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domingo, 2 de outubro de 2011

Brasil sobe em ranking de tecnologia, mas escassez de talentos preocupa



Comentário: Essa matéria nos leva a uma reflexão importante. Para quem vamos formar esses talentos? A quem eles irão servir? Creio que a resposta não pode ser outra senão a um projeto de nação. O diretor da tal Business Software Alliance, destaca que um dos "impecilhos" para o desenvolvimento dos recursos humanos na área de engenharia e tecnologia da informação são as regulamentações, que dentre  outras coisas "dificultam" a contratação de pessoal na área. Creio que isso quer dizer que os regulamentos brasileiros e a cobertura de direitos trabalhistas são o entrave para que galguemos mais degraus no ranking da tecnologia. É importante deixar claro que esses regulamentos é que tornam essas profissões minimamente dignas (embora não exista no nosso país uma regulamentação para o trabalhador de TI). Derrubar regulamentos é o que os gringos adoram fazer - principalmente os estadunidenses, como vem ocorrendo nas crises financeiras sucessivas daquele país. Receber a notícia de que estamos avançando no quesito tecnologia é muito bom, mas temos que que nos perguntar que representam esses avanços e quem se beneficia com eles? Um projeto de nação passa necessariamente pela formação de "expertease", mas essas cabeças pensantes não podem estar sendo usadas para engordar as contas dos barões das empresas multinacionais. As nossas cabeças pensantes devem pensar e agir o Brasil e pelo Brasil. Medidas como a recém-criada EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e o fomento governamental ao desenvolvimento de novos produtos e procedimentos  vão ao encontro disso.


O País avançou no setor de tecnologia da informação, mas poderia ter crescido mais não fossem entraves como burocracia e déficit de especialistas, segundo um ranking realizado pela Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisa e análises da revista The Economist.
Investimento em pesquisas e em infraestrutura ajudaram o País a galgar uma posição em relação a 2009, ocupando agora a 39ª posição no índice, feito pela Economist Inteligence Unit para a organização Business Software Alliance (BSA).
No ranking, que mede principalmente a competitividade no setor, o Brasil está imediatamente atrás da China e muito à frente de outros países da América Latina, com exceção do Chile, que é o líder regional. "O crescimento da pontuação brasileira na categoria 'pesquisa e desenvolvimento' foi a maior responsável tanto pela evolução na pontuação geral do Brasil, como em sua posição no ranking", disse à BBC Brasil o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru.
O País ocupa agora o primeiro lugar entre os países da América Latina neste quesito, que tem peso maior na pontuação e avalia investimentos públicos e privados, além do número de patentes e valor recebido por royalties em relação ao número de habitantes. Segundo Caramuru, a nota brasileira saltou de 1,6 na primeira edição do estudo em 2007 para 21,2 na edição deste ano.
Crise de talentos - Alguns itens da categoria "capital humano" também ajudaram a impulsionar a posição brasileira. O número de formandos nas áreas de ciências e engenharia aumentaram, levando o País a ocupar o 8º lugar nessa classificação.
No entanto, o Brasil permaneceu estagnado no que diz respeito à qualidade de habilidades tecnológicas, gerando temores sobre a escassez de profissionais de tecnologia da informação (TI) qualificados para atender a demanda.
Para Caramuru, já se pode falar em uma crise de talento no mercado brasileiro de TI. "A avaliação aponta para a necessidade de um aprimoramento do currículo dos cursos de ciências da computação, bem como de um estímulo à essa opção de carreira entre estudantes", disse. "Hoje estima-se que existam 90 mil vagas não preenchidas neste setor no Brasil, e uma projeção da FGV avalia que, em 2014, esse déficit pode chegar a 800 mil."
Morosidade - Progressos na "infraestrutura na tecnologia da informação" também trouxeram mais avanços que retrocessos para o cenário brasileiro. Entre os aspectos positivos está a ampliação da telefonia celular, cujo índice de penetração já ultrapassa os 100%. Por outro lado, a morosidade na expansão da banda larga no País é citada como aspecto negativo, já que dificulta a absorção de serviços de TI.
Mas na hora de apontar culpados, o levantamento aponta o dedo principalmente para a burocracia brasileira, que freia a inovação e a implantação de TI no País. Para Caramuru, a estrutura regulatória do País é um grande entrave. "Restrições para contratar e demitir são um empecilho especial para o setor de tecnologia e inovação, em que o mercado sofre mudanças constantes e no qual a agilidade de gestão é crucial para se manter a competitividade."
Brics - Barreiras como essas precisam ser vencidas rapidamente pelo Brasil, se o país quiser competir realmente com os países dos Brics. Segundo o estudo, embora a Índia e a China estejam hoje no meio da lista de classificação (34ª e 38ª respectivamente), ambos ganharam terreno no ranking e tudo indica que devem subir mais posições nos próximos anos. "Os Brics possuem vantagens de mão-de-obra menos custosas em relação a países desenvolvidos", afirma Caramuru.
"China e Índia, em relação ao Brasil, deram saltos maiores no ranking devido à quantidade de alunos matriculados em cursos de ciência e engenharia, bem como uma formação mais sólida em TI. Ambos os países estão no top 10 global no quesito capital humano."
Futuro - Entre muitos números e opiniões de especialistas da área, o ranking deixa pistas do que pode ser feito para avançar novas posições nos setores de tecnologia da informação. Para o diretor da BSA, estimular a opção de estudantes pela área é fundamental. "Na Índia, dois terços dos estudantes universitários estão matriculados em cursos de ciências exatas e engenharia. No Brasil são apenas 14%."
A análise também mostra que formar estudantes com habilidades ou aptidões em TI é importante, mas já não é suficiente. "Uma grade complementar voltada aos negócios é essencial para esses profissionais prosperarem e contribuírem de forma mais significativa com suas empresas."
(BBC Brasil, via Folha online)

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