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terça-feira, 31 de maio de 2011

O presidente Sarney é que foi um acidente e incidente na história do Brasil











Charge de Aroeira



Assisti ao presidente do Senado, José Sarney, em sua varada n'água histórica ao afirmar que o impeachment de Collor foi um acidente na história do Brasil. Quando eu era criança pequena lá em Minas Gerais, Vovó dizia que varada n'água era quando uma pessoa falava uma grande asneira e metia os pés pelas mãos. Pois bem o imortal José Sarney se embolou todo gaguejando e quando foi ver já tinha derramado o leite. Acidente na história foi a morte de Tancredo Neves que levou o então vice-presidente José Sarney a assumir o mandato em 1985. Aliás a decisão da Câmara dos Deputados em rechaçar a emenda Dante é que foi um dos maiores incidentes da história do Brasil. Os "representantes do povo" não ouviram o apelo popular que dizia em alto e bom som "quero votar para presidente!!!". Lamentável a declaração de Sarney, mas vindo dele não se poderia esperar grande coisa...É importante que se diga uma coisa, quem faz a história é o povo!



“Impeachment de Collor é acidente na história”, diz Sarney

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta terça-feira (30) que o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello foi apenas um “acidente” na história do Brasil. Sarney minimizou o episódio em que Collor, atualmente senador, teve seus direitos políticos cassados pelo Congresso Nacional.

“Eu não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil”, disse o presidente do Senado.


Sarney foi perguntado sobre a exclusão do impeachment dos painéis que contam a história do Senado desde o Império. Os painéis foram remontados e recolocados nesta terça – em substituição aos anteriores – no chamado “Túnel do Tempo” da Casa. “Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que foram os que construíram a história e não os que de certo modo não deveriam ter acontecido”, completou o senador.


O trecho que conta a história do processo sofrido por Collor – que foi aberto pela Câmara dos Deputados e votado pelo Senado – já havia sido retirado do Túnel do Tempo do Senado em 2007, um dia antes de Collor tomar posse como senador. Posteriormente, o episódio foi recolocado nos painéis que ficam no corredor que liga o prédio principal ao anexo, onde estão as salas das comissões.


O ex-presidente da República não chegou a ser cassado pelo Senado porque renunciou ao seu mandato momentos antes da votação no Congresso. Apesar disso, Collor foi condenado pelos senadores e teve seus direitos políticos suspensos. Em 2007 se elegeu senador por Alagoas.


Fonte: Agência Brasil


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Slavoj Zizek: Capitalismo não é única opção da humanidade




Reproduzo a seguir texto publicado no Portal Vermelho que traz considerações do filósofo Slavoj Zizek sobre os caminhos que a humanidade pode trilhar. O comunismo está em perpectiva.

Em um determinado momento da Primeira Guerra Mundial, em uma trincheira, um soldado alemão envia uma mensagem informando que a situação por lá “era catastrófica, mas não era grave”. Em seguida, recebeu a resposta dos aliados austríacos afirmando que a situação deles era “grave, mas não catastrófica”.

Essa anedota é representada pelo filósofo Slavoj Zizek para explicar a atual falta de equilíbrio nas discussões sobre as crises mundiais e nas possíveis alternativas para solucioná-las. “Uns acham que vivemos uma situação catastrófica, mas que não é grave. Outros que a situação é grave, mas não catastrófica”, expôs o professor nascido na Eslovênia.

Neste fim de semana, Zizek participou da conferência “Revoluções, uma política do sensível”, promovida pelo Instituto de Tecnologia Social, pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo SESC-SP e pela Boitempo Editorial. Com bom humor e comentários ácidos e perspicazes, ele defendeu a importância de um debate alternativo à imposição do capitalismo como única lógica possível de organização. Também criticou a forma como as mídias e os governos pautam a discussão ambiental.

Durante o encontro, o professor explicou que a importância do trabalho filosófico está na prática de “destruição do pensamento dominante”. Ele alertou que é preciso colocar um fim à predominância da ideologia capitalista, já que a maioria das pessoas age como se não houvesse outra alternativa.

Comunismo como opção

“Os problemas que enfrentamos são comuns a todos nós, por isso o comunismo é uma alternativa. A utopia que temos hoje é acreditar que soluções isoladas é que vão resolver os problemas mundiais”, argumenta Zizek.

Para o filósofo, devemos pensar em uma forma de organização política que “esteja fora da lógica e das regras do mercado”. A República Democrática do Congo, segundo o professor, é um sintoma do capitalismo global. “É um Estado que simplesmente não funciona como Estado. Trata-se de uma série de áreas controladas por generais locais que mantêm contratos com grandes empresas internacionais”.

Ele afirma que, a todo momento, dizem que comunismo é algo impossível. “Cientistas discutem aperfeiçoamentos genéticos que podem nos dar a imortalidade. Outros falam do uso da telepatia para operar aparelhos. Não podemos deixar que nos digam que o queremos é impossível!”, diz.

Zizek cita o exemplo da China onde, segundo ele, foram proibidos livros, filmes, gibis e qualquer outra produção artística e cultural que sugira ou faça referência a realidades alternativas. “No Ocidente, não é preciso que nenhum governo proíba isso, nós encaramos a realidade como se ela só pudesse ser dessa forma”, analisa.

Capitalismo ético-social?

O capitalismo tem um enorme poder de absolver as críticas que recebe e de transformá-las em novas fontes de lucro, explica Zizek. “Hoje há uma espécie de capitalismo ‘ético-social’. Para você ficar com a consciência mais tranqüila, as grandes marcas dizem que 1% do valor do produto vai para crianças que passam fome ou para plantar mudas de árvores”, diz.

Ele esclarece que essa lógica é própria da filosofia norte-americana, que vende a ideia de que, assim, “estamos salvando o mundo”. E nos sentimos bem com isso.

Os problemas capitalistas estão sendo vistos como problemas morais, esclarece Zizek. Para ele, o problema disso é que, a partir desta visão, as pessoas comecem a acreditar que punições ou soluções morais são suficientes para resolver os problemas provocados pelo capitalismo.

“Vejam como o presidente (dos EUA, Barack) Obama tratou a questão do vazamento de petróleo no México. Um problema ambiental foi transformado em um problema legal. Discutiu-se o se a empresa teria de recompensar e de quanto seria essa multa. É ridículo tratar um caso desses como uma simples questão legal”, exemplifica.

A crise ambiental

Quando a preocupação com a degradação ambiental ganhou força, a mídia dizia que isso era coisa de comunista que estava arrumando uma desculpa para criticar o capitalismo, conta o filósofo. “Agora há um discurso mais ambíguo, os canais de comunicação dizem, por exemplo, que quando as camadas de gelo derreterem, vai ficar mais barato comprar os produtos chineses”, ironiza Zizek.

Para ele, há um “mecanismo de negação” em torno da questão ambiental. “Fala-se tanto da gravidade da natureza, de que o mundo pode acabar em um, dois anos, que isso amortiza a consciências das pessoas. Elas pensam: ‘Se eu falar muito nisso, talvez nada aconteça!’” ilustra o professor.

De acordo com Zizek, a ideia de sustentabilidade é um mito e não há “equilíbrio ideal com a natureza para o qual podemos retornar”. Uma das ideia mais difundidas é que devemos buscar pequenas soluções para o meio ambiente. “Vocês gostam de torcer no futebol, não? Quando vão ao estádio e ficam gritando e pulando, acham que isso faz o seu time vencer. A reciclagem é igual a essa torcida”, brinca Zizek.

Oriente Médio e África

Zizek aponta que as recentes manifestações no Oriente Médio e na África mostram, ao contrário do que o Ocidente afirmava, que eles são capazes de se organizar por questões que vão além do fundamentalismo ou do anti-ceticismo.

Para os padrões ocidentais, a liberdade em um país é medida, principalmente, na existência ou não de mecanismos eleitorais e no respeito aos direitos humanos. “A liberdade, como já dizia Marx, deve ser vista em como se dão as relações sociais. É preciso ver se as pessoas possuem liberdade dentro dos mecanismos sociais”.

Segundo o filósofo, o momento mais importante destas revoluções é o “dia seguinte”. “Estamos muito animados com estes recentes acontecimentos. Mas a verdadeira revolução precisa acontecer agora”.

Garantia Acme

Slavoj Zizek concluiu a palestra com a previsão de que, ainda que demore mais um tempo, o sistema global vai revelar como é frágil, apesar de aparentar ser invencível. “O capitalismo está na mesma situação do Coiote perseguindo o Papa-léguas. Ela já passou a linha do abismo, só falta ele olhar para baixo e ver que não está mais pisando no chão!”.

Fonte: Opera Mundi

Entre Marina e Ricupero, rebelo-me, vou de Rebelo

Reproduzo a seguir artigo de Paulo Vinícius sobre o código florestal e a satanização de Aldo Rebelo. Essa é uma reflexão importante.


