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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A cassação do Prefeito de Campinas e a postura do PCdoB: nada como um dia após o outro (Parte 1)

Comentários: Primeiramente tenho que dizer que lugar de corrupto é na cadeia, ou num lugar mais escuro. Quando da votação da cassação do Prefeito de Campinas Dr. Hélio, fui questionado por que o Vereador Benassi do PCdoB fora o único que votou contra (placar: 32 x 1). Na ocasião até o genro do prefeito votou pela cassação e Benassi foi o bendito (ou maldito) fruto. Como dizia Diógenes Arruda: "Ser comunista é uma opção cotidiana" e quando qualquer coisa que envolva o comunismo ou os comunistas acontece no mundo somos questionados. Essa é uma comprovação do internacionalismo que nós comunistas defendemos. Argumentei na ocasião, mesmo sem estar muito a par da situação que havia um bom motivo para o Partido ter votado contra a cassação do prefeito, o principal apresentado por Benassi (que durante todo o processo envidou esforços pela apuração das dennúncias) foi legal e objetivo: o Ministério Público não tinha provas. No texto abaixo do blog SACIMULA (http://sacimula.wordpress.com/) é possível perceber os desdobramentos de todo esse processo e as implicações para o povo de Campinas.


CAMPINAS NO BICO DOS TUCANOS & DOS CORVOS

Se havia suspeita de que a muié do prefeito é chefe de quadrilha, é óbvio que o próprio seria, no mínimo, dançarina de can-can, no cabaré desse faroeste. Mas ainda não tava provado. A Câmara, ao precipitar-se, afastando o doutor, com a corajosa exceção do vereador do PCdoB, antecipa o festival de bizarrices que se espalhará pelo país, no ano das eleições para prefeitos. Estou torcendo pro mundo acabar em 2012. Contudo, pelo que dizem, acabaria em 21 de dezembro, o que significa que não nos livraremos das eleições. Na cidade que amo, ficou clara a falta de identidade das siglas partidárias, a fragilidade ideológica, a ausência de consistência de programas político partidários, o que sinaliza: falta de princípios. Nos poucos partidos dos quais esse conteúdo obrigatório poderia ser esperado, nota-se que ele é suplantado velozmente, seja diante de uma mala preta, por medo do que sairá no jornaleco da cidade, por rabicó preso com interesses inconfessáveis ou por simples personalismo. Vejamos o PT: a companheirada se precipitou (literalmente: lançou-se ao precipício) e pode ter se metido numa lamentável cilada. Se o doutô ainda não tava incriminado pela Comissão Processante, seria o partido mais interessado em ganhar tempo, afinal, afastado Hélio, voltam-se as atenções para o vice-prefeito, que é do PT. Replay: é do PT. O Vilagra (não vai ter o que o erga) já assume a vaga condenado. A população campineira já teve prefeitos petistas: Jacó, Toninho, Izalene e agora tinha o vice. Jacó saiu do partido, Toninho foi assassinado e a sucessora não foi capaz sequer de liderar um efetivo processo de apuração desse crime político. Já Vilagra, na condição de vice-prefeito, deixou-se flagrar, logo de cara, no esquema de corrupção que fisgou o, agora traído aliado, Dr. Hélio. Com que cara o partido – que agora trai o governante que apoiara, e está envolvido até o pescoço no mesmo processo que gerou escândalos de desvio de dinheiro da Sanasa -, vai pedir voto a esse surpreso, desconfiado ou atordoado eleitor?
 

É DE REVIRAR LEONEL: PDT DAQUI É LEGENDA DE ALUGUEL

O PDT, por incrível que pareça, não terá maiores problemas, em que pese ser o partido do marido que não sabia onde estava a muié, nem no dia dos namorados. Hélio não poderia se candidatar a um terceiro mandato e há tempos preparava sua aterrissagem em alguma sigla nova ou naquela morta-viva, recém abastecida de cargos no governo federal. Essa é de fazer revirar Leonel, mas PDT em Campinas sempre foi legenda de aluguel. Grande parte dos políticos pulou ali, vindo dos piores pardieiros partidários, pouco antes ou imediatamente depois do prefeito ser eleito para seu primeiro mandato. Dito diretamente, o PFL foi a origem de muitos deles. E pensar que o pê-fê-lê foi um dos nichos direitosos mais combatidos pelo inconfundível Brizola! Ao menos em Campinas, quem votou nessa gente, que simplesmente abandona um herói ferido na estrada – talvez para o bem do prefeito companheiro de sigla, abreviando-lhe o vexame do previsível desfecho – vai continuar votando nela. Para quem não escolhe candidato baseado em conteúdo programático da sigla, por ideologia, tanto faz, fica do mesmo tamanho. A quem, afinal, a antecipação do fuzuê fez bem? Pro tucanato, certamente, que mira Hélio, atinge o PT de Dilma e fará de tudo pra mandar na cidade das Andorinhas. Pro PMDB, então, não poderia estar melhor. “Genro não é defeito” (relembrando Brizola, que teria dito “cunhado não é parente”) e o moçoilo da filha de Hélio, vereador do PMDB que o diga! Votou sem pestanejar pela cassação do sogrão! Para o partido de Sarney (já tô quase chamando de presidente, botando o retrato do bigode outra vez, na parede, no mesmo lugar) ficou mamão com mel. Tem verba, influência e cargos pra funcionar como gigantesco caça-prefeitos, “mérito” que tem feito muito mais magia do que Herculano Quintanilha, aqui pela região. Num só dia, dois prefeitos peemedebezaram por estas bandas. Relembremos: o PMDB paulista apoiou Serra. Replay: apoiou Serra.
Ainda não sei o que é pior para a cidade, estar no bico dos tucanos ou no bico do corvo, que dá rasantes quando sente o cheiro da carniça (e partido de massa, quando perde a massa, vira o quê, PT?). Por fim, sobra a sabedoria dos mais experientes. A cassação antecipada teve placar 32 a 1. O PCdoB, embora integrando a coligação eleita sucessivamente para governar Campinas, colaborou para que houvesse investigações, quando suspeitas surgiram e, principalmente, não foi alvo delas, em momento algum. Assim, não decepcionou os que louvam a ética: não se envolveu em desmandos ou corrupção. Tampouco acompanhou partidos da base do ora esfacelado governo municipal quando se tratou de participar de pré-condenações ou linchamentos políticos. Assim, nas eleições municipais, espera-se que, na falta de sigla a sua altura, ao comemorar seus 90 anos, com inegável histórico de coragem no enfrentamento de práticas políticas anti-populares, lance candidatura própria, apostando na força dos movimentos sociais, na luta da militância. E que vença a dignidade.

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