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terça-feira, 6 de setembro de 2011

FHC e estes dias

Charge de Ziraldo

FHC e estes dias 

Por Adriano Ferrarez

Papel aceita tudo
    O papel aceita tudo, isso é um fato. Estive lendo a coluna de FHC no jornal da família Marinho (04/09/2011) e não pude deixar de escrever essas linhas. O artigo do “princípe da sociologia” se intitula: “Crônica de um tempo difícil – As forças da corrupção estão mais enraizadas no poder do que parece” e ao ler pensei sinceramente que o ex-títere dos interesses multinacionais que comandou o Brasil durante 8 anos estaria fazendo uma crônica de seu governo e uma autocrítica tardia dos crimes lesa pátria que cometera. Mas esperar isso de FHC é muito, sua arrogância não lhe permite esse comportamento.

FHC sabe tuuuuuudo!!!
    Fernando Henrique critica a inundação de dinheiro público, via bancos centrais, para salvar os banqueiros nos EUA e na Europa. Critica o fato de se fazer cortes orçamentários sem aumentar os impostos – medidas do governo Obama para agradar os ricos. Fala de “seu” PROER como o programa que fez banqueiros ter seus bens indisponíveis e perderem seus bancos. E fala da confusão “deles” (EUA e Europa) como se ele, FHC, não tivesse sido um cachorrinho “deles”. É resoluto ao dizer: “Não aprenderam (EUA e Europa) nossa (de seu governo) lição: além do apregoado aperto fiscal, seguimos as regras da Basiléia (que define regras para o sistema bancário mundial), isto é, nosso Banco Central pôs freio à especulação e à irresponsabilidade no sistema financeiro, desde os tempos do Proer e do Proes (privatização dos bancos estaduais). E não descuidamos de ter um BNDES ativo (financiando as privatizações) nem dos programas de transferência de renda aos mais pobres e de aumento reais do salário mínimo desde 1994 até hoje”. Seria cômico se não fosse trágico. É, o papel aceita tudo. 

Quais tempos difíceis?
    Uma pergunta que se deve fazer: a quais tempos difíceis se referes, cara-pálida? Será que FHC fala de “estes dias”? Na era FHC o Brasil passou por um dos seus momentos mais difíceis de sua história. Tive a oportunidade de assistir a tudo isso como estudante universitário. Naqueles tempos difíceis o projeto em curso era tornar nossa nação um satélite dos interesses estadunidenses. FHC era o grande advogado da ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas). Na área da educação estava em curso o sucateamento das universidades públicas sob o discurso oficial de se criar centros de excelência. Não haviam bolsas de pesquisa (vários colegas meus “meiavam” bolsas de mestrado que na época – idos de 1998 – não passavam de R$ 700,00), a assistência estudantil nas universidades estava com os dias contados – me recordo do grande movimento que os estudantes da Universidade Federal de Viçosa (UFV) fizeram em 1999 em defesa do bandejão que parou as aulas durante 20 dias. Várias foram as manifestações em Brasília, várias vezes fechamos rodovias e estradas, muitas bombas de gás lacrimogênio explodiram e batalhas campais foram travadas entre as forças de repressão de FHC e os jovens que fizeram a resistência ao desmonte da nação patrocinado por ele. Quando se faz um balanço desse período a nossa geração pode dizer: valeu a pena lutar! É uma satisfação entrar no Restaurante Universitário da UFV e constatar que os estudantes continuam tendo refeição de qualidade a um preço acessível – R$ 1,90. É uma satisfação ver o governo anunciar a expansão da rede federal de educação: criação de 4 novas universidades, abertura de 47 novos campi universitários e a implantação de 208 novas unidades dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Falei aqui apenas das conquistas na área da educação, mas se analisarmos a saúde, a valorização do salário mínimo, a expectativa de vida, o amor próprio dos brasileiros terei que escrever muitas laudas.
    Esses são dias difíceis sem dúvida. Temos assistido a nossa juventude, apesar das oportunidades que tem hoje, sucumbir diante da epidemia da dependência química. E o princípe da sociologia o que faz em relação a isso? Defende a legalização da canabis sativa, faz média com a classe mérdia...alta (por que esse negócio de baixa e média não interessa ao dotô) e não se mobiliza para combater o crack ou oxis (droga de pobre). Esses são dias difíceis em que a soberania de povos é colocada na lata de lixo diante da sede das “potências” por petróleo e outras riquezas.

A corrupção
    Em seu artigo de domingo, FHC diz: “as forças da corrupção estão mais enraizadas no poder do que parece”. Isto é um fato. Mas como diria, a nossa roqueira baiana Pitty: “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”. O que dizer da corrupção na era FHC? Pra onde foi o dinheiro das privatizações? Cadê o dinheiro da Telebrás? Cadê o dinheiro da Vale? E a compra de parlamentares pró-reeleição (cheque de R$ 200.000,00 para cada um)? FHC devia falar disso também.
    A corrupção é um câncer que deve ser extirpado da sociedade. Ela não é exclusividade da sociedade brasileira. Tentam impingir que o povo brasileiro é corrupto, isso é uma mentira! Corrupta e venal é a elite desse país. A elite econômica e política que sempre se vendeu aos interesses estrangeiros. O povo brasileiro é honesto, porém ignora sua força e poder. Fica anestesiado diante com as absolvições de Edmares, Jaquelines, Daniéis Dantas, etc. O povo espera que a mudança venha de cima, mas ela deve vir é da base. A faxina deve começar nos nossos municípios em que prefeitos e vereadores defendem os ricos e poderosos das cidades mediante doações para campanha, um depósito gordo em suas contas correntes, um apartamento ou um lote naquele prédio ou bairro residencial construído em local irregular.
    É clichê pra caramba falar disso, mas o fim da corrupção não depende da “faxina” da Presidenta Dilma. Acabar com essa doença depende de mim e de você – cidadãos comuns. É o nosso voto que define quem governa. Parafraseando Brecht: Você tem que assumir o comando!!!

FHC, a história não te absolverá

    Em seu artigo FHC faz referência a exposição sobre o Brasil de antes e depois do Plano Real que o iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso) preparou para servir às novas gerações. Ih!!! FHC! Ih!!! FHC! A história não te absolverá. Para terminar, por que a vida só não basta, um pouquinho de poesia adaptando Silvio Rodriguez:

“Nestes dias
Não há absolvição possível
Para FHC
Para o feroz, a fera
Que ruge e canta cega
Esse animal distante
Que devorou e devora primaveras”

 
Adriano Ferrarez, é professor de Física do Instituto Federal Fluminense Campus Itaperuna/RJ
 

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