Entre Marina e Ricupero, rebelo-me, vou de Rebelo

Paulo Vinícius *


É absurda a campanha de desconstruir o Aldo. Não há debate. Não há boa fé. O Código é uma incógnita nesse debate, e dá-me vontade de vomitar ouvir o oportunismo de certos defensores da "natureza". Fala sério... A ciumeira do protagonismo de Aldo é evidente, reluz gritante, porque ele de fato fez uma ampla aliança que se assenta sobretudo no setor produtivo, no campo, em milhões de pequenos agricultores e médios. E coloca para a esquerda o debate se devemos criminalizar a agricultura produtiva de grande escala. E, para mim, o inimigo é o capital financeiro.
A maior aliança com o "agronegócio" foi feita por Lula. E ainda que tenha sim críticas ao agronegócio, sou contrário à visão do MST que o demoniza, sem entender que o desenvolvimento agrícola em grande escala, a complementariedade com os setores pequenos, fazem e farão parte do Projeto Nacional de Desenvolvimento no Brasil. Sou contra jogar todo mundo na vala comum, assim como sempre fui solidário ao MST quando se o persegue. Mas eu sou contra mesmo é gringo querer dizer o que o Brasil deve fazer. Isso eu não admito. Mas tem gente que negocia, que coabita, que se locupleta, e que posa de bom moço, até que se evisceram suas podridões e sua sordidez surge, mais cedo ou mais tarde.

Se Aldo tem uma culpa, é essa transparência quixotesca que o vitima: ele encara, faz o que se exige de um parlamentar sério, negocia, transige, busca um meio termo, e foi levando o texto a seguidas alterações visando a criar uma ponte entre o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente, de acordo com uma visão nacional, que vê o Brasil como país que tem dentre suas matrizes econômicas a pequena, a média e a grande agricultura. Para impedir-nos de debater o tema, apela-se, cristianiza-se, lapida-se o Aldo. Em vez de um debate, é ao Aldo que se quer destruir. Ouvir de vendidos, aliados do capital financeiro, da CBN, impulsionadores da aliança com a grande propriedade desde a primeira hora - não nos esqueçamos - as barbaridades que se tem dito contra o Aldo é demais.

Cara de pau absurda é o Brasil não aplicar o código florestal existente, editar MPs expedidas pelo nosso governo em favor da agricultura brasileira que o fazem letra morta, e ver pusilânimes do partido da Presidente a assumir um discurso incompatível com suas ações. Mas depois, aposto, por coerência com a realidade, que se impõe, terão de o apoiar, sob pena de entregar nas mãos dos inimigos da agricultura brasileira os destinos do nosso campo.

O Aldo vai lá, põe a cara, e tentam crucificá-lo. Já o abandonaram e o traíram no passado, o ciúme de sua capacidade é público, e não me estranha que sigam a se aliar com o Greenpeace e com o capital financeiro para o achincalhar. Mas seu talento, sua preocupação com o país, sua habilidade, vão movendo obstáculos, apelando ao raciocínio. E mesmo que cometa este ou aquele erro, que se divirja dele, o mérito de sua coragem de enfrentar o debate - que continua após a votação na Câmara, pois o projeto vai ao Senado, ainda passa pela Dilma - é uma demonstração de grandeza que só poderia vir de gente de sua estirpe, desse filho de vaqueiro alagoano que honra o Brasil, e o ama. É uma histeria essa pressão contra o Aldo e sua proposta de Código Florestal. E uma histeria contra o desenvolvimento brasileiro.

E não posso me deixar dirigir nem pelos ambientalistas da CIA nem pelos fanáticos religiosos contrários ao desenvolvimento que tornam o debate impossível com seu falso moralismo. O tema é polêmico mesmo. Mas essa manipulação e o maniqueísmo são inaceitáveis.

E o Ricupero que fique na sua. Pra mim, esse não "ricupera" jamais sua credibilidade. Entre Marina e Ricupero, não me engano, rebelo-me, vou de Rebelo. Não tenho dúvida de que Aldo - a despeito de divergências que são normais - age de boa-fé e preocupado com o Brasil.

sábado, 21 de maio de 2011

Educação e Inclusão

A seguir reproduzo matéria do Jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul. A formatura desse aluno é a prova de que quando há vontade não há barreiras. Fiquei emocionado ao ler essas linhas e pensar na alegria e satisfação dos mestres que levaram esse rapaz a se formar. Me recordo nessa hora das palavras de Paulo Freire: "Só desperta paixão em aprender quem tem paixão em ensinar". Parabenizo ao Instituto Federal Sul Rio-grandense por essa vitória. O caminho da educação passa necessariamente pela inclusão.


MATÉRIA DO JORNAL ZERO HORA

Sancler Ebert, Zero Hora

O diploma entregue a Gustavo Bicca, 30 anos, neste sábado (2) à noite em Pelotas, representou uma conquista única para família do rapaz, assim como também para o país.

Formado em Agroindústria pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), Bicca é a primeira pessoa com síndrome de down a finalizar um curso técnico profissionalizante no Brasil.

- Como o país é pólo inovador em educação inclusiva na América do Sul, talvez ele seja também o pioneiro da América Latina, apostou o coordenador de educação profissional e tecnológica inclusiva do Ministério da Educação, Franclin Nascimento. O funcionário do MEC fez questão de participar da colação no Theatro Guarany, onde discursou sobre a inclusão de alunos.

Enquanto o curso normal tem três anos, Bicca levou quase nove para fazê-lo. Para o reitor do IFSul, Antonio Carlos Brodi, para que os alunos diferentes possam se desenvolver e se formar é preciso respeitar suas diferenças.

- Cada um tem seu tempo próprio, desenvolve de acordo com sua potencialidade. O senso comum diz que temos de tratar todos iguais. Ele demorou mais porque nós não estávamos preparados para ele, o que precisamos fazer foi preparar a instituição para receber todo tipo de estudante. Conclui.

Outro ponto abordado durante a formação de Bicca foi o pós-curso. De acordo com a diretora de ações inclusivas do IFSul, Gisela Loureiro Duarte, houve uma preocupação de que o estudante pudesse trabalhar após finalizar as aulas. Como a família de Bicca é proprietária de uma chácara, o recém-formado desenvolveu um projeto para cultivar e vender rosas.

- Assim ele pode agregar o conhecimento que aprendeu no curso com o que ele vai trabalhar ? reflete Gisela.

Pelotense deve continuar estudando

Perfeito. É assim que Bicca resume a noite em que se formou. O coração parecia que ia sair pela boca, confessa ele que estava nervoso com a colação. Com a capacidade de conquistar qualquer um com pouca palavras, o pelotense foi ovacionado ao ter seu nome chamado durante a formatura.

- Nos surpreendeu ver todos os outros colegas levantando e batendo palmas para ele, porque uma das maiores dificuldades para a inclusão é o preconceito ? conta a mãe do recém-formado, Marilene Bicca.

Antes mesmo de ter o diploma do curso técnico em mãos, o estudante já estava vivendo seu novo desafio. Matriculado no curso de jornalismo, Bicca tem participado de algumas disciplinas como aluno especial. O vestibular ele deve tentar no ano que vem. O seu sonho é trabalhar com marketing. Mas e as rosas, questionam os familiares? ? Vou continuar vendendo elas ? revela com um largo sorriso, pouco antes de oferecer a reportagem a compra de alguns botões da flor.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Novela das 8 da Globo e Daniel Dantas: Qualquer semelhança não é mera coincidência

Fui muito noveleiro na minha infância e adolescência. Gostava muito de Dias Gomes, infelizmente as boas novelas estão em extinção. Este gênero televisivo-literário que poderia servir para elevar o nível cultural do nosso povo tem se prestado a outros fins. Tenho visto aos sábados capítulos da novela Cordel Encantado, a fotografia é muito boa, o elenco também é bom. Quanto a novela das 8 nunca ví um minuto sequer. Mas não posso deixar de postar o link que leva ao sítio do Paulo Henrique Amorim e uma das cenas dessa novela. Vejam bem como a vida imita a arte. Cortez e Dantas quanta coincidência.

Clique aqui para ver a cena da novela:

http://www.conversaafiada.com.br/video/2011/05/05/video-bomba-globo-desmascara-banqueiro-corrupto/

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Contag quer votação do código florestal
































Nesta terça-feira (17), trabalhadores rurais de todo o Brasil se reúnem na Esplanada dos Ministérios, e Brasília (DF), para as manifestações do Grito da Terra Brasil 2011. A atividade, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), será aberta, às 14h30, em frente ao Congresso Nacional, onde a tônica política será a pressão para a votação do Código Florestal.

Em seguida, os sindicalistas se concentram em frente ao Ministério da Fazenda. Na pasta, eles reivindicam desbloqueio de recursos das políticas públicas fundamentais para a agricultura familiar. Este ano, a confederação pede o aporte de R$ 26 bilhões ao Governo Federal. Os recursos destinam-se ao assentamento de 20 mil famílias pelo Plano Nacional de Crédito Fundiário, Programa de Aquisição de Alimentos e Habitação Rural (PNHR), entre outros.

