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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Por que a mídia não informa que Dinho militava no PCdoB?




A morte anunciada do líder camponês Adelino Ramos, o Dinho, mereceu ampla cobertura nos meios de comunicação, incluindo veículos das Organizações Globo. Todavia, nossa mídia de referência, controlada por uma meia dúzia de famílias abastadas, não se dignou a informar que Dinho, sobrevivente do massacre de Corumbiara, era um destacado militante do PCdoB em Rondônia, conforme noticiou este Vermelho, e dirigente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).

Por Umberto Martins
É possível imaginar que a militância comunista do líder assassinado no dia 27 de maio em Vista Alegre do Abunã (distrito de Porto Velho, capital de Rondônia) é um detalhe menor que, de resto, não deve ser associado ao crime. Não faltarão vozes para sustentar este tipo de argumento irrigado pelo cinismo.

Filtro ideológico

Na realidade, a omissão, o silêncio, a discriminação do que é ou não noticiável, que no caso configuram uma manipulação sutil dos fatos, são orientados pela força maior da ideologia dominante que, como dizia Karl Marx, reflete os interesses e o pensamento da classe dominante. Os fatos relatados são submetidos previamente ao filtro ideológico, que não raro já está devidamente entranhado no consciente ou inconsciente dos jornalistas como um reflexo condicionado e uma esperança de estabilidade no emprego.

Não é de hoje que o anticomunismo é uma característica básica e essencial do pensamento e do espírito dominante em nossa sociedade. Não vai tão longe o tempo em que se dizia que, a exemplo dos prelados, o prazer de comunista era comer criancinhas. Os acontecimentos que sucederam a derrocada do socialismo real no leste europeu e a deplorável dissolução da União Soviética no início dos anos 1990 contribuíram para exacerbar sentimentos, infâmias e preconceitos do gênero, vendidos em embalagens supostamente democráticas e a pretexto da defesa dos direitos humanos. O que se viu desde então não foi o fim da história, muito menos das ideologias.

Anticomunismo atávico

Nesses dias, ao noticiar o apagão na história no Senado (exclusão das referências ao impeachment do hoje senador Fernando Collor do painel de imagem da Casa) a Rede Globo faz questão de “informar” que se trata de uma operação típica de regimes comunistas, olvidando naturalmente o papel da família Marinho na campanha e eleição do ex-presidente.

Outro exemplo é a manipulação e distorção recorrente de fatos na abordagem do relatório do novo Código Florestal para apresentar o deputado Aldo Rebelo e o PCdoB a serviço dos grandes proprietários rurais. A história dos comunistas brasileiros, incluindo a Guerrilha do Araguaia, é a da luta sem tréguas contra o latifúndio, pela reforma agrária, pela democracia e pelos direitos do povo. Foram a prática e os ideais comunistas, antagônicos aos da classe dominante, que atraíram para as fileiras do partido o militante Dinho.

Propriedade capitalista

Não devemos estranhar o comportamento da mídia venal. Assim como os lucros da produção capitalista servem aos desígnios da classe capitalista, a produção e difusão da informação jornalística no capitalismo se subordinam aos interesses dos capitalistas que controlam os meios de produção da informação. Ou de quem detém a propriedade privada do capital em sua clássica divisão: o capital constante, composta dos meios físicos, a tecnologia, equipamentos, edificações; e o capital variável, ou seja, força de trabalho, principalmente jornalistas.

As relações entre patrões e assalariados no ramo das comunicações são singulares. Aparentemente não guardam muito parentesco com aquelas que se verificam na indústria, na agricultura ou no comércio. A fronteira entre uma classe e outra, neste caso, é tênue. Salvo honrosas exceções, que confirmam a regra geral, os jornalistas costumam vestir a camisa da empresa e, adicionalmente, empenhar a própria consciência. Alguns são ainda mais realistas que o rei.

PIG

Evidentemente, a realidade é obscurecida pela ideologia e pelo engodo. É forçoso reconhecer que a mídia venal é diplomada na arte de aparentar as virtudes do bom jornalismo que a academia enaltece: objetividade, imparcialidade, honestidade, apartidarismo, respeito aos fatos.

