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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Brasil discute medidas para enfrentar o aquecimento global em Painel



Comentário: O Brasil se mobiliza para enfrentar o aquecimento global, isto mostra a preocupação de nosso povo com o futuro de nosso planeta. E os United States of America????? Essa pergunta nunca cala...

Reunião da Força Tarefa do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas

Com o tema "mudanças no uso da terra" encontro acontece amanhã (31), no Inpe.

No Brasil, as principais fontes de emissões de gases de efeito estufa resultam da derrubada de florestas para conversão da terra em pastagens ou áreas agrícolas, por exemplo. O tema "mudanças do uso da terra" será discutido nesta quarta-feira (31) no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), por especialistas da Força Tarefa em Metodologias de Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC).

O objetivo da reunião é iniciar as discussões para a preparação de um relatório sobre metodologias alternativas e fatores de emissão para todos os setores que contribuem para as emissões ou remoções de gases de efeito estufa da atmosfera no Brasil. Incluirá, por exemplo, a densidade de biomassa nos diferentes ecossistemas florestais e, também, mudanças de estoque de carbono no solo. O documento também apresentará cenários de emissões; estimativas baseadas em modelagem, além da dinâmica de ocupação da terra e suas implicações no cálculo de emissões de gases de efeito estufa.

"O tema mudança de uso da terra é o primeiro a ser tratado pela Força Tarefa. À medida que os trabalhos deste grupo forem avançando, expandiremos as discussões para incluir os outros setores, particularmente energia, processos industriais, agricultura e tratamento de resíduos", explica Thelma Krug, uma das coordenadoras da Força Tarefa.

O Painel - Inspirado no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, o IPCC, o Painel Brasileiro produzirá relatórios com a atualização completa das bases técnicas e científicas sobre a situação do Brasil frente às mudanças climáticas, seus riscos, efeitos e impactos sobre o desenvolvimento do País.

Além da Força Tarefa, o Painel possui três Grupos de Trabalho (GTs). Em 2012, será lançado o Primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1), que tratará dos aspectos científicos sobre mudança do clima (GT 1); adaptação, incluindo impactos e vulnerabilidades (GT 2); e mitigação (GT 3).

À Força Tarefa cabe a revisão periódica da literatura científica, visando o aperfeiçoamento da aplicação das diretrizes do IPCC para a elaboração dos inventários nacionais de emissões antrópicas por fontes e remoções por sumidouros de gases de efeito estufa não controlados pelo Protocolo de Montreal, no que tange a determinação e seleção de metodologias alternativas e fatores de emissão relacionados às circunstâncias nacionais.
(Ascom do Inpe)

Paul Krugman acerca do Partido Republicano dos EUA: Anticiência e Anticonhecimento


Ótima Charge de Bennet


Comentário: Artigo de Paul Krugman no The New York Times alerta sobre a visão dos republicanos estadunidenses acerca da ciência.

O partido anticiência

Artigo de Paul Krugman publicado no O Globo de hoje (30).

John Huntsman Jr., ex-governador de Utah e embaixador na China, não é um forte pré-candidato à indicação do Partido Republicano para concorrer à Presidência.  E isto é muito ruim porque o desejo de Huntsman é dizer o indizível sobre o partido - especialmente que ele está se tornando o "partido anticiência".  Isto é algo enormemente importante.  E deveria nos aterrorizar.

Para entender o que Huntsman defende, considere declarações recentes dos dois mais fortes pretendentes à indicação republicana: Rick Perry e Mitt Romney.

Perry, governador do Texas, fez manchetes recentemente ao fazer pouco da evolução humana como uma "simples teoria", que tem "algumas lacunas" - uma observação que soaria como novidade para a vasta maioria dos biólogos.  Mas o que mais chamou a atenção foi o que ele disse sobre mudança climática: "Penso que há um número substancial de cientistas que manipulou dados para obter dólares para seus projetos.  E penso que estamos vendo, quase toda semana, ou todo dia, cientistas questionando a ideia original de que o aquecimento global provocado pelo homem é a causa da mudança climática." É uma declaração extraordinária - ou talvez o adjetivo correto seja "vil".

A segunda parte da declaração de Perry é falsa: o consenso científico sobre a interferência humana no aquecimento global - que inclui 97% a 98% dos pesquisadores de campo, segundo a Academia Nacional de Ciências - está se tornando mais forte à medida que aumentam as evidências sobre a mudança do clima.

De fato, se você acompanha a ciência climática sabe que o principal aspecto nos últimos anos tem sido a preocupação crescente de que as projeções sobre o futuro do clima estejam subestimando o provável aumento da temperatura.  Advertências de que poderemos enfrentar mudanças cimáticas capazes de ameaçar a civilização no fim do século, antes consideradas estranhas, partem agora dos principais grupos de pesquisa.

Mas não se preocupe, sugere Perry; os cientistas estão apenas atrás de dinheiro, "manipulando dados" para criar uma falsa ameaça.  Em seu livro "Fed Up", ele despreza a ciência do clima como "uma bagunça falsa e artificial que está se desmanchando".

Eu poderia dizer que Perry está tirando isso de uma teoria conspiratória verdadeiramente louca, que afirma que milhares de cientistas de todo o mundo estão levando dinheiro, sem que nenhum deseje quebrar o código de silêncio.  Poderia apontar que múltiplas investigações em acusações de falsidade intelectual da parte dos cientistas climáticos acabaram com a absolvição dos pesquisadores de todas as acusações.  Mas não se preocupe: Perry e os que pensam como ele sabem em que desejam acreditar e sua resposta a qualquer um que os contradiga é iniciar uma caça às bruxas.

Então de que modo Romney, o outro forte concorrente à indicação republicana, respondeu ao desafio de Perry?  Correndo dele.  No passado, Romney, ex-governador de Massachusetts, endossou fortemente a noção de que a mudança climática provocada pelo homem é uma real preocupação.  Mas, na semana passada, ele suavizou isso e disse pensar que o mundo está realmente esquentando, mas "eu não conheço isto" e "não sei se isso é causado principalmente pelo homem".  Que coragem moral!

É claro, sabemos o que está motivando a súbita falta de convicção de Romney.  Segundo o Public Policy Polling, somente 21% dos eleitores republicanos de Iowa acreditam no Aquecimento Global (e somente 35% creem na evolução).  Dentro do Partido Republicano, ignorância deliberada tornou-se um teste decisivo para os candidatos, no qual Romney está determinado a passar a qualquer custo.

Então, é agora altamente provável que o candidato presidencial de um de nossos dois grandes partidos políticos será ou um homem que acredita no que quer acreditar, ou um homem que finge acreditar em qualquer coisa que ele ache que a base do partido quer que ele acredite.

E o caráter crescentemente anti-intelectual da direita, tanto dentro do Partido Republicano como fora dele, se estende além da questão da mudança climática.

Ultimamente, por exemplo, a seção editorial do "Wall Street Journal" passou da antiga preferência pelas ideias econômicas de "charlatães e maníacos" -- pela definição famosa de um dos principais conselheiros econômicos do ex-presidente George W. Bush - para um descrédito geral do pensamento árduo sobre questões econômicas.  Não prestem atenção a "teorias fantasiosas" que conflitam com o "senso comum", diz-nos o "Journal".  Por que deveria alguém imaginar que se precisa mais do que estômago para analisar coisas como crises financeiras e recessões?

Agora, não se sabe quem ganhará a eleição presidencial do próximo ano.  Mas há chances de que, mais dia menos dia, a maior nação do mundo será dirigida por um partido que é agressivamente anticiência, mesmo anticonhecimento.  E, numa era de grandes desafios - ambiental, econômico e outros - é uma terrível perspectiva.

Paul Krugman é colunista do "New York Times".

Royalties o debate volta a tona


Charge de Cicero


Comentário: Abaixo reportagem do Jornal Valor Econômico sobre as propostas apresentadas pelos governadores do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Esse debate diz respeito a todos nós e se reveste de importância estratégica e para nossa soberania.

Rio e ES propõem alternativa para royalties

Governadores apresentam proposta para divisão de recursos do petróleo ao Congresso amanhã (31).
Os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), pretendem apresentar amanhã ao Congresso uma proposta para a divisão de recursos do petróleo, que prevê a cobrança da participação especial dos poços que ainda não pagam a taxa, por não terem produtividade suficiente para isso. Atualmente, está valendo o veto que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva impôs à chamada Emenda Ibsen, que divide igualmente os recursos do petróleo entre estados produtores e não produtores.
De 80 campos explorados, apenas 14 pagam a taxa de Participação Especial (PE). O governador capixaba afirmou que isso não representaria uma quebra de contrato. "A participação especial é por decreto, não tem nenhuma modificação no contrato, e sim na regulamentação feita por decreto", afirmou.
Ontem, Casagrande recebeu no palácio do governo o governador Sérgio Cabral, para a elaboração de propostas a serem levadas ao Congresso. Cabral afirmou haver "um cardápio de opções", e algumas propostas passam "por um novo alinhamento da participação especial".
"Por exemplo, dos 80 campos no mar, você tem 14 com pagamento de PE, porque a construção do critério foi feita numa época em que o barril custava US$ 18. Hoje está a US$ 100. Como é feito com imposto de renda, é possível atualizar isso. O mundo inteiro está fazendo isso", afirmou o governador.
Ou ainda o governo federal poderia abrir mão de sua parte. "Há também a participação do pós-sal da União, já que a PE do pré-sal da União já está posta em um fundo social. Por que não colocar a participação especial do pós-sal para os estados e municípios? Isso dá um volume significativo de recursos", disse Cabral.
Os dois governadores apostam no apoio do governo federal para não perderem grande parte da receita que recebem de participação especial. A primeira atitude esperada é o adiamento da apreciação do veto presidencial, marcada para o dia 15 no Congresso.
De acordo com Casagrande, a ideia é construir uma nova proposta em conjunto com o governo federal e os estados produtores. Rio e Espírito Santo teriam também o apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apesar de ele não ter sido convidado para evento de ontem em Vitória.
O governador capixaba disse que ele e Cabral ainda não foram convidados pelo governo federal para a apresentação de novas propostas.
A proposta para quando os campos do pré-sal estiverem produzindo, que os estados produtores defendem, é a do presidente Lula, do projeto de lei 8051, e a preservação dos contratos já feitos. O PL 8051 propõe uma nova divisão dos royalties a partir dos futuros contratos de exploração a serem firmados pela União sob regime de partilha e não mais de concessão. A proposta aumenta o volume de recursos destinados a estados e municípios onde não há exploração petrolífera, mas mantém a maior parcela para estados onde há exploração.
O governador acredita que será difícil manter o veto e, se ele for derrubado, os estados irão ao Supremo. Ele acredita que a "judicialização" da questão poderia ser negativa para todos os interlocutores.
(Valor Econômico)

sábado, 27 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Imagem Insólita 6



Pôr-do-Sol visto do Campus Itaperuna do Instituto Federal Fluminense
Fotos: Lucas Souza

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

“Mulheres de Chávez”: baixaria dá cadeia

Comentário: Se isso acontece por aqui...

