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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ENEM e os cursinhos

Charge de Bessinha

Comentário: Não vou cuspir no prato em que comi, comprei muito leite para minha filha com dinheiro de cursinho Pré-Vestibular. Nessa época as condições me obrigavam a ser mais showman que professor. Felizmente hoje tenho condições de exercer minha função, buscando me tornar digno de ser chamado de mestre pelos meus alunos. Mas a adoção do ENEM para ingresso em muitas universidades públicas foi uma grande vitória para a juventude filha de trabalhadores do Brasil. Os mercadores da educação se contorcem de ódio.

Do sítio Conversa Afiada

Enem: diretor de cursinho prega analfabetismo em SP


Bindi: para que serve o subjuntivo ?

A elite é incansável no combate ao Enem, a banda larga para o pobre entrar na faculdade.

Especialmente a elite que se expressa no PiG (*) de São Paulo.

Na pág. 3 da Folha (**) deste domingo há um artigo espantoso, uma espécie de diatribe contra a tabuada: “Critérios do Enem prejudicam  São Paulo” (e só São Paulo – PHA)

É uma obra prima.

O raciocínio xenófobo se sustenta na tese de que o peso da redação é muito alto.

Se não fosse tão alto, se perceberia que as escolas de São Paulo, na verdade, são uma coleção de Harvards.

É o que diz Carlos Eduardo Bindi, identificado como educador e diretor do Grupo Etapa – http://www.etapa.com.br/

Educador ou diretor de cursinho, perguntará o amigo navegante.

Não importa.

O Enem está para os cursinhos assim como a internet para jornais como a Folha.

É um réquiem.

O que interessa é a mensagem que se extrai da peça mercadológica.

Ele quer uma São Paulo que não saiba escrever.
(Será que ensinam o Subjuntivo no cursinho do prof. Bindi ?)

A leitura do PiG (*) de São Paulo indica isso, mas não era preciso escancarar.

Paulo Henrique Amorim

As capas de Veja

Comentário: As capas de Veja não mentem, a intenção desse panfleto sempre foi dar o golpe no povo brasileiro. Parabéns ao Maringoni!


Do sítio Conversa Afiada

Capas da Veja são a cara do Golpe



Detrito de maré baixa chega assim à beira d'água

O Conversa Afiada reproduz texto da Carta Maior:

Vinte anos nas capas da ‘Veja’


Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

Gilberto Maringoni

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.

A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.

Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.

As capas de Veja

Caco Barcelos: Nem todo mundo que trabalha pro PIG farelo come

Comentário: Do sítio Conversa Afiada, a entrevista de Caco Barcelos. PHA destaca que nem todo mundo que trabalha na globo farelo come.

Do sítio Conversa Afiada

Caco a Catanhêde: “Não faço militância política”

 

Caco e Catanhênde: quem é o jornalista e quem é o militante?

O Conversa Afiada reproduz o post do Eduardo Guimarães do Blog da Cidadania

Clique aqui para ler a sobre  a aula  magna que Caco Barcellos deu sobre o preconceito social do PIG (*) e da Justiça

Não poderia deixar de abordar um belo momento do jornalismo brasileiro, a prova definitiva de que não se pode discriminar profissionais que, até por falta de opção, trabalham para o oligopólio pretensamente imperial e antidemocrático que domina a comunicação no Brasil.

Na terça-feira (20), por volta das 19 horas, foi ao ar o programa da emissora a cabo Globo News, o “Em Pauta”, apresentado pelo jornalista Sergio Aguiar, que entrevistou o jornalista Caco Barcelos e teve a participação virtual da jornalista Eliane Cantanhêde.

O começo da entrevista deixa bastante claro que Barcelos, um repórter renomado e corajoso, não seria presa fácil para a manipulação de seus empregadores. Reproduzo, a seguir, esse diálogo entre entrevistador e entrevistado.

Sergio Aguiar — Vamos explorar esse seu lado repórter, primeiro: como é que estava a manifestação, lá?

Caco Barcelos — Três mil pessoas me parecem uma forte manifestação “virtual”; o Facebook fala mais de 30 mil pessoas. Na rua, na praça, pouco. Por volta de três mil…

Aguiar — Foi mais “devagar” do que se esperava, então?

(…)

Barcelos — É interessante, não é, o pessoal com vassoura? Eu lembro do tempo do Jânio Quadros. O pessoal usava vassoura para “varrer os comunistas”, queriam um regime militar… Não é?

Aguiar — A Vassoura volta, agora, a entrar na moda, será?

Barcelos — Talvez com outra conotação…

(…)

Barcelos — Interessante, também, que ninguém protesta contra os corruptores; só contra os corruptos… (sorriso)

Aguiar — Agora, você acha que essa mobilização menor do que o esperada [sic] é porque o brasileiro está um pouco descrente?

Barcelos — Não sei te dizer…

(…)

—–

A Globo mutilou esse belo momento de coragem de um militante do bom jornalismo, responsável, apartidário, e que, dali em diante, travaria com Eliane Cantanhêde um diálogo que constitui um dos mais completos diagnósticos da crise por que passa a grande imprensa brasileira.

No site do programa “Em Pauta”, a Globo cortou o resto da entrevista, quando Barcelos diz a Cantanhêde tudo o que tem sido dito pelos que militam pela democratização da comunicação no Brasil. Falou sobre os assassinatos de reputação, do “jornalismo declaratório”, que distribui acusações que, posteriormente, não são comprovadas, o que faz com que gente inocente pague.

Cantanhêde ainda tentou argumentar que a denúncia da mídia contra o ex-ministro Antonio Palocci, por exemplo, revelou-se “verdadeira” porque se descobriu que ele tinha um apartamento de 6 milhões de reais e, apesar disso, viveria em um apartamento alugado por uma imobiliária que tentou caracterizar como suspeita, apesar de que tal denúncia jamais se mostrou verdadeira.

Barcelos disse a ela que discorda porque faz jornalismo e não “militância política”. E reiterou que há vários exemplos de casos em que a mídia acusou sem provas e as pessoas acusadas, depois, mostraram-se inocentes.

A censura que a Globo impôs a parte da entrevista insinua que Barcelos pode ter problemas. Não será surpresa se, apesar de seu currículo invejável, vier a se juntar outros que  tiveram que deixar a Globo por discordarem do patrão.

Resta dizer que, apesar de haver quem julgue que essas manifestações “contra a corrupção” não passam de militância política da mídia, como bem definiu Barcelos, ele parece se deixar seduzir pela idéia de que a mídia tentar pôr o povo na rua lembra os idos de 1964…

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Com essa mídia país não avança


 Charge de Bira

Comentário: O texto a seguir de Eduardo Guimarães chega a uma conclusão pertinente: de nada vale acabarmos com a miséria material, se não acabarmos com a miséria cultural. O autor é enfático: COM ESSA MÍDIA O PAÍS NÃO AVANÇA. Obviamente há vários outros fatores que impedem o nosso andar pra frente, como a letargia, o catatonismo e os equívocos de muita gente que se acha informada e intelectualizada mas que no fringgir dos ovos faz coro com as elites e a própria mídia elitista. A base para resolver isso tudo é a EDUCAÇÃO. Olho pro lado e faço a mesma pergunta de Brant e Nascimento: O que foi feito de Vera? Ou melhor o que está sendo feito à Vera?  

Retirado do Blog do Altamiro Borges.

Com essa mídia país não avança

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:


Ao longo da terça-feira, a internet se divertiu com o post que este blog publicou sobre a missão difamadora da mídia brasileira que foi à França reclamar com a sua universidade Science-Po por ter outorgado ao ex-presidente Lula o título de Doutor Honoris Causa. O absurdo que se revelou deixou as pessoas atônitas e, assim, só restou rir.


Do post em questão, surgiu a hashtag #PorqueNaoFHC, que, em questão de minutos após ser criada, chegou ao Trending Topics do Brasil no Twitter. Foi uma brincadeira com a pergunta da jornalista de O Globo ao diretor da universidade francesa sobre por que a instituição premiou Lula em vez do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


O que direi agora disse ontem nas redes sociais (Twitter e Facebook): apesar de parecer que me divirto, o caso é sério. Com uma imprensa… Ou melhor, com uma mídia como a nossa, o país não avançará até se tornar o que almejamos.


Vamos discutir isso, pois: o que almejamos que o Brasil se torne? Não estamos achando, os brasileiros, que poderemos nos tornar uma das maiores potências mundiais? Não temos os requisitos para tanto? O Brasil não tem tudo para figurar ao lado das grandes potências?


Claro que tem. Temos uma vastidão de terras férteis, um clima generoso, uma diversidade étnica e cultural das mais ricas, um subsolo que é um verdadeiro tesouro, as maiores reservas de água potável, uma indústria dinâmica como poucas, uma economia estabilizada e saneada, centenas de bilhões de dólares em caixa…


Este é o momento do Brasil. O mundo inteiro reconhece. A jornalista de O Globo que perguntou ao diretor da universidade francesa por que escolheu Lula e não o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para ser premiado e que insinuou que o prêmio se deveu a interesse francês em ajuda financeira do Brasil, sem querer admitiu o quanto este país avançou na década passada.


