RJ

domingo, 9 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho

Leonardo Boff e Niemeyer

 

Comentário: A morte de Niemeyer coloca os reacionários em polvorosa. O motivo é simples, Oscar era um comunista convicto e mais tinha a coragem de defender uma das figuras mais injustiçadas da história do século XX: Stálin. Assisti muitas matérias em que o lado comunista e materialista de Niemeyer foi citado e até exaltado. É melhor colocarmos as barbas de molho por que o que esse escroque de Veja disse pode ser só o começo. Os reacionários não vão deixar barato. Enchamos os tinteiros e façamos ponta nos lápis!!! Boff compara bem Veja: "Vira-bosta".

Por Leonardo Boff
09/12/2012


Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.
E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.
A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.
Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.
Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.
Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.
Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto. Até agora a VEJA não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo. Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.
Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: ”Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.
O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: ”conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.
O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good”(cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.
Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira.
A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se realimenta continuamente. Nada de surpreendente, portanto.
Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama. Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.
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Oscar Niemeyer e a imprensa tupiniquim- Antonio Veronese
Crítica mesquinha, que pune o Talento, essa ousadia imperdoável de alçar os cornos acima da manada. No Brasil, Talento, como em nenhum outro país do mundo, é indigerível por parte da imprensa, que se acocora, devorada por inveja intestina. Capitania hereditária de raivosos bufões que já classificou a voz de Pavarotti de ruído de pia entupida; a música de Tom Jobim de americanizada; João Gilberto de desafinado e Cândido Portinari de copista…
Quando morre um homem de Talento, como agora o grande Niemeyer, os raivosos bufões babam diante do espelho matinal sedentos de escárnio.
Não discuto a liberdade da imprensa. Mas a pergunta que se impõe é como um cidadão, com a dimensão internacional de Oscar Niemeyer, (sua morte foi reverenciada na primeira página de todos os grandes jornais do mundo) pode ser chamado, por um jornalista mequetrefe, num órgão de imprensa de cobertura nacional, de metade-gênio-metade idiota? Isso após sua morte, quando não é mais capaz de defender-se, e ainda que sob a desculpa covarde, de reproduzir citação de terceiros…
O consolo que me resta é que a História desinteressa-se desses espasmos da estupidez. Quem se lembra hoje dos críticos da bossa nova ou de Villa-Lobos? Ao talent, no entanto, está reservada a reverência da eternidade.
Antonio Veronese (mideart@gmail.com)
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Meu caro Antonio,
Que beleza o seu texto, um verdadeiro bálsamo para os que ainda acreditam no mundo de amanhã nascendo do espírito, da fé e do caráter dos homens de hoje!
Não é toda a imprensa, felizmente. Há também muita dignidade e valor na mídia brasileira. Mas não devemos nos surpreender com a revista semanal. Em termos de vileza, ela sempre consegue se superar. Ela terá, mais cedo ou mais tarde, o destino de todas as iniquidades: a vala comum do lixo, onde nem a história se dará o trabalho de julgá-la.
Os arquivos do Projeto Portinari guardam um sem número de artigos desta rancorosa revista, assim como de outras da mesma editora, sobre meu pai, Cândido Portinari e outros seus companheiros de geração. Sempre pérfidos, infames e covardes, como este que vem agora tentar apequenar um grande homem que para sempre enaltecerá a nossa terra e o nosso povo.
Caro amigo, é impossível ficar calado, diante de tanta indignidade.
Com o carinho e a admiração do
Professor João Candido Portinari (portinari@portinari.org.br)
*Leonardo Boff é filósofo, teólogo, escritor e comisionado da Carta da Terra.

Oscar Niemeyer fala sobre Stálin: Quando a verdade se impõe

Comentário: Niemeyer comenta sobre o livro que retrata a juventude de Stalin, um dos personagens mais injustiçados da história do século XX. Livros como esse de Montefiore vão abrindo as cortinas e inundando a obscuridade das mentiras ditas pelos capitalistas e pseudo-socialistas como Kruschev e os trostskistas com a luz dos fatos.




Do Portal Vermelho

Estou no Rio, em meu apartamento em Ipanema, alheio à agitação que hoje, 31 de dezembro, afeta toda a cidade. Recebo, pelo telefone, o abraço de fim de ano de meu amigo Renato Guimarães, lembrando-me, com entusiasmo, do livro sobre Stálin que, meses atrás, lhe emprestei.

Por Oscar Niemeyer na Folha de S. Paulo

Uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista.

E fico a pensar como essa publicação me chegou às mãos por um amigo, o arquiteto argelino Emile Schecroun, que hoje reside na capital francesa. E vale a pena comentar um pouco da vida desse querido companheiro, que, ao ter início a luta entre a França e a Argélia, deixou o PCF em Paris, onde vivia, para filiar-se ao partido comunista argelino e combater no seu país de origem, ao lado de seus irmãos, por sua libertação. E contar como sua mulher foi torturada e ele, um dia, preso e enviado sob algemas para a França.

Duas ou três vezes por ano Emile vem ao Rio me ver. Quer falar de política, lembrar dos velhos camaradas de Paris. Às vezes eufórico, contente com o que vai acontecendo pela Europa; outras, como na última ocasião em que me visitou, preocupado com a crise que envolve o PCF, na iminência de ter que alugar um andar da sede que projetei.

Tentei intervir, propondo uma entrada independente que servisse de acesso aos que vão utilizar aquele pavimento... Mas logo meu amigo reage, certo de que a situação política tende a melhorar, de que os jovens da França continuam atentos ao que passa pelo mundo, prontos a protestar contra tudo o que ofende a dignidade humana.

E volto a lembrar daquele livro, a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e dançar alegremente com seus amigos.

É claro que a juventude russa já sofria a influência de escritores como Dostoiévski, Tolstói e Tchecov, a protestar contra a miséria existente, revoltados com a violência do regime czarista. Muitos, a exemplo de Dostoiévski, enviados para a prisão na Sibéria, onde durante anos ficaram detidos. Depois, como tantas vezes ocorre, a vida a levar o jovem Stálin à luta política, que, apaixonado, o ocupou até a morte.

E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo.

Ponho-me a folhear a obra, surpreso em constatar que o seu autor, depois de enorme pesquisa que se estendeu a arquivos da Geórgia, somente há muito pouco tempo franqueados a pesquisadores, levantou informações inéditas importantes sobre a vida de Stálin.

É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo. Muito animado, Renato me diz que, seguindo a linha política de sua editora, esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar.

A tarde se estende lentamente. Em breve o povo estará nas ruas a cantar – alguns esquecidos de que a miséria em que tantos vivem não se justifica, outros, como nós, confiantes em que um dia o mundo será melhor.

Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 9 de janeiro de 2009

Silvio Berlusconi diz que vai concorrer novamente às eleições italianas


Comentário: Espero que igual à charge abaixo o povo italiano dê um pé no traseiro desse escroque.

 

8/12/2012 14:06
Por Redação, com Reuters - de Roma

O ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse neste sábado que vai concorrer para torna-se líder do país pela quinta vez, confirmando seu retorno à política depois de meses de indecisão.

- Estou voltando à corrida para ganhar – disse Berlusconi a jornalistas, durante transmissão de seu canal de notícias TGCOM24.

- E mais uma vez eu estou fazendo isso por um senso de responsabilidade.

O magnata do setor de mídia, de 76 anos, renunciou como primeiro-ministro em 2011 quando a Itália oscilava à beira da crise da dívida grega e foi perseguido por um escândalo sexual que incluía alegações de que estava envolvido com uma prostituta menor de idade.