 

Por Altamiro Borges

A diretora do semanário “Sexto Poder”, Dinorá Girón, foi presa nesta semana por decisão da Justiça da Venezuela. Ela foi acusada de “instigar o ódio e o preconceito” com uma reportagem sobre as “mulheres de Chávez”. O periódico de direita é conhecido por sua linha provocadora, de ataques e baixarias contra o governo venezuelano.

Na sua edição mais recente, uma fotomontagem abusa do machismo. Os rostos da presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), Luisa Estela Morales, da defensora do povo (ouvidora), Gabriela Ramírez, da procuradora-geral da República, Luísa Ortega Díaz, aparecem colados em corpos de dançarinas de um cabaré chamado “Revolução”.

“As poderosas da revolução”

O texto, intitulado “As poderosas da revolução", desqualifica as mulheres que hoje ocupam altos postos no comando da Venezuela. Ele também ataca a controladora-geral da República, Adelina González, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, e a vice-presidente da Assembléia Nacional, Blanca Eekhout.

"Ao som da melodia de um piano, as seis mulheres divertem o público com esperados bailes de pernas ao ar, que vem e vão, e saias ondeantes que se movem ao ritmo das canções tocadas pela banda PSUV [Partido Socialista Unido da Venezuela]”, afirma a matéria, que também tenta ridicularizar o “chefe do cabaré, Mister Chávez”.

Resposta imediata às baixarias

A Venezuela, porém, não é o Brasil. Aqui não se garante sequer o direito de resposta ao caluniado, jornais publicam impunemente fichas policiais falsas contra a candidata à presidência e TVs transformam bolinhas de papel em mísseis contra o candidato da oposição. No país vizinho, a mídia não está acima da Constituição e do Estado de Direito.

Diante da provocação do seminário, a reação foi imediata. "Não vamos permitir que nós nem nossas famílias sejamos vilipendiadas ou ofendidas de nenhuma maneira", reagiu Estela Morales, presidenta do TSJ. A Assembléia Nacional também condenou o seminário. E a Justiça determinou a detenção da diretora e proibiu a distribuição desta edição.

Investimento em educação pode chegar a 9% do PIB brasileiro




Relator do Plano Nacional de Educação pode abrigar gasto acima de 7% do PIB

O texto substitutivo do projeto de lei 8.035/2010, que trata do Plano Nacional de Educação (PNE), será apresentado para apreciação na primeira quinzena de setembro com mudanças que preveem significativo aumento de gasto público.
A matéria entra na agenda parlamentar num momento de tensão entre Congresso e Executivo, que ainda não se entenderam sobre os encaminhamentos da reativação da Desvinculação de Recursos da União (DRU), da PEC-300 e da Emenda 29, votações com impacto no orçamento federal.

O texto original do PNE, enviado pelo Ministério da Educação (MEC) ao Congresso em dezembro do ano passado, estabelece 19 metas quantitativas e qualitativas em dez anos para o ensino público brasileiro, da educação infantil à pós-graduação. A vigésima meta refere-se ao financiamento dos objetivos. Para o governo, uma ampliação dos gastos educacionais dos atuais 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 7% é suficiente.

Mas o Valor apurou que o projeto do governo poderá sofrer alterações, principalmente para garantir mais matrículas nas redes públicas de ensino profissionalizante e superior, o que demandará novos investimentos de R$ 50 bilhões até 2020, de acordo com cálculo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. "O resto das metas estão bem definidas, a tendência é fixar expansão do investimento público direto em educação para 9% do PIB, ancorado em recursos orçamentários da União", disse, reservadamente, uma fonte que acompanha a tramitação do PNE.

O relator do PNE, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), disse que o número é factível dentro de um debate amplo, com diferentes diagnósticos financeiros para o cumprimento das diretrizes previstas no plano. Outra fonte, próxima ao parlamentar, revelou que nos bastidores o ministro da Educação, Fernando Haddad, teria dito ao relator que seu substitutivo "poderia superar os 7% do PIB, porque a União tem gordura para queimar na educação até 8%, 8,5% do PIB. Mas a diferença para 9% ou 10% do PIB seria uma responsabilidade para Estados e municípios."

Assim como o MEC, o deputado nega o diálogo. "Por uma simples questão de metodologia não posso falar em valores agora, ainda mais num quadro de mais de três mil emendas para serem analisadas. O governo tem uma visão para a ampliação de matrículas em creche, um deputado ou uma entidade acham outra coisa. Os custos são diferentes e estamos considerando essas dimensões", ilustrou Vanhoni. Segundo ele, Haddad espera que o Congresso aperfeiçoe o projeto de lei do Executivo. "Nesse caso, a contribuição do Congresso tem sido relevante. Veja os exemplos do Fundeb, fim da DRU, ProUni e Financiamento Estudantil. Nossa contribuição alargou os projetos do Executivo", acrescentou Vanhoni, que encontra convergência parlamentar, na base e na oposição, para discutir expansão do financiamento no PNE.

O deputado do PNE estuda três diferentes diagnósticos para fechar seu relatório: do MEC, que prevê ampliação de gastos público em R$ 61 bilhões até 2022; da Associação Brasileira de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), que calcula investimentos de R$ 100 bilhões; e da Campanha, cujo orçamento do plano chega a R$ 169 bilhões, o que elevaria os gastos público do Brasil em educação a pouco mais de 10% do PIB em 2020.
(Valor Econômico)

A cassação do Prefeito de Campinas e a postura do PCdoB: nada como um dia após o outro (Parte 2)


 

 

Prefeito de Campinas (SP) é afastado um dia depois da posse



Na sessão da noite de quarta-feira (24), a Câmara Municipal de Campinas votou e aprovou, por 29 votos favoráveis e 4 contrários, o pedido de abertura de Comissão Processante protocolado na Casa pelo vereador Valdir Terrazan (PSDB) para investigar o atual prefeito da cidade, Demétrio Vilagra (PT).Também por 29 votos favoráveis e 4 contrários, os vereadores decidiram pelo afastamento do prefeito por um período de 90 dias, contados a partir da publicação do decreto.


Villagra tinha assumiu o cargo na véspera, após a cassação do então prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). O substituto legal do prefeito será o presidente da Câmara Municipal, Pedro Serafim (PDT).

A comissão terá o prazo de até 90 dias para investigar o atual prefeito, suspeito de participação no mesmo esquema de fraudes na Prefeitura de Campinas e que provocou a cassação do prefeito anterior: corrupção em contratos da Sanasa, fraudes em licitações da Ceasa, favorecimento e nomeações de apadrinhados políticos.

Ao terminar a investigação, os vereadores integrantes da comissão poderão pedir que seja votado o impeachment de Vilagra. A comissão processante será formada pelos vereadores Rafa Zimbaldi (PP), presidente, e Zé do Gelo (PV), relator – que já integraram a comissão processante que levou à cassação de Santos – e Sebá Torres (PSB).

Vilagra é investigado pelo Ministério Público e chegou a ser preso, em maio, quando era vice-prefeito, em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Com informações de Márcia Quintanilha, de Campinas


A cassação do Prefeito de Campinas e a postura do PCdoB: nada como um dia após o outro (Parte 1)

Comentários: Primeiramente tenho que dizer que lugar de corrupto é na cadeia, ou num lugar mais escuro. Quando da votação da cassação do Prefeito de Campinas Dr. Hélio, fui questionado por que o Vereador Benassi do PCdoB fora o único que votou contra (placar: 32 x 1). Na ocasião até o genro do prefeito votou pela cassação e Benassi foi o bendito (ou maldito) fruto. Como dizia Diógenes Arruda: "Ser comunista é uma opção cotidiana" e quando qualquer coisa que envolva o comunismo ou os comunistas acontece no mundo somos questionados. Essa é uma comprovação do internacionalismo que nós comunistas defendemos. Argumentei na ocasião, mesmo sem estar muito a par da situação que havia um bom motivo para o Partido ter votado contra a cassação do prefeito, o principal apresentado por Benassi (que durante todo o processo envidou esforços pela apuração das dennúncias) foi legal e objetivo: o Ministério Público não tinha provas. No texto abaixo do blog SACIMULA (http://sacimula.wordpress.com/) é possível perceber os desdobramentos de todo esse processo e as implicações para o povo de Campinas.