Ainda assim, este ainda é um país em que há quase tudo por fazer. Um país rico, com potencial, mas que tem uma cultura de ser roubado pelo setor privado por vias legais ou ilegais. Além de leis que doam à elite étnica e regional as riquezas que pertencem a todos, há também a corrupção endêmica, a cultura de levar vantagem.


A mídia (acima do conceito de imprensa) poderia contribuir para mudança desse aspecto da mentalidade nacional. Mas não com essa pregação hipócrita que criminaliza alguns por razões políticas e alivia com outros pelas mesmas razões, e que, além disso, acoberta os corruptores.


A esperteza da mídia partidarizada e elitizada é o pior exemplo para a sociedade. Ao se dizer isenta e agir como cabo eleitoral e despachante de interesses de classe, regionais e étnicos pretendendo abafar as queixas dá ao país o exemplo errado, da mentalidade de que quem pode mais chora menos.


A conduta midiática é a conduta do “sabe com quem está falando?”. Ao adotá-la, a mídia dá o exemplo de que se deve buscar sempre o lado mais forte, mesmo que a força que tenha talvez não seja o que parece – ou o que pretende – ser. O que é nefasto, porém, é incentivar o autoritarismo social, político e econômico.


É nesse ponto que me pus a refletir: nenhuma grande nação – desenvolvida, democrática, civilizada e próspera – avançou de verdade sem uma imprensa séria, responsável, imparcial ao máximo possível (porque totalmente é impossível) ou honesta ao ponto de reconhecer-se eventualmente parcial.


Nos Estados Unidos, por exemplo, há mau jornalismo, sim. Mas também há bom jornalismo. Na Europa, idem. E note-se que me refiro à grande imprensa, à grande mídia, aliás. No Brasil, é tudo uma droga. A comunicação corporativa tornou-se uma máquina de contemplar interesses políticos, econômicos e de classe de grupos restritos.


Nenhuma nação avança de verdade se não refletir uma sociedade justa, mas a mídia brasileira prega injustiça, prega sobreposição de todos por alguns, ainda que implicitamente.


A propaganda, por exemplo, retrata um país nórdico, povoado por gente branca, de olhos claros em um país de maioria afro-descendente. É um abuso, um insulto a todo um povo que este aceita porque acredita na cultura de que quem pode mais chora menos. Isso para não me repetir nos exemplos políticos, que já cansaram de tanto serem repetidos.


A democratização e a profissionalização da comunicação no Brasil, portanto, é a sua principal agenda nos próximos anos. De nada adiantará reduzir a miséria ao ponto em que pareça ter sido extirpada se os fatores que a geraram permanecerem incólumes, e acima de todos os fatores que a geraram está o uso da comunicação como meio de exclusão social e política.


Entre as grandes missões que se descortinam à administração Dilma Rousseff, portanto, está o encaminhamento dessa questão. No ponto a que este país chegou não é possível mais recuar. Ou se tem coragem de atacar esse foco de corrupção e de disseminação da cultura do quem pode mais, chora menos ou não iremos a lugar algum.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Será Cuba a bola da vez?

Charge do sempre genial Latuff

Comentário: Qual será o próximo povo a ser atacado pelo imperialismo ianque e europeu? Iraniano, Venezuelano ou Cubano? A matéria abaixo joga luz sobre o que pretendem os EUA em relação ao "jacaré do Caribe".

Pretensão das Damas de Branco é justificar invasão de Cuba



Em uma cerimônia solene, a "dissidência" cubana confirmou o seu papel como a ponta de lança de uma invasão da ilha. Porém,o evento para anunciar essa nova "fase" de denúncias e ativismo, inspirada na "Primavera árabe", na qual participarão as "Damas de Branco", não foi realizada em Havana: mas sim no Capitólio, em Washington, sob os auspícios da congressista republicana, Ileana Ros-Lehtinen.

Por M. H. Lagarde, no Cambios en Cuba


"Esta nova fase é o que nós estávamos esperando. Estas damas de apoio se juntaram a nós... sem dor e sem qualquer preso político, queriam também ir às ruas para protestar conosco, as Damas de Branco", disse no ato, Josefina López Peña, em referência, sem dúvidas às mulheres que recebem dinheiro de fundações e corporações, para desempenhar o papel de figurantes nas manifestações das"Damas".

Da mesma forma, Josefina – apresentada no Congresso como "co-fundadora" do grupo –, se referiu às chamadas Damas de Branco, como Damas de ferro (não está claro se por conta da "proeza" de bater panelas ou em alusão velada aos tanques das tropas da Otan, aos quais as Damas pretendem, com suas provocações, abrir caminho para invadirem Cuba).

Por sua vez, a congressista republicana da Flórida, Ileana Ros-Lehtinen, também conhecida como La Loba Feroz, foi mais explícita nas verdadeiras intenções das Damas da Otan. Segundo disse, "tem havido uma mudança real em Cuba e pode ser devido ao impacto da Primavera Árabe".

"Esperamos que isso chegue a Cuba", disse o presidente da Comissão dos Assuntos Externos da Câmara dos Representantes.

O "isso", a "Primavera Árabe", que segundo La Loba Feroz deve chegar a Cuba tem lugar agora mesmo na Líbia, onde a sublevação dos "rebeldes" serve de cortina midiática para a criminosa invasão da Otan, da qual aquele povo é vítima.

As declarações de Ileana Ros-Lehtinen estão em sintonia com as que Obama deu recentemente acerca da "Primavera Árabe", durante um encontro com jornalistas hispânicos, quando o assunto Cuba veio à tona, e também confirma a afirmação feita recentemente em um programa especial da TV cubana (veja abaixo), onde ficou claro que as ações das chamadas Damas, apenas pretendem transformar a ilha em uma nova Líbia.



Fonte: Blog Solidários. Tradução: Robson Luiz Ceron




terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mais uma do tal Rafinha Bastos

Charge de Alpino


Comentário: O que acontece com esse babaca é um típico caso da mistura de otorrino, talco e a vontade de subir na carreira!!!


Do yahoo


A Bandeirantes quer que o pessoal do "CQC" se desculpe a Wanessa, por uma declaração sem noção de Rafinha Bastos no programa, feita na semana passada. A informação é da coluna de Keila Jimenez, da "Folha de S.Paulo".

 

Rafinha causou polêmica ao dizer, no ar, que "comeria" a cantora grávida e o filho dela. De acordo com a publicação, representantes da artista conversaram com a emissora sobre o ocorrido e pediram uma retratação do humorista.
Marcus Buaiz, marido de Wanessa e pai da criança, teria ficado irritado com o comentário.
Vale lembrar que, recentemente, Rafinha teve de pedir desculpas a Daniela Albuquerque, mulher do presidente da RedeTV!, Amilcare Dallevo, após chamá-la de "cadela", em uma piada.
Ainda este ano, ele também foi acusado de fazer apologia ao estupro. "Mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade", disse em um show de stand up, de acordo com reportagem publicada pela revista "Rolling Stone".

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Preconceito contra o Lula

Charge de Amarildo

Comentário: Luís Inácio Lula da Silva já não governa o país desde 31 de dezembro de 2010, mas ele continua sendo detonado pelo PIG (partido da imprensa golpista). Ninguém chuta cachorro morto! No último domingo, na coluna de João Ubaldo Ribeiro (ele se acha, exala narcisismo, é um pedante) mais ataques ao ex-presidente operário - confiram essa coluna em o globo de 25/09/2011. A boca da elite espuma por causa de Lula. Encontrei o texto de Bernardo Kucisnki de 22 de janeiro de 2008, que é bastante atual.



O preconceito contra Lula no jornalismo brasileiro
Bernardo Kucinski - Publicado originalmente na Revista do Brasil

22.01.2008

Um dia encontrei Lula, ainda no Instituto Cidadania, empolgado por um livro de Câmara Cascudo sobre os hábitos alimentares dos nordestinos. Lula saboreava cada prato mencionado, cada fruta, cada ingrediente. Lembrei-me desse episódio ao ler a coluna recente do João Ubaldo Ribeiro, "De caju em caju", em que ele goza o presidente por falar do caju, "sem conhecer bem o caju." Dias antes, Lula havia feito um elogio apaixonado ao caju, no lançamento do Projeto Caju, que procura valorizar o uso da fruta na dieta do brasileiro.

"É uma pena que o presidente Lula não seja nordestino, portanto não conheça bem a farta presença sociocultural do caju naquela remota região do país...", escreveu João Ubaldo. Alegou que Lula não era nordestino porque tinha vindo ainda pequeno para São Paulo. E em seguida esparramou-se em citações sobre o caju, para mostrar sua própria erudição. Estou falando de João Ubaldo porque, além de escritor notável, ele já foi um grande jornalista.

Outro jornalista ilustre, o querido Mino Carta, escreveu que Lula "confunde " parlamentarismo com presidencialismo. ."Seria bom", disse Mino, "que alguém se dispusesse a explicar ao nosso presidente que no parlamentarismo o partido vencedor das eleições assume a chefia do governo por meio de seu líder..." Essa do Mino me fez lembrar outra ocasião, no Instituto Cidadania, em que Lula defendeu o parlamentarismo. Parlamentarista convicto, Lula diz que partidos são os instrumentos principais de ação política numa democracia.