Na quarta-feira (18), o movimento continua com ato político, às 10 horas, em frente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), onde os trabalhadores cobrarão avanços nas políticas de reforma agrária, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do combate à pobreza. A partir das 14h, eles se concentram no Ministério do Trabalho para pedir mais rigor nas fiscalizações, regulamentação da contribuição sindical e do registro sindical.

Ainda na quarta-feira, está prevista a audiência entre a presidente Dilma Rousseff e a direção da Contag, às 15 horas, no Palácio do Planalto.

O Grito da Terra Brasil (GTB) é o principal evento da agenda do movimento sindical do campo que reúne anualmente milhares de trabalhadores rurais de todo o País em Brasília. O GTB é uma mobilização promovida pela Contag e apoiada pelas Federações dos Trabalhadores na Agricultura (Fetags) e pelos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STTRs) e possui um caráter reivindicatório. É por essa razão que a manifestação pode ser considerada como data-base dos agricultores familiares, dos trabalhadores sem-terra e dos assalariados e das assalariadas rurais brasileiras.

A pauta do GTB é ampla e reúne reivindicações relativas à política agrícola (assistência técnica, crédito), à reforma agrária (desapropriação de terras e criação e manutenção de assentamentos), às questões salariais (cumprimento e ampliação das leis trabalhistas) e às políticas sociais (saúde, previdência, educação e assistência social). A mobilização também defende os interesses das mulheres trabalhadoras rurais, da juventude rural e da população idosa do campo.

Aldo Rebelo e o Código Florestal























Temos assistido aos acalorados debates acerca do Novo Código Florestal Brasileiro. Creio que o debate é fundamental, mas esse debate deve ir ao âmago da questão. O Deputado Federal Aldo Rebelo tem feito uma condução muito apropriada deste tema. Essa condução vai na contramão da pós-modernidade e do multiculturalismo e é um claro recado àqueles "que passam a vida inteira travando a inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que tá o curinga do baralho" como dizia o grande Raulzito. Muito apropriadamente Aldo Rebelo se baseia na defesa do pequeno agricultor e na superação do ultrapassado código florestal da época do regime militar. Na proposta de Aldo Rebelo está clara a proposta de soberania nacional, apesar dos pós-modernos do Green Peace, WWF e da pseudo-esquerda tentarem classificar Aldo de "comedor de florestas".

Abaixo reproduzo texto de Bertha Maakaroun sobre o papel de Aldo nesta discussão.


Aldo e o ponto de equilíbrio entre preservacionistas e produtores

O que leva um político comunista bem sucedido, em sua quinta legislatura, a se meter em uma polêmica que até então não era sua praia? Relator do projeto de Lei 1876/99, o chamado Código Florestal, que põe em pé de guerra produtores rurais e ambientalistas, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) é político acostumado a desafios.

Por Bertha Maakaroun, no Estado de Minas

Jornalista de formação, Rebelo começou a sua carreira política como militante do movimento estudantil secundarista nos anos 1970. Era membro da extinta Ação Popular (AP). Em 1977, entrou para o PCdoB e lá ficou. Aldo Rebelo está em seu quinto mandato consecutivo. Antes, foi vereador por São Paulo. Foi durante o governo Lula que Aldo Rebelo enfrentou o seu maior desafio na política. Em novembro de 2005, tomou posse como presidente da Câmara dos Deputados, depois de vencer o então pefelista José Thomaz Nonô por 258 votos contra 243.

Depois da crise do mensalão, iniciada no primeiro semestre daquele ano, a sua eleição foi a primeira vitória dos governistas na Casa. Os anos seguintes ainda seriam difíceis para os apoiadores do governo Lula. Mas Aldo conduziu a Presidência da Câmara até 2007. Lula reconheceu os esforços de seu aliado naqueles difíceis momentos. Porém, o PT, não. Aldo Rebelo foi derrotado por Arlindo Chinaglia (PT-SP) quando em 2007 tentou a reeleição para a Presidência.

Ainda hoje, Aldo é tido como um dos 100 mais influentes na Câmara dos Deputados. Em decorrência de sua formação política, ele se inclina para propostas de cunho nacionalista tentando expressar a defesa dos interesses daquilo que interpreta como elementos da cultura e da economia do povo brasileiro. Daí os seus projetos de lei polêmicos, e até eventualmente caricaturais, como do Dia Nacional do Saci Pererê e a defesa da adição de10% de farinha da mandioca no chamado pão francês.

As iniciativas decorrem de uma leitura que o PCdoB faz da realidade global, na qual os interesses das nações menos desenvolvidas devem ser preservados em contraposição aos das potências mundiais. Dentro dessa linha de raciocínio, governos de inclinação nacionalista ou de esquerda tendem a receber o apoio da legenda. Comunista convicto, Aldo Rebelo é homem de partido e está entre aqueles que creem ser essa ideologia uma etapa da luta mundial para a superação dessa fase do capitalismo. Nesse contexto e a partir dessa leitura, Aldo tende a interpretar os movimentos ambientalistas como mais um estrangeirismo na realidade nacional: critica a inércia desses movimentos em seus países de origem e a sua ferrenha atuação no território nacional. Em seu site, defendendo-se de investidas contra a sua atuação como relator do novo Código Florestal, Aldo cita o Clube de Roma. " O Clube de Roma: uma ONG de magnatas do primeiro mundo, retomou a teoria segundo a qual a natureza já estava esgotada por eles e que os pobres passassem a poupar energia".

Pimenta

O movimento ambientalista tem os seus matizes e as suas colorações. O Clube de Roma não é propriamente a sua estrela maior. Seguramente, Aldo sabe disso. O deputado é experiente e calejado. Não entrou nesse debate à toa, mas justamente para explicitar a sua denúncia contra aquilo que classifica como a banda podre do movimento ambiental. São os interesses dos produtores rurais dos países do Primeiro Mundo que incentivam, por aqui, leis que não se praticam por lá. Mercado é concorrência. E na concorrência, pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Ao contrário de seus projetos anteriores, Aldo está envolvido em um debate em que os interesses parecem irreconciliáveis. De um lado, ruralistas querem a todo e qualquer custo derrubar todas as amarras ambientais às suas pretensões mercadológicas. De outro, ambientalistas, que querem preservar as reservas florestais e impedir o desmatamento.

Entre os dois polos, Aldo optou por um terceiro. Tomou como base a perspectiva dos pequenos produtores rurais e as suas agruras nesse conflito maior. Sob essa perspectiva, busca-se equilibrar para produzir um novo Código Florestal que não permita o desmatamento desenfreado, mas que tampouco imponha mais penalidades aos produtores rurais, especialmente aos pequenos produtores.

A tarefa é hercúlea. Aldo sabe. O campo de batalha é zona minada por interesses escusos e inconfessos. Os contendores acumulam anos de conflito e de batalhas. O grau de confiança entre ambos é zero. Onde nem a base aliada nem a oposição conseguem marchar unidas, Aldo persiste. Busca conciliar gregos e troianos. Acredita que pode buscar o ponto de equilíbrio entre preservacionistas e produtores. A tentativa é válida, pois o panorama hoje só gera incerteza. O atual Código Florestal Brasileiro é de 1965 e foi imposto pelos militares. O resultado ainda não sabemos, mas uma coisa é certa: qualquer que seja o formato final do projeto de lei, a guerra continuará. Troia é eterna. Alguma natureza, provavelmente... Porém, serão gregos ou troianos?

Olival Freire Júnior: Importância dos cientistas para a sociedade


Reproduzo a seguir entrevista do Coordenador do Conselho de Ciência e Tecnologia do MCT, Prof. Olival Freire Júnior em que o mesmo destaca a importância dos cientistas para sociedade.




“Sociedade precisa dar valor aos cientistas”, diz Olival Freire

Em entrevista ao Portal Vermelho, o coordenador do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, Olival Freire, fala sobre os desafios do setor no país. Para ele, é preciso investir mais em inovação, incentivar a participação de empresas privadas nessa área, ampliar o peso da produção com maior conteúdo tecnológico na indústria brasileira e, principalmente, fazer com que a sociedade valorize a ciência e a tecnologia.

Segundo ele, fazer com que este setor avance ainda mais é uma questão que depende não só do governo, mas também do Congresso Nacional e, mais ainda, da sociedade. Olival defende que os parlamentares precisam rever a nova legislação do pré-sal, que terminou por pulverizar recursos antes destinados especificamente ao desenvolvimento científico e tecnológico.
“Se o Brasil pretende ter uma inserção soberana na área internacional, é preciso alterar o perfil da indústria brasileira, para ampliar o peso da produção com maior conteúdo tecnológico”, avalia Olival Freire, que aponta ainda uma clara assimetria no desenvolvimento científico e o tecnológico no Brasil.