CAMPINAS NO BICO DOS TUCANOS & DOS CORVOS

Se havia suspeita de que a muié do prefeito é chefe de quadrilha, é óbvio que o próprio seria, no mínimo, dançarina de can-can, no cabaré desse faroeste. Mas ainda não tava provado. A Câmara, ao precipitar-se, afastando o doutor, com a corajosa exceção do vereador do PCdoB, antecipa o festival de bizarrices que se espalhará pelo país, no ano das eleições para prefeitos. Estou torcendo pro mundo acabar em 2012. Contudo, pelo que dizem, acabaria em 21 de dezembro, o que significa que não nos livraremos das eleições. Na cidade que amo, ficou clara a falta de identidade das siglas partidárias, a fragilidade ideológica, a ausência de consistência de programas político partidários, o que sinaliza: falta de princípios. Nos poucos partidos dos quais esse conteúdo obrigatório poderia ser esperado, nota-se que ele é suplantado velozmente, seja diante de uma mala preta, por medo do que sairá no jornaleco da cidade, por rabicó preso com interesses inconfessáveis ou por simples personalismo. Vejamos o PT: a companheirada se precipitou (literalmente: lançou-se ao precipício) e pode ter se metido numa lamentável cilada. Se o doutô ainda não tava incriminado pela Comissão Processante, seria o partido mais interessado em ganhar tempo, afinal, afastado Hélio, voltam-se as atenções para o vice-prefeito, que é do PT. Replay: é do PT. O Vilagra (não vai ter o que o erga) já assume a vaga condenado. A população campineira já teve prefeitos petistas: Jacó, Toninho, Izalene e agora tinha o vice. Jacó saiu do partido, Toninho foi assassinado e a sucessora não foi capaz sequer de liderar um efetivo processo de apuração desse crime político. Já Vilagra, na condição de vice-prefeito, deixou-se flagrar, logo de cara, no esquema de corrupção que fisgou o, agora traído aliado, Dr. Hélio. Com que cara o partido – que agora trai o governante que apoiara, e está envolvido até o pescoço no mesmo processo que gerou escândalos de desvio de dinheiro da Sanasa -, vai pedir voto a esse surpreso, desconfiado ou atordoado eleitor?
 

É DE REVIRAR LEONEL: PDT DAQUI É LEGENDA DE ALUGUEL

O PDT, por incrível que pareça, não terá maiores problemas, em que pese ser o partido do marido que não sabia onde estava a muié, nem no dia dos namorados. Hélio não poderia se candidatar a um terceiro mandato e há tempos preparava sua aterrissagem em alguma sigla nova ou naquela morta-viva, recém abastecida de cargos no governo federal. Essa é de fazer revirar Leonel, mas PDT em Campinas sempre foi legenda de aluguel. Grande parte dos políticos pulou ali, vindo dos piores pardieiros partidários, pouco antes ou imediatamente depois do prefeito ser eleito para seu primeiro mandato. Dito diretamente, o PFL foi a origem de muitos deles. E pensar que o pê-fê-lê foi um dos nichos direitosos mais combatidos pelo inconfundível Brizola! Ao menos em Campinas, quem votou nessa gente, que simplesmente abandona um herói ferido na estrada – talvez para o bem do prefeito companheiro de sigla, abreviando-lhe o vexame do previsível desfecho – vai continuar votando nela. Para quem não escolhe candidato baseado em conteúdo programático da sigla, por ideologia, tanto faz, fica do mesmo tamanho. A quem, afinal, a antecipação do fuzuê fez bem? Pro tucanato, certamente, que mira Hélio, atinge o PT de Dilma e fará de tudo pra mandar na cidade das Andorinhas. Pro PMDB, então, não poderia estar melhor. “Genro não é defeito” (relembrando Brizola, que teria dito “cunhado não é parente”) e o moçoilo da filha de Hélio, vereador do PMDB que o diga! Votou sem pestanejar pela cassação do sogrão! Para o partido de Sarney (já tô quase chamando de presidente, botando o retrato do bigode outra vez, na parede, no mesmo lugar) ficou mamão com mel. Tem verba, influência e cargos pra funcionar como gigantesco caça-prefeitos, “mérito” que tem feito muito mais magia do que Herculano Quintanilha, aqui pela região. Num só dia, dois prefeitos peemedebezaram por estas bandas. Relembremos: o PMDB paulista apoiou Serra. Replay: apoiou Serra.
Ainda não sei o que é pior para a cidade, estar no bico dos tucanos ou no bico do corvo, que dá rasantes quando sente o cheiro da carniça (e partido de massa, quando perde a massa, vira o quê, PT?). Por fim, sobra a sabedoria dos mais experientes. A cassação antecipada teve placar 32 a 1. O PCdoB, embora integrando a coligação eleita sucessivamente para governar Campinas, colaborou para que houvesse investigações, quando suspeitas surgiram e, principalmente, não foi alvo delas, em momento algum. Assim, não decepcionou os que louvam a ética: não se envolveu em desmandos ou corrupção. Tampouco acompanhou partidos da base do ora esfacelado governo municipal quando se tratou de participar de pré-condenações ou linchamentos políticos. Assim, nas eleições municipais, espera-se que, na falta de sigla a sua altura, ao comemorar seus 90 anos, com inegável histórico de coragem no enfrentamento de práticas políticas anti-populares, lance candidatura própria, apostando na força dos movimentos sociais, na luta da militância. E que vença a dignidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Libia é o novo Iraque

 Charge do genial Latuff

Comentário: A Líbia está caminhando para se tornar um novo Iraque. Espero para o bem do povo líbio que este seja soberano na condução de seus rumos após a iminente queda de Gadhafi. As imagens que a mídia pró-ianque nos mostram as ruas cheias de mercenários a serviço do imperialismo. Informações dão conta que os EUA pagarão US$ 1,5 bi para as tropas "democráticas". Antevendo os jornais de amanhã asssitiremos ao enforcamento, fuzilamento de Gadhafi num espetáculo transmitido para todo o globo como o fajuto julgamento de Sadam Hussein.

Líbia: a intervenção dita "humanitária" da Otan



Enviar pirómanos para extinguir um incêndio, queimar a floresta para salvar as árvores, bombardear a população para poupar civis, lançar campanhas de terror em nome do combate contra o terrorismo, promover a democracia apoiando ditadores, monarquias, terroristas e outros gangsters de toda espécie... a lógica dos dirigentes ocidentais é impossível de conter.

Por Viktor Dedaj, em Resistir.info


Durante este tempo, a organização da mídia bombardeia as consciências até obter a sua rendição. E é assim que você acorda um dia com o sentimento de que sempre foi favorável às privatizações. Com a crença de que os Talibãs sempre foram nossos inimigos. Que esta Europa é a única que vale a pena. Que você compreende muito bem que não se poderá pagar vossa aposentadoria. E que a Otan é uma espécie de serviço internacional de ambulâncias.

Hoje, 21 de agosto, a última notícia: "os rebeldes entraram em Tripoli". Depois de semanas de "os rebeldes líbios avançam", "os rebeldes controlam a cidade de...", os "rebeldes anunciam...". É cômico como o ator principal destes acontecimentos, a Otan, consegue tornar-se discreta nos noticiários.

Para ver a dificuldade que estes rebeldes tiveram para avançar num país plano, pouco povoado, onde os seus mestres tinham e têm o domínio total do céu – condições ideais para uma tal campanha – e onde (vantagem suprema) o povo seria "apoiador da sua causa", é evidente e claro que os "rebeldes líbios" jamais representaram grande coisa, chegando até a matarem-se entre si e a eliminar o seu próprio comandante em chefe (e isto nas condições "ideais").

Dito isso, a menos que haja um golpe de teatro, eles "ganharão", cedo ou tarde, isto é certo. E como poderia ser de outra maneira? Quando o bastão redondo da propaganda não entra no buraco quadrado da realidade, a Otan encarrega-se de arredondar os ângulos.

Apostamos que não faltarão nessa altura algumas sombras embrutecidas para chafurdarem nas nossas telas a gritarem "ganhamos"! E dizer que há alguns meses eles mal sabiam pronunciar o nome do país. Mas a verdade é que a história já provou que eles haviam errado, que eles erram, e a questão do "combate" não mudará isso.

Trípoli resistirá? Quanto tempo? Horas, dias? E subitamente as apostas são abertas e eis-nos projetados na lotaria local. Eles falarão sem dúvida de "partidários de Kadafi" (um certo número) e nunca "dos líbios opostos à intervenção imperialista" (provavelmente mais numerosos). Eles nos mostrarão algumas imagens de multidões em regozijo. Utilizarão eles imagem tomadas outrora em Bagdá? Encontrarão eles finalmente os 6000 líbios assassinados "pelo regime" ou mudarão de assunto, como no caso das armas de destruição maciça?

Portanto, "se irá ganhar". A questão que me intriga é saber quem é o "se" e o que é que terá sido "ganho". É louco como se esquiva sistematicamente esta questão interessante. Eu sei que este "se" não sou eu, nem tão pouco você (qualquer que seja a vossa opinião sobre esta operação da Otan). Sei também que não é a imensa maioria da população líbia que certamente tinha uma outra ideia da Primavera árabe.

Esta manhaã (21 de Agosto), a imprensa nos explica que uma brigada rebelde de elite está impaciente às portas de Trípoli. Ela nos explica sem pestanejar que alguns dos 600 homens têm a "dupla nacionalidade americana e líbia"... que o seu chefe fala "com uma forte pronúncia irlandesa", um "atirador de elite" que "passou a maior parte da sua vida em Dublin", que está "em contato permanente com as forças da Otan".

E eu me digo: "aí está, nenhum líbio para dirigir a brigada de elite da rebelião?". E também: "se não se trata de mercenários, eles parecem furiosamente". Mas a ideia não perambula no meu espírito pois o lugar já estava ocupado por esta outra ideia recentemente martelada pelos media: é Kadafi que emprega mercenários ("negros e drogados").

Sim, doravante temos a indicação de que "se" ganhou: um líbio puro, como já não há nas tribos. Ele usa Ray Ban, masca chewing-gum, fala com uma forte pronúncia irlandesa e o seu passaporte líbio é provavelmente muito belo, inteiramente novo e ainda deve cheirar a tinta fresca. E tenho o sentimento confuso que se lhe perguntasse "e Bagdá, como era?", ele responderia "no comment".