Pelo mesmo motivo Lula é a favor da lista partidária única e da tese de que o mandato pertence ao partido. Em outubro de 2001, o Instituto Cidadania iniciou uma série de seminários para o Projeto Reforma Política, que Lula fazia questão de assistir do começo ao fim.Desses seminários resultou o livro de 18 ensaios, Reforma Política e Cidadania, organizado por Maria Victória Benevides e Fábio Kerche e prefaciados por Lula.

Se pessoas com a formação de um Mino Carta ou João Ubaldo sucumbiram à linguagem do preconceito, temos mais é que perdoar as dezenas de jornalistas de menos prestígio que também dizem o tempo todo que "Lula não sabe nada disso, nada daquilo". Acabou virando o que em teoria do jornalismo chamamos de "clichê". É muito mais fácil escrever usando um clichê porque ele sintetiza idéias com a quais o leitor já está familiarizado, de tanto que foi repetido.

O clichê estabelece de imediato uma identidade entre o que o jornalista quer dizer e o que o leitor quer compreender. Por isso, o clichê do preconceito "Lula não entende" realimenta o próprio preconceito. Alguns jornalistas sabem que Lula não é nem um pouco ignorante mas propagam essa tese por malandragem política. Nesse caso, pode-se dizer que é uma postura contrária à ética jornalística, mas não que seja preconceituosa. Aproveitam qualquer exclamação ou uso de linguagem figurada de Lula, para dizer que ele é ignorante.

"Por que Lula não se informa antes de falar?", escreveu Ricardo Noblat, quando Lula disse que o caso da menina presa junto com homens no Pará "parecia coisa de ficção" . Quando Lula disse, até com originalidade, que ainda faltava à política externa brasileira achar "o ponto G", William Waack escreveu : "Ficou claro que o presidente brasileiro não sabe o que é o ponto G".

Outra expressão preconceituosa que pegou é "Lula confunde". A tal ponto que jornalistas passam a usar essa expressão para fazer seus próprios jogos de palavras. "Lula confunde agitação com trabalho", escreveu Lúcia Hipólito. Ou usam o confunde para desqualificar uma posição programática do presidente com a qual não concordam. "O presidente confunde choque de gestão com aumento de contratações", diz José Pastore. Confunde coisa alguma. Os neoliberais querem reduzir o tamanho do Estado, o presidente quer aumentar. Quer contratar mais médicos, professores, biológos para o Ibama. É uma divergência programática.

Carlos Alberto Sardenberg diz que Lula confundiu a Vale com uma estatal. "Trata-a como se fosse a Petrobrás, empresa que segundo o presidente não pode pensar só em lucro, mas em, digamos, ajudar o Brasil". Esse caso é curioso porque no parágrafo seguinte o próprio Sardenberg pode ser acusado de confundir as coisas, ao reclamar da Petrobrás contratar a construção de petroleiros no país, apesar de custar mais. Não tem confusão nenhuma, assim como Lula também não fez confusão. Lula acha que tanto a Vale quanto a Petrobrás tem que atender interesses nacionais. Sardenberg acha que ambas devem pensar primeiro na remuneração dos acionistas.

A linguagem do preconceito contra Lula sofisticou-se a tal ponto que adquiriu novas dimensões entre elas a de que Lula tem até problemas de aprendizagem ou compreensão da realidade. Ora, justamente por ter tido pouca educação formal, Lula só chegou onde chegou por captar rapidamente novos conhecimentos, além de ter memória de elefante e intuição.

Mas na linguagem do preconceito, "Lula já não consegue mais encadear frases com alguma conseqüência lógica", como escreveu o Paulo Ghiraldelli , apresentado como filósofo na página de comentários importantes do Estadão. Ou, como escreveu Rolf Kunz, jornalista especializado em economia e também professor de filosofia: "Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta".

Como nasceu a linguagem do preconceito? As investidas vêm de longe. Mas o predomínio dessa linguagem na crônica política só se deu depois de Lula ser eleito presidente, e a partir de falas de políticos do PSDB e dos que hoje se autodenominam Democratas. "O presidente Lula não sabe o que é pacto federativo", disse Serra, no ano passado. E continuam a falar: "O presidente Lula não sabe distinguir a ordem das prioridades", escreveu Gilberto de Mello. "O presidente Lula em cinco anos não aprendeu lições básicas de gestão", escreveu Everardo Maciel na Gazeta Mercantil.

A tese de que Lula confunde presidencialismo com parlamentarismo foi enunciada primeiro por Rodrigo Maia, logo depois por César Maia, e só então repetido pos jornalistas. Um deles, dias depois dessas falas, escreveu que "só mesmo Lula, que não sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, pode achar que um governante ter a aprovação da maioria é o mesmo que ser uma democracia no seu sentido exato".

O preconceito é juízo de valor que se faz sem conhecer os fatos. Em geral é fruto de uma generalização ou de um senso comum rebaixado. O preconceito contra Lula tem pelo menos duas raízes: a visão de classe, de que todo operário é ignorante, e a supervalorização do saber erudito, em detrimento de outras formas de saber, tais como o saber popular ou o que advém da experiência ou do exercício da liderança. Também não aceitam a possibilidades das pessoas transitarem por formas diferentes de saber.

A isso tudo se soma o outro preconceito, o de que Lula não trabalha. Todo jornalista que cobre o Palácio do Planalto sabe que é mentira, que Lula trabalha 12 a 14 horas por dia. Mas ele é descrito com freqüência por jornalistas como uma pessoa indolente.

Não atino com o sentido dessa mentira, exceto se o objetivo é difamar uma liderança operária, o que é, convenhamos, uma explicação pobre. Talvez as elites e com elas os jornalistas não consigam aceitar que o presidente, ao estudar um problema com seus ministros, esteja trabalhando, já que ele é "incapaz de entender" o tal problema. Ou achem que, ao representar o Estado ou o país, esteja apenas passeando, porque onde já se viu um operário, além do mais ignorante, representar um país?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Denúncia diz que cortadores de cana recebem crack para produzir mais

Comentário: Já ouvi coisa parecida acontecendo na colheita do café. Além de explorados, os trabalhadores rurais estão se tornando viciados.

 

 

O relator da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas, Givaldo Carimbão (PSB-AL), disse nesta quarta-feira que vai pedir ao Ministério do Trabalho para investigar denúncia de que cortadores de cana em Alagoas estariam recebendo crack para produzir mais.
De acordo com a deputada Célia Rocha (PTB-AL), há a informação de que os trabalhadores receberiam a droga de intermediadores entre os empregados e os patrões. A deputada falou sobre o problema em audiência pública, que reuniu coordenadores e relatores dos seminários estaduais sobre drogas.

Carimbão disse que já tinha conhecimento de caso semelhante no estado de São Paulo, e que é preciso investigar essas denúncias.


Da Agência Câmara

Pré-sal: gastar ou investir?




Comentário: Reproduzo abaixo artigo dos persidentes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e Academia Brasileira de Ciências sobre o investimento dos recursos do Pré-Sal em Educação, Ciência e Tecnologia.

Artigo de Helena Nader e Jacob Palis publicado no Correio Braziliense.
Neste mês, o Congresso Nacional terá nas mãos o poder de exercer forte influência sobre como será o futuro do Brasil. Dentro de alguns dias, irá à votação na Câmara Federal o Projeto de Lei nº8.051/2010, que definirá os destinos dos royalties provenientes da exploração do pré-sal. Uma vez que as reservas poderão conter entre 40 bilhões e 80 bilhões de barris, com o barril a US$ 100 e royalties a 15%, serão aportados nos cofres púbicos entre US$ 600 bilhões e US$ 1,2 trilhão, num período entre 20 e 40 anos, se extraídos uma média de cinco milhões de barris/dia.

Enfatizando que reservas de petróleo são finitas, a grande questão que se apresenta é o que vamos fazer com esse dinheiro: gastar em despesas correntes ou investir na construção do futuro? A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) estão muito preocupadas com a resposta que teremos para essa questão.

Em um País com tantas necessidades como o nosso, são elevadas as chances de se querer utilizar os royalties do pré-sal para resolver carências conjunturais esparsas e corrigir desajustes regionais de ocasião, em vez de aplicá-los na superação das grandes falhas estruturais da vida nacional e no incremento de atividades portadoras de futuro para o conjunto da sociedade brasileira.

Assim, a SBPC e a ABC estão propondo à sociedade brasileira e a todos os agentes da vida política - dos vereadores à presidente da República - que os royalties do pré-sal sejam investidos, majoritariamente, na educação e em ciência e tecnologia. A razão dessa escolha é proporcionar desenvolvimento econômico e social ao Brasil e nos inserirmos na economia do conhecimento, de modo a enterrar de vez o passado de subdesenvolvimento. É a opção por investir em vez de gastar.

O mundo de hoje abriga duas características principais - inovação tecnológica e sustentabilidade -, que exigem dos países produção científica e tecnológica de ponta e educação de qualidade. Investir em inovação deixou de ser uma possibilidade, uma opção, para os países e suas empresas. Economia que se pretende representativa no mercado global não pode prescindir da inovação como elemento estratégico para sua competitividade e geração de riqueza. Quanto à sustentabilidade, não há mais o que discutir. Precisamos garantir que, doravante, as práticas econômicas, sociais e culturais promovam a utilização econômica dos recursos naturais, mas sem destruí-los ou esgotá-los.