Muitos jornalistas acreditam sinceramente em tais princípios e procuram aplicá-los, mas é falso supor que os patrões da mídia zelam por tudo isto. A história sugere e revela o contrário. O aplauso ao golpe e o servilismo diante do regime militar instalado em 1964, o posicionamento nas eleições presidenciais (1989, 2002, 2006 e 2010) e inúmeros episódios cotidianos mostram o caráter antidemocrático, reacionário e golpista da nossa mídia, que bem merece a alcunha de Partido da Imprensa Golpista (PIG), criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim.

4 comentários:

  1. Jornalista este que hoje trabalha em outra midia que só divulga interesses proprios: a Record.
    Até quando voces vão querer este comunismo utópico?? Já não basta o exemplo de Cuba, essa vergonha que voces teimam em embelezar. Ou a URSS em que pessoas contrárias a voces eram mandadas para a Siberia. Essa cicratiz no rosto dos comunistas nunca vai sarar, voces tiveram a chance e so olharam para o proprio umbigo... O capitalismo não é perfeito, longe disso. Mas pelo menos permite uma "minima liberdade" para o cidadao.
    Grato por ser ouvido e publicado neste blog.
    Parabenizo ao Clube de Astronomia do IFF- campus Itaperuna pelo trabalho.
    (http://daterraparaasestrelas.blogspot.com/)

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  2. Parte I

    Meu Prezado,

    Gostaria de agradecer o vosso comentário no blog e reafirmar a minha disposição em torná-lo uma tribuna para o bom debate. O vosso comentário apesar de ser pequeno traz em seu bojo grandes questões as quais gostaria de tecer algumas considerações:
    1. A postagem que você comentou traz informações sobre a morte do agricultor Adelino Ramos, o Dinho, brutalmente assassinado pelos latifundiários de Rondônia. Dinho se soma a tantos outros como Chico Mendes, Irmã Dorothy Stang, João Canuto, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo que integram a triste estatística da violência no campo um estigma que nunca será apagado na história de nosso país. Isso decorre da especulação fundiária expressão do capitalismo no campo.
    2. O texto é assinado pelo jornalista Umberto Martins, membro da Secretaria Sindical do PCdoB e que pelo que me consta nunca trabalhou e nem trabalha na Record. Eu particularmente tenho grande simpatia pela Rede Record, considero-a uma voz que distoa do discurso propalado pelas redes de mídia (propriedades de famílias) como Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, etc, que foi batizada por Paulo Henrique Amorim de Partido da Imprensa Golpista (PIG).
    3. Como comunista e dirigente do PCdoB, o jornalista Umberto Martins tece um comentário com base na pergunta: “Por que a mídia não informa que Dinho militava no PCdoB?”. Apresentaram Dinho como um agricultor como de fato ele era, mas era um agricultor militante, era um comunista que sobreviveu ao massacre de Corumbiara, ocorrido em agosto de 1995, em que morreram 12 pessoas, entre elas uma criança de nove anos e 2 policiais. O jornalista Umberto Martins discorre sobre os motivos da mídia não informar esse fato e sinceramente a argumentação do jornalista é bastante procedente.