Então, após meses de bombardeios de toda espécie, tenho de me render... à evidência. E dizer que deixei de duvidar desta história de intervenção humanitária.

PS: último minuto, na categoria do "eles ousam tudo". Um porta-voz da Otan declara que a missão da Aliança é proteger a população civil e não tomar partido por um dos dois campos. Orwell, tu é um amador.

Não dá para esquecer do Raul

Audaciosa crítica de Raul Seixas à submissão da elite brasileira


Considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, o baiano Raúl Seixas passou maus bocados por sua arte contestadora e, por vezes, um tanto mística. Coisas de artista. Neste domingo (21), completam-se 22 anos de sua morte, mas sua legião de fãs não para de crescer.

Por Marcos Aurélio Ruy



Com mais de 20 anos de carreira, chamado por muitos de o “pai do rock brasileiro”, Raul Seixas emplacou inúmeros sucessos na música popular brasileira ao misturar baião - inspirado principalmente em Luiz Gonzaga-  e rock, sob inspiração dos anos 1950, principalmente por Little Richard, o som meio anárquico de Frank Zappa e a revolução chamada Beatles, essencialmente John Lennon. Foi muito influenciado ainda pelo místico inglês Aleister Crowley, que pregava “faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”.

Nessa miscelânea de sons e temas, Raul lança seu primeiro disco, Raulzito e Os Panteras, em 1968, não emplaca nas paradas, mas já mostra sua cara irreverente e tenaz na crítica ao sistema. Ao aproximar-se da Jovem Guarda, participa de um disco intitulado “Vida e Obra de Johnny McCartney”, com Leno, da dupla Leno e Lilian, que tem as letras censuradas e o disco acabou por não ser lançado.

Distancia-se da Jovem Guarda com sua arte contestadora, de forte apelo social e crítico à ditadura e ao capitalismo. Sofre forte censura do regime militar de 1964, cria a Sociedade Alternativa, com música homônima, e os militares pensam tratar-se de grupo guerrilheiro. É preso, torturado e obrigado a sair do país, juntamente com o atual escritor místico Paulo Coelho, seu parceiro em inúmeras canções.

Raul Seixas critica com veemência a escola e diz em entrevista “nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la” e complementa com a afirmação de que “tudo o que aprendi era nos livros, em casa ou na rua.” Isso numa época em que até a escola estava sob o crivo da ditadura.

Em 1971 lança, sem autorização da gravadora, o disco “Sociedade Grã-Ordem Apresenta Sessão das Dez”. O disco some misteriosamente do mercado e Raul é expulso da multinacional CBS. No ano de 1982, ao aparecer embriagado e sem documentos para um show em Caieiras (SP), é confundido e torna-se “impostor de si mesmo”, quase é linchado pelo público, preso e espancado pelos policiais.

Esse ar de irreverência esteve presente em toda a sua obra. Com críticas mordazes à falta de liberdade e ao status quo. Na canção “Como Vovó Dizia” ele afirma: “quem não tem colírio usa óculos escuros, quem não tem filé como pão e osso duro, quem não tem  visão bate a cara contra o muro.” Precisa ser mais claro? Também em “Ouro de Tolo” fala da tentativa de “pão e circo”, uma tese propalada pela burguesia para conformar o povo sem contestação.

Também esteve nas paradas canções com “Tente Outra Vez”, “O Dia em que a Terra Parou”, “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante”, “Gita”, “Al Capone”, Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, “Sapato 36”, forte crítica ao patriarcalismo, e "Aluga-se”, na qual propõe alugar o Brasil para resolver os dilemas do país, cruciais ao povo brasileiro sob o obscurantismo fascista. Um dos seus maiores sucessos, porém, é “Maluco Beleza”, verdadeiro hino dos hippies brasileiros dos anos 1970.

Lança o disco “A Panela do Diabo”, em 19 de agosto de 1989, dois dias antes de sua morte, juntamente com o discípulo Marcelo Nova. Raul é encontrado morto em seu apartamento em São Paulo aos 44 anos.

Sucumbiu às drogas, ao alcoolismo e à diabetes. Tem sua arte, no entanto, viva na memória de uma enorme legião de fãs de todas as faixas etárias e sua contestação tornou Raul Seixas sem similar e sem substituto. Apresenta uma visão audaciosa dos costumes e da submissão da elite brasileira aos ditames imperialistas.

Como Vovó Dizia (com Paulo Coelho, 1974)

-Como vovó já dizia
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
(Mas não é bem verdade!)
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Hum!...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Minha vó já me dizia
Prá eu sair sem me molhar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Mas a chuva é minha amiga
E eu não vou me resfriar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A serpente está na terra
O programa está no ar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A formiga só trabalha
Porque não sabe cantar...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Quem não tem filé
Come pão e osso duro
Quem não tem visão
Bate a cara contra o muro
Uuuuuuuh!...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
É tanta coisa no menu
Que eu não sei o que comer
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
José Newton já dizia:
"Se subiu tem que descer"
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Só com a praia bem deserta
É que o sol pode nascer
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A banana é vitamina
Que engorda e faz crescer...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Quem não tem filé
Come pão e osso duro
Quem não tem visão
Bate a cara contra o muro...
Ouro de Tolo (1973)

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...
Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...
Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...
Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...
Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...
É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...
E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Maluco Beleza (com Cláudio Roberto, 1972)

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...
Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...
Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza...
E esse caminho
Que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Eeeeeeeeuu!...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com toda certeza
Maluco, maluco beleza...

domingo, 21 de agosto de 2011

American Way of life em cheque 2

Comentário: O american way of life é o que a mídia de nosso país dita diuturnamente, como o estilo de vida que devemos ter. Esse bombardeio está nas novelas, nos programas (destaco aqui o enlatado apresentado por Huck na TV Globo que mais parece uma sucursal da embaixada yankee). É necessário que nos mobilizemos no sentido de reafirmar a nossa cultura e fortalecer os laços com os povos que como nós lutam e/ou devem lutar contra a hegemonia dos EUA. Creio que o trabalho maior é EDUCAR. É termos a paciência para discutir e debater com as novas gerações, e essa especificamente que aí está - essa galera dos 15 aos 25 anos, que o caminho para um mundo melhor passa pela solidariedade, pelo respeito e pela construção coletiva das soluções.

 

Do Portal Vermelho


O que de fato se passa nos felizes lares norte-americanos?


Ou a pergunta deveria ser: onde fica a linha de produção “em série” dos adolescentes serial killers que aterrorizam a população norte-americana nas escolas e nos mais inesperados locais públicos?
Por Christiane Marcondes*


A cena é recorrente na centenária produção holywoodiana: uma família “muito feliz”, o pai com um boné de algum time de beisebol na cabeça, um sanduíche em uma das mãos, uma criança na outra. A mãe loura comprando algo em uma colorida barraquinha, o filho espiando o espaço ensolarado enquanto engole um sorvete. Ruas e jardins rigorosamente bem-cuidados, um som de fundo que evoca ternas emoções.

Muito além do cinema, dezenas de estudantes com potencial de serial killers ou nerds de olhar amalucado com inventos geniais e uma vida famélica de ideologia tomam de assalto as manchetes de jornal ou os bastidores da vida privada norte-americana.

Eva Khatchadourian é mãe de um desses garotos, que matou, aos 17 anos, colegas de turma e a professora mais querida da escola. Eva, filha de armênios e dona de uma editora de guias de viagem, andou pelo mundo todo visitando albergues para compor seus rankings, sempre se considerando meio “estrangeira” no mundo até reconhecer, nas páginas do livro Precisamos conversar sobre o Kevin, que é tipicamente americana.

“Se me apropriei do mundo inteiro como se fosse meu quintal particular foi por essa arrogância que me marcou como irremediavelmente norte-americana, isso e a idéia fantasiosa de que conseguiria me transformar num híbrido tropical internacionalista, eu e minhas horrendas origens em Racine. Até mesmo o descuido com que abandonei minha terra natal foi típico de muita gente metida, irrequieta, agressiva, que presume (todos menos você), com a maior condescendência, que os Estados Unidos continuarão onde estão, fixos e permanentes. Os europeus têm uma idéia melhor das coisas. Eles conhecem o caráter vivo, contemporâneo, da História, sua brutalidade instantânea, e em geral voltam correndo para cuidar de seus frágeis jardins e assegurar que a Dinamarca, digamos, continue onde está. Mas, para aqueles de nós para quem ´invasão´ é um termo associado, exclusivamente, ao espaço sideral, o país é um rochedo inatacável que há de esperar indefinidamente e intacto o nosso regresso”.

O premiado livro, de onde saíram Eva e as palavras acima, foi rejeitado por agentes literários e mais de 30 editoras antes de finalmente ser aceito para publicação. Lionel Shriver, a autora dessa ficção baseada em realidade, se coloca no papel da mãe de um adolescente assassino e escreve cartas ao pai ausente.

A narrativa é eletrizante – ou indigesta, conforme o gosto do leitor -- e cresce em intensidade quando Eva, a personagem, vai finalizando a retrospectiva e chegando ao momento em que seu filho Kevin toma a decisão do assassinato.

Ao discutir a culpa na criação de um monstro, Shriver coloca na mesa da sala de jantar tabus execráveis por qualquer norte-americano comum, como falsos valores familiares e de cidadania, desnudando democracia e liberdade, a falsa autenticidade da felicidade made in USA.

Nesse momento em que o império norte-americano está abalado nas raízes e o capitalismo se não agoniza ainda pelo menos torna-se mais insustentavelmente selvagem, penetrar a intimidade dessa pequena família, mãe, pai e filho, é compreender que não só o que está à vista evidencia a crise, mas principalmente o que ocorre entre quatro paredes, na célula-mãe da nação norte-americana.

O jornal The Guardian, no qual Lionel é articulista, dá a melhor definição do livro, elogiadíssimo pela crítica: “Surpreendente..um livro sobre a perigosa distância que existe entre o que sentimos e o que estamos de fato preparados para admitir em relação à vida em família (...) A sátira de Shriver sobre famílias centradas em crianças e capitaneadas por adultos bufões cuja vida intelectual, para não citar a vida erótica, está em pedaços, não poderia ser mais oportuna”.