Inovação e sustentabilidade exigem, portanto, da ciência e da tecnologia um protagonismo que nunca foi exigido em outras épocas, o que demanda recursos correspondentes com os novos desafios. O conhecimento científico está na base do desenvolvimento de novos produtos e processos, o que torna as empresas mais competitivas no mercado global e faz enriquecer economias nacionais. Da mesma forma, a ciência é o único meio para se conhecer os recursos naturais e se saber como
utilizá-los de modo sustentável.

Diante desse quadro, resta uma questão: o ensino oferecido no Brasil, hoje, está à altura do padrão que se requer do cidadão para que ele tenha uma atuação afirmativa em termos da inovação tecnológica e da sustentabilidade? Infelizmente, a resposta é não. Nossa educação básica é altamente deficiente; se ela atendia sofrivelmente aos requisitos da "velha economia", não terá como promover o país à nova economia do planeta.

Nos anos recentes, conseguimos universalizar nossa educação básica. Agora, precisamos de novos esforços e recursos para que essa educação tenha qualidade. Os recursos do pré-sal devem ser aplicados para melhorar nossa educação. Com isso, além de resgatarmos um débito social histórico, vamos dar às nossas crianças e aos nossos jovens um ensino que os habilitará para o exercício pleno da cidadania.

Os benefícios da educação de qualidade como um projeto nacional serão sentidos em todas as localidades do País. Da mesma maneira, a utilização da ciência e da tecnologia como fonte de uma economia inovadora e sustentável elevará o Brasil à condição de nação moderna e desenvolvida.

Helena Nader é biomédica, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professora titular da Unifesp e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Jacob Palis é matemático, presidente da ABC, pesquisador do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e ex-vice-presidente da SBPC.
 

Abaixo-Assinado Royalties para a Educação, Ciência e Tecnologia



Comentário: Reproduzo abaixo convocação da Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Helena Nader, para assinatura de abaixo-assinado solicitando o repasse de recursos do pré-sal para a Educação, Ciência e Tecnologia.



Caro(a) Colega,

A Câmara dos Deputados deverá colocar em votação no início de outubro a PL nº 8.051/2010, que determinará as regras de partilha dos royalties provenientes da exploração de petróleo na camada do pré-sal. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) chamam a sua atenção para a importância de se garantir recursos para as áreas de educação e de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) nos Contratos de Partilha e no Fundo Social.


A sua assinatura é fundamental na petição “Royalties do Petróleo: Educação e C,T&I”, em prol da Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação.


Pedimos que assine e divulgue o abaixo-assinado disponível em: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=PL8051


Contamos com seu apoio.


Abraços,


Helena Nader
Presidente da SBPC

Imagem Insólita 7



Fotos de Adriano Ferrarez

Comentário: Parece uma Aurora Boreal, mas é o fim de tarde de Itaperuna. Essa foto foi tirada nas margens da BR 356 altura do km 3 Oeste, por volta das 18 horas de sexta-feira 16 de setembro de 2011. Ainda bem que me sobra um tempinho para olhar para o céu.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Greve dos Educadores de Minas Gerais


Vídeo da manifestação dos professores na Praça 7 em B.H./MG

Em Minas, professores se acorrentam e entram em greve de fome

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Cerca de 20 professores mineiros da rede estadual estão em greve de fome e acorrentados ao monumento Pirulito da Praça Sete, região central de Belo Horizonte, desde às 7h de hoje. O ato é para chamar a atenção sobre a situação da categoria paralisada desde o dia 8 de junho para reivindicar aumento no piso salarial. Confira também o vídeo com imagens registradas na manhã de hoje.


Professores acorrentados em MG Cerca de 20 docentes se acorrentam no centro de Belo Horizonte, MG / crédito: Sind-Ute

Inicialmente, os mais de 150 mil trabalhadores que cruzaram os braços exigiam equiparação ao piso nacional, instituído pela Lei Federal 11.738/08 que, segundo o Ministério da Educação é de R$ 1.187, e R$ 1.597, conforme a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

“Chegando ao 98 dias de greve, concordamos com o pagamento proporcional com base nos R$ 1.187, além do plano de carreira. É preciso levar em conta o tempo de trabalho e capacitação do professor”, explicou Rafael Calado Alves Pereira, diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sindi-Ute).

Munidos de nariz de palhaço, cartazes e panfletos, os manifestantes estão na praça abordando a população para explicar o impasse nas negociações com o governo estadual. Eles prometem permanecer no local até às 19h.

Como Thiago Luiz Ferreira Miranda, 30 anos, que há sete é professor da rede. Atualmente, pelas 24 horas semanais de trabalho recebe um salário base de R$ 550. “Com os benefícios o valor chega a R$ 950. Após descontos recebo em conta R$ 801,20. Tenho curso superior, tenho a responsabilidade de conduzir uma sala de aula e recebo menos que o piso nacional”, indigna-se o acorrentado, que promete permanecer no local até às 19h somente bebendo água.

Thiago também comentou o fato do governo estadual ter substituído os grevistas por outros profissionais. “Estamos com os salários cortados há 2 meses por conta da greve e sendo substituídos, o que é inconstitucional já que o direito de greve é assegurado pela constituição”, declarou o docente. Com relação a isso, a categoria entrou com ação no Ministério Público, que ainda não foi julgada.

Hoje, o Sind-Ute protocolou pedido de investigações no Ministério Público sobre denúncias de que alguns professores estão sofrendo intimidações de policiais mineiros. “Já fizemos o pedido oficialmente e alguns deputados estaduais estão acompanhando ”, confirmou Rafael Calado.

O professor Thiago reforçou: “Eu mesmo já fui seguido por dois policiais durante uma das manifestações”. O governo mineiro nega todas as acusações.

Próximos passos

Os próximos passos dos grevistas já estão traçados. Amanhã, eles partem para a Assembleia Legislativa onde, segundo Rafael Calado, o governo pretende fazer com que os deputados aprovem o projeto de lei do Executivo, enviado na terça-feira, que estabelece piso salarial de R$ 712 para toda a categoria.

Para o governo, as mudanças beneficiam principalmente os profissionais de educação que têm mais tempo de serviço. Mas, os servidores estaduais contestam o projeto. para eles, ele coloca toda a categoria no mesmo patamar. “Como pode um professor com mais de 15 anos de carreira, com título de especialização, receber o mesmo que um iniciante. Vamos todos para lá tentar impedir a votação”, indagou o dirigente mineiro.

Deborah Moreira, da redação do Vermelho com agências

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro: um mundo mais inseguro

Charge de Latuff sobre os 11 de setembros em NY e Santiago do Chile (Retirado do Blog Vagalume) 

Por José Reinaldo Carvalho, no sítio Vermelho:

Em 11 de setembro de 2001, 19 terroristas sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos e realizaram um atentado de inauditas dimensões. Duas aeronaves foram jogadas sobre as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, símbolos do poder financeiro da maior potência capitalista. Um terceiro avião foi arremessado sobre o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Washington, e destruiu parte do prédio, centro onde são planejadas guerras de agressão, símbolo do poderio militar da superpotência. O quarto avião caiu em um campo perto de Pittsburgh. Mais de 3 mil pessoas foram mortas e os prejuízos econômicos foram contabilizados em 90 bilhões de dólares.

O episódio deu pretexto a que se procedesse a uma inflexão ainda mais para a direita e para o predomínio de posições de força na política externa estadunidense - que já se encontrava em gestação desde que o grupo conhecido como “neocons” chegou à Casa Branca, a partir da eleição de George W. Bush à Presidência dos Estados Unidos.

Indubitavelmente, os atentados de 11 de setembro de 2001 e os abalos na situação internacional que se lhe sucederam tornaram o mundo pior, mais inseguro, perigoso e instável. Progressivamente assistiu-se a uma deterioração do quadro mundial, ao agravamento de suas contradições e conflitos.

Osama Bin Laden, ex-aliado dos Estados Unidos na guerra antissoviética do Afeganistão, foi acusado de ser o mandante dos atentados.

Horror infinito

Sob o pretexto de caçá-lo, em 7 de outubro de 2001 tem início a operação “Liberdade Duradoura”. Na ocasião o Partido Comunista do Brasil emitiu um documento dizendo que a operação desencadeava o “horror infinito”.

A aviação estadunidense e a do seu principal aliado, o Reino Unido, fizeram uma verdadeira razia na capital, Cabul, e em outras cidades afegãs. O governo do Taleban foi deposto e substituído por um governo fantoche. Mas a chamada “guerra ao terrorismo”, inaugurada por George W. Bush, continua sendo o mantra da política externa e de “defesa” do imperialismo estadunidense nos dias de hoje. Somente uma década depois, Osama Bin Laden foi encontrado, não no Afeganistão, mas no vizinho Paquistão. Seu assassínio e o sumiço dos seus despojos foi tão somente uma vitória de Pirro para os Estados Unidos

O sucesso alcançado pelos Estados Unidos no Afeganistão foi apenas efêmero. Depois de uma década de ocupação do país da Ásia Central, a sensação das tropas norte-americanas é de terem entrado num movediço pantanal. No começo, a força dos agressores parecia invencível. Por conveniências várias, e devido à comoção provocada pelos atentados, os Estados Unidos contaram no início com a solidariedade das demais potências e diversos outros países. Formou-se uma ampla coalizão internacional. Aparentemente, estavam dadas as condições para o enfrentamento conjunto do “terrorismo internacional”, mas o fato é que tal combate foi feito mediante o terrorismo de Estado.