Olival Freire também chama a atenção para o fato de que não há, no país, uma cultura de valorização dos cientistas. “A sociedade precisa valorizar seus engenheiros e cientistas da mesma forma que valoriza seus jogadores de futebol, suas atrizes e seus cantores, para chegar a uma comparação extremada”, diz.

Questionado sobre o contingenciamento de recursos da pasta de Ciência e Tecnologia, definido no início da gestão da presidente Dilma Rousseff, Olival afirmou que ele não será um problema para os projetos em curso. Mas advertiu que, caso essas restrições permaneçam ao longo do governo, a situação será grave, porque significaria limitar uma expansão necessária. “Limitar a expansão no Brasil hoje seria um quadro seríssimo”.

Portal Vermelho: Como o senhor avalia o cenário da Ciência e Tecnologia no país hoje?
Olival Freire: Nós temos um cenário que, por um lado, é marcado por um grande progresso da ciência brasileira, que resulta do esforço acumulado nos últimos 50, 60 anos, mas, em particular, de um esforço concentrado a partir da década de 70 e, mais em particular ainda, de um esforço de apoio a partir do ano 2000, especialmente nos dois governos Lula.

Temos vários indicadores desse avanço. O Brasil forma hoje quase 12 mil doutores por ano, ocupa, no ranking das nações com números de publicações indexadas em revistas qualificadas, uma posição muito boa, é o 13º.

Em alguns setores da economia há uma clara interação positiva entre desenvolvimento científico e tecnológico e desenvolvimento econômico. Como exemplo, temos o caso da indústria do petróleo, da aeronáutica. Nós não podemos conceber a Embraer que existe hoje sem a criação do ITA, no início dos anos 50. E há razoável consenso de que, sem a Embrapa, não teríamos chegado à posição que temos hoje em relação ao agronegócio.

Por outro lado, esse cenário não pode nos levar a uma posição de acomodação, de tranquilidade. Porque temos desafios para o desenvolvimento do país, que dependem crucialmente do desenvolvimento em ciência, da tecnologia e da melhoria das condições de educação.

Portal Vermelho: Que desafios são esses?
Olival Freire: O principal deles diz respeito ao seguinte: a força econômica do Brasil hoje está muito concentrada na produção de commodities, em mercadorias como petróleo, minerais, agricultura e pecuária. E, em geral, nossa produção não incorpora um volume muito significativo de conhecimento tecnológico.

Então, se o Brasil pretende ter uma inserção soberana na área internacional, e esse é o projeto do governo, nós temos que alterar o perfil da indústria brasileira, de modo a aumentar o peso daquela produção com maior conteúdo tecnológico.

Aqui no Ministério (de Ciência e Tecnologia) se costuma utilizar um número que ajuda a ilustrar essa questão: pra importar uma tonelada de circuitos integrados - todos esses computadores e aparatos de informática que o Brasil importa - o valor disso é basicamente o equivalente ao valor de 21 mil toneladas de minério de ferro ou 1,7 mil toneladas de soja.

Esse cenário é agravado por um desequilíbrio que o Brasil passa a ter nas contas, na medida em que os valores que temos gasto com importação nos últimos anos, em produtos de alta tecnologia, tem aumentado consideravelmente.

E, normalmente, os setores que exigem maior conteúdo tecnológico são setores da economia que oferecem empregos mais qualificados. Costumo sempre comparar dois extremos, os trabalhadores da construção civil, com os da Embraer. É evidente então que temos interesse em um número maior de empregos mais qualificados.

Portal Vermelho: Quais os principais problemas na gestão de Ciência e Tecnologia?
Olival Freire: Nós temos um problema crucial que diz respeito à inovação. O número que normalmente chama a atenção é o de que, em qualidade da pesquisa, a gente está em 13ª posição no cenário internacional. Mas, quando olhamos, por exemplo, o número de patentes, a gente vai lá para trás. Vamos para a 40ª posição, coisa desse tipo.

Então temos uma clara assimetria no desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil. Vários fatores têm contribuído para isso. Um deles é o fato de que o investimento privado em ciência e tecnologia no país é extremamente limitado.

Temos 1,2% do PIB investido em Ciência e Tecnologia. Mas, quando a gente desagrega esse número e o compara com outros países em desenvolvimento, vemos que o investimento público e estatal no Brasil não é um problema absolutamente crucial, ainda que precise ser ampliado. É no investimento privado que nós perdemos feio.

Portal Vermelho: E como resolver essas questões?
Olival Freire: Temos que aumentar o investimento privado, por exemplo, com a criação de centros de pesquisa, com atração de centros de pesquisa estrangeiros para o Brasil. A GE, por exemplo, está construindo um centro de pesquisa na ilha do fundão, junto à UFRJ.

O ministério está trabalhando também a ideia de criação de novos fundos setoriais, fundos de captação de recursos de setores da economia para financiar o desenvolvimento tecnológico daqueles setores. Estamos propondo fundos dos setores automotivo, financeiro , da construção civil e da mineração. Essa é uma fórmula que foi muito positiva nos últimos dez anos, por exemplo, com o fundo do petróleo, que tem sido essencial no desenvolvimento científico e tecnológico da área da cadeia do petróleo.

Outra questão que já tinha sendo tratada e que o ministério pretende enfatizar é que as dificuldades não são só do lado das empresas, mas no mundo acadêmico brasileiro. Nós temos ainda uma cultura avessa, na academia, à interação com as empresas.

Já nas gestões anteriores, o governo tomou uma série de providências no sentido de colocar bolsas de pesquisas para a colocação de doutores em empresas e medidas desse tipo. Outra medida que está sendo analisada é a transformação da Finep em um banco de inovação, de modo que ela possa ter uma estrutura mais robusta de financiamento à inovação, com mais recursos e mais flexibilidade.

Também há a expectativa de um plano pró-engenharia, que envolve desde a oferta de bolsas para formar engenheiros, alguns estímulos para atrair e manter os estudantes nas escolas de engenharia, quanto a reformulação do ensino de engenharia, de modo que esse conjunto de esforços possa fazer face a um gargalo que há nessa área.

Portal Vermelho: Qual o papel da Ciência e Tecnologia no governo Dilma? Quais as expectativas para esta área?
Olival Freire: A sinalização é, no mesmo sentido do governo interior, de incremento na área. O assunto foi tema de campanha, foi tema do primeiro discurso da presidente Dilma e um aspecto importante é que ela tem colocado a ciência e tecnologia na agenda da diplomacia brasileira. Por exemplo, nos entendimentos com a China e os Estados Unidos, o componente ciência e tecnologia teve papel muito importante

Então, certamente, todos nós temos uma elevada expectativa quanto a esse compromisso. O que não significa que não existam dificuldades, especialmente momentâneas, relacionadas a esses ajustes que o governo vem promovendo no início da gestão.

Portal Vermelho: O contingenciamento de recursos pode afetar projetos em andamento?
Olival Freire: Eu acho que o problema desse corte no orçamento não é tanto comprometer os projetos em curso. O problema é que vivemos uma fase de expansão, e uma expansão absolutamente necessária. E é claro que, se prevalecessem essas restrições ao longo de todo o governo, nós estaríamos diante de um quadro problemático, porque estaríamos limitando a expansão. Limitar a expansão no Brasil hoje seria um quadro seríssimo.

Então a nossa expectativa e luta é por uma modificação nesse cenário. Agora é uma luta que é do ministério, certamente a presidente Dilma tem uma posição favorável, mas é uma posição que depende também do Congresso Nacional e da sociedade brasileira.

Depende do congresso porque, por exemplo, antes, havia um percentual do fundo do petróleo que era destinado especificamente para ciência e tecnologia. E, depois que a legislação do pré- sal foi aprovada,a distribuição desse percentual está descrita de forma genérica entre o que se chamou de obrigações sociais, e distribuído também com estados e municípios.

Temos consciência de que, com isso, não enfrentamos uma pagão de ciência e tecnologia em 2011 porque o presidente Lula, no último dia do governo, baixou um decreto, sustando por um ano a aplicabilidade desse aspecto da legislação do pré-sal. Então nós temos que modificar essa legislação.

Portal Vermelho: E como sensibilizar para essa mudança?
Olival Freire: O ministro esteve na Câmara e no Senado, aparentemente a reação inicial foi positiva, mas, em minha opinião, a ciência e tecnologia ainda são pouco valorizadas no cenário da cultura brasileira.

A sociedade precisa valorizar seus engenheiros e cientistas da mesma forma que valoriza seus jogadores de futebol, suas atrizes e seus cantores, para chegar a uma comparação extremada. De maneira mais específica, me chamou a atenção, por exemplo, que na composição do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, não tenha nenhuma central sindical.

O que significa isso? Não interessa ao trabalhador brasileiro a política de ciência e tecnologia? Eu acho que interessa. Agora porque não tem central sindical? Certamente isso é um vício do decreto que regulamentou esse conselho há muito tempo, mas expressa também pouco empenho das centrais em interferir nas questões de ciência e tecnologia

Então tem que convencer o Congresso a reformar a lei, e tem a questão cultural. E a questão cultural às vezes está em uma camada do nosso imaginário que é mais profunda do que a questão política. Ninguém vai dizer que ciência e tecnologia não é um gasto tão relevante, mas no fundo age como se não fosse.