O anúncio de que iria concorrer à sua sexta eleição nacional ocorreu dois dias depois que o Partido da Liberdade (PDL) retirou seu apoio ao governo de Mario Monti, levando o país perto de uma eleição a poucos meses do fim da legislatura.

Berlusconi mudou de ideia várias vezes nos últimos meses sobre se iria concorrer às eleições, mas deixou escapar na quarta-feira que estava prestes a voltar ao centro das atenções.

O presidente Giorgio Napolitano pediu ao ex-comissário europeu Mario Monti para formar um governo de tecnocratas depois que Berlusconi deixou o cargo, com o apoio de uma coalizão de direita-esquerda que incluía o PDL.

Monti impôs medidas de austeridade para deixar os custos de empréstimos sob controle. Mas os impostos mais altos pesaram sobre os gastos dos consumidores e aprofundaram a recessão que começou no segundo semestre do ano passado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer: Morre no Rio, aos 104 anos, o arquiteto comunista mais famoso da atualidade




Do Correio do Brasil

5/12/2012 22:55,  Por Redação - do Rio de Janeiro



Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, carioca, nascido em 15 de dezembro de 1907, morreu na noite desta quarta-feira. O arquiteto estava internado no Hospital Samaritano, que confirmou o falecimento de um dos principais ícones da Arquitetura mundial. Niemeyer teve seu estado de saúde deteriorado após uma longa internação. Ele respirava por aparelhos, devido a uma insuficiência pulmonar, que se agravou nas últimas horas, segundo informações divulgadas pelo hospital onde estava internado, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Esta foi a última de uma série de internações pelas quais passou Oscar Niemeyer este ano. Ele morre às vésperas de completar seu 105º aniversário. Em maio e em outubro ele foi levado ao hospital com problemas de desidratação.
Niemeyer foi o arquiteto brasileiro de nome mais influente na Arquitetura Moderna. Pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, e por esse motivo teve grande fama nacional e internacional desde a decada de 1940. Seus trabalhos mais conhecidos são os edifícios públicos que projetou para a cidade de Brasília, embora possua um grande corpo de trabalho desde sua graduação pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1934.
No início do século XX, nasce um gênio
Filho de Oscar de Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida, Oscar Niemeyer nasceu no bairro de Laranjeiras, na rua Passos Manuel, que receberia no futuro o nome de seu avô Ribeiro de Almeida, ministro do Supremo Tribunal Federal. Niemeyer foi profundamente marcado pela lisura na vida pública do avô, que como herança os deixou apenas a casa em que morava e cuja regalia era uma missa em casa aos domingos, apesar de ser um ateu convicto.
“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”.
Oscar Niemeyer
Niemeyer passou a sua juventude sem preocupações e gostava da boêmia. Frequentava o Café Lamas, o clube do Fluminense e a Lapa. Em suas palavras: “Parecia que estávamos na vida para nos divertir, que era um passeio”.
Em 1928, aos 21 anos, casou-se com Anita Baldo, 18 anos, filha de imigrantes italianos da província de Pádua. A cerimônia de casamento na igreja do bairro atendeu aos desejos da noiva.
– Casei por formalidade. Mais católica do que minha esposa é impossível, então não me incomodei em casar dessa forma – lembrou.
O casamento foi no mesmo ano da formatura no ensino médio. O casal teve somente uma filha, Anna Maria Niemeyer, que deu cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos ao arquiteto. Anna Maria faleceu no dia 6 de junho de 2012, aos 82 anos.
Viúvo desde 2004, casou-se em novembro de 2006 com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos.
Até 23 de setembro de 2009, quando foi internado, passando em seguida por duas cirurgias, para retirada da vesícula e de um tumor do cólon, o arquiteto costumava ir todos os dias ao seu escritório em Copacabana, onde trabalhava no projeto Caminho Niemeyer, em Niterói, um conjunto de nove prédios de sua autoria. Até outubro de 2009, Niemeyer permaneceu internado no mesmo hospital, no Rio de Janeiro. Em 25 de abril de 2010, foi novamente internado, apresentando um quadro de infecção urinária. O arquiteto deveria participar do lançamento da edição especial da revista “Nosso Caminho”, no dia 27 de abril, em homenagem aos 50 anos de Brasília. A festa foi cancelada.
Formação acadêmica
Casado, Oscar troca a vida boêmia pelo trabalho na tipografia do pai. Resolve retomar os estudos. Em 1929 ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, de onde saiu formado como arquiteto e engenheiro, em 1934.
“As ideias marxistas continuam perfeitas, os homens é que deveriam ser mais fraternos”
Oscar Niemeyer
A luta política é uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Oscar Niemeyer. Em 1945, já um arquiteto conhecido, conheceu Luís Carlos Prestes e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Niemeyer emprestou a Prestes a casa que usava como escritório, para que este montasse o comitê do partido. Sempre foi um forte defensor de sua posição como stalinista. Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil autoexilou-se na França. Um ministro da Aeronáutica da época diria que “lugar de arquiteto comunista é em Moscou”.
Niemeyer visitou a União Soviética, teve encontros com diversos líderes socialistas e foi amigo de alguns deles. Em 2007 presenteou Fidel Castro com uma escultura de caráter antiamericano: uma figura monstruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Em seu discurso de 2007, onde Fidel fala em aposentadoria, faz referência ao amigo Niemeyer: “Penso, como (o arquiteto brasileiro Oscar) Niemeyer, que se deve ser consequente até o final”. Esta frase foi repetida em sua carta de renúncia de 18 de fevereiro de 2008.
“Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral”
Oscar Niemeyer
Desde sempre idealista, mesmo passando por dificuldades financeiras, decide trabalhar sem remuneração no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. Não lhe agradava a arquitetura comercial vigente e viu no escritório de Lúcio Costa uma oportunidade para aprender e praticar uma nova arquitetura.
Obra do Berço
Seu primeiro projeto individual a ser construído foi a Obra do Berço, em 1937, no bairro da Lagoa, Rio de Janeiro. Neste edifício nota-se a presença dos elementos defendidos na arquitetura moderna e a influência do arquiteto francês Le Corbusier: o pilotis, a planta livre, a fachada livre, possibilitando a abertura total de janelas na fachada, o terraço-jardim e o brise-soleil, pela primeira vez utilizado na vertical. Durante a construção, o arquiteto estava fora do Brasil e, ao retornar, encontrou o brise instalado de forma inapropriada, sem proteger o interior contra a insolação. Sendo assim, Niemeyer, que nada havia cobrado pelo projeto, pagou pela execução do brise na forma em que havia projetado. O prédio da Obra do Berço foi inaugurado em 1938 e em 2012 a instituição ainda o ocupa.
Ministério da Educação e Saúde