Em 2002 a ONU deu às tropas de ocupação o status de “tropas internacionais”, garante a segurança do governo provisório e mobiliza recursos para a reorganização e “reconstrução” do país. Os Estados Unidos mantêm a campanha militar e intensificam a caçada aos membros do Taleban e da Al Qaeda. Dez anos depois, a guerra no Afeganistão ainda é considerada vital no “combate ao terrorismo” e mobiliza mais de 150 mil soldados norte-americanos e de países europeus da Otan.

Política de força dos EUA

Se o 11 de setembro será sempre lembrado pelo atentado, outra data, o 20 de setembro, ficou marcada como o dia em que a superpotência imperialista norte-americana anunciou ao mundo a inflexão em sua política externa, que viria a ser posteriormente sistematizada no corpo de ideias e conceitos denominados de “doutrina Bush”.

Naquele dia, falando urbi et orbi desde a sede do Capitólio, o presidente George W. Bush exortou o mundo a criar a “coalizão anti-terrorista”, dividiu as forças mundiais em termos maniqueístas – “quem não está conosco está contra nós” - , ameaçou punir “nações hostis”, num prelúdio do que viria a chamar poucos meses depois de “Estados bandidos”, integrantes do “eixo do mal”, contabilizou a existência de 60 países onde se albergam terroristas e ameaçou usar as armas de que dispõe em seu poderoso e sofisticado arsenal.

“Nossa guerra contra o terror começa com a Al Qaeda mas não termina aí”, vociferou Bush. “Não terminará até que todos os grupos terroristas de alcance global tenham sido encontrados, detidos e vencidos (...)Como lutaremos e ganharemos esta guerra? Dedicaremos todos os recursos sob nosso poder – todos os meios da diplomacia, todas as ferramentas da inteligência, todos os instrumentos para velar pelo cumprimento da lei, toda a influência financeira e todas as armas necessárias de guerra (...) Os estadunidenses não devem esperar uma batalha, mas uma campanha longa, distinta de qualquer outra que temos visto. Possivelmente, incluirá ataques dramáticos, que podem ser vistos na televisão, e operações encobertas, que permanecerão secretas mesmo depois do êxito (...) Perseguiremos as nações que ajudem ou abriguem o terrorismo. Toda nação, em toda região do mundo, agora tem que tomar uma decisão. Ou estão do nosso lado, ou do lado dos terroristas. A partir de hoje, qualquer nação que continue albergando ou apoiando o terrorismo será considerada regime hostil pelos Estados Unidos”, ameaçou.

O pronunciamento de George W. Bush em 20 de setembro de 2001 é o documento fundador da “nova ordem”, a proclamação dos meios e dos modos como percorrer o pretendido “novo século americano”. Marcou uma mudança de fase nas relações dos Estados Unidos com o resto do mundo e no exercício da hegemonia norte-americana. Abriu-se novo período, que as forças anti-imperialistas no mundo chamariam de tirania global, uma expressão usada pelo então presidente cubano Fidel Castro, um período de uso indiscriminado da força bruta, desprezo pela legalidade internacional e pelas instituições multilaterais. Abriu-se uma fase de intensa militarização das relações internacionais e de decisões de força.

Guerra ao Iraque

Outro resultado direto do 11 de setembro foi a guerra de agressão ao Iraque. Em 20 de março de 2003, os Estados Unidos e o Reino Unido bombardearam e invadiram o país árabe, alegando que o regime de Saddam Hussein estaria produzindo armas de destruição em massa. Foi uma ação unilateral sem autorização da ONU, cujos inspetores não encontraram provas da acusação. Em 2004, atuando no terreno como autoridades de ocupação, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido reconheceram que não havia armas de destruição em massa no Iraque. A desfaçatez fica patente, quando se constata que crimes foram cometidos em nome da suposta destruição das mencionadas armas.

Dezoito meses transcorreram entre os atentados de 11 de setembro de 2001 e o início da guerra norte-americana no Iraque, em março de 2003. Durante esse período, os preparativos para a guerra foram desenfreados. No mesmo lapso de tempo tomou forma e foi anunciada ao mundo a chamada Doutrina Bush. Durante tais preparativos ocorreu uma espécie de tour de force entre a diplomacia e a guerra, esta em contraste com a ONU, o sistema multilateral e o direito internacional, cuja falência foi decretada na prática. Desde então e até hoje, multilateralismo e direito internacional existem tão somente como contrafação ou discurso ingênuo.

Em 1º de junho de 2002, Bush fez outro pronunciamento definidor, falando aos cadetes de West Point, quando ficou clara a intenção de atacar o Iraque e foi lançada a doutrina do “ataque preventivo”, uma reviravolta conceitual, verdadeira subversão do direito internacional, que somente autoriza o uso da força em defesa própria, para combater ameaças reais, não potenciais nem presumíveis.

E em 17 de setembro foi publicado o documento “A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América”, oficializando a doutrina dos ataques preventivos. Esta sucessão de pronunciamentos é reveladora da escalada nos preparativos da guerra ao Iraque ao longo do ano de 2002, no vértice do poder estadunidense.

Os preparativos para a guerra incluíram a elaboração de argumentos, que foram largamente difundidos em declarações das autoridades estadunidenses, como também em noticiários e análises através dos meios de comunicação. A argumentação para justificar a guerra contra o Iraque tinha três pilares: “o Iraque é uma ditadura cruel, que desrespeita os direitos humanos, sendo necessário o uso da força para restabelecer a democracia no país”, diziam a Casa Branca, o Pentágono, setores conservadores do mundo acadêmico e a mídia a serviço dos planos de guerra; dizia-se ainda que o Iraque apoiava política e materialmente a Al Qaida, sendo por esta razão um “Estado bandido”, integrante do eixo do mal, aliado do terrorismo internacional; arguía-se também que o Iraque possuía armas de destruição em massa que a qualquer momento poderia usá-las contra os Estados Unidos ou seus aliados na região.

Os preparativos de guerra sofreram forte contestação. Milhões de pessoas em todo o mundo saíram às ruas num veemente apelo de paz. Dentro dos próprios Estados Unidos, a guerra ao Iraque não ganhou consenso. O senador democrata Ted Kennedy disse que foi uma guerra de escolha, não de necessidade, com abuso grosseiro das informações de inteligência e arrogante desrespeito pelas Nações Unidas. Bush e a linha dura neocon não hesitaram em exagerar e manipular os dados sobre armas de destruição em massa. Inventaram imagens como a do cogumelo gigante sobre os EUA e as ligações inexistentes de Saddam Hussein com a Al Qaida, disse o senador.

A rigor, nenhum dos argumentos para atacar o Iraque se sustentava. Não há um problema sequer envolvido em tal argumentação que não pudesse ser resolvido pacificamente e por meios diplomáticos, nos termos de uma política estabilizadora de relações internacionais, além dos meios jurídicos, nos termos da Carta das Nações Unidas e de outros documentos legais que constituem o direito internacional.

Na verdade, a motivação para a guerra era outra. Tinha a ver com a inflexão operada na política externa estadunidense pela Doutrina Bush. Esta guerra tem a ver com petróleo e a conquista de posições geopolíticas na luta que os Estados Unidos levam a efeito para exercer hegemonia no mundo. Nada a ver com direitos humanos, democracia, armas de destruição em massa ou missão civilizadora, muito embora os neocons considerem que os Estados Unidos são portadores desses valores e que é seu desiderato fazê-los triunfar no mundo, mesmo que de forma cruenta, ao atropelo do direito internacional, da democracia praticada segundo outros critérios e dos próprios direitos humanos. Na verdade são pretextos para salvaguardar interesses imperiais travestidos de valores.

Implicações geopolíticas

Até hoje se debate sobre as implicações geopolíticas do 11 de setembro de 2011 e nada indica que cessa a discussão. Efetivamente, o imperialismo norte-americano tomou o episódio como pretexto para lançar uma Doutrina e uma Estratégia.

A política dos neocons, que encontrou no episódio do 11 de setembro o momento propício para ser executada, corresponde ao objetivo da superpotência de estabelecer uma hegemonia ampla, ligada aos interesses da economia norte-americana, em franco declínio. Os seus teóricos estavam (estão ainda) convencidos de que os Estados Unidos devem proclamar seu domínio, afirmar a sua hegemonia, bastante questionada e em crise, recorrendo a todos os meios a seu dispor, entre eles a guerra de agressão, a militarização do mundo e a ameaça nuclear.

No quadro da “guerra ao terrorismo”, o governo dos Estados Unidos atacou também os direitos civis dentro do país, com a lei chamada Patriotic Act, e promoveu a prática da tortura e das prisões ilegais de prisioneiros estrangeiros nos cárceres de Abu Graib e Guantânamo.