Portal Vermelho: O CNPq está fazendo 60 anos. Que contribuição o senhor avalia que o conselho tem dado à ciência brasileira?
Olival Freire: Eu comecei esta entrevista dizendo que temos um progresso nessa área que é resultado de um esforço de 50, 60 anos. E nesse período, nós tivemos marcos fundamentais, como a criação do CNPq.

No pós-guerra o mundo compreendeu claramente o papel da Ciência e Tecnologia. O radar e a bomba atômica tiveram papel crucial na guerra. Então o mundo saiu da 2ª guerra entendendo que não pode ter país desenvolvido ou independente se não tiver desenvolvimento científico e tecnológico.

Nesse espírito, o Brasil criou o CNPq e a Caps, no mesmo ano, e também foi criado o ITA. Muito do que temos hoje de positivo na ciência brasileira tem uma fórmula simples: se você leva 60 anos apoiando uma atividade, com incentivos e bolsas, essa atividade vai frutificar.

O povo brasileiro não é nem mais nem menos inteligente que qualquer outro povo. Nesses 60 anos, com o CNPq dizendo que quem produzir e publicar vai ter incentivo, a sociedade brasileira passou a encarar a atividade científica como uma atividade importante. O CNPq mais que uma agência financiadora, é um símbolo, um ícone.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Entrevista com o Prof. Luiz Pinguelli Rosa, candidato à presidência da SBPC

Luiz Pinguelli Rosa: “A SBPC deve assumir o debate dos grandes temas nacionais”
Por Fábio Palácio
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) encontra-se em pleno processo eleitoral para a escolha de seu novo presidente, que comandará a entidade maior dos cientistas brasileiros no biênio 2011-2013. A votação, realizada por meio de cabines eletrônicas abertas aos sócios quites da entidade, ocorre até o próximo dia 1º de junho. Candidato apoiado por diversos segmentos do campo democrático e progressista, Luiz Pinguelli Rosa falou a Grabois.org, em encontro realizado no último dia 9 no Rio de Janeiro, sobre os desafios atuais da ciência brasileira e as razões que motivam sua candidatura à Presidência da SBPC.

Pinguelli Rosa é doutor em Física e mestre em Engenharia Nuclear. Foi presidente da Eletrobrás e diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) por 3 mandatos. Foi também secretário geral da Sociedade Brasileira de Física (SBF) por dois mandatos e membro dos conselhos da SBPC e da SBF. Atualmente é diretor da Coppe, professor titular do Programa de Planejamento Energético da mesma instituição e secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Bolsista de Produtividade em Pesquisa 1A do CNPq, realiza pesquisas em planejamento energético, mudanças climáticas e epistemologia e história da ciência.

Grabois.org – Quais os desafios da ciência brasileira neste início de século 21?

Luiz P. Rosa – O grande desafio da ciência brasileira é avançar no conhecimento, posicionando-se na fronteira. Precisamos nos ombrear com o que está sendo feito no mundo inteiro, porque a ciência é totalmente internacionalizada. Ao mesmo tempo, essa produção de conhecimento precisa estar sintonizada com os interesses do país.

O Brasil tem uma dívida social imensa. Mesmo com o inegável avanço dos últimos anos, quando conseguimos retirar da pobreza extrema cerca de 30 milhões de brasileiros, há ainda muitos milhões de brasileiros em situação precária. Mesmo esses 30 milhões que saíram da pobreza estão em situação diferente daquela da grande classe média da região Sudeste, da região Sul. De meu ponto de vista, portanto, a ciência tem de atentar para a questão de como avançar no conhecimento colocando-o, ao mesmo tempo, a serviço do país, e particularmente de sua população mais pobre.

Grabois.org – Isso inclui a aplicação do conhecimento na indústria, na agricultura, nos serviços?

Luiz P. Rosa – Claro! Hoje o Brasil está se especializando na produção de produtos primários. Exportamos soja, exportamos minério de ferro e alguns poucos produtos industrializados – aviões da Embraer, veículos automotores etc. Enquanto isso, países como a Coreia do Sul e principalmente a China, que estavam em situação igual ou pior que a do Brasil há poucas décadas, hoje estão se industrializando rapidamente, fabricando produtos de alto valor agregado com conteúdo tecnológico, formando muitos milhões de engenheiros. Já o Brasil não seguiu esse caminho. Houve uma bifurcação histórica e que nós não conseguimos ainda resolver: como o Brasil pode passar a produzir bens de mais alto valor agregado, que exigem qualificação profissional melhor. Produzir bens desse tipo significa gerar empregos de alto nível e aumentar a renda da população.

Grabois.org – Isso coloca um grande desafio também para nossa educação básica?

Luiz P. Rosa – Sim, e ela é um dos pontos mais vulneráveis. Penso que devemos prestar muita atenção nisso. Sabemos, por exemplo, que há um déficit de engenheiros no Brasil. Na conta de engenheiros por mil habitantes, estamos muito atrás (como eu falei) da Coreia e da China, por exemplo. Mas o problema não é só esse. É preciso cuidar da educação como um todo. O pior da educação é o nível fundamental. Entre aqueles que entram no primeiro ano do ensino fundamental – predominantemente público – e os que entram na universidade há um afunilamento terrível. Aí está uma das maiores injustiças do Brasil: o péssimo nível do ensino fundamental.

Grabois.org – Quais os grandes desafios da SBPC na atualidade?

Luiz P. Rosa – A meu ver a SBPC deve atuar em torno de três grandes eixos: a ciência – e junto dela a tecnologia e a inovação –, a educação e o meio ambiente, que sem dúvida nenhuma é um problema importantíssimo para o Brasil. A SBPC precisa orientar esse debate. Nosso país tem de equacionar a questão do meio ambiente e ao mesmo tempo retirar essa grande camada da população da extrema pobreza. Eu não concordo em manter as pessoas num lugar às vezes sem quaisquer meios tecnológicos, vivendo apenas dos recursos naturais, expostas a doenças. Para mim isso é um equívoco. Todos nós brasileiros merecemos o mesmo nível de vida.

Grabois.org – Por que o senhor é candidato a presidente da SBPC?

Luiz P. Rosa – Fui apresentado pelo Conselho como candidato e aceitei porque acho que se deve estimular um debate. Não tenho nada contra a Helena Nader [presidente da SBPC desde fevereiro de 2011 e candidata a novo mandato], até mesmo porque ela veio da gestão do Marco Antônio Raupp, que me apóia, que eu considero uma pessoa extremamente importante para a SBPC e com quem tenho grande identidade de pontos de vista. Mas acho que é necessário debater essas questões que apontei.

Participei muito das campanhas e atividades da SBPC. Fui secretário-geral da Sociedade Brasileira de Física por dois mandatos – um deles com o José Goldemberg [presidente da Sociedade Brasileira de Física de 1975 a 1979] e outro com o Mário Schenberg [1914-1990, presidente da Sociedade Brasileira de Física entre 1979 e 1981], considerado por muitos um dos físicos teóricos da velha guarda mais importantes do Brasil, e que foi inclusive personagem histórico da esquerda brasileira. Vivi naquele tempo a transformação da SBPC – como também da Sociedade Brasileira de Física – na direção de assumir os grandes temas nacionais, que eram ligados basicamente à resistência à ditadura. É claro que os problemas hoje são outros, são mais diversificados. Há, por exemplo, o Código Florestal – tema sobre o qual a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências não poderiam ter deixado de se manifestar. Mas eu acho que se tem de ir muito mais adiante. E nisso eu poderia contribuir na SBPC, dada minha experiência. Fui um dos fundadores da Associação Nacional dos Docentes, na época em que o movimento docente era um movimento de resistência à ditadura militar e a favor da democratização da universidade, da liberdade acadêmica, da volta dos afastados pelo AI-5... Essa foi uma experiência importante da qual tive a oportunidade de participar.

Mais tarde, como afirmei há pouco, compus a Sociedade Brasileira de Física num período de críticas profundas ao acordo nuclear Brasil-Alemanha. Foi um período de intensa ação das sociedades científicas – falo em particular da Sociedade Brasileira de Física e da SBPC – que hoje está superado. O grande problema do país não é mais a resistência a alguma coisa, mas sim a construção de um novo projeto de país. Avançamos muito, mas há ainda muitas questões em aberto, há muito que ser feito. E isso extrapola stricto sensu a atuação dos partidos políticos. Há questões transversais, como ciência, tecnologia, educação e meio ambiente. Em síntese, penso que a SBPC deve assumir abertamente o debate dos grandes temas nacionais a partir dessas questões.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tese de Michael Moore sobre a morte de Bin Laden


Charge de Bello

Vejam que eu não sou o único a elaborar teses sobre a morte do Bin Laden (vejam minha tese no link: http://emlugardeumacarta.blogspot.com/2011/05/tese-sobre-morte-sobre-osama-bin-laden.html">). Abaixo está a tese do grande cineasta estadunidense Michael Moore (Diretor de Tiros em Columbine, Sicko, Fahrenheit 11 de setembro e Capitalismo uma história de amor, etc). Sinceramente, com todo o respeito ao Michael, minha tese ainda é melhor! Hehehehehehehehehehehehehehehehehehehehehe!!!