Em 1936, o escritório onde Niemeyer trabalhava como estagiário, dirigido por Lúcio Costa e Carlos Leão, foi chamado pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho por Archimedes Memoria), para projetar o novo edifício do Ministério da Educação e Saúde. Este projeto estava inserido no contexto político do Estado Novo, quando Getúlio Vargas, presidente do Brasil, usava a arquitetura e o urbanismo como ferramentas para ilustrar os novos rumos da nação em uma fase intermediária, que buscava se transformar de potência agrícola exportadora de café em um país industrializado.
Ministério da Educação e Saúde: fachada com brises
Lúcio Costa pediu assessoria ao arquiteto franco-suíço Le Corbusier, um dos grandes expoentes mundiais do Movimento Moderno e montou uma equipe de arquitetos para o desenvolvimento do projeto: Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira, Carlos Leão e Niemeyer. O projeto segue os 5-pontos corbusianos, já realizados no Pavilhão Suíço, um prédio de apartamentos em Paris projetado por Le Corbusier em 1930. O edifício do MEC, terminado em 1943, eleva-se da rua apoiando-se em pilotis: sistema de pilares de concreto que mantém o prédio “suspenso”, permitindo o trânsito livre de pedestres por baixo do mesmo (um espaço público de passagem). O prédio uniu os maiores nomes do modernismo brasileiro, com azulejos de Portinari, esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins de Roberto Burle Marx e é considerado o primeiro grande marco da Arquitetura Moderna no Brasil.
Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova York
Em 1939, Niemeyer viaja com Lúcio Costa para projetar o Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova Iorque de 1939-40. Associam-se ao escritório de Paul Lester Wiener, responsável pelo detalhamento dos interiores e stands de exposição. Em uma época em que a Europa e os Estados Unidos estavam concentrando suas potências industriais na Segunda Guerra Mundial, o Brasil estava investindo em arquitetura, o que lhe colocou na vanguarda da Arquitetura Modernista internacional, onde ainda permaneceu por várias décadas, graças em boa parte ao talento de Oscar Niemeyer.
Década de 1940
Conjunto Arquitetônico da Pampulha
Igreja São Francisco de Assis Belo Horizonte - Igrejinha da Pampulha. Concluída por Niemeyer em 1943
Em 1940, Niemeyer conheceu Juscelino Kubitschek, na ocasião prefeito de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, que tinha interesse em desenvolver uma área ao norte da cidade, chamada Pampulha. Encomendou a Niemeyer um conjunto de edificações que seriam conhecidas como Conjunto Arquitetônico da Pampulha.
Igreja São Francisco de Assis
Finalizados em 1943, os prédios foram alvo de muitas críticas e admiração, causando polêmicas locais. A Igreja católica negou-se a benzer a Igreja São Francisco de Assis Belo Horizonte, em parte por sua aparência não usual, e em parte pelo mural moderno pintado por Portinari, que possuía traços abstratos e onde reconhecia-se um cachorro, representando um lobo junto a São Francisco de Assis. Através do conjunto da Pampulha, Niemeyer conseguiu sua primeira projeção internacional. No conjunto da Pampulha desponta o estilo que irá marcar suas obras: o uso da plasticidade no concreto armado gerando formas sinuosas em seus prédios. Os projetos de Niemeyer são de traços mínimos, e a arquitetura deve se resolver pela estrutura. No entanto, ele nega que a estética de seus prédios se sobreponha ao utilitarismo; sempre escreveu enormes memoriais, descrevendo e justificando os detalhes plásticos do edifício. Segundo ele, se não se pode justificar uma ideia em um parágrafo, desiste-se dela.
“Com a obra da Pampulha o vocabulário plástico da minha arquitetura, num jogo inesperado de retas e curvas, começou a se definir”.
Oscar Niemeyer
Cataguases
Ainda no início dos anos 40, Niemeyer recebeu duas encomendas de Francisco Inácio Peixoto: uma casa e um colégio em Cataguases. O projeto da residência de Chico Peixoto e o Colégio Cataguases, inaugurado em 1949, levaram Cataguases à cena da Arquitetura Moderna, atraindo olhares para a pequena cidade mineira. Ambas obras contaram com jardins de Burle Marx. O Colégio possui murais de Paulo Werneck e Cândido Portinari.[25]
Sede das Nações Unidas
Sede da ONU, projeto de 1947
Em 1946 seu nome já circula internacionalmente e Niemeyer é convidado a lecionar na Universidade de Yale, mas é impedido de atender ao convite por ter o visto negado devido à sua posição política. No entanto, em 1947 Niemeyer é indicado para fazer parte da equipe de arquitetos mundiais que viria a desenvolver a Sede das Nações Unidas. Niemeyer viaja aos Estados Unidos para integrar a equipe e apresenta o projeto que seria escolhido, elaborado em conjunto com Le Corbusier.
Banco Boavista
Ainda em 1946 projeta o Edifício do Banco Boavista, um de seus projetos mais expressivos no Rio de Janeiro. Niemeyer aplica a curva desta vez ao tijolo de vidro que reveste a fachada frontal, iluminando e enriquecendo o interior do banco. O edifício, inaugurado em 1948, foi tombado pelo INEPAC em 1992.
Década de 1950
Parque do Ibirapuera
No Brasil, projeta em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera, (um parque com pavilhões de exposições em homenagem ao aniversário de 400 anos da cidade), inaugurado 21 de agosto de 1954.
Edifício Copan
Para a mesma comemoração, Niemeyer projeta em 1951 o edifício Copan, implantado no velho Centro de São Paulo. Seu desenho sinuoso e o caráter moderno o tornariam um dos símbolos da cidade de São Paulo. O Copan é a maior estrutura de concreto armado do Brasil.[26]
Casa das Canoas
Ainda em 1951 e no ano seguinte constrói sua própria casa no Rio de Janeiro. Esta, chamada a Casa das Canoas, nome da estrada em que se encontra, tornar-se-á muitos anos mais tarde parte da Fundação Oscar Niemeyer. A casa foi tombada em 2007 pelo IPHAN.
Palácio do Planalto
Em 1957, Niemeyer abre um concurso público para o Plano Piloto de Brasília, a nova capital. O projeto vencedor é o apresentado por Lúcio Costa, seu amigo e ex-patrão. Niemeyer, arquiteto escolhido por Juscelino, seria responsável pelos projetos dos edifícios, enquanto Lúcio Costa desenvolveria o plano da cidade. Brasília foi um grande desafio; a cidade foi construída na velocidade de um mandato, e Niemeyer teve de planejar uma série de edifícios em poucos meses para configurá-la. Entre os de maior destaque estão a residência do Presidente (Palácio da Alvorada), o Edifício do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios, a sede do governo (Palácio do Planalto) além de prédios residenciais e comerciais.
A determinação de Kubitschek foi fundamental para a construção de Brasília, levando para frente sua intenção de desenvolver o centro despovoado do Brasil (a exemplo da marcha do oeste norte-americana): povoar o interior e levar o progresso Brasil adentro.
O projeto de Lúcio Costa, vencedor do concurso, punha em prática os conceitos modernistas de cidade: o automóvel no topo da hierarquia viária, facilitando o deslocamento na cidade, os blocos de edifícios afastados, em pilotis sobre grandes áreas verdes. Brasília possui diretrizes que remetem aos projetos de Le Corbusier na década de 1920 e ainda ao seu projeto para a cidade de Chandigarh, pela escala monumental dos edifícios governamentais. A cidade de Lúcio Costa também possui conceitos semelhantes aos dos estudos de Hilberseimer.
“Quem for a Brasília, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E arquitetura é isso – invenção”
Oscar Niemeyer