A política de força e agressividade que os Estados Unidos promoveram na sua atuação internacional suscita não apenas debates, mas muita inquietação e insegurança nos demais atores da política internacional, sobre os rumos que irá tomar e sobre o mundo que espera a humanidade no transcurso do século 21.

A política belicista de George W. Bush foi eleitoralmente derrotada. O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama venceu o pleito com promessas de restauração da paz, a retirada das tropas de ocupação e de busca de refundar a ordem mundial, a partir do multilateralismo e do respeito ao direito internacional. Mas mudou essencialmente de política?

O plano de retirada das tropas do Iraque é o mesmo concebido por Bush. Até hoje o país está efetivamente ocupado. Já o Afeganistão recebeu novos contingentes de tropas, para uma guerra que completará uma década no próximo mês, sem final previsível.

Tudo nos leva a crer que o ambiente político em que se processam as relações internacionais na atualidade permanece caracterizado por um inaudito retrocesso. O principal vetor do quadro político mundial, tendo como pano de fundo uma profunda crise do sistema capitalista, é uma abrangente e brutal ofensiva dos Estados Unidos para impor a sua hegemonia, o que cobra elevado preço aos povos e países que circunstancialmente se tornam alvo dessa ofensiva.

No conjunto do Oriente Médio e Norte da África, o imperialismo estadunidense aproveitou-se da chamada primavera árabe para levar adiante antigos planos de reconfigurar a região conforme seus próprios interesses. A guerra contra a Líbia e as ameaças de intervenção na Síria e Irã demonstram isso. Novos focos de tensões e conflitos aparecem, como é o caso do Paquistão e a militarização se alastra, com o novo conceito estratégico da Otan, a Quarta Frota na América Latina, o Africom, no continente africano, a disputa pelo controle do Oceano Índico e a proliferação de bases militares.

Estes fatos são de tal ordem que perdeu sentido prático a disjuntiva entre unilateralismo e multilateralismo, unipolaridade e multipolaridade, nos termos em que os acadêmicos a serviço do imperialismo e as chancelarias apresentam o problema. Pretende-se que é multilateralismo e multipolaridade a formação de um condomínio de potências agindo em concertação entre si a fim de partilhar o domínio do mundo e a espoliação dos povos. Nesse sentido, a guerra contra a Líbia seria uma expressão do multilateralismo, porquanto feita pela “comunidade internacional”, sob a supervisão da ONU. A guerra contra a Líbia, com ou sem a facilitação da ONU e o silêncio cúmplice da “comunidade internacional”, é modelada no mesmo figurino das políticas agressivas do imperialismo.

O multilateralismo e a multipolaridade, para serem úteis aos povos, deveriam estar inseridos no âmbito da estratégia e tática da luta anti-imperialista, e não subordinado a uma lógica de acomodação, adaptação e capitulação à ordem vigente.

Hoje não é tão difícil observar, passado já quase todo o mandato de Obama, que na essência, os interesses de Estado e estratégicos do imperialismo norte-americano são permanentes e a margem de variação da política externa é mínima, com os republicanos ou os democratas à frente da Casa Branca e do Departamento de Estado.

O fato é que superpotência norte-americana, diante do seu evidente declínio, sente a necessidade de agir com o objetivo de afirmar sua liderança política e supremacia militar.

Hoje, sob Obama, parece haver uma espécie de síntese entre as posições mais centristas dos dois partidos, principalmente depois que a direita mais retrógrada e conservadora apresentou suas armas, com o Tea Party e os preparativos para as próximas eleições presidenciais.

É a busca de uma política que pudesse parecer aceitável e fosse a expressão de um pretendido “imperialismo benigno”. Hoje, o establishment norte-americano busca um Obama ainda mais conservador ouum “republicano moderado”. É o que estará em jogo nas próximas eleições presidenciais dos EUA.

A política que prevalecerá e o mundo em que a humanidade viverá não resultarão apenas das opções a serem feitas pelos grupos de poder dos Estados Unidos. Como a política internacional é sempre uma relação de poder nos marcos da sociedade internacional, as próprias opções americanas estarão condicionadas pela evolução da realidade objetiva, evolução que, por sua vez, está ligada tanto ao poderio norte-americano como ao das demais potências e à evolução da luta política dos povos.

O cenário atual é o de uma competição pela hegemonia mundial no século 21. Os Estados Unidos, diante das próprias dificuldades econômicas estruturais, entre estas a debilidade do dólar, com o maior passivo externo do mundo, frente à emergência de novas áreas econômicas, geopolíticas e financeiras que ameaçam seu primado, optam pela força, tentam vencer a competição global no terreno militar, onde são esmagadoramente os mais fortes e na economia buscam inverter uma tendência objetiva.

Um fator novo aparece na evolução do quadro mundial. Muito embora, o período seja ainda de defensiva estratégica, emergem de novo as lutas anti-imperialistas e por uma nova ordem mundial.

Se é verdade que emergem novos pólos econômicos e de poder político, como fenômeno objetivo e tendência inexorável, isso não significa que vá ocorrer espontaneamente a democratização das relações internacionais.

O sistema capitalista, em profunda crise, depois de ter atingido a etapa imperialista e a escala da globalização mercantil, produtiva e financeira, revela-se incapaz de gerar prosperidade coletiva. A cada dia a realidade demonstra os limites desse sistema e a inexorável tendência à estagnação e às crises. Por outro lado, Os Estados Unidos, superpotência multidimensional, exibe sinais evidentes de parasitismo e declínio, expressos em seus déficites gêmeos – passivo externo e déficit fiscal e na erosão do dólar como padrão monetário.

A perspectiva de conflitos se acentua se observarmos o comportamento de outros grandes atores da cena internacional e a evolução dos acontecimentos.

A China proclama seu engajamento pela paz, a coexistência pacífica e a cooperação internacional. Mas independentemente de vontades e proclamações, sua vertiginosa emergência ao status de potência econômica, além de militar e nuclear, além do aumento de sua influência política e diplomática, objetivamente coloca-a, em perspectiva, em posição de rival dos Estados Unidos. Ou pelo menos é assim que será vista por estes.

Quanto à Rússia, em franca recuperação do seu poderio nacional, também manifesta traços de rivalidade, expressando duras reações ao expansionismo estadunidense e ocidental vis à vis à Europa Oriental.

O exame de outros fatos em curso e outras tendências que se delineiam também nos mostram elementos de conflitos no cenário político internacional. O segundo mandato de Bush teve como foco prioritário o “plano de reestruturação do Oriente Médio”. Construir um “Oriente Médio americano”, com regimes dóceis e a destruição dos inimigos dos EUA foi o objetivo visado. Por irônico que possa parecer, é Obama e seus aliados europeus da Otan que estão levando adiante tais planos, como mostra o comportamento da política externa e militar dessas potências na esteira dos acontecimentos na região e no Norte da África a partir de dezembro de 2010, cuja maior expressão até o momento é a guerra contra a Líbia.

Tudo nos mostra que está a se desenvolver um novo cenário político internacional, com a acumulação de fatores de conflitos nacionais e sociais, cenário revelador do surgimento de novas tendências históricas. Nesse quadro, é difícil, senão impossível, proceder a uma análise unívoca e chegar a conclusões definitivas quanto ao sentido em que evoluirá a situação internacional. Sendo uma transição, parece tratar-se de uma transição conflitiva, na qual o governo global e compartilhado, fundador de uma ordem de paz e harmonia é, no horizonte visível, mera especulação ou mesmo uma quimera. Como também é ilusório depositar as esperanças de paz no entendimento entre as grande potências.

A crise do capitalismo, com suas consequências de agravamento das condições de vida das massas populares, a intensificação da agressividade do imperialismo e o aumento do perigo de guerra exigem respostas enérgicas dos povos e forças progressistas e revolucionárias. Mais do que nunca a luta anti-imperialista encontra-se na ordem do dia, o que requer consciência, mobilização e organização dos povos.

11 de setembro no Chile e nos eua


Comentário: Vídeo postado no Blog do Miro. Em 11 de setembro de 1973 os EUA patrocinava um ataque terrorista contra o povo chileno que alçou ao poder o regime sanguinário de Pinochet.

O terrorismo é uma merda!!!