Para Michael Moore, Bin Laden estava em “prisão domiciliar”
Redação Carta Capital 5 de maio de 2011 às 20:48h

O cineasta americano Michael Moore desenvolveu uma curiosa tese sobre as circunstâncias que resultaram na morte de Osama Bin Laden, líder da rede Al Qaeda. Na quarta-feira 4, pelo Twitter (@MMFlint), o documentarista sugere que o terrorista saudita estava detido no Paquistão há ao menos seis anos, numa espécie de “prisão domiciliar da West Point deles (West Point é o nome da mais antiga academia militar norte-americana) .”

Os paquistaneses, continua Moore, teriam feito um pacto com o governo americano. “Eles o segurariam ali e o impediriam de cometer mais ações terroristas. Mas Bin Laden provavelmente se encheu e começou a planejar alguma coisa…”. Essa seria a razão para o Paquistão abdicar da custódia do preso e permitir a operação da CIA em seu território. “Há alguma chance de helicópteros voarem ao lado de uma base militar, uma ‘West Point’, ter um tiroteio, um helicóptero explodir e nem policiais, nem soldados do Paquistão darem as caras?”, indaga o cineasta.

“Por favor! O Paquistão simplesmente não podia ser visto participando disso ao nosso lado. E por favor – a CIA não sabia que ele estava morando lá há seis anos?”, escreve em outro comentário no Twitter. “Enquanto não estivesse liderando o terror, Bin Laden vivo servia a um propósito. A gente tem que entender: A indústria da guerra precisa do medo para fazer dinheiro. Quando não foi mais necessário [ao governo dos EUA], ou ele voltou aos seus velhos hábitos, teve se ser eliminado. Que diabos, vamos falar claro: Ele foi executado, ponto.”

Antes de desenvolver essa tese, o aclamado diretor dos documentários Tiros em Columbine, vencedor do Oscar de 2002, e Fahrenheit 9/11, sobre os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, zombou da suposta ingenuidade dos analistas políticos. “Do meu blog, em 10 de outubro: ‘Se há algo que aprendi sobre os ricos é que eles não vivem em cavernas por nove anos’. Lição: Analistas = Idiotas”. Em outros comentários, o deboche é ainda maior. “Por que não acredito que ele estava numa caverna? Osama bin Laden era um multimilionário. Multimilionários não vivem em cavernas. Eu já conheci pessoas ricas. Elas odeiam cavernas”, afirmou num tweet. “Eu disse que Bin Laden não estava numa caverna três anos atrás no programa Larry King (Larry admitiu que ele também não vivia numa caverna: “Eu moro em Las Vegas”). Aliás, Batman é o único milionário conhecido que viveria numa caverna e mesmo ele não “mora” realmente lá. Ele só vai lá para se trocar.”

Após lançar os comentários na rede social, Moore, que se notabilizou pelos documentários, e não pela ficção, pediu desculpas aos leitores pelo excesso de tweets sobre a sua tese. “É só que eu acho que não estão nos dizendo a verdade. Não acho que há uma conspiração, é só que eu gosto dos fatos.”

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Woody Allen cita obra de Machado de Assis entre 5 melhores livros






"O recebi pelo correio um dia. Um brasileiro o enviou e escreveu: você irá gostar. Porque era um livro fino, o li. Se fosse grosso, eu o teria descartado". Conforme relatou o cineasta norte-americano Woody Allen ao jornal britânico The Guardian, o primeiro encontro dele com a célebre obra do escritor brasileiro Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, na tradução para o inglês, Epitaph of a Small Winner, foi marcado por desconfiança.
No entanto, após a leitura, o livro acabou se tornando um dos cinco melhores na opinião de Allen, que também citou O Apanhador no Campo de Centeio, de JD Salinger, e a biografia do diretor de cinema Elia Kazan como obras indispensáveis.

Escrito no século XIX, Memórias Postumas de Brás Cubas impressionou Allen pela atualidade e criatividade da narrativa. "Você poderia pensar que ele o escreveu ontem. É tão moderno e divertido. É um assunto do qual eu gosto e que foi tratado com grande perspicácia, grande originalidade e sem sentimentalismo", afirmou o cineasta.

No livro, o "defunto-autor" Brás Cubas narra em primeira pessoa sua autobiografia. Nascido numa típica família da elite carioca, do túmulo, o morto escreve suas memórias póstumas começando com uma "Dedicatória": "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas".

Traduzido pela primeira vez para o francês, em 1911, Memórias Postumas de Brás Cubas ganhou posteriormente versões para o inglês, italiano, espanhol, dinamarquês, alemão, holandês, dentre outras línguas, tornando-se um romance universal e de grande sucesso fora do Brasil.

Fonte: Opera Mundi

Barack Obama: um Nobel sem escrúpulos


Charge de Bira - Dispensa comentários


Do Blog do Miro:

Reproduzo artigo de Atilio Boron, publicado em seu blog:

A notícia do assassinato de Osama Bin Laden oferece um sinal a mais dentre os muitos que ilustram a profunda crise moral da “civilização ocidental e cristã” que os Estados Unidos dizem representar. Para além da rejeição que nos provocava o personagem e seus métodos de luta, a natureza da operação levada a cabo pelos seals da Armada dos Estados Unidos é um ato de inqualificável barbárie perpetrado sob as ordens diretas de um personagem que com suas condutas cotidianas desonra a atribuição que lhe outorgou o Parlamento norueguês ao consagrá-lo como Prêmio Nobel da Paz do ano de 2009.

De acordo com o estabelecido por Alfred Nobel em seu testamento esta distinção, devemos recordar, devia ser concedida “à pessoa que mais ou melhor trabalhou em favor da fraternidade entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos existentes e a celebração e promoção de processos de paz.” O energúmeno que anunciou ao povo estadunidense a morte do líder da Al-Qaeda dizendo que “a justiça foi feita” é a antítese perfeita do estipulado por Nobel. Um comando operativo é o menos parecido ao devido processo, e lançar os restos de sua vítima ao mar para ocultar os vestígios do que se fez é ato próprio de mafiosos ou genocidas. O mínimo que deveria fazer o Parlamento norueguês é exigir que ele devolva o prêmio.

Na truculenta operação encenada nos arredores de Islamabad há múltiplas interrogações que permanecem nas sombras, e a tendência do governo dos Estados Unidos a desinformar a opinião pública torna ainda mais suspeita esta operação. Uma Casa Branca vítima de uma doentia compulsão por mentir (lembrar a pequena história das “armas de destruição em massa” existentes no Iraque, ou o infame Informe Warren que sentenciou que não houve conspiração no assassinato de Kennedy, obra do “lobo solitário” Lee Harvey Oswald) nos obriga a analisar com cuidado cada uma de suas afirmações.

Era Bin Laden ou não? Por que não pensar que a vítima poderia ser qualquer outro? Onde estão as fotos, as provas de que o falecido era o procurado? Se foi tirada uma prova de DNA, como ela foi obtida, onde estão os resultados e quem foram as testemunhas? Por que este teste não foi apresentado perante consideração pública, como se fez, sem ir mais longe, com os restos do comandante Ernesto “Che” Guevara? Se, como se assegura, Osama se ocultava numa mansão convertida numa verdadeira fortaleza, como é possível que em um combate que se estendeu durante 40 minutos os integrantes do comando estadunidense regressaram à sua base sem receber sequer um arranhão? Tão pouca pontaria teriam os defensores do fugitivo mais procurado do mundo, do qual se falava que possuía um arsenal de armas mortíferas de última geração? Quem estava com ele?

Segundo a Casa Branca o comando matou Bin Laden, seu filho, outros dois homens sob sua tutela e uma mulher que, asseguram, foi intimada a ser utilizada como escudo humano por um dos terroristas. Também se disse que mais duas pessoas ficaram feridas no combate. Onde estão, e o que vai ser feito delas? Serão levadas a julgamento, darão depoimento para lançar alguma luz sobre o ocorrido, falaram em uma coletiva de imprensa para narrar o acontecido? Pelo que parece esta “proeza” passará à história como uma operação mafiosa, ao estilo da matança de San Valentín ordenada por Al Capone para liquidar os capangas do lado rival.

Osama vivo era um perigo. Se sabia (ou sabe) demasiadamente, e é razoável supor que a última coisa que o governo estadunidense queria era levá-lo a julgamento e deixá-lo falar. Neste caso seria desatado um escândalo de enormes proporções ao revelar as conexões com a CIA, os armamentos e o dinheiro investido pela Casa Branca, as operações ilegais montadas por Washington, os obscuros negócios de sua família com o lobby petroleiro estadunidense e, muito especialmente, com a família Bush, entre outras trivialidades.