Nesta nova cidade projetada, levou-se em conta o ideal socialista, onde todas as moradias pertenceriam ao governo e seriam utilizadas pelos funcionários públicos. Nesta visão, todos os funcionários, fossem serventes ou parlamentares, deveriam habitar os mesmos prédios.
A construção de Brasília foi controversa; os preceitos do urbanismo modernista já sofriam críticas antes mesmo do início de sua construção, devido a sua escala monumental e à prioridade dada ao automóvel. Brasília cresceu de forma não prevista e cidades-satélite surgiram para acomodar a crescente população. Atualmente, apenas uma pequena parcela dos habitantes do Distrito Federal habita na área prevista pelo plano piloto de Lúcio Costa.
Palácio da Alvorada
O Palácio da Alvorada foi o primeiro edifício público inaugurado em Brasília, em junho de 1958. Nesta obra Niemeyer desenha pilares em um formato inusitado. A forma dos pilares da fachada deu origem ao símbolo e emblema da cidade, presente no brasão do Distrito Federal.
Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida
Marcante por sua arquitetura singular, a Catedral Metropolitana é uma das obras mais expressivas de Brasília. O acesso à nave se dá através de uma passagem subterrânea, intencionalmente escura e mal-iluminada, visando o contraste com o interior que recebe iluminação natural intensa. Foi inaugurada em 1960.
Congresso Nacional em Brasília
O edifício do Congresso Nacional do Brasil, inaugurado em 1960, localiza-se no centro do Eixo Monumental, a principal avenida de Brasília. À frente há um espelho d’água e um grande gramado e na parte posterior do edifício se encontra a Praça dos Três Poderes. É um dos edifícios mais importantes do Brasil. É composto de duas semiesferas, que abrigam o Câmara dos Deputados e o Senado. Entre as semiesferas há dois blocos de escritórios.
Casino do Funchal. Inaugurado em 1976
Em 1964 viaja para Israel a trabalho e volta para um Brasil completamente diferente. Em março o presidente João Goulart, (Jango), que assumira após o presidente eleito Jânio Quadros renunciar, havia sido deposto por um golpe dos militares, que assumem o controle do país e instauram um regime de ditadura que duraria 21 anos. O comunismo de Niemeyer lhe custou caro. No período da ditadura militar do Brasil, a revista Módulo, que dirigia, tem a sede parcialmente destruída, o escritório de Niemeyer é saqueado, seus projetos passam a ser recusados e a clientela desaparece.
Em 1965, 223 professores, entre eles Niemeyer, se demitem da Universidade de Brasília, em protesto contra a política universitária e retaliações do Governo Militar. No mesmo ano viaja para França, para uma exposição sobre sua obra no Museu do Louvre. No ano seguinte, impedido de trabalhar no Brasil, muda-se para Paris. Começa aí uma nova fase de sua vida e obra. Abre um escritório nos Champs-Élysées, e tem clientes em diversos países, em especial na Argélia, onde desenha a Universidade de Constantine e, em 1970, a mesquita de Argel. Na França, projeta a sede do Partido Comunista Francês (doação), a Bolsa de Trabalho de Bobigny, o Centro Cultural Le Havre e na Itália a Editora Mondadori.
Em Portugal tem apenas uma obra, na cidade do Funchal, o Pestana Casino Park, um projeto de 1966, mas concluído em 1976 e que é composto por três edifícios: um cassino, um centro de congressos e um hotel de cinco estrelas.
Anos 1980 e 1990
Mão, escultura de Niemeyer no Memorial da América Latina, São Paulo, 1989
Niemeyer retorna ao Brasil no começo dos anos 80, no início da abertura política, quando da anistia dos exilados no governo João Figueiredo. Na ocasião o antropólogo Darcy Ribeiro, amigo de Niemeyer, era vice de Brizola, ex-exilado e governador do Rio de Janeiro eleito em 1982. Para consolidar os projetos educacionais e culturais de Darcy Ribeiro, Niemeyer projeta os CIEPs e o Sambódromo do Rio de Janeiro, que possui salas de aula sob as arquibancadas.
Projetou ainda na década de 1980 o Memorial JK; o Edifício Manchete; sede do Grupo Bloch em 1983; a Arena de Rodeios e o Parque do Peão “Mussa Calil Neto”, na cidade de Barretos, interior de São Paulo (1984); o Panteão da Pátria em Brasília (1985) e o Memorial da América Latina (1987), em São Paulo. Em 1988, é criada a Fundação Oscar Niemeyer a fim de preservar o seu acervo de cerca de 500 trabalhos.
Memorial a Cabanagem
O Memorial da Cabanagem é um monumento de 15 metros de altura por 20 de comprimento, todo em concreto, erguido no complexo do entroncamento em Belém do Pará. A pedido do então governador do Pará, Jader Barbalho, o monumento foi construído para compor as comemorações do sesquicentenário da Cabanagem, que aconteceu em 7 de janeiro de 1985. Esteticamente a obra pode ser definida como uma rampa elevada em direção ao céu com uma inclinação acentuada apontando para um ponto sem fim, tendo no meio uma “fratura”, um pedaço do monumento que jaz no chão. Segundo a concepção de Niemeyer, o monumento representa a luta heroica do povo cabano, que foi um dos movimentos mais importantes de todo o Brasil. A rampa elevada em direção ao firmamento representa a grandiosidade da revolta popular que chegou muito perto de atingir seus objetivos e a “fratura” faz alusão à ruptura do processo revolucionário. Mas embora tenha sido sufocada, a Cabanagem permanece viva na memória do povo, por isso, o bloco continua subindo para o infinito, simbolizando que a essência, os ideais e a luta cabana continuam latentes na história do país. Hoje o monumento à Cabanagem faz parte do complexo viário do Entroncamento e está longe de cumprir o seu papel de museu, pois é fechado à visitação pública e, há algum tempo, foi alvo de vandalismo por parte de moradores de rua. Em 1997, o então prefeito Edmílson Rodrigues determinou que o monumento fosse limpo e restaurado. Este monumento é o único de Oscar Niemeyer em território paraense, no entanto é vítima de constantes arrombamentos, pichações e depredações. O monumento aponta para a vila de Icoaraci onde muitos combatentes cabanos foram mortos e enterrados.A “mão fraturada”(sem o polegar)faz referência a pacificação ocorrida após a cabanagem numa época onde quem era pego com armas de fogo tinha o polegar cortado.
Terminal Rodoviário de Londrina
Ainda em 1988 projetou para a cidade de Londrina, no Paraná, o Terminal Rodoviário de Londrina (José Garcia Villar), que foi inaugurado em 25 de junho de 1988. A construção é toda feita de zinco, possui o formato circular, no centro onde tem abertura que sai para o jardim.
Museu de Arte Contemporânea de Niterói,1996
Em 1991, aos 84 anos, projetou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, MAC em um terreno que o próprio escolheu quando andava de carro por Niterói. Considerado uma de suas grandes obras, o projeto do MAC integra a arquitetura com o panorama da Baía de Guanabara, a praia de Icaraí e o relevo do Rio de Janeiro.
Anos 2000
Memorial da América Latina
O Memorial da América Latina, localizado no bairro da Barra Funda, na cidade de São Paulo, inaugurado em 18 de março de 1989, possui o conceito e o projeto cultural desenvolvido pelo antropólogo Darcy Ribeiro
Museu Oscar Niemeyer
Em 22 de novembro de 2002 foi inaugurado o complexo que abriga o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Por sua forma inusitada, o museu é popularmente chamado de Museu do Olho ou Olho do Niemeyer. Abriga diversas exposições ao longo do ano e traz milhares de turistas do Brasil e do exterior. O Museu preza por sua arquitetura moderna, representando originalmente um pinheiro (segundo Niemeyer).