Serviço:
Precisamos falar sobre o Kevin
Lionel Shriver, Editora Intrínseca, 2007

*Christiane Marcondes é da redação do Portal Vermelho

Gorbachev, o último traidor

De e-mail recebido de Gustavo Lemos

Comentário: Gorbachev foi o último da série de traidores que destruiram o socialismo na URSS. Essa linhagem de sacripantas se iniciou com o patife Kruchev e desaguou na perestroika e glasnost de Gorbachev. É importante se destacar que o socialismo soviético começou a morrer em 1953. Em 1991 foi depositada a última pá de cal naquilo que se tornou o regime conquistado pelo povo soviético sob o comando de Lênin e Stálin. É cômico vê-lo (Gorbachev) chamar o bêbado Yeltsin de traidor, os dois são farinha do mesmo saco, mas Gorbachev é mais dissimulado. Vejo essa figura ignóbil e fico pensando nos milhões de russos, georgianos, ucranianos, etc. que perderam em expectativa, qualidade e perspectiva de vida com o advento do capitalismo e o fim da URSS. Quem é Gorbachev? Um decrépito husky dos interesses imperialistas.

 

Rússia não é uma democracia plena, diz Gorbachev


DA BBC BRASIL
Duas décadas após o colapso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o protagonista de um dos eventos mais importantes da história contemporânea, Mikhail Gorbachev, é hoje um crítico dos rumos tomados pela Rússia capitalista.
Aos 80 anos, o último dirigente comunista acredita que o país ainda está na "metade do caminho" para a democracia. Para ele, as eleições no antigo regime eram mais transparentes que as dos dias atuais.
Em entrevista à BBC, Gorbachev falou dos últimos dias da URSS, do golpe de Estado que sofreu, e classificou Bóris Yeltsin, um antigo aliado e o primeiro líder da Rússia após a queda do regime, como um "traidor".
Sobre Vladimir Putin, o homem forte da Rússia, ex-presidente e atual primeiro-ministro, ele diz que "seus resultados positivos superam os negativos", embora ressalte que ele falhou ao distribuir as riquezas do país.
Gorbachev sugere que a perestroika (abertura) e a glasnost (transparência), movimentos iniciados por ele e que culminaram no colapso da antiga URSS em 1991, ainda não estão completos.
"Ainda temos cinco ou seis anos à frente para fazer essa modernização de forma significativa. Isso deve envolver não só a nossa economia, mas tudo, incluindo a nossa vida política, vida cultural, educação, tudo. O país deve ser diferente", diz.


Grigory Dukor /Reuters
O ex-líder da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Mikhail Gorbatchov, hoje com 80 anos
O ex-líder da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Mikhail Gorbachev, hoje com 80 anos
Veja trechos da entrevista:
TENTATIVA DE GOLPE
Em 19 de agosto de 1991, militares contrários às reformas anunciaram um golpe contra Gorbachev, que ficou preso por três dias em uma casa de campo na Crimeia. Uma multidão foi às ruas de Moscou, impedindo o sucesso do golpe.
"Eu comecei a pegar os telefones e nenhum funcionava. Nenhum deles. Eu disse a eles (militares sublevados): 'Vão e reúnam o Congresso, reúnam a Suprema Corte. Eu falarei, vocês falarão, e nós decidimos quais planos tomar'. No fim, eles ficaram de mãos vazias e foi um desastre. Foi o início do fracasso".
BORIS YELTSIN
Nos três dias em que Gorbachev ficou preso, o então presidente da Rússia Soviética (uma das repúblicas que compunham a URSS) liderou as manifestações contra o golpe e ganhou alto apoio popular. Ele se voltaria contra Gorbachev depois.
"Este foi o início da épica história com Boris Yeltsin. Um depravado, um traidor. Nós sentamos e combinamos como se iriam dar as coisas. (...) Ele então começou a conspirar nas minhas costas".
DEMOCRACIA NA RÚSSIA ATUAL
"Acho que eles (classe dirigente russa atual) se esfastiaram da democracia. O sistema eleitoral que tínhamos (na URSS) não era nada formidável, mas acabou literalmente castrado. Perdão por dizer isso. Mas eles circuncidaram o sistema - circuncisão é uma metáfora melhor.
Os governadores agora são indicados e não eleitos. O povo é contra isso, o povo quer quer sejam eleitos".
(...) Estamos no rumo da democracia e na minha visão nós andamos a metade do caminho, na melhor das hipóteses. Precisamos seguir até o fim do caminho".
PUTIN E MEDVEDEV
Gorbachev ironiza a forma como o atual primeiro-ministro, ex-presidente e homem forte da Rússia, Vladimir Putin, é visto pelo Ocidente. Como a "personificação da força do macho".
"Se fosse para colocá-lo na balança, eu diria que suas realizações positivas superam as negativas. Mas não vamos esquecer que ele teve a sorte de ter enormes receitas no seu caminho, como maná do céu, devido ao petróleo. Mesmo assim, ele não consegui distribuí-la corretamente. O certo era haver uma mudança".
Sobre o atual presidente, Dmitry Medvedev, indicado por Putin, Gorbachev diz que ele está se tornando mais "forte e experiente".
"Ele é um homem bom, educado, culto em todos os aspectos. Ainda é jovem, mas esse é o ponto: em momentos como o atual, a experiência é especialmente valiosa. Este é o motivo de sua fraqueza. Talvez sua fraqueza seja também resultado do fato de que ele está nesta parceria (com Putin). Se ele estivesse sozinho, teria sido mais decisivo. Devemos nos livrar desta ligação."

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Presidenta Dilma e a Reitora Cibele anunciam: IFF terá Campus em Santo Antônio de Pádua

Comentário: A expansão da Rede Técnica Federal implica na possibilidade do desenvolvimento regional e a oferta de perspectivas e oportunidades para a juventude e a população em geral. Ações como essa do governo federal são fundamentais para a nossa região Noroeste Fluminense. Que Santo Antônio de Pádua receba o IFF de braços abertos.

 

Governo anuncia mais dois campi para o IF Fluminense

Instituto contará com campi nas cidades de Itaboraí e Santo Antônio de Pádua. Anúncio foi feito pela presidenta em cerimônia na terça-feira, dia 16, no Palácio do Planalto.
Governo anuncia mais dois campi para o IF Fluminense
Cerimônia aconteceu no Palácio do Planalto.
O IF Fluminense contará com mais dois campi em Itaboraí e Santo Antônio de Pádua. A presidenta, Dilma Rousseff e o Ministro da Educação, Fernando Haddad, através do PRONATEC, anunciaram mais uma etapa da expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica na última terça-feira, dia 16 de agosto, em cerimônia no Palácio do Planalto. Na ocasião foram anunciadas 120 unidades de ensino.
Segundo o Ministro da Educação, Fernando Haddad, até o final de 2014, 562 unidades federais, entre universidades e campi de Institutos, serão implantadas no país. “Encerramos o ano de 2010 com 274 unidades, distribuídas em 230 municípios localizados em todas as regiões do Brasil. Em quatro anos vamos duplicar esses números”, completou o Ministro que ainda falou sobre os critérios de avaliação para as instalações das unidades federais e dos desafios dos governantes e gestores nos próximos anos.
A presidenta demonstrou satisfação em cumprir o compromisso firmado com a educação brasileira. “Até o ano de 2014 entregaremos mais 208 Institutos Federais, quadruplicando a rede federal no ano de 2002. Nos próximos quatro anos serão geradas 250 mil vagas nas universidades e 600 mil nos Institutos. Estamos dando um passo importante pra interiorizar a educação do Brasil”, concluiu Dilma que, durante a cerimônia, também assinou o projeto de lei de criação de cargos para os campi da expansão.
Para a Reitora do Instituto, professora Cibele Daher, a atuação do IFF em mais duas regiões é um momento histórico. “O IF Fluminense cumpre a sua missão e, mais uma vez,vê o reconhecimento da educação profissional e tecnológica de qualidade, o que trará desenvolvimento para as duas cidades fluminenses".
Lideranças políticas, ministros, Reitores de universidades e IF’s e representantes de movimentos estudantis participaram do evento. Durante a tarde foi feita uma reunião técnica com os Reitores dos campi e Prefeitos dos municípios contemplados com unidades federais.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Manifestação de Operários da obra do Maracanã

Insatisfeitos, operários realizam manifestação no Maracanã

POR LUARLINDO ERNESTO
Rio - Operários que trabalham na reforma do estádio do Maracanã fazem manifestação, na altura do Viaduto Oduvaldo Cozzi, na manhã desta quinta-feira. Os trabalhadores estão no Portão 13 do estádio. Eles reclamam de más condições de trabalho e denunciam descaso que provocou explosão que feriu operário na tarde desta terça feira na obra. O trânsito, contudo, ainda não apresenta retenções.
Foto: André Mourão / Agência O Dia
Operários estão insatisfeitos com as condições de trabalho  | Foto: André Mourão / Agência O Dia

O auxiliar de pedreiro ficou ferido após a explosão de um barril que armazenava produtos químicos. Carlos Felipe da Silva foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, com lesão no joelho e queimaduras no corpo. O acidente paralisou as obras.
>>> LEIA TAMBÉM: Adiada a concorrência para as melhorias no entorno

Outros operários da obra relatam que este não foi o primeiro acidente. “Um homem já cortou a mão e outro enfartou durante o trabalho”, revelou um pedreiro, que não quis se identificar. Ele contou que se sente inseguro no trabalho: “Subimos em andaimes sem rampa e muitas vezes falta o cabo de aço para pendurar o cinto de segurança. Também trabalhamos com equipamentos velhos”, reclamou.
Os trabalhadores pedem aumento salarial de R$ 1.180 para R$ 1.273, acréscimo de R$ 100 no vale alimentação, que hoje é de R$ 110 por mês, e plano de saúde. O auxiliar de pedreiro ferido ontem foi transferido do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, para uma unidade de saúde particular.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Globo "briga" com Ricardo Teixeira. Será???