Há 10 anos estava eu caminhando pelo Campus Universitário da UFV, entre uma aula e outra, quando um amigo me liga e diz: "Cara corre pra frente de uma TV e veja o que está acontecendo". Desligou em seguida. Corri para a lanchonete mais próxima e vi as torres do World Trade Center em chamas. Imagem impactante e eu só falei uma coisa: que merda!!! À noite como de praxe a galera se encontrava pra tomar umas cervejas no Bar do Leão. Meu amigo não conseguia conter a euforia estava quase soltando foguetes, comemorando o atentado como uma resposta dos povos oprimidos de todo o mundo diante das agressões dos EUA. Eu enquanto isso ficava na minha, pensando: "Que merda! Que grande merda!". Falei com meu amigo: "Cara, cutucaram onça com vara curta. Este é o argumento que os ianques queriam pra soltar bomba a torta e à direito. Pra criar um clima de guerra a nível mundial. Por muito menos que isso (atentados do 11 de setembro) os caras já detonaram a Iugoslávia - e numa época em que Clinton estava no poder dos EUA. Imagina como a coisa vai ser com o Bush Jr.?". Deu no que deu, decorridos dez anos assistimos um mundo extremamente belicoso, em que povos inteiros são destruídos fisicamente, culturalmente, espiritualmente. Os malditos terroristas de Osama Bin Laden (será que esse cara realmente existiu?) e da Al-Qaeda deram o argumento que os maiores terroristas do mundo (o Estado estadunidense) precisavam para fazer o que bem entendem. Vejam o caso mais recente da Líbia. 
Infelizmente, como diria Marx, " a violência é a parteira da história". Mas a violência que é capaz de realizar as mudanças verdadeiras é a violência revolucionária que se contrapõe à violência reacionária das elites. Hoje, felizmente, estamos assistindo à revoluções em que muito pouco ou quase nenhum sangue é derramado - vide os casos da Venezuela e Bolívia. O terrorismo só conduz os povos ao obscurantismo e à degradação.   
Em meados do século XIX a juventude e os trabalhadores russos lutavam contra o Czarismo.  O jovem Alexandre Ulianov era um dos líderes do grupo Pervomartovtsi e foi condenado à morte em 1887 por ser cúmplice na tentativa de matar o Czar Alexandre III. Isto influenciou enormemente seu irmão caçula Vladimir, Lênin, que optou por uma outra forma de luta: a revolução social.
Sou solidário à luta do povo árabe, principalmente os palestinos. Mas a opção por carros e homens bombas nunca irá libertá-los do jugo fascista do Estado - lacaio dos EUA - de Israel.
Uma pergunta que não quer calar neste 11 de setembro: E se as torres gêmeas não tivessem vindo ao chão? O mundo, como dizia Renato Russo, estaria tão complicado? 
Acredito que as nações imperialistas teriam feito tudo o que fizeram (invasão do Iraque, Afeganistão e Líbia), no entanto com muito mais dificuldade. Os malditos terroristas deram aos ianques e à OTAN o "green-card" para matar, pilhar, violentar, destruir e tornar o nosso planeta um lugar muito pior. 
Aquela cerveja amarga, que bebi no Bar Leão no dia 11 de setembro de 2001, foi só o preâmbulo do azedo e salgado paladar desse mundo atual. 
Minhas condolências aos parentes das vítimas dos atentados às torres do World Trade Center e aos parentes dos centenas de milhares que pereceram no Iraque, Afeganistão e Líbia.
Mas, pra terminar com poesia recorro aos grandes Ivan Lins e Vítor Martins: "Desesperar jamais/aprendemos muito nestes anos/afinal de contas não tem cabimento/entregar o jogo no primeiro tempo". A bola ainda rola e o planeta ainda gira.


Adriano Ferrarez, professor de Física do Instituto Federal Fluminense - Campus Itaperuna







sábado, 10 de setembro de 2011

Basquete Masculino do Brasil nas Olimpíadas 2012

Marcelinho Huertas: Esse cara joga muito!!!


Comentário: Emocionante a vitória da seleção brasileira de basquete masculino agora há pouco. Parabéns aos jogadores com destaque para os Marcelinhos Huertas e Machado. Me lembrei do Mão Santa, Pipoca, Guerrinha e Marcel. Valeu moçada. Mas gostaria de destacar aqui a figura do técnico argentino Rubén Magnano que resume seu trabalho em três palavras: TRABALHO, DISCIPLINA e RESPEITO. Que as crianças brasileiras passem a praticar mais esse esporte. Amanhã disputamos a final. Será que vamos pegar a Argentina? Força Brasil!!! Bate forte meu coração brasileiro!!!

7 de setembro: Pronunciamento da Presidenta Dilma


Comentário: Alvissareiro o discurso da Presidenta Dilma. Mas os desafios são muitos e creio que cabe às mulheres e homens progressistas desse país um árduo e paciente trabalho de educação e conscientização do nosso povo sobre os rumos que o Brasil deve trilhar. Um povo ignorante é presa fácil para aqueles que querem que a nossa pátria trilhe os caminhos da subserviência. Após assistir ao pronunciamento reafirmo a convicção que me fez votar neste projeto. Esse pronunciamento me faz recordar de um poema de Pablo Neruda:


Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda

Mãos aos caniços, Camaradas!!!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Separados no nascimento

Heródoto "naõ entendo nada do que ele fala" Barbeiro

Alfred E. Neuman

terça-feira, 6 de setembro de 2011

FHC e estes dias

Charge de Ziraldo

FHC e estes dias 

Por Adriano Ferrarez

Papel aceita tudo
    O papel aceita tudo, isso é um fato. Estive lendo a coluna de FHC no jornal da família Marinho (04/09/2011) e não pude deixar de escrever essas linhas. O artigo do “princípe da sociologia” se intitula: “Crônica de um tempo difícil – As forças da corrupção estão mais enraizadas no poder do que parece” e ao ler pensei sinceramente que o ex-títere dos interesses multinacionais que comandou o Brasil durante 8 anos estaria fazendo uma crônica de seu governo e uma autocrítica tardia dos crimes lesa pátria que cometera. Mas esperar isso de FHC é muito, sua arrogância não lhe permite esse comportamento.

FHC sabe tuuuuuudo!!!
    Fernando Henrique critica a inundação de dinheiro público, via bancos centrais, para salvar os banqueiros nos EUA e na Europa. Critica o fato de se fazer cortes orçamentários sem aumentar os impostos – medidas do governo Obama para agradar os ricos. Fala de “seu” PROER como o programa que fez banqueiros ter seus bens indisponíveis e perderem seus bancos. E fala da confusão “deles” (EUA e Europa) como se ele, FHC, não tivesse sido um cachorrinho “deles”. É resoluto ao dizer: “Não aprenderam (EUA e Europa) nossa (de seu governo) lição: além do apregoado aperto fiscal, seguimos as regras da Basiléia (que define regras para o sistema bancário mundial), isto é, nosso Banco Central pôs freio à especulação e à irresponsabilidade no sistema financeiro, desde os tempos do Proer e do Proes (privatização dos bancos estaduais). E não descuidamos de ter um BNDES ativo (financiando as privatizações) nem dos programas de transferência de renda aos mais pobres e de aumento reais do salário mínimo desde 1994 até hoje”. Seria cômico se não fosse trágico. É, o papel aceita tudo. 

Quais tempos difíceis?
    Uma pergunta que se deve fazer: a quais tempos difíceis se referes, cara-pálida? Será que FHC fala de “estes dias”? Na era FHC o Brasil passou por um dos seus momentos mais difíceis de sua história. Tive a oportunidade de assistir a tudo isso como estudante universitário. Naqueles tempos difíceis o projeto em curso era tornar nossa nação um satélite dos interesses estadunidenses. FHC era o grande advogado da ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas). Na área da educação estava em curso o sucateamento das universidades públicas sob o discurso oficial de se criar centros de excelência. Não haviam bolsas de pesquisa (vários colegas meus “meiavam” bolsas de mestrado que na época – idos de 1998 – não passavam de R$ 700,00), a assistência estudantil nas universidades estava com os dias contados – me recordo do grande movimento que os estudantes da Universidade Federal de Viçosa (UFV) fizeram em 1999 em defesa do bandejão que parou as aulas durante 20 dias. Várias foram as manifestações em Brasília, várias vezes fechamos rodovias e estradas, muitas bombas de gás lacrimogênio explodiram e batalhas campais foram travadas entre as forças de repressão de FHC e os jovens que fizeram a resistência ao desmonte da nação patrocinado por ele. Quando se faz um balanço desse período a nossa geração pode dizer: valeu a pena lutar! É uma satisfação entrar no Restaurante Universitário da UFV e constatar que os estudantes continuam tendo refeição de qualidade a um preço acessível – R$ 1,90. É uma satisfação ver o governo anunciar a expansão da rede federal de educação: criação de 4 novas universidades, abertura de 47 novos campi universitários e a implantação de 208 novas unidades dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Falei aqui apenas das conquistas na área da educação, mas se analisarmos a saúde, a valorização do salário mínimo, a expectativa de vida, o amor próprio dos brasileiros terei que escrever muitas laudas.
    Esses são dias difíceis sem dúvida. Temos assistido a nossa juventude, apesar das oportunidades que tem hoje, sucumbir diante da epidemia da dependência química. E o princípe da sociologia o que faz em relação a isso? Defende a legalização da canabis sativa, faz média com a classe mérdia...alta (por que esse negócio de baixa e média não interessa ao dotô) e não se mobiliza para combater o crack ou oxis (droga de pobre). Esses são dias difíceis em que a soberania de povos é colocada na lata de lixo diante da sede das “potências” por petróleo e outras riquezas.