Anexo da Serpentine Gallery
Em (2003, Niemeyer foi escolhido para projetar seu primeiro edifício na Grã-Bretanha, um anexo provisório na Serpentine Gallery – uma galeria londrina que constrói a cada ano um pavilhão no Jardim do Hyde Park. Apesar de sua preferência pelo concreto, Niemeyer optou pela execução em aço devido ao caráter temporário da obra, que pedia uma arquitetura desmontável.
Auditório Ibirapuera
No ano de 2002 é concluída a 12ª versão do projeto do Auditório Ibirapuera, projetado para o local desde 1952 e cujas obras são finalizadas em 2005.[32]
Museu Nacional Honestino Guimarães
Em 15 de dezembro de 2006, com quase 50 anos de atraso, foi inaugurado o Museu Nacional Honestino Guimarães e a Biblioteca Nacional Leonel de Moura Brizola, que formam, juntas, o maior centro cultural do Brasil, denominado Complexo Cultural da República, na Esplanada dos Ministérios em Brasília. O Complexo, de 91,8 mil metros quadrados custou 110 milhões de reais ao Governo do Distrito Federal.[33] A inauguração foi programada para coincidir com o 99º aniversário de Oscar Niemeyer.
Centro Cultural Oscar Niemeyer
Em 2006 concebe em Goiânia um complexo que leva o seu nome Centro Cultural Oscar Niemeyer, em sua homenagem.
2007: Seu centenário
Niemeyer completou em 2007 o centésimo aniversário, perfeitamente lúcido e ativo. Neste mesmo ano, no dia 12 de dezembro, recebeu a mais alta condecoração do governo francês pelo conjunto de sua obra, o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra.
Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, Espanha
Ainda em 2007, ano de comemoração do seu centenário, Oscar Niemeyer aceitou ser presidente de honra do Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais CEPPES, centro de estudos fundado por Luís Carlos Prestes.
Havia projetado um balneário para Potsdam, na Alemanha, com inauguração marcada para 2007, cujas obras foram canceladas antes do início da edificação devido às suas dimensões faraônicas.
Em dezembro de 2007 foram iniciadas as obras do complexo da Cidade Administrativa de Minas Gerais, no bairro Serra Verde, região norte de Belo Horizonte. O projeto do complexo arquitetônico do Centro Administrativo previa a construção de uma praça cívica e cinco edificações: a Sede do Governo de Minas Gerais, duas torres com 15 andares, um auditório, e um centro de convivência em uma área de 804 mil metros quadrados. O término das obras se deu em março de 2010. Oscar Niemeyer é autor de quinze obras na cidade, incluindo esta em construção.[39][40]
Ainda 2007 Niemeyer fora convidado para redesenhar o prédio do Detran, de sua autoria, em São Paulo, que abrigará o novo MAC da USP.[41] No entanto, devido à grande intervenção proposta, o projeto foi vetado pelo Conpresp em abril de 2009.[42] Orçada em 120 milhões, a reforma proposta por Niemeyer ficaria além da verba disponível.
2008
Estação Cabo Branco
Em 2008 foi inaugurada a Estação Cabo Branco, em João Pessoa no estado da Paraíba. O complexo, localizado na Ponta do Seixas, extremo oriental das Américas, tem como foco central “uma torre espelhada erguida em forma octogonal, com 43 metros de distância entre lados opostos e apoiada sobre uma parede cilíndrica com 15 metros de diâmetro”. O projeto tem 8.571m².
Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte em Natal (RN)
Em 21 de julho de 2008 foi inaugurado na cidade de Natal o parque urbano Dom Nivaldo Monte, com o projeto arquitetônico de autoria de Oscar Niemeyer. O parque ocupa uma área de 64 hectares, sendo composto por dois estacionamentos, dois pórticos de entrada, cinco trilhas pavimentadas (6,5 km), quatro unidades de descanso, quatro baterias de banheiros, biblioteca, auditório, centro de educação ambiental, um monumento com doze andares, constituindo memorial da cidade e mirantes.
Outras obras no período
Ainda em 2008 Niemeyer apresentou um novo projeto. A sede do Centro Cultural Casa das Américas que será na cidade de Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Niemeyer já se dispôs a projetar um estádio de futebol no Brasil para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil.
As obras tombadas pelo IPHAN ou declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco (caso de Brasília), só podem ser alteradas com autorização do arquiteto. O centenário arquiteto entregou também por volta de 2008 um projeto nada modesto para a construção da Holoteca, no bairro Cognópolis em Foz do Iguaçu. Se trata de uma megabiblioteca com auditório que custará pelo menos R$ 13 milhões.
2010
Cidade Administrativa de Minas Gerais Presidente Tancredo Neves
Palácio Tiradentes, uma das edificações que compõe a Cidade Administrativa de Minas Gerais
Também foi convidado a elaborar o projeto arquitetônico do novo centro administrativo do governo de Minas Gerais. Este centro localiza-se entre a capital mineira e o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins). Mais um projeto ousado que – dentre outras edificações no local – previa uma laje de quase 150 metros apoiada em apenas dois pilares.
Curvas, concreto armado e o maior prédio suspenso do mundo. A Cidade Administrativa de Minas Gerais é considerada o projeto mais ousado de Oscar Niemeyer. A obra, realizada no governo Aécio Neves, abriga as Secretarias e órgãos do Estado e foi inaugurada 4 de março de 2010.
Dar vida às formas desenhadas por Niemeyer foi um grande desafio conquistado pela a engenharia. O conjunto abriga ao todo cinco edificações. O Palácio Tiradentes, sede do governo, é totalmente suspenso por cabos de aço, formando um vão livre de 147 metros no térreo. As Secretarias foram alocadas em dois prédios idênticos com os nomes “Minas” e “Gerais”, feitos em curva, com 15 andares cada um.
Completam o cenário, um centro de convivência em formato redondo, com lojas, restaurantes e bancos, e o auditório JK com 490 lugares. A construção côncava, com um espaço vazado na parte de cima, representa a figura de um olho e lembra a igrejinha da Pampulha, obra que reflete bem o estilo arquitetônico de Niemeyer.
Universidade de Música e Arte de Araraquara
Ousado, o projeto da Universidade de Música de Araraquara prevê três prédios: duas cúpulas e um extenso bloco, distribuídos numa área de 9 mil m² de construção. Uma enorme rampa fará a ligação entre os três locais. As dependências da Universidade de Música terão, além das salas de ensino, biblioteca, área de convivência interna, teatro, auditório e refeitório. Niemeyer está empolgado com um projeto e priorizou a beleza dentro das limitações do local. A previsão de inauguração da Universidade é novembro de 2011.
Museu Pelé
O museu orçado em R$ 20 milhões já começou a ser construído na cidade de Santos no litoral do Estado de São Paulo. A obra é mais um projeto de Oscar Niemeyer. A previsão é que as obras terminem em 2012. A inspiração foi pelo pulo do jogador de futebol Pelé com o braço levantado, refletindo como símbolo do monumento. O jogador costumava comemorar seus gols dessa forma.
O acervo do museu projetado por Niemeyer vai agregar mais de três mil peças, inclusive uma réplica da taça do mundial de 1970, a Taça Jules Rimet.