Comentário: Globo e Ricardo Teixeira tudo farinha do mesmo saco! O movimento Fora Ricardo Teixeira Cresce!!!

 

Globo ataca Teixeira depois de perder horário do Brasileirão


De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a matéria exibida pelo Jornal Nacional no último sábado (13) não foi bem recebida por Ricardo Teixeira. Para a CBF, a denúncia contra o todo poderoso representante da Fifa no Brasil foi motivada pelo fim dos jogos de sábado, às 21 horas – recém anunciado pela falta de público tanto na Série A como na Série B. O horário era um pedido da própria Globo à CBF.




O Jornal da Record também exibiu uma reportagem de oito minutos sobre as investigações em torno de Teixeira. O Ministério Público pode solicitar à CBF a devolução dos R$ 9 milhões, que foram pagos pelo Governo do DF, na época, para que o amistoso fosse realizado na Arena Bezerrão, no Gama. Abaixo segue um resumo da reportagem da Record.



A grande questão é que o valor foi pago a empresa Ailanto Marketing, que havia sido criada cerca de um mês antes e não tinha nem telefone. Segundo consta, seu patrimônio era avaliado em apenas R$ 800, sendo que uma de suas acionista, de nome Vanessa Almeida Precht, que teria participação de apenas R$ 1,00 na empresa.

As investigaçõesda Polícia Federal, no entanto, teriam apontado que a Ailanto não gastou um centavo dos R$ 9 milhões para organizar o amistoso. Na verdade, quem teria custeado o evento foi a Federação Brasiliense de Futebol (FBF), o que também deixa em maus lençóis o ex-governador José Roberto Arruda, que foi afastado do cargo, após ser pivô de um escândalo de corrupção no "mensalão do DEM".

R$ 9 milhões desviados

As investigações apontam na possibilidade dos R$ 9 milhões terem sido desviados para contas de “terceiros”, entre eles Ricardo Teixeira. Isso porque dirigente arrendou, segundo a reportagem da Record, algumas de suas terras à acionista da Ailanto, Vanessa Almeida Precht, sendo que a mesma trabalha com moda e não com agropecuária ou agricultura.

As imagens mostraram claramente que as terras não são utilizadas para plantações ou criação de gado. Além disso, moradores das propriedades afirmam desconhecer a tal “Dona Vanessa”. As suspeitas são de que o “arrendamento” tenha sido forjado, para que fosse passada uma comissão de R$ 600 mil ao cartola.

Em Porto Alegre e São Paulo já há mobilizações de rua pela "Fora Teixeira". Eles prometem espalhar as marchas por todo o país.



Perda de um aliado?


O fato é que a reportagem da Globo deixa Ricardo Teixeira com “cara de tacho”, tendo em vista que há pouco mais de um mês ele havia utilizado o próprio Jornal Nacional para atingir outros veículos de comunição, que o têm criticado. Ele chegou a afirmar que poderia fazer “maldades” com esses veículos, como impedir que retirem credenciais para a Copa do Mundo de 2014.

Entre os veículos de comunicação ameaçados pelo cartola, estão a Rede Record, o site UOL, o jornal Lance! e o canal fechado ESPN Brasil. Na visão do presidente da CBF, esses órgãos “fazem parte da mesma patota”. Eles poderiam sofrer retaliação por não ter “conchavo” com o cartola.

"Esse UOL só dá traço. Quem lê o Lance!? 80 mil pessoas? Traço. Quem vê essa ESPN? Traço... só vou ficar preocupado (com as denúncias de corrupção envolvendo seu nome) quando sair no Jornal Nacional, disparou na época, à revista Piauí. "Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito na Globo", ironizou na época.

Asinhas cortadas

Os mandos e desmandos de Teixeira, que também é presidente do Comitê Organizador Local da Copa (COL), também fez “barulho” no Planalto. Tanto que o Governo Federal começou a adotar algumas medidas para “cortar as asinhas” do dirigente. A presidente da República, Dilma Roussef, por exemplo, nomeou Pelé, que é desafeto de Teixeira, como embaixador da Copa.

Enquanto isso, o ministro do Esporte, Orlando Silva, deu declarações no programa Roda Vida, da TV Cultura, que vão de encontro com o pensamento de Teixeira, sobre a afirmação de atrapalhar o trabalho da imprensa.

“O Brasil é uma democracia e uma das suas características é a imprensa livre. Todos os profissionais que oferecem informaçãi à sociedade terão direito de se credenciar. Não é a vontade de Orlando, Ricardo ou Marília (Gabriela, ex-âncora do programa) que vá definir a cobertura da Copa. O Brasil tem regras”, disparou o ministro.

Futuro da parceria CBF/Globo

Resta saber se a reportagem que coloca Ricardo Teixeira no olho do Furacão vai afetar as parcerias entre a CBF e as Organizações Globo. Afinal, a emissora possui contrato de exclusividade para as transmissões dos Campeonatos Brasileiros das Séries A e B, além de jogos da Seleção Brasileira, em solo brasileiro.

Não bastasse isso, um dos braços da Globo, a Geo Eventos, possui ligação direta com o COL. Prova disso, é que foi a empresa global quem organizou o sorteio das Eliminatórias da Copa de 2014, que foi realizado no final do mês passado, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, e teve um custo de R$ 30 milhões aos cofres públicos do Estado e da prefeitura do Rio.

Fonte: Futebol Interior

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu já sabia: PR fora da base aliada do governo Dilma

 

Comentário: Essa todo mundo já esperava. Ser aliado de fisiologistas como Garotinho é um risco enorme. Espero que o governo Dilma se volte para o aliado número 1 de um governo que pretende ser popular: O POVO!!! Esse é o maior aliado de todos não há PR, PMDB, PP, e PQP que consiga vencer esse aliado. Prestem atenção no texto abaixo quem anunciou a saída. Quem? Quem? Quem? Alfredo Nascimento! Hehehehehehehehehehehehe!!! Esse escroque era para estar na cadeia. 

 

PR anuncia saída da base aliada do governo


O presidente do Partido da República (PR), senador Alfredo Nascimento (PR-AM), anunciou nesta terça-feira (16) a saída do partido da base de sustentação do governo. Em discurso, o senador disse que o PR passará a ter postura independente e crítica ao governo. “É possível contribuir com o Brasil sem as amarras do governismo ou da oposição”.


Ainda de acordo com o senador, o partido entregará todos os cargos que tem no governo. O presidente do PR, contudo, negou que haja “revanchismos” na atitude do PR e prometeu continuar colaborando, de maneira construtiva, com a presidenta Dilma Rousseff. “Não faremos o jogo rasteiro da revanche ou da vingança, do constrangimento ou da chantagem. Entretanto, não renunciaremos à crítica proveitosa e ao embate sereno e elevado na defesa das bandeiras e posições do nosso partido”, declarou.

Ele também reafirmou que o PR não considera o atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, como uma indicação das bancadas na Câmara e no Senado. “Paulo Sérgio Passos é um técnico que merece o nosso mais sincero respeito e reconhecimento pela excelência na sua colaboração nas gestões que compartilhamos ao longo dos últimos anos. Sua filiação reforça a qualificação inegável dos quadros vinculados ao PR. Cabe frisar, entretanto, que não reconhecemos no atual titular do Ministério dos Transportes o legítimo representante do partido no governo federal. Sua nomeação reflete decisão pessoal e isolada da presidenta da República que, certamente, não merece discussão de nossa parte”, disse.

Nascimento não escondeu a mágoa pela maneira como o partido foi tratado quando estouraram denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, que, na ocasião, era comandado por ele. Por causa das denúncias, mais de 20 pessoas foram demitidas da pasta e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ligado ao ministério. Diversos parlamentares do PR vinham reclamando que atitude semelhante não foi tomada pela presidente quando das denúncias envolvendo ministérios ligados ao PMDB. “Não aceitamos ser tratados como aliados de pouca categoria”, disse Nascimento durante o discurso hoje.

Mais cedo, o senador Blairo Maggi (PR-MT) havia declarado mais diretamente o ressentimento que ficou entre os parlamentares do PR. “Foi um tratamento, no mínimo, açodado. Acho que deveria ter tido um pouco mais de discussão e ter feito tudo isso com mais calma, como está se está fazendo nos outros casos e com outros partidos. Não somos contra a investigação, não somos absolutamente a favor da corrupção, de forma nenhuma. Acho que foi feito de forma açodada, e isto é o ressentimento do PR hoje”, disse Maggi.
Antes de Nascimento anunciar a saída do partido da base aliada, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (PR-MG), declarou a postura de independência do partido. Mesmo assim, Portela foi evasivo sobre a possibilidade de os deputados e senadores do PR assinarem os requerimentos para criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias. “Já que queremos uma apuração mais clara e mais nítida, de uma forma ou de outra participaremos dessa CPI [da corrupção]”, declarou.

O líder do PT no Senado e do bloco de apoio ao governo ao qual o PR dava sustentação, o senador Humberto Costa (PT-PE), não quis tomar a decisão como definitiva. “Eu acredito que essa manifestação poderá ser modificada. Nós estamos conversando e eu tenho uma posição otimista de que mais tarde nós vamos tê-los de volta”, disse o petista.

Agência Brasil

domingo, 14 de agosto de 2011

Do multiculturalismo à aculturação


 Uma ajudinha no inglês: Multiculturalismo são pessoas de diferentes cores e credos dizendo para outras pessoas de diferentes cores e credos se fu$#@&**&!! e voltarem para o lugar de onde vieram. 

Por Eduardo Bomfim*, no Portal Vermelho

Os fenômenos sociais, políticos e econômicos provocados pela atual crise financeira do capital internacional já são de abrangência global e de gravíssimas consequências. Seu epicentro deu-se nos Estados Unidos, espalhou-se pela Europa e Ásia, mas afetará em maior ou menor escala todos os outros continentes.