Em suma, um testemunho que haveria de ser silenciado de qualquer forma, como Muammar Gadafi. O problema é que já morto, Osama se converte para os jihadistas islâmicos em um mártir da causa, e o desejo de vingança seguramente impulsionará às muitas células adormecidas da Al-Qaeda a perpetrar novas atrocidades para vingar a morte de seu líder.

Tampouco deixa de chamar a atenção o quão oportuna foi a morte de Bin Laden. Quando o incêndio da seca na pradaria do mundo árabe desestabiliza uma área de crucial importância para a estratégia de dominação imperial, a notícia do assassinato de Bin Laden reinstala a Al-Qaeda no centro do cenário. Se há algo que a esta altura é uma verdade irrefutável é que essas revoltas não respondem a nenhuma motivação religiosa. Suas causas, seus sujeitos e suas formas de luta são eminentemente seculares e em nenhuma delas – desde Tunísia ao Egito, passando por Líbia, Barein, Iêmen, Síria e Jordânia – o protagonismo recaiu sobre a Irmandade Muçulmana ou Al-Qaeda.

O problema é o capitalismo e os devastadores efeitos das políticas neoliberais e os regimes despóticos que ele instalou nestes países e não as heresias dos “infiéis” do Ocidente. Mas o imperialismo estadunidense e seus capangas na Europa aguardaram, desde o princípio, para fazer aparecer estas revoltas como produto da malícia do radicalismo islâmico e Al-Qaeda, coisa que não é certa.

Santiago Alba Rico observou com razão que em pleno auge destes protestos seculares – anti-políticas de ajuste do FMI e do Banco Mundial – um grupo fundamentalista desconhecido até então assassinou o cooperante italiano Vittorio Arrigoni, ativista do Movimento de Solidariedade Internacional, em uma casa abandonada na Faixa de Gaza. Poucas semanas depois, um terrorista suicida estourou uma bomba na praça Yemaa el Fna, um dos destinos turísticos mais notáveis não só do Marrocos, mas de toda a África, e mata ao menos 14 pessoas.

“Agora – continua Alba Rico – reaparece Bin Laden, não vivo e ameaçador, mas com toda a glória de um martírio adiado, estudado, cuidadosamente encenado, um pouco inverossímil. “A justiça foi feita, disse Obama, mas a justiça exige tribunais e juízes, procedimentos sumários, uma sentença independente.” Nada disso ocorreu, nem ocorrerá. Mas o fundamentalismo islâmico, ausente como protagonista das grandes mobilizações do mundo árabe, aparece agora em primeiro plano em todos os jornais do mundo e seu líder como mártir do Islã assassinado a sangue frio pela tropa do líder do Ocidente. A Casa Branca, que sabia desde meados de fevereiro deste ano que nesta fortaleza nos arredores de Islamabad se refugiava Bin Laden, esperou o momento oportuno para lançar seu ataque tendo em vista posicionar favoravelmente Barack Obama na iminente campanha eleitoral pela sucessão presidencial.

Há um detalhe nada anedótico que torna ainda mais imoral a bravata estadunidense: poucas horas depois de ser abatido, o cadáver do presumido Bin Laden foi lançado ao mar. A mentirosa declaração da Casa Branca diz que seus restos foram sepultados respeitando as tradições e os ritos islâmicos, mas não é bem assim. Os ritos fúnebres do Islã estabelecem que se deve lavar o cadáver, vesti-lo com uma mortalha, proceder com uma cerimônia religiosa que inclui orações e honras fúnebres para logo em seguida seguir para o enterro do defunto. Além disso, se especifica que o cadáver deve ser depositado diretamente na terra, recostado sobre seu lado direito, e com a face dirigida à Meca.

Com que pressa tiveram que ser feitos o combate, a recuperação do cadáver, sua identificação, a obtenção do DNA, o traslado em um navio da Armada estadunidense, situado a pouco mais de 600 km do subúrbio de Islamabad onde se produziu o enfrentamento e finalmente navegar até o ponto onde o cadáver foi lançado ao mar para respeitar os ritos fúnebres do Islã? Na realidade, o que se fez foi abater e “desaparecer” com uma pessoa, presumidamente Bin Laden, seguindo uma prática sinistra utilizada sobretudo pela ditadura genocida que assolou a Argentina entre 1976 e 1983. Ato imoral que não somente ofende às crenças muçulmanas, mas também uma milenar tradição cultural do Ocidente, anterior inclusive ao cristianismo.

Como o atesta magistralmente Sófocles em Antígona, privar um defunto de sua sepultura acende as mais amargas paixões. Estas que hoje devem estar incendiando as células do fundamentalismo islâmico, desejosas de castigar os infiéis que ultrajaram o corpo e a memória de seu líder. Barack Obama acaba de dizer que depois da morte de Osama Bin Laden o mundo é um lugar mais seguro para se viver. Equivoca-se de pouco em pouco. Provavelmente sua ação não fez senão despertar um monstro que estava adormecido. O tempo dirá se assim será ou não, mas sobram razões para ficarmos preocupados.

* Traduzido por Cainã Vidor e publicado na Revista Fórum.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Melhoria da distribuição de renda é consequência de mais educação


Primeiro foi o IPEA que afirmou que cada R$ 1,00 investido em educação resulta em R$ 1,80 no PIB. Agora quem fala é a FGV. A educação é o caminho.


Da FGV - Contribuição do Prof. Gustavo Lemos

Quarta-feira, 04 de maio de 2011 - 19:12

Estudos do economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicam que o aumento da escolaridade dos brasileiros se reflete diretamente na melhoria da renda. No período de 2000 a 2010, a escolaridade dos 20% mais pobres da população cresceu 55,6% e a renda 49,5%; no grupo dos 20% mais ricos, a escolaridade subiu 8,12% e a renda, 8,9%.

Néri analisou dados da década utilizando informações colhidas pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). No recorte educação, que faz parte do estudo divulgado na última terça-feira, 3, o economista também elaborou tabelas sobre as regiões, os estados e destacou o efeito educação sobre populações branca, preta, parda.

A comparação de dados sobre as regiões Nordeste, a mais pobre do país, e Sudeste, a mais rica, revela um crescimento expressivo do Nordeste. O efeito educação sobre a população nordestina foi de 30,68% na década, acompanhando de um crescimento de 29,49% da renda. No Sudeste, o crescimento educacional foi de 15,67%, enquanto a renda subiu 8,6%.

No Maranhão, considerado o estado mais pobre do país, o crescimento da educação na década foi de 42,34%, a renda aumentou 36,48%. Em São Paulo, que é seu contraponto, a educação cresceu 15,22%, e a renda, 1,54%.
Quando são analisados os dados sobre educação e as raças, pretos e pardos obtêm conquistas superiores aos brancos em todo o país. A escolaridade dos pretos subiu 30,77% na década e a renda, 31,48%; entre os pardos, a escolaridade cresceu 30,17% e a renda, 37,03%. Já entre os brancos, o estudo aumentou 16,10% e a renda aumentou em 12,42.

Especialistas comentam a pesquisa:

Clélio Campolina, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – “Vários mecanismos promovem a ascensão social, mas a educação entre todos é o que tem um impacto brutal de mudança. O resultado da pesquisa da FGV mostra que o país está no caminho certo ao abrir mais vagas no ensino superior público e com o ProUni (Programa Universidade para Todos), mas ainda precisa valorizar muito mais o professor do ensino fundamental e médio. Essa valorização é com salário e formação.”

Priscila Fonseca da Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação – “A pesquisa é muito importante porque chama a atenção do país para o papel da educação na redução das desigualdades. A ausência de educação gerou desigualdade social, e hoje é o acesso à educação que está modificando esse quadro e promovendo a equidade. Temos que prestar atenção num detalhe: durante um tempo, a escolaridade funciona, mas o desafio é aumentar a aprendizagem dos alunos jovens e adultos para atender um mercado de trabalho mais exigente e com mais tecnologia. Carreira e salário do professor da educação básica estão entre os pontos que devem ser considerados para obter esses avanços.”

Nilene Badeca, presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) – “A educação é o presente e o futuro, ela prepara para o depois da escola, por isso é fundamental. A importância está no acesso à educação, hoje temos o ensino fundamental, que recebe 97% das crianças nesse nível educacional. Mas também é preciso garantir que as crianças e os jovens permaneçam na escola, para isso não é suficiente apenas proporcionar as vagas, é preciso garantir transporte escolar, merenda, material didático. Gestores, governadores e prefeitos têm que dar condições ao jovem para que permaneça na escola, os estados e municípios têm que se preparar para funcionar em tempo integral, para oferecer contraturno, capacitando e preparando os estudantes.”

Imagem Insólita 5

A seguir uma graça de garça.

