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domingo, 21 de agosto de 2011

American Way of life em cheque 2

Comentário: O american way of life é o que a mídia de nosso país dita diuturnamente, como o estilo de vida que devemos ter. Esse bombardeio está nas novelas, nos programas (destaco aqui o enlatado apresentado por Huck na TV Globo que mais parece uma sucursal da embaixada yankee). É necessário que nos mobilizemos no sentido de reafirmar a nossa cultura e fortalecer os laços com os povos que como nós lutam e/ou devem lutar contra a hegemonia dos EUA. Creio que o trabalho maior é EDUCAR. É termos a paciência para discutir e debater com as novas gerações, e essa especificamente que aí está - essa galera dos 15 aos 25 anos, que o caminho para um mundo melhor passa pela solidariedade, pelo respeito e pela construção coletiva das soluções.

 

Do Portal Vermelho


O que de fato se passa nos felizes lares norte-americanos?


Ou a pergunta deveria ser: onde fica a linha de produção “em série” dos adolescentes serial killers que aterrorizam a população norte-americana nas escolas e nos mais inesperados locais públicos?
Por Christiane Marcondes*


A cena é recorrente na centenária produção holywoodiana: uma família “muito feliz”, o pai com um boné de algum time de beisebol na cabeça, um sanduíche em uma das mãos, uma criança na outra. A mãe loura comprando algo em uma colorida barraquinha, o filho espiando o espaço ensolarado enquanto engole um sorvete. Ruas e jardins rigorosamente bem-cuidados, um som de fundo que evoca ternas emoções.

Muito além do cinema, dezenas de estudantes com potencial de serial killers ou nerds de olhar amalucado com inventos geniais e uma vida famélica de ideologia tomam de assalto as manchetes de jornal ou os bastidores da vida privada norte-americana.

Eva Khatchadourian é mãe de um desses garotos, que matou, aos 17 anos, colegas de turma e a professora mais querida da escola. Eva, filha de armênios e dona de uma editora de guias de viagem, andou pelo mundo todo visitando albergues para compor seus rankings, sempre se considerando meio “estrangeira” no mundo até reconhecer, nas páginas do livro Precisamos conversar sobre o Kevin, que é tipicamente americana.

“Se me apropriei do mundo inteiro como se fosse meu quintal particular foi por essa arrogância que me marcou como irremediavelmente norte-americana, isso e a idéia fantasiosa de que conseguiria me transformar num híbrido tropical internacionalista, eu e minhas horrendas origens em Racine. Até mesmo o descuido com que abandonei minha terra natal foi típico de muita gente metida, irrequieta, agressiva, que presume (todos menos você), com a maior condescendência, que os Estados Unidos continuarão onde estão, fixos e permanentes. Os europeus têm uma idéia melhor das coisas. Eles conhecem o caráter vivo, contemporâneo, da História, sua brutalidade instantânea, e em geral voltam correndo para cuidar de seus frágeis jardins e assegurar que a Dinamarca, digamos, continue onde está. Mas, para aqueles de nós para quem ´invasão´ é um termo associado, exclusivamente, ao espaço sideral, o país é um rochedo inatacável que há de esperar indefinidamente e intacto o nosso regresso”.

O premiado livro, de onde saíram Eva e as palavras acima, foi rejeitado por agentes literários e mais de 30 editoras antes de finalmente ser aceito para publicação. Lionel Shriver, a autora dessa ficção baseada em realidade, se coloca no papel da mãe de um adolescente assassino e escreve cartas ao pai ausente.

A narrativa é eletrizante – ou indigesta, conforme o gosto do leitor -- e cresce em intensidade quando Eva, a personagem, vai finalizando a retrospectiva e chegando ao momento em que seu filho Kevin toma a decisão do assassinato.

Ao discutir a culpa na criação de um monstro, Shriver coloca na mesa da sala de jantar tabus execráveis por qualquer norte-americano comum, como falsos valores familiares e de cidadania, desnudando democracia e liberdade, a falsa autenticidade da felicidade made in USA.

Nesse momento em que o império norte-americano está abalado nas raízes e o capitalismo se não agoniza ainda pelo menos torna-se mais insustentavelmente selvagem, penetrar a intimidade dessa pequena família, mãe, pai e filho, é compreender que não só o que está à vista evidencia a crise, mas principalmente o que ocorre entre quatro paredes, na célula-mãe da nação norte-americana.

O jornal The Guardian, no qual Lionel é articulista, dá a melhor definição do livro, elogiadíssimo pela crítica: “Surpreendente..um livro sobre a perigosa distância que existe entre o que sentimos e o que estamos de fato preparados para admitir em relação à vida em família (...) A sátira de Shriver sobre famílias centradas em crianças e capitaneadas por adultos bufões cuja vida intelectual, para não citar a vida erótica, está em pedaços, não poderia ser mais oportuna”.

Serviço:
Precisamos falar sobre o Kevin
Lionel Shriver, Editora Intrínseca, 2007

*Christiane Marcondes é da redação do Portal Vermelho

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