Nesta quarta-feira a França, uma das economias centrais da comunidade europeia ao lado da Alemanha e do Reino Unido, sofreu violento ataque especulativo expondo o tamanho do rombo da sua dívida pública com imprevisíveis reflexos na descida ladeira abaixo da economia no velho continente.

Tudo isso com a grande mídia hegemônica internacional, bem ao estilo do senhor Murdock, o todo poderoso mega-empresário multimídia e os seus poderosos órgãos de comunicação espalhados pelo planeta, tentando minimizar ou tergiversar sobre esses acontecimentos de extraordinária gravidade que terão reflexos em todos os Países, cidadãos e trabalhadores deste planeta.

Algumas coisas podem ser tidas como inevitáveis nos próximos dias, em algumas semanas ou meses. Por exemplo, a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha vão seguramente ser atingidas em cheio por esse cataclismo financeiro e a crise será ainda mais extensa e profunda.

A outra questão é o violento impacto social que essa crise sistêmica do capital provoca por onde vai passando. Os levantes populares que estão sacudindo e incendiando Londres e a periferia de outras cidades inglesas, com milhares de presos e várias mortes, não resultam de “lutas étnicas” como distorce a grande mídia hegemônica mundial.

Eles são consequência direta do desemprego generalizado e da situação deprimente em que se encontram os trabalhadores imigrantes na Inglaterra e em toda a Europa. As revoltas na Inglaterra possuem as mesmas raízes dos levantes de trabalhadores estrangeiros em Paris há poucos anos atrás e devem se estender por quase todos os grandes centros europeus.

Esses trabalhadores imigrantes são africanos, turcos, árabes, latinos como Jean Charles, o brasileiro fuzilado no metrô de Londres, na paranoia dos efeitos colaterais das agressões imperialistas.

Estão submetidos a péssimas condições de vida e aculturados, uma força de trabalho aviltada e globalizada na centralização e expansão do capital internacional. São os personagens desse apartheid “civilizado e pós-moderno” da doutrina do multiculturalismo. E os que criaram essa doutrina agora vão extinguindo-a ao porrete e à bala.
* Advogado, membro do Comitê Central do PCdoB

Felicidades Camarada Fidel

Do Portal Vermelho

13 de Agosto de 2011 - 8h00

Símbolo da resistência, Fidel completa 85 anos


O líder cubano Fidel Castro, ícone do século 20, comemora neste sábado (13) mais um aniversário. Ex-presidente da ilha, esse "soldado das ideias" chega aos 85 anos contrariando aqueles que insistiam em prever desde seu ocaso até uma morte prematura. Fidel, no entanto, continua bem vivo, lúcido e ativo.



 
Afastado do comando de Cuba desde 2006, ele abriu mão de seu posto à frente do Partido Comunista Cubano este ano, mas continua um observador atento do mundo, registrando seu pensamento por meio de suas reflexões. Além disso, suas ideias, bandeiras e realizações continuam a ser exaltadas no cotidiano da ilha e além - prova de que a ausência de cargos não sonegou-lhe a influência.
 
 
Sobrevivente de mais de 600 atentados contra a sua vida, Fidel é a parábola perfeita para a prórpia resistência cubana. Um homem cuja história pode contar também a saga de seu país.

Nascido no povoado humilde de Birán, no leste da ilha, Fidel é filho de um bem-sucedido imigrante espanhol, um latifundiário vindo da Galiza chamado Ángel Castro, e de uma trabalhadora que conseguiu emprego em sua fazenda, Lina Ruz.

Foi educado em colégios jesuítas, em Havana. Em 1945, ingressou na universidade para estudar Direito. Tornou-se conhecido por seus pontos de vista nacionalistas e de oposição à influência norte-americana em Cuba. Em 1950, começou a trabalhar como advogado.

Desde 1952, com a subida ao poder de Fulgêncio Batista, por meio de um golpe de Estado, Fidel fez oposição clandestina ao ditador. No ano seguinte, planejou um ataque ao quartel de La Moncada. Acabou preso com seu irmão Raúl Castro. Foi condenado a 15 anos de prisão.

Em 1955, anistiado, partiu para o exílio no México. Retornou a Cuba no ano seguinte, clandestinamente, chefiando uma fileira de 82 homens decididos a empreender a guerrilha revolucionária. Os guerrilheiros foram obrigados a se esconder nas montanhas de Sierra Maestra, mas obtiveram cada vez mais apoio civil.

Fidel Castro e seus comandados entraram em Havana em 1958 e terminaram por derrotar de maneira esmagadora Batista e o aparelho militar criado pelos Estados Unidos. No dia 1º de janeiro de 1959, o ditador fugiu do país.

Castro assumiu o governo e a partir de então criaria um modelo próprio para Cuba, que os próprios cubanos se encarregam de aperfeiçoar: um comunismo caribenho, alimentado pelo marxismo-leninismo, com uma base nacionalista legada por José Martí.

Lançou uma política de nacionalização de propriedades e empresas de estrangeiros e cubanos, com reforma agrária e amplos benefícios sociais, que levaram a pequena ilha caribenha a alcançar indicadores que a colocam ao lado dos países mais desenvolvidos. Cuba é hoje referência em áreas como educação, saúde e esportes.

O líder também estimulou a solidariedade internacional, o combate ao imperialismo e a integração regional. Seu humanismo revolucionário desagradou àqueles que não queriam conviver com uma alternativa bem sucedida ao capitalismo.

Assim como o socialismo cubano, Fidel resistiu às mais diferentes pressões - em especial ao bloqueio norte-americano - e manteve suas posições. Em 31 de julho de 2006, debilitado por uma cirurgia no intestino, transmitiu o poder ao irmão Raúl. Em 2008, renunciou oficialmente à Presidência. No mês de abril desse ano, abriu mão também do comando do Partido Comunista de Cuba.


"Fidel é Fidel, e não precisa de cargo algum para ocupar sempre o lugar no topo da história no presente e no futuro da nação cubana. Enquanto tiver forças para fazê-lo, e felizmente está na plenitude de seu pensamento político, a partir de sua modesta condição de militante do partido e soldado das ideias, continuará levando a luta revolucionária e aos propósitos mais nobres da humanidade", disse seu irmão Raúl Castro, que o substituiu nas duas missões.

O ex-presidente passou um período sem atividades públicas, dedicando-se apenas a escrever seus artigos - que já somam 361. No ano passado, contudo, voltou a aparecer, mostrando-se bem disposto e lúcido, desmentindo recorrentes boatos sobre sua saúde.

Sobre seu amigo Fidel, o escritor Gabriel Garcia Márquez escreveu: "Esse é o Fidel Castro que creio conhecer: um homem de costumes austeros e ilusões insaciáveis, com uma educação formal à antiga, de palavras cautelosas e modos tênues, incapaz de conceber nenhuma idéia que não seja descomunal".

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os tucanos mineiros e a operação abafa

Dilma apura e pune! Anastasia, abafa!

Do blog Minas Sem Censura:

Nesta semana, a Polícia Federal – PF -, subordinada ao Ministério da Justiça que, por sua vez, é subordinado à presidência da República, deflagrou uma operação de prisão de suspeitos de desvios no Ministério do Turismo.

Antes, houve aquilo que a própria imprensa comercial, perplexa, chamou de “faxina no DNIT”.

Ou seja: há denúncia? Apure-se. Doa em quem doer. Havendo culpa, há punição.



Estamos assistindo no Brasil uma viragem cultural, que se inicia no governo Lula. A PF, a Controladoria Geral da União – CGU - (que existe, de fato, a partir de 2003), e a Procuradoria Geral da República -PGR -, nunca antes na história deste país, parafraseando alguém, tiveram tanta autonomia e recursos para cumprir seus papéis constitucionais. O Tribunal de Contas da União -TCU - funciona no mesmo diapasão.

Já o estado de Minas Gerais parece outro país. Espasmos investigatórios no Ministério Público Estadual - MPE -, relatórios técnicos do Tribunal de Contas do Estado - TCE - e as denúncias do bloco Minas Sem Censura – MSC -, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais já fazem fila: superfaturamento, dispensa ilegal de licitações, pagamentos antecipados, parcelas inteiras do MPE efetuando apurações de “mentirinha” (ressalvadas as honrosas exceções), nada, nada disso é apurado com rigor. Aliás, várias dessas denúncias nem sequer são apuradas.

Isso sem falar na imprensa. A do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília é livre para investigar, inclusive para caluniar o governo federal. A de Minas dispensa comentários.

Aliás, o MSC já registrou: os oito anos de governo Aécio tiveram menos CPI´s que no período da Ditadura Militar!

A cultura da impunidade está em declínio no Brasil. Em Minas há uma sistemática operação abafa.

Governador Anastasia: “libere” o MPE, o TCE-MG, a Polícia Judiciária e a imprensa!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os Princípios da Rede Globo


Comentário: Reproduzo abaixo o Editorial do Portal Vermelho acerca dos princípios da Globo. Infelizmente muitas pessoas baseiam suas opiniões acerca do mundo nos editoriais televisionados por William "Homer". É a velha máxima fascista de Goebells, " a mentira dita 1000 vezes se torna verdade". Infelizmente em outras ocasiões de nosso dia-a-dia também assistimos a sofistas que propalam palavras como ética, democracia e autonomia como forma de impor suas opiniões. Isso é uma lástima!




A vida desmente os “Princípios Editoriais” da Globo

No momento em que o programa Fantástico divulgava os “Princípios Editoriais das Organizações Globo”, que consistem num conjunto de regras para a prática do jornalismo nas redações sob o comando da família Marinho (entre elas noticiários de TV, o jornal O Globo e a revista Época), o jornalista Rodrigo Vianna fazia uma denúncia extremamente grave que compromete a qualidade e a ética do jornalismo praticado na TV Globo.

