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domingo, 3 de julho de 2011

Quem ganha com a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour? Parte III

Charge de Cícero

Por Paulo Pereira da Silva*, em seu blog


Os trabalhadores estão preocupados com a fusão anunciada das empresas do setor varejista Pão de Açúcar e Carrefour. Externamos nossa preocupação, principalmente, pela preservação dos empregados, visto que em alguns locais haverá sobreposição de lojas, resultando, provavelmente, em fechamento de algumas.

Há exemplos de outras fusões que os únicos que perderam foram os trabalhadores. Isso não pode mais acontecer. É importante que as partes envolvidas abram negociação com as entidades representativas dos trabalhadores para evitar desemprego nesse importante setor econômico. Queremos transparência e lisura na discussão, visto que parte dos investimentos da fusão virá do BNDES, ou seja, por intermédio de verbas públicas.

O governo precisa ter certeza que as empresas envolvidas nessa negociação têm sensibilidade social. Tanto o Pão de Açúcar como o Carrefour não dão cesta básica para os seus funcionários, que demonstra justamente a falta dessa sensibilidade. Esse aspecto precisa ser levado em consideração pelo governo para decidir sobre aporte milionário (R$ 4 bilhões) em um negócio privado.

Além disso, a fusão pode ser o início de uma concentração predatória. A união das empresas criará uma gigante que dominará praticamente um terço do varejo supermercadista brasileiro, o que poderá gerar monopólio no setor varejista, prejudicando tanto os consumidores como os fornecedores. Isso, sem sombras de dúvidas, é um claro indício de que haverá concentração, gerando potencial anticompetitivo.

Entendemos que esta concentração não pode ditar regras no mercado, como monopólio de preços. Por isto, vamos alertar o Cade para que regras claras para este setor varejista, que pode viver uma nova fase a partir desta união, sejam estabelecidas.

Preocupados, os trabalhadores brasileiros anseiam que a fusão aconteça de forma transparente, para que um eventual ônus não seja pago por toda a sociedade.

* Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, é presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP)

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