A corrupção
    Em seu artigo de domingo, FHC diz: “as forças da corrupção estão mais enraizadas no poder do que parece”. Isto é um fato. Mas como diria, a nossa roqueira baiana Pitty: “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”. O que dizer da corrupção na era FHC? Pra onde foi o dinheiro das privatizações? Cadê o dinheiro da Telebrás? Cadê o dinheiro da Vale? E a compra de parlamentares pró-reeleição (cheque de R$ 200.000,00 para cada um)? FHC devia falar disso também.
    A corrupção é um câncer que deve ser extirpado da sociedade. Ela não é exclusividade da sociedade brasileira. Tentam impingir que o povo brasileiro é corrupto, isso é uma mentira! Corrupta e venal é a elite desse país. A elite econômica e política que sempre se vendeu aos interesses estrangeiros. O povo brasileiro é honesto, porém ignora sua força e poder. Fica anestesiado diante com as absolvições de Edmares, Jaquelines, Daniéis Dantas, etc. O povo espera que a mudança venha de cima, mas ela deve vir é da base. A faxina deve começar nos nossos municípios em que prefeitos e vereadores defendem os ricos e poderosos das cidades mediante doações para campanha, um depósito gordo em suas contas correntes, um apartamento ou um lote naquele prédio ou bairro residencial construído em local irregular.
    É clichê pra caramba falar disso, mas o fim da corrupção não depende da “faxina” da Presidenta Dilma. Acabar com essa doença depende de mim e de você – cidadãos comuns. É o nosso voto que define quem governa. Parafraseando Brecht: Você tem que assumir o comando!!!

FHC, a história não te absolverá

    Em seu artigo FHC faz referência a exposição sobre o Brasil de antes e depois do Plano Real que o iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso) preparou para servir às novas gerações. Ih!!! FHC! Ih!!! FHC! A história não te absolverá. Para terminar, por que a vida só não basta, um pouquinho de poesia adaptando Silvio Rodriguez:

“Nestes dias
Não há absolvição possível
Para FHC
Para o feroz, a fera
Que ruge e canta cega
Esse animal distante
Que devorou e devora primaveras”

 
Adriano Ferrarez, é professor de Física do Instituto Federal Fluminense Campus Itaperuna/RJ
 

domingo, 4 de setembro de 2011

Mais da Líbia: Vou repetir se preciso mais mil vezes

Charge de Latuff


Comentário: Abaixo texto de Pepe Escobar sobre a agressão imperialista à Líbia!



Texto de Pepe Escobar, Asia Times Online -20.8.2011
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 
A intervenção estrangeira na Líbia para além da mídia de aluguel e dos perfeitos idiotas

O mesmo direito de agressão poderá ser usado para nos tomarem a Amazônia


"Que tipo de guerra "popular" foi aquela? O pessoal do serviço secreto trouxe-lhe em bandeja de prata a mais recente pesquisa Rasmussen - segundo a qual, só 20% dos norte-americanos apoiam hoje o escandaloso bombardeio por EUA/OTAN, sobretudo porque aqueles panacas bombardearam civis e mais civis, até crianças. Os europeus - os que contam, gente de verdade, não os burocratas panacas de Bruxelas - estão ainda mais incomodados que os norte-americanos".

O filho de Kadhafi que fora "capturado" estava ontem nas ruas de Trípoli


 Preste atenção: todo aquele que defende a intervenção estrangeira na Líbia ou está levando grana ou é um perfeito idiota. Todo aquele que diz que Kadhafi enfrenta rebeldes defensores da democracia e da liberdade ou é um perfeito idiota ou leva grana dos grandes interessados na farra do petróleo líbio, o de melhor qualidade do mundo.

Vamos e venhamos: o que está acontecendo lá é uma tremenda trapaça bélica, uma agressão explícita acobertada muito mais pela mentirada midiática de que por qualquer peça jurídica em nome da democracia.

Não estou exagerando: a mídia que embola os cérebros dos cidadãos está cheia de corruptos. Tem muito "jornalista" mais rico do que certos políticos. E tais fortunas não são colhidas só dos seus salários, por maiores que sejam. Desde priscas eras, o "por fora" sempre existiu nas áreas mais influentes das redações.Também não é pra menos. De que vive um veículo de comunicação? Da venda direta aos consumidores, nem pensar. Foi-se o tempo de jornais como o PASQUIM, que se pagava com só nas bancas. Hoje, incrivelmente, até a tv a cabo é uma grande farsa: cobra os tubos dos assinantes, mas está cheia de anúncios. Coisa estapafúrdia que ninguém quer ver.
 Outro dia mesmo, pelos telegramas pinçados daquele site demolidor, soube-se dos nomes de alguns jornalistas brasileiros que prestam serviços de informações à Embaixada dos EUA. Um deles, aliás, nem jornalista é e se mandou para a Itália para não ter de dar explicações.

Quanto aos perfeitos idiotas, eles são fabricados em séries por faculdades que tratam muito pouco dos mistérios da reportagem em seus currículos, cobram uma grana preta e mandam os garotos sem vocação e sem o mínimo da necessária perspicácia correr atrás. Se forem bonitinhos, podem conseguir uma oportunidade nas televisões e adjacências. Isso alguns: os outros bonitinhos vão tentar a vida em outras praias.

Se Kadhafi fica ou será assassinado, a esta altura não é o que se pode comentar. Porque tudo pode estar acontecendo, inclusive uma manipulação sórdida das informações, técnica usada desde o tempo do bumba.

Quando as potências estrangeiras começaram a despejar foguetes sobre Trípoli, escandalosas agências de notícia garantiram que o líder líbio havia fugido para a Venezuela. E muito bobalhão acreditou.

Pode ser até que agora, depois de 5 meses de bombardeios criminosos despejados por aviões e navios das decadentes potências ocidentais, principalmente França e Inglaterra, as condições de resistência sejam menores.

De fato, não é contra beduínos recrutados a peso de ouro que o governo luta: quem está fazendo estragos letais é a aviação estrangeira. E nisso, esses senhores das armas servem-se de uma fraude canalha e cruel: Em 18 de março, o Conselho de Segurança da ONU determinou tão somente, e não mais, fechar o espaço aéreo para impedir os vôos dos aviões líbios.

À época, escrevi que aquilo era uma grande mentira. Em horas, os norte-americanos estavam cravando foguetes no coração de Trípoli. Nada, portanto, com a fatídica resolução do conselho, manobrado pelos Estados Unidos. Resolução que, por si, já era uma aberração jurídica ao gosto do vale tudo quando se trata de dar cobertura à pirataria imperialista.

Países em que um mandato eletivo sai por uma fortuna, em que quem ganha uma sinecura trata logo de fazer seu pé de meia à custa do erário, se arvoram em símbolos da democracia e ainda se acham no direito de meter o bedelho nos países dos outros, especialmente se esse país dos outros for rico em petróleo e outras riquezas estratégicas.

Não mandam tropas nem bancam "rebeldes" em dezenas de paí ses pobres, sob o chicote de ditaduras ferozes, algumas dedicadas ao extermínio de tribos rivais. Nessas regiões, milhares de pessoas morrem de fome todos os dias, enquanto seus tiranos vivem nababescamente, em estreita ligação com os governos da Europa e dos EUA.

A Líbia de Kadhafi não está sendo massacrada por ter um regime que permite a recondução do seu líder, algo necessário como elemento de unidade do seu mosaico tribal. Antes do coronel nacionalista, a Líbia era dominada por uma monarquia absoluta, que se impunha igualmente ao fatiamento tribal: lá há 4 habitantes por Km2, isto porque a maior parte do seu território é desértico, situação que Kadhafi está enfrentando com os mais grandiosos projetos de irrigação da face da terra.

Todos esses mercenários do computador que trabalham noite dia para fazer a caveira do coronel são incapazes de prever o que acontecerá sem ele. Os variados grupos que estão de olho no poder já brigam entre si desde o primeiro dia dos conflitos. O general que trocou o Ministério do Interior pelo comando dos insurgentes em Benghazi já foi assassinado por eles mesmos. Quem fala hoje pelos rebeldes poderá cair do cavalo amanhã.

Se finalmente Obama, Sarkozi e outros menos conhecidos puderem cantar vitória, com certeza os derrotados não serão o coronel Muammar Abu Minyar al-Kadhafi e os resistentes, mas a própria nação Libia, que ficará em petição de miséria e será dividida por gananciosas empresas estrangeiras do ramo, como aconteceu no Iraque.

Os "buchas de canhão" que foram recrutados por agentes da CIA instalados em Benghazi não terão como usufruir da mudança, porque o controle será exercido totalmente de fora através de títeres domesticados, como acontece no Afeganistão.

Democracia, pretexto para a agressão estrangeira como foi também para a ditadura que derrubou o governo constitucional de João Goulart, será uma palavra mais adequada ao folclore midiático.

Todos os esforços de progresso serão castrados e a Líbia será apenas um conglomerado de poços de petróleo, explorados sem leis e sem limites pelas companhias estrangeiras que precisam assaltar nações alheias para tirar suas metrópoles da pindaíba.
Só que ainda é cedo para os neocolonizadores cantarem vitória. Assim como a notícia da prisão dos filhos de Kadhafi não passou de um rotundo blefe, não me surpreenderá se as coisas não estiverem bem assim, como descrevem os jornalistas mercenários e repetem os perfeitos idiotas.

Se a intervenção estrangeira vingar, ninguém por estas bandas poderá chiar no dia que os imperialistas decidirem pôr na agenda a internacionalização da Amazônia.