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  3. Parte II
    4. A partir daí você fala de comunismo utópico e aí tenho que falar um pouco sobre esse assunto. Junto ao movimento iluminista surgiu uma corrente de pensamento representada por Saint-Simon, Fourier, Blanc e Owen que foi denominada de Socialismo Utópico (os defendores do Socialismo Utópico falavam de uma sociedade ideal mas não diziam como chegar lá). Uma outra corrente representada por Karl Marx e Friederich Engels defendiam o Socialismo Científico, corrente de pensamento em que se propunham a compreender como o capitalismo funciona para a partir de então encontrar formas para superá-lo. Marx e Engels foram categóricos ao afirmar que é inevitável a superação do capitalismo, ou seja, a sua destruição. Isso, meu prezado, não é utopia , o marxismo é uma ciência. A recente crise mundial do capitalismo ocorrida em 2008 foi uma prova cabal de que Marx estava certo. Durante a crise o jornal britânico The Guardian publicou: “Este é um momento que Karl Marx adoraria. De qualquer ângulo que se olhe, o capitalismo financeiro está a ser sovado”. A crise do capitalismo de 2008 mostrou uma realidade aos trabalhadores do mundo: O capitalismo é falho. Não há perspectivas para os operários sob a égide do sistema capitalista. O marxismo é o caminho para livrá-los da exploração, pobreza e desemprego.
    5. Mais uma vez, meu prezado, você se refere a Cuba e atribue aos comunistas a insistência em dourar a pílula do regime cubano (vide link: http://emlugardeumacarta.blogspot.com/2011/02/querem-fazer-da-libia-um-novo-iraque.html). Um amigo meu, recém-chegado de Cuba me disse: “Em Cuba as pessoas são pobres, mas não miseráveis.” Veja que um país muito pequeno, sem riquezas minerais, contando apenas com a cana-de-açucar, belas praias e uma obstinação contumaz de seu povo conseguiu excelentes índices de desenvolvimento humano e tem um povo com alto grau de instrução, saúde de qualidade para todos, etc. Obviamente os desafios são muitos, os cubanos não vivem no paraíso, mas também não estão no inferno, digamos que eles habitam as proximidades do Rio Letes.

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  4. Parte Final

    6. Em relação a ex-URSS, havia sim o envio de pessoas contrárias ao regime socialista para a Sibéria. É necessário que se tenha claro que a URSS estava passando por uma revolução feita por operários e camponeses e os rumos dessa revolução eram ditados por esses mesmos operários e camponeses que se organizavam por meio dos soviets, nas fábricas e no campo, e também no Partido Comunista. Houve um período chamado de depuração ou expurgo em que muitas pessoas foram enviadas para os chamados Gulags. A grande maioria desses expurgados eram homens que faziam parte da quinta-coluna nazista. Esses expurgos tiveram seu ápice nos anos 1937-1938 e quando a URSS foi invadida por Hitler em junho de 1941 muitos dos seus colaboradores estavam na Sibéria.

    7. Mais adiante em seu breve comentário você diz que no capitalismo goza-se de uma “mínima liberdade”. Pois bem, meu prezado, essa sua mínima liberdade se deve ao sacrífico de mais de 23 milhões de soviéticos que de forma heróica e com uma feroz determinação derrotou a besta fascista. É natural vossa tenacidade em falar mal do comunismo e dos comunistas. Nos livros de História e na maioria das nossas escolas não se fala da grandeza do povo soviético e do papel decisivo dos comunistas para derrotar o fascismo. A grande maioria credita a derrota de Hitler e seus asseclas ao famigerado “Dia D”. Aliás costuma-se colocar a cruz suástica e a foice e o martelo no mesmo balaio. Isso é uma ignomínia.

    8. As cicatrizes que nós os comunistas ao redor do mundo trazemos não estão apenas no rosto, elas se espalham em nosso dorso, peito, pernas e braços. São os choques elétricos e as marcas de cigarro apagadas contra a nossa pele recebidas nas salas de tortura. As nossas cicatrizes são as balas de espingarda que os latifundiários desferiram e ainda desferem sobre os nossos camaradas camponeses, são as cacetadas que a gente recebe e recebeu em manifestações de rua defendendo emprego, saúde, educação para o povo. As cicatrizes que trazemos são as injúrias e mentiras propaladas na mídia e na sociedade acerca da nossa ideologia e o que nos move a crer que um mundo mais justo e em que haja oportunidades iguais para todos é possível.

    9. Para finalizar, meu prezado, gostaria de dizer que eu sou comunista e que ao adentrar na seara deste blog você encontrará postagens que versam sobre a luta dos operários, camponeses, estudantes, jovens, mulheres, negros, etc. Isso é recorrente por aqui. Existem muitos blogs e sítios na internet que são anticomunistas talvez você possa encontrar por lá postagens que lhe agrade mais do que essas aqui veiculadas. Mas como já te disse em outra ocasião, no que tange a expressão de ideias e opiniões sou iluminista e concordo com as palavras de Voltaire: “ Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.
    Grato pelo vosso comentário.

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