Oscar Niemeyer: Presente!!!

Comentário: Uma das maiores figuras de nosso tempo. Costumava dizer que a vida é um sopro. Que bom que a sua vida foi um sopro longevo. Camarada Niemeyer continuará vivo no concreto curvo de suas obras e na chama que iluminou e aqueceu sua longa vida, a chama do comunismo. 



Do Portal Vermelho

5 de Dezembro de 2012 - 22h16

Oscar Niemeyer morre aos 104 anos


O arquiteto Oscar Niemeyer morreu na noite desta quarta-feira (5) no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde o dia 2 de novembro. O arquiteto completaria 105 anos em 15 de dezembro. Niemeyer deixa a mulher, Vera Lúcia, 67, com quem se casou em 2006. Deixa ainda quatro trinetos, 13 bisnetos e quatro netos, filhos de Anna Maria – sua única filha, morta em junho passado, aos 82 anos – , fruto de seu casamento com Anita Baldo, de quem ficou viúvo em 2004.


Nascido no bairro de Laranjeiras, no Rio, Oscar Niemeyer se formou em arquitetura e engenharia na Escola Nacional de Belas Artes em 1934. Em seguida, trabalhou no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, onde integrou a equipe do projeto do Ministério da Educação e Saúde.

Por indicação de Juscelino Kubitschek (1902-1976), então prefeito de Belo Horizonte, Niemeyer projetou, no início dos anos 1940, o Conjunto da Pampulha, que se tornaria uma de suas obras brasileiras mais conhecidas.

Em 1945, o arquiteto ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB), entrando em contato com Luiz Carlos Prestes e outros dirigentes revolucionários. Ao longo das décadas, travou amizades com diversos líderes socialistas ao redor do planeta, entre eles o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, viajando constantemente à União Soviética, a Cuba e aos países socialistas do Leste europeu.

Em 1947, Niemeyer fez parte da comissão de arquitetos que definiria o projeto da sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York. A proposta elaborada por Niemeyer com o franco-suíço Le Corbusier serviu de base para a construção do prédio, inaugurado em 1952.
Durante os anos 1950, projetou obras como o edifício Copan e o parque Ibirapuera, ambos em São Paulo, além de comandar o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap, responsável pela construção de Brasília.

Ao lado de Lúcio Costa, arquitetou Brasília, a nova capital do país, concebendo majestosos edifícios, como o Palácio da Alvorada e o Congresso Nacional.

Inaugurada em abril de 1960, Brasília transformou a paisagem natural do Brasil central em um dos marcos da arquitetura moderna.

Impedido de trabalhar no Brasil pela ditadura militar, Niemeyer se mudou em 1966 para Paris, onde abriu um escritório de arquitetura. Projetou a sede do Partido Comunista Francês, fez o Centro Cultural Le Havre, atualmente Le Volcan, realizou obras na Argélia, na Itália e em Portugal.

Deixou inúmeras obras que modificaram a paiusagem urbana de diversas cidades do mundo. Entre as mais importantes obras do arquiteto destacam-se o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; a construção de Brasília; a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo; e o Caminho Niemeyer, em Niterói, Rio de Janeiro; além do Porto da Música, na Argentina.

Após a anistia, retornou ao Brasil, no início dos anos 1980. No Rio, projetou os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública, apelidados de "brizolões") e o Sambódromo, durante o primeiro governo de Leonel Brizola no estado (1983-1987).

Em 1988, Niemeyer se tornou o primeiro brasileiro vencedor do prêmio Pritzker, o Oscar da arquitetura. Ainda em 1988, Niemeyer elaborou o projeto do Memorial da América Latina, em São Paulo.

Nos anos 1990 e 2000, a produção de Niemeyer continou em alta, com a inauguração do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o Auditório Ibirapuera, dentro do parque, em São Paulo.

Em 2003, exibiu sua versão de um pavilhão de exposições na tradicional galeria londrina Serpentine – que todo ano constrói um anexo temporário.

Ao completar 100 anos, em 2007, Oscar Niemeyer recebe diversas condecorações. Entre elas, a medalha ao Mérito Cultural, conferida pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reconhecimento à sua contribuição à cultura brasileira. Na França,o arquiteto é condecorado com o título de comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra.

Em 2007, projetou o Centro Cultural de Avilés, sua primeira obra na Espanha. Inaugurado em março de 2011, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer foi fechado após nove meses, em meio ao agravamento da crise econômica, desentendimentos entre o governo local e a administração do complexo no dia do aniversário de 104 anos de Niemeyer. Em meados de 2012, no entanto, o centro foi reaberto.

Mais de 60 anos após a realização do Conjunto da Pampulha, o arquiteto voltou a assinar um projeto de grande porte em Minas Gerais em 2010, com a inauguração da Cidade Administrativa do governo do estado, na Grande Belo Horizonte.

Atualmente, em Santos, está em execução o projeto de Niemeyer para o museu Pelé. A previsão é que a obra seja concluída em dezembro de 2012. Niemeyer projetou também o edifício da nova sede da União Nacional dos Estudantes.

Com informações da Folha de S. Paulo on line e Agência Brasil

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Patrus Ananias: Os adeuses de Sérgio Miranda

Comentário: Belíssima homenagem de Patrus Ananias à Sérgio Miranda!

Do Portal Vermelho


Não me lembro o dia, o mês e o ano em que Sérgio Miranda e eu nos encontramos pela primeira vez. Sei que os nossos caminhos se encontraram nos dias difíceis e anunciadores em que confrontamos e derrotamos a ditadura, quando vinculamos as lutas democráticas ao mais generoso projeto de justiça social.

Por Patrus Ananias*


Encontramo-nos de forma mais visível e permanente quando nos elegemos vereadores em 1988. Foi uma legislatura que marcou época. Fizemos a Lei Orgânica de Belo Horizonte. Aprovamos importantes projetos de lei fundados em valores éticos e voltados para o bem da cidade.

Sérgio Miranda tornou-se uma liderança natural e um atento interlocutor de seus colegas na busca de encaminhamentos para os graves problemas da população belorizontina, especialmente os mais pobres.

Militante político desde a adolescência – contou-me que se vinculara ao PC do B aos 14 anos – com sólida formação e muitas leituras, Sérgio acumulou uma admirável cultura humanística que transitava com leveza da literatura à história, das ciências sociais e matemáticas à filosofia. Tinha uma relação especial com a poesia. Em tardes e noites mais descontraídas declamava de cor e com vervetextos clássicos do melhor da nossaprodução poética. Lembro-me dele, na tribuna da Câmara, profligando com Tiradentes os que fazem do poder instrumento de opressão, repassando indignado, as páginas de Cecília Meireles no Romanceiro da Inconfidência.

Revejo-o, entrando pelo meu gabinete de vereador para presentear-me com O Livro de Carlos (Carlos Pena Filho, Poesia e Vida). Buscou a página 69 e leu o belíssimo soneto “A Solidão e sua Porta”. Disse-me que de imediato me associara a ele, que ele me traduzia muito bem. Generosidade do Sérgio! (Transcrevo o soneto no final desse texto).

A partir de então estendemo-nos, plenas, abertas as mãos da amizade.Sempre que nos encontrávamos a conversa fluía solta na grande prosa do mundo. Certa vez nos encontramos numa livraria ao redor da obra monumental de Robert Musil – O Homem sem Qualidades.

O então prefeito Célio de Castro nos convidava com freqüência para conversas sobre política e seus entornos. Nós três tínhamos em comum, além dos laços da amizade fraterna, essa compreensão da política no contexto mais alargado da vida, dos sentimentos e das inquietações humanas.

Encontramo-nos novamente para uma convivência mais cotidiana na Câmara dos Deputados. Estivemos juntos na Comissão de Constituição e Justiça. Foi em 2003. Já no ano seguinte, convidado pelo Presidente Lula, assumi o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Algumas vezes Sérgio esteve lá para boas e instigantes conversas voltadas para a maior amplitude e eficácia das políticas públicas sociais. Entre muitas outras coisas Sérgio era um especialista em questões orçamentárias.

Pelo que vivi com ele, 2003 foi o início do seu tempo de maior sofrimento. Sergio foi sempre um homem com elevada dose de inquietação e angústia. Sofria com os descaminhos do Brasil e da humanidade – as injustiças e desigualdades, a estupidez, a indiferença, a mediocridade tocavam-lhe profundamente a fina sensibilidade e a inteligência perspicaz e acolhedora.

Externou-me a sua total discordância com a proposta de reforma da Previdência Social enviada ao Congresso Nacional no início do Governo Lula. Tinha também restrições ao projeto de reforma tributária e à política econômico-financeira. Entendia as suas razões embora nem sempre concordasse. A nossa conversa era boa, dialogante, respeitosa.