Rodrigo recebera informação de fonte fidedigna de que a orientação a ser adotada para com o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, era a de dar apenas notícias negativas e só divulgar a tese de que sua escolha gera “turbulência” entre os militares.

A denúncia coloca sob suspeita as declarações de “boa intenção” dos “Princípios Editoriais” e confirma as práticas manipuladoras das Organizações Globo, uma rede nacional de televisão que nasceu em 1965 sob as bênçãos da ditadura militar de 1964.

O item “manipulação jornalística” na folha corrida da Globo é extenso e vale lembrar alguns deles. Em 1982, ela foi pivô de uma tentativa de fraude para impedir a vitória de Leonel Brizola para o governo do Rio de Janeiro, tendo sido parte fundamental no rumoroso “caso Proconsult”, que envolvia a manipulação da contagem dos votos naquela eleição.

Em 1984, o vexame foi tentar esconder a campanha pelas “Diretas Já” com o esforço patético de noticiar o comício que ocorreu na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 25 de janeiro daquele ano (que reuniu mais de 300 mil pessoas), como comemoração do aniversário da cidade! "A cidade de São Paulo festeja os 430 anos de fundação", proclamou o Jornal Nacional...

No final da década de 1980, a manipulação ajudou a derrotar Lula e eleger Fernando Collor de Mello para a presidência da República. O truque consistiu em editar de forma favorável ao candidato da direita o debate ocorrido na emissora em 14 de dezembro de 1989. Era o “antiLula” em andamento, que permaneceu nos anos seguintes pautando o noticiário da emissora, chegando a nossos dias.

E que se manifestou, mais tarde, na tentativa de emporcalhar a campanha de Lula, em 2006, num conluio entre jornalistas da Globo e policiais em busca de notoriedade no episódio dos “aloprados”. A farsa, que envolvia a foto manipulada de pacotes de dinheiro, para aumentar sua dimensão visual, foi prontamente denunciada e desmontada por jornalistas que não se coadunam com a manipulação do noticiário.

Na eleição de 2010, a tomada de partido claramente a favor do tucano José Serra ficou nítida na entrevista feita com Dilma Rousseff no Jornal Nacional, no início da campanha eleitoral, durante a qual William Bonner chegou a perder a compostura ante uma candidata que não se curvava às pressões e alegações do “sábio” da telinha.

São apenas alguns episódios de uma extensa lista de manipulações e desrespeito ao direito público à informação cometidos por esse padrão de jornalismo de baixa qualidade exposto claramente, no final de 2005, quando um grupo de professores de comunicação visitou a redação do Jornal Nacional e assistiu, estarrecido, à maneira como as notícias são escolhidas para publicação. O critério usado por William Bonner, editor-chefe do Jornal Nacional, era escolher as notícias que ele considerava ao alcance do entendimento de “Homer”, o apelido desrespeitoso dado ao espectador médio da Globo. Homer é o imbecilizado, preguiçoso e pouco inteligente pai da família Simpsons, um desenho animado norte-americano. E sua escolha como parâmetro indica a avaliação preconceituosa e depreciativa que a direção do jornalismo da Globo faz de seus espectadores.

O desrespeito à verdade e o uso de versões favoráveis aos interesses não confessados dos próprios veículos transparece ainda em “reportagens”, como a publicação requentada de denúncias falsas contra a Agência Nacional do Petróleo (ANP) pela revista Época, há duas semanas. Motivo da republicação mentirosa, ofensiva e desrespeitosa: foi uma retaliação (revanche?) da revista por não ter sido incluída pela ANP na campanha publicitária que comemorou os altos índices de não adulteração dos combustíveis alcançados pela fiscalização da agência, e que beneficia os consumidores.

Este passado (e presente) jornalístico desmente os “Princípios Editoriais” anunciados pela Globo, cuja leitura atenta não autoriza a conclusão de que as coisas possam mudar. Esta declaração de boas intenções proclama a necessidade de “isenção, correção e agilidade” como base do bom jornalismo, mas ela é desmentida em alguns pontos vitais. Por exemplo, repetindo o guru máximo desse tipo de jornalismo, o decadente e fragilizado Rupert Murdoch, assegura que “pessoas públicas – celebridades, artistas, políticos, autoridades religiosas, servidores públicos em cargos de direção, atletas e líderes empresariais, entre outros – por definição, abdicam em larga medida de seu direito à privacidade”, uma pretensão que só encontra amparo na dos donos da mídia, e não na legislação. Além disso, defende o “uso de microcâmeras e gravadores escondidos” como legítimo, desde que seja “o único método capaz de registrar condutas ilícitas, criminosas ou contrárias ao interesse público”.

É sempre bom lembrar, neste particular, que nem os tribunais acatam “provas” obtidas de forma ilegal como escutas clandestinas e métodos semelhantes. Outro ponto: a Globo se declara apartidária, independente e laica, e defensora intransigente da democracia, da livre iniciativa e da liberdade de expressão. E embute, neste ponto, a rejeição de qualquer regulamentação da mídia ao dizer ser imperioso defender o “modelo de jornalismo de que trata este documento” contra “qualquer tentativa de controle estatal ou paraestatal”.

É uma declaração que pode indicar o motivo que levou a Globo a adotar seus “Princípios Editoriais”. Num mundo em que crescem as exigências democráticas de regulamentação da mídia, em que mesmo Rupert Murdoch, o magnata que levou sua escandalização ao paroxismo, está fragilizado e assiste à ruína de seu poder, há um sabor de autodefesa no movimento feito pela Globo. Que conflita com a exigência de democratização dos meios de comunicação: a regulamentação da mídia não é uma tarefa que cabe aos próprios veículos ou a seus proprietários. Ela é uma tarefa que cabe à sociedade e implica o reconhecimento por jornalistas e os donos da mídia de que também devem submeter-se às leis, da mesma maneira que todos os demais cidadãos

domingo, 7 de agosto de 2011

Nelson Jobim Fora do Governo: Antes tarde do que nunca

Do editorial do portal Vermelho

Demissão de Jobim: antes tarde do que nunca

Finalmente, Nelson Jobim foi demitido do Ministério da Defesa. O episódio derradeiro da sua presença no governo foram novas declarações desastradas e provocadoras, em que achincalha o desempenho de duas ministras do núcleo político do governo, precisamente aquelas que a presidente nomeou em junho último, numa trabalhosa reorganização da equipe ministerial após a queda de Antonio Palocci da Casa Civil.

A defenestração de Jobim já era esperada e mesmo reivindicada ao menos pelas forças progressistas que apoiam o governo Dilma, como apoiaram o de Lula, na expectativa de que se realizem mudanças de fundo no país no sentido da ampliação da democracia, da defesa da soberania nacional e na promoção da justiça social.

Nelson Jobim foi um fiel servidor do governo neoliberal e conservador do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que o indicou depois para o Supremo Tribunal Federal.

Em 2007, num ambiente de insegurança e comoção nacional criado por dois desastres aéreos e pelo caos na aviação civil, que no Brasil está sob comando militar, e em meio a uma campanha de desmoralização do então ministro da Defesa, instrumentalizada pela mídia e por setores oportunistas dentro do próprio governo, Lula nomeou Jobim para a pasta, que a assumiu com teatralidade e histrionismo. Tendo percorrido longa trajetória como civil, ex-deputado, ex-ministro da Justiça, ex-integrante da Suprema Corte, assumiu ares de caricata figura em trajes de caserna e campanha.

À frente de uma área sensível, pois o militarismo nunca foi extirpado da vida republicana brasileira, mesmo depois de decorrido mais de um quarto de século desde o fim da ditadura militar, Jobim incompatibilizou-se com o sentimento e as aspirações democráticas das forças progressistas, ao assumir, dentro do governo, o papel de principal ponta de lança dos militares para inviabilizar a revisão da Lei de Anistia, que permitiria a punição de sicários, assassinos e torturadores. O ex-ministro também fez o que pôde para dificultar a instalação de uma autêntica Comissão da Verdade, instrumento indispensável para promover reparações e a justiça em relação aos crimes cometidos durante os chamados anos de chumbo. Os seus despautérios foram de tal ordem, que chegou a fazer declarações em que era indisfarçável o sentimento de regozijo pela destruição de documentos que revelariam crimes da ditadura.

Ultimamente, Jobim pavimentou o caminho que levou à sua demissão fazendo afirmações que atestam sua condição de estranho no ninho num governo que tem no horizonte as transformações políticas e sociais. Fez juras de amor a FHC, em cuja festa de aniversário aludiu ao estilo supostamente suave do ex-presidente, em contraste com uma propalada conduta reprovável da atual mandatária no trato com auxiliares. E ainda fez cavilosas afirmações sobre “idiotas” que teriam perdido a “modéstia”, irritando setores do petismo, pois a interpretação que ficou no ar era que ele aludia a quadros do partido de Lula e Dilma. Para cumular a sua opção pela demarcação de campos com as forças progressistas, fez ruidosas afirmações de que votou em José Serra na última disputa eleitoral, em que o ex-governador de São Paulo foi derrotado por Dilma Rousseff. O menoscabo com as ministras Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti revelado na última quinta-feira foi, assim, uma gota d’água para a saída de Jobim do governo.

Há um tom geral de lamento da mídia em relação à demissão de Nelson Jobim. “Bom ministro”, “botou a casa em ordem”, “o verdadeiro ministro da Defesa”, teria sido “traído” pelo “temperamento” e por ter “tropeçado nas palavras”. Estas são as primeiras abordagens vindas a público nos panfletos televisivos, radiofônicos e nas páginas impressas dos jornalões.

Nelson Jobim no ministério era um dos bolsões de conservadorismo no seio de um governo que lida com imensas pressões e ainda é tímido na realização das mudanças necessárias para o avanço democrático e progressista do país. Sua demissão, embora tardia, é salutar e a nomeação do ex-chanceler Celso Amorim como seu substituto é uma boa notícia.