Foto: Adriano Ferrarez

Censo 2010: Dados do Noroeste Fluminense e os Desafios do Desenvolvimento Regional

Posto a seguir a reportagem do Jornal o Globo que aborda dados do Censo 2010 e traz informações sobre alguns municípios do Noroeste Fluminense. Creio que seja necessário um esforço coletivo da região para alterarmos esse quadro. O protagonismo nesse esforço cabe sem dúvida à cidade pólo, no caso Itaperuna. A falta da articulação regional é um dos motivos de algumas cidades de nossa região estarem encolhendo economicamente, demograficamente, culturalmente etc. Vários são os diagnósticos sobre a região, os sinais são vistos anualmente, mensalmente, semanalmente e diariamente nas nossas cidades. As alternativas têm de ser elaboradas, debatidas e encaminhadas. Notícias como as veículadas pelo Jornal O Globo podem fazer com que procuremos identificar os motivos e talvez os culpados. O fato é que toda a população do Noroeste Fluminense deve dar pelo menos um dedinho à palmatória. Quem elege os políticos que nos representam??? Quem são os representantes nativos da região na ALERJ e no Congresso Nacional??? Mudanças nesse quadro passam necessariamente por mudança na forma como se faz política na região Noroeste Fluminense. E quem deve fazer a POLÌTICA??? Os cidadãos conscientes de sua condição de ator no processo de mudança.



Abaixo a reportagem tirada do blog O Vagalume:



Tese sobre a morte de Osama Bin Laden


Charge de Latuff: Esse Latuff é o cara!!!

Lançarei aqui uma tese, creio que nem tanto da conspiração pois tudo que diz respeito aos Estados Unidos da América estão irremediavelmente relacionados com algum tipo de conspiração. Vamos a ela:
1) Bin Laden foi encontrado na ofensiva feita contra o Afeganistão logo após os atentados de 11 de setembro de 2001.
2) Ele obviamente foi torturado e trucidado pelos estadunidenses e mercenários contratados pelos ianques.
3) A morte não foi anunciada pois era necessário que o inimigo número 1 do império estivesse vivo e solto a ameaçar a "democracia, a liberdade e a paz mundial".
4) Com Bin Laden a solta crimes bárbaros contra a humanidade como a invasão do Iraque e do Afeganistão tem justificativa.
5) A morte de Bin Laden era segredo de estado, herdado por Obama que continuou ameaçando a paz mundial querendo invadir Coréia e o Irã.
6) Mas Obama não pôde cumprir suas promessas de campanha. Obama não pôde um monte de coisas e aí sua popularidade despencou.
7) Não podemos largar o osso. Obama é melhor representante dos interesses do império do que Bush e Mccain. Temos que salvar a popularidade do Yes We Can.
8) Vamos lançar mão do nosso segredo de estado. Obama matou Osama. Yes We Kill.
9) Obama faz pose de herói e o povo estadunidense engole mais essa.
10) Será que estou parecendo o motorista de táxi Jerry Fletcher. Me agradaria muito, com a licença de minha patroa, ter um affair com Alice Sutton. Hehehehehehehehehehehehehehehehehe!!!

Mais uma cascata do Imperialismo Ianque 2

Todo mundo mostrou essa foto. Eis mais uma cascata dos ianques!!!

Mais uma cascata do Imperialismo Ianque

Para ilustrar essa postagem as charges do extraordinário Latuff.





Comentário do blog: O tom dos telejornais, jornais impressos e mídia eletrônica pró-USA está ridículo. Hoje falaram das torturas em Guantánamo como forma de tentar disfarçar a escrotice encenada pelos âncoras e editores dos medyos do PIG. As charges de Latuff dão o tom da carta na manga do Obama: yes we kill!!! E olha que vi muita gente botando fé no Barack.

Obama decide não revelar fotos do assassinato de Bin Laden
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reafirmou que forças militares de seu país assassinaram Osama Bin Laden em território estrangeiro e nesta quarta-feira (4) anunciou através do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que decidiu não divulgar imagens do corpo do líder da rede Al Qaeda.
Carney leu uma transcrição da entrevista concedida por Obama ao programa “60 Minutes”, da rede CBS, em que o presidente afirma ter tomado a decisão por acreditar que a divulgação das imagens criaria um risco à segurança nacional.

“Eu acho que, devido à natureza muito impactante dessas fotos, [a divulgação] criaria um risco à segurança nacional”, disse Obama na entrevista, segundo Carney.

O presidente disse ter discutido o assunto com os secretários de Defesa, Robert Gates, de Estado, Hillary Clinton, e com as equipes de inteligência da Casa Branca. “Todos concordaram”, afirmou Obama.

“Nós discutimos isso internamente. Tenham em mente que nós estamos absolutamente certos de que era ele. Nós fizemos testes de DNA. Então, não há dúvida de que nós matamos Osama Bin Laden”, disse Obama.

O líder da Al Qaeda foi morto no domingo (1), com um tiro na cabeça, quando forças especiais americanas invadiram a mansão onde vivia escondido na cidade de Abbottabad, a cerca de 100 quilômetros da capital do Paquistão, Islamabad.

A decisão da Casa Branca apenas acentua o desencontro de informações e versões sobre o ataque que culminou no assassinato de Bin-Laden. Tudo o que se divulgou na segunda, terça e hoje gerou polêmica em todo o mundo e cria a necessidade de uma versão definitiva. Por isso, o presidente Obama reafirma que os EUA mataram Bin Laden e até fizeram exame de DNA, para dissipar as dúvidas e cessar a polêmica.

Na segunda-feira, a Casa Branca disse que Bin Laden foi alertado para que se rendesse e como não o fez no tempo estipulado pelo grupo de ataque da SEAL (forças especiais da marinha americana), levou um tiro em seu quarto na cidade de Abbottabad, que fica próxima à capital Islamabad.

Um dia depois, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, havia dado outra versão, dizendo que o terrorista estava desarmado quando foi assassinado pela SEAL, levantando dúvidas sobre as afirmações americanas de que eles estavam prontos para levar Bin Laden vivo.

Na segunda-feira, John Brennan, diretor do serviço de antiterrorismo de Obama, disse que a esposa de Bin Laden havia morrido após ter sido usada por ele como um escudo humano durante o ataque, em mais um ato covarde de Bin Laden.

Alguns oficiais logo desmentiram essa versão também e Carney apresentou uma nova história na terça-feira, dizendo que a esposa de Bin Laden teria atacado um dos oficiais da SEAL que tentava render seu marido e por isso recebera um tiro na perna, mas não teria morrido.
"No primeiro andar do reduto de Bin Laden, dois seguranças que vigiavam as duas entradas do refúgio foram mortos, assim como uma mulher que atravessou o fogo cruzado", disse Carney.

Segundo ele, Bin Laden e sua família foram encontrados no segundo e terceiro andares. "Havia a preocupação de que Bin Laden fosse se opor à operação de captura e de fato ele resistiu", completou.

Existem ainda diferentes versões sobre como um dos filhos adultos de Bin Laden, Hamza of Khalid, foi morto e há ainda mais especulações sobre o que teria sido feito do corpo. A versão de Carney divulgada na terça-feira, no entanto, nem mesmo menciona a morte do filho de Bin Laden.

O porta-voz da Casa Branca, que chegou a admitir num determinado momento que até mesmo ele estava ficando confuso, pôs a culpa sobre as divergências de informação no fato de tratar-se de uma ação de guerra e por isso haver muito tumulto envolvido.

Outro oficial concordou em falar sobre a mudança da história, desde que não tivesse o nome divulgado, dizendo que a administração não se arrepende de ter emitido informes rápidos e detalhados, que depois precisaram ser corrigidos.

O oficial disse ainda que esse profundo desencontro de informações não passaria de terça-feira e reforçou a necessidade de corrigir alguns detalhes da missão. "Havia uma forte demanda por informação... nós demos um passo à frente ", disse. "Você quer informação rápida, essas coisas sempre sofrem revisão. Tudo foi movido por uma boa intenção, mas de uma forma antecipada", completou.

Enquanto se encontra enredada nesse cipoal de informações, contra-informações, versões desencontradas, a Casa Branca aciona seu dispositivo propagandístico e tenta capitalizar ao máximo o episódio para alavancar a popularidade de Barack Obama e potencializar sua candidatura à reeleição.

Com agências

terça-feira, 3 de maio de 2011

Qual a sua experiência???





Como dizia Pedro Nava: "Experiência é um farol que ilumina para trás". Recebi essa mensagem de um amigo e estou postando aqui no blog. É sem dúvida uma importante reflexão para a vida.

No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência?'

A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza ele será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia e acima de tudo por sua alma.

Redação Vencedora:


Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Ja peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro.
Já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que eram as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro.
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas...

Tantos momentos fotografados pelas lentes da emoção e guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?' Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência... Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência? Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?

domingo, 1 de maio de 2011

Primeiro de Maio


Poeta Maiakovski





Abaixo um poema do soviético Vladimir Maiakovski em homenagem ao Primeiro de Maio:

Meu Maio

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!


Vladimir Maiakovski