Disse-me um dia que chegara ao limite: não podia transigir com as suas convicções mais profundas. Afastou-se da base parlamentar de apoio ao governo; desligou-se do seu velho e querido PC do B. Parafraseando os versos da belíssima canção que Paulinho da Viola revelou ao mundo, fez suas velas ao mar e disse adeus sem chorar. Sem chorar?… Seguramente não, ainda que tenha sido lágrimas contidas, internas, aquelas que a gente “chora, mas faz que não chora”. Mas disse adeus!

Creio que desde então a dimensão indagadora de Sérgio Miranda tornou-se, talvez, mais forte, mas, seguramente, mais sofrida. Adeus é palavra longa!

Não se reelegeu deputado federal em 2006. Uma perda enorme para o Brasil. Sérgio era um parlamentar notável, respeitado por todos, inclusive, pela direita menos arcaica. Deputado competente, íntegro, estudioso.

Disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2008. Nessa época tivemos uma longa conversa. Ouvi então dele uma elaborada reflexão que nunca esqueci sobre o rebaixamento dos sonhos, dos desejos nas pessoas. O efeito mais perverso do neoliberalismo e seus outros ismos: individualismo, consumismo, oportunismo, cinismo.

Tentou de novo a Câmara dos Deputados em 2010. Faltou-lhe apoio, os acertos político-partidários são pragmáticos e quase sempre excluem as manifestações mais ousadas e idealistas.

Sérgio Miranda disse adeus à Câmara e às disputas eleitorais.

A última vez que o vi foi num encontro unilateral. Ele caminhava solitário pelas calçadas estreitas e movimentadas de Belo Horizonte. Ele não me viu. Fiquei a vislumbrá-lo dentro de um carro, acompanhando, reflexivo e amoroso, os seus passos. Pensei naquele momento sobre os desacertos da vida: tantas mediocridades, tantos oportunistas, que me perdoem a palavra, respaldado na franqueza do grande alferes na obra de Cecília, tantos putos e safados ganhando eleições, cargos, “podres poderes” e Sérgio Miranda, servidor público no sentido maior da palavra, homem vocacionado para as grandes causas, ser do bem, humano, justo; sofredor solidário dos desatinos de sua gente e de sua espécie, mas sempre transfigurado pela compaixão, e impossibilitado de realizar sua esplêndida vocação política. Fiquei vendo-o, acompanhando perplexo, aquele imenso Sérgio Miranda, sobrecarregado de bondade e virtudes cívicas, caminhando anônimo pelas ruas da cidade que ele escolheu e tão bem serviu. Senti naquele momento como sinto agora, a nossa incrível capacidade de esperdiçar convivências dignas, vocações e talentos de cidadania, de patriotismo, de compostura humana. Como Sérgio Miranda!

Não fomos capazes de bem compreendê-lo. Que os seus adeuses e anúncios se estendam às futuras gerações. Que elas possam melhor compreendê-lo!

A solidão e sua Porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),

Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

*Patrus Ananias é foi ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e contribuiu para consolidar o Programa Bolsa Família e uma rede de políticas públicas sociais para combater a fome, a desnutrição, a miséria e a pobreza no país.

Fonte: Blog do Patrus

Olha ele aí de novo...Renan Calheiros, presidente do Senado?

Comentário: Que carga pesada esse PMDB... Que mala sem alça esse Renan!!! O papo com esses caras é no atacado. Varejo é coisa de Roberto Jefferson, como diria um amigo petista. E dá-lhe pragmatismo!!!

Coluna Esplanada – Favorito, Renan quer transparência

5/12/2012 9:25,  Por Leandro Mazzini - de Brasília


Renan Calheiros é o favorito para ocupar a liderança no Senado Federal


Salvo um candidato de peso da oposição, o senador Renan Calheiros (PMDB-RN) será eleito presidente do Senado em Fevereiro, a despeito do escândalo que o apeou do cargo em 2007. Renan não só prepara o discurso – para ele foi um caso pessoal, não político – como também esboça o plano de campanha: transparência total e sem senhas nos acessos às informações online da Casa, inclusive de contratos; e um fast-tracking na pauta, com início das sessões às 14h30 (hoje é às 16h) para dar celeridade a projetos.

Seedorf com Lula

Comentário: Encontro entre duas grandes figuras. Seedorf tem dado grandes lições de profissionalismo e também de grande perspicácia não só dentro de campo. Sem dúvida um jogador diferenciado.


Só falta o Lula convidar o Seedorf para jogar no Curintia. Aí complica mais ainda a vida do Botafogo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Argentina: Los hermanos apontam o caminho. É hora de julgar os torturadores também no Brasil

Comentário: temos que iniciar o julgamento dos torturadores do Brasil. Miremos no exemplo argentino.

 

 Charge do Latuff

Argentina dá início a maior julgamento contra torturadores


28/11/2012 13:12,  Por Redação, com Rede Brasil Atual - de Buenos Aires


O maior julgamento por violações aos direitos humanos perpetradas durante a ditadura Argentina (1976-1983)

O maior julgamento por violações aos direitos humanos perpetradas durante a ditadura argentina (1976-1983) terá início nesta quarta-feira em Buenos Aires. Ao todo, 68 acusados de assassinatos, torturas e desaparecimentos na Esma (Escola de Mecânica da Armada), onde funcionou o maior centro clandestino de prisão do país na época da repressão, sentarão no banco dos réus. Entre os acusados, estão pela primeira vez oito pilotos e tripulantes acusados de 50 homicídios nos emblemáticos “voos da morte”, prática utilizada por militares para o desaparecimento de pessoas, que eram sedadas e jogadas do alto de aviões no mar ou no Rio da Prata. No julgamento, que deve durar aproximadamente dois anos, cerca de 900 testemunhas devem ser escutadas sobre casos de 789 vítimas, das quais cerca de um terço é sobrevivente.

O maior julgamento por crimes na ditadura até então foi realizado em Tucumán, com 41 acusados no banco dos réus. O que começa nesta quarta-feira inclui acusados da Marinha, Exército, Polícia Federal, Prefeitura naval e do Serviço Penitenciário, e dois civis: um advogado acusado de participar de torturas e de pelo menos um voo da morte e um ex-secretário de Fazenda de José Alfredo Martínez de Hoz, ministro de Economia entre 1976 e 1981.

Dos 68 réus, 16 já foram condenados, no ano passado, por crimes cometidos na ditadura. Jorge “Tigre” Acosta, por exemplo, soma penas de 30 anos e perpétua, por atrocidades como o roubo sistemático de bebês nascidos em prisões clandestinas; Antonio Pernías, também condenado a perpétua, encarregado do “aquário”, um setor da ESMA onde os presos faziam trabalho escravo; e Alfredo Astiz, condenado na França e na Argentina pelo assassinato das freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet.

Esma

Administrada pela Marinha na época da ditadura, a Esma, localizada no bairro de Núñez, em Buenos Aires é um dos maiores símbolos do terror vivido no país durante o regime imposto após o golpe de Estado contra María Estela Martínez de Perón, em março de 1976. Segundo estimativas, cinco mil pessoas passaram por suas celas e salas de tortura, e cerca de 100 sobreviveram.

Maior prisão clandestina do país durante os anos de chumbo, o local teve dupla função durante a ditadura militar: prisão de oposicionistas e formação de novos militares. A investigação sobre os crimes cometidos na Esma foi aberta nos anos 1980, após a redemocratização do país. O inquérito foi depois arquivado com as leis do Ponto Final (1986) e da Obediência Devida (1987).

Em outubro do ano passado, 12 repressores foram condenados à prisão perpétua pelo sequestro, tortura e assassinato de 86 pessoas no local. Outros quatro condenados receberam penas de 18 a 25 anos e dois dos réus foram absolvidos, mas continuaram presos à espera de mais julgamentos.

A Esma ficou nas mãos das Forças Armadas até 2007, três anos depois de o ex-presidente Néstor Kirchner ordenar o desalojamento dos militares. Hoje, o local funciona como um “centro cultural e de memória”. Algumas dependências da ex-prisão clandestina podem ser visitadas, como o Cassino dos Oficiais (área onde mantinham e torturavam os presos) e a maternidade clandestina, onde se realizavam partos de presas grávidas. Muitos bebês nascidos no edifício foram sequestrados e ilegalmente adotados por outras famílias.

Felipão: Começou falando besteira

Comentário: Sinceramente não nutro nenhuma expectativa em relação à seleção brasileira de futebol masculino. Sou um apaixonado por futebol e creio que dedico um bom tempo dos meus dias debatendo, fazendo piada ou comentando alguma coisa sobre o esporte bretão. Estou fechado pra balanço em relação ao meu time do coração, mas tenho acompanhado algumas partidas do campeonato inglês e espanhol. Creio que o meu desencanto com a seleção começou em 2008 após aquela ridícula final com a França. Não posso deixar de comentar a opção por Luís Felipe Scolari, que pra mim é um retranqueiro de marca maior e um cara e treinador medíocre. Vide o rebaixamento do Palmeiras. O sucesso de 2002 se deve ao brilho de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e companhia. E Felipão já começa falando besteira e muita besteira. Aliás ultimamente só tenho ouvido besteira quando se fala em futebol no Brasil. É comentarista boçal, técnico boçal, jogador boçal, torcedor boçal. Saudades de João Saldanha!!!



Abaixo matéria da página do Sindicato dos Bancários de Santos/SP

Felipão diz besteira e desrespeita os bancários

29 de novembro de 2012
Luiz Felipe Scolari, novo treinador da seleção brasileira de futebol, desrespeitou os bancários e demonstra desconhecimento sobre o trabalho dessa profissão.  Falastrão, Felipão como é conhecido por suas atitudes machistas, inicia no comando da Seleção Brasileira dizendo besteiras como sempre. 

Talvez por questão de marketing e dinheiro do banco patrocinador oficial da Verde Amarela ou por ignorância sobre a classe trabalhadora e principalmente da categoria bancária, que tem seus salários infinitamente menores, em relação aos pagos a ele e seus comandados. Veja a fala abaixo:

“Se não quer pressão, então é melhor não jogar na seleção. É melhor ir trabalhar no Banco do Brasil ou em um escritório”, disse o falastrão Felipão, em entrevista coletiva, dia 29/11/2012.

Cerca de 1.200 bancários são afastados do trabalho mensalmente, por razões de saúde, vítimas do assédio moral e da pressão violenta para que cumpram as metas abusivas de produção e vendas impostas pelas instituições financeiras, inclusive o Banco do Brasil.

O Sindicato dos Bancários de Santos e Região repudia com veemência a fala de Scolari.




Fonte:
Imprensa SEEB Santos e Região

ONU reconhece o Estado Palestino!

Desenho de Latuff

Desenho de Latuff

 

 

 

Editorial do Portal Vermelho

Comentário: Sem dúvidas uma grande vitória! Soberania ao povo palestino!!! 

 

Vitória: a ONU reconhece o Estado Palestino!

Talvez, no futuro, o dia 29 de novembro venha a ser a data nacional palestina. Ou, ao menos, um grande feriado. A data marca uma grande vitória diplomática e política no caminho pelo reconhecimento do Estado Palestino independente, democrático e soberano. A Assembleia Geral da ONU aprovou, por 138 votos contra nove (EUA, Israel, Canadá e seis outros pequenos países) e 41 abstenções, a admissão da Palestina como Estado observador.

A extensão da vitória é expressa pelo fato de que mais de 2/3 dos 193 países membros da ONU terem votado pela elevação da Palestina ao novo status, conferindo, em nível internacional e diplomático, as prerrogativas, direitos e deveres de um Estado soberano. Um dos efeitos da nova situação será o reconhecimento internacional de que os territórios palestinos não são (como pretende Israel) áreas disputadas, mas “um país ocupado”, disse o negociador palestino na ONU Saeb Erakat.

Outro aspecto, jurídico, dessa vitória surge com a nova situação criada. O reconhecimento da Palestina como um Estado, mesmo que observador, dará a seu governo o direito de participar das agências da ONU e do Tribunal Penal internacional (TPI), com sede em Haia, ao qual poderá recorrer contra os crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pelo governo sionista de Tel Aviv nos territórios palestinos ocupados.

Aliás, o temor de que isso ocorra reflete, por sua vez, a extensão da derrota de Israel e seus aliados, sobretudo os EUA, no plenário da ONU.

Numa confissão insofismável dos crimes de guerra e contra a humanidade que cometeram ou com os quais foram coniventes, Israel e EUA tentaram obter, sem êxito, o compromisso palestino de não recorrer ao TPI. A pretensão foi rejeitada pelos dirigentes palestinos.

A hipocrisia dos EUA e a mentirosa diplomacia do sionismo justificam a resistência contra o reconhecimento do Estado Palestino pela ONU alegando que o caminho para isso é a negociação entre a Autoridade Palestina e Israel – negociação que fracassou justamente devido à intransigência, arrogância e agressividade do governo de Tel Aviv, com total apoio dos EUA.

O temor de um eventual recurso palestino ao TPI ilustra as ilegalidades cometidas por Israel, com apoio de seus aliados, sobretudo os EUA, e que foram responsáveis por aquele fracasso diplomático.

As forças de ocupação de Israel repetem, em território palestino, agressões semelhantes às praticadas pelas tropas nazistas durante a 2ª Guerra Mundial nos territórios ocupados (o Gueto de Varsóvia é um exemplo dramático). Hoje, passados mais de sessenta anos, Israel repete na Palestina a agenda nazista no leste da Europa e visa ao genocídio e extermínio da população palestina para roubar suas terras, casas, propriedades.

São crimes de guerra que se repetem, como o uso de armas químicas e bombas de fragmentação, proibidas pela Convenção de Genebra e pela Convenção de Armas Químicas. Entre elas o fósforo branco, que queima os corpos das vítimas sem poder ser apagado. Israel usa e abusa dele, como fez na Operação Chumbo Derretido (2008) e no recente ataque contra Gaza.

A Convenção sobre Armas Convencionais proíbe o uso de armas excessivamente letais, que provoquem danos excessivos ou atingindo indiscriminadamente a população civil que, ao contrário, deve ser protegida e poupada pelas forças atacantes.

As convenções internacionais também proíbem apropriação dos bens dos civis e punições coletivas contra ações da resistência à ocupação.

Israel não cumpre nenhuma das determinações sobre a proteção à população e seus bombardeios destroem moradias com moradores dentro, como no caso da família Al-Dallu que teve onze pessoas mortas pelas bombas de Israel, a maioria mulheres, e quatro crianças (entre elas um bebê de menos de dois anos de idade!). Edifícios públicos, uma universidade, inclusive um estádio de futebol, estão entre as centenas de alvos de Israel. Em apenas uma semana de ataques, foram destruídas 200 casas, 42 edifícios públicos, e danificadas cerca de oito mil residências.

A vitória palestina na ONU é um acontecimento histórico memorável pelo avanço democrático e fortalecimento da ordem jurídica internacional que representa. É também memorável pela notável derrota do imperialismo, da diplomacia dos EUA e da agressividade israelense. É uma vitória que indica o único caminho para a paz duradoura e sustentável: o reconhecimento da autonomia dos povos e independência e soberania dos Estados.