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sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Tragédia do Realengo 2


Mais uma vez os meios de comunicação mostraram que vale tudo pela audiência. As situações se repetem. Por que a tragédia do Morro do Bumba em Niterói não ocupa o noticiário? Será que aquelas famílias que ficaram desalojadas conquistaram condições mais dignas de vida? E o aluguel social já foi pago aos flagelados? Infelizmente essa tragédia do Realengo terá o mesmo destino de outras como a chacina da candelária, o sequestro do ônibus 174 ou o massacre do Carandiru: fará aniversário, será retratado em um filme, engordará as estatísticas da violência, etc. A reflexão mais profunda: para onde estamos indo? Fica sempre em segundo plano. Viva o IBOPE! Reproduzo a seguir matéria de Antônio Mello.

Mello: tragédia no Rio mostra a tragédia da comunicação no Brasil

Hoje pela manhã (fato), jovem do sexo masculino (fato) invade escola na Zona Oeste do Rio (fato), atira contra vários estudantes (fato), matando alguns deles (fato) e ferindo outros (fato). Em seguida ele atira contra a própria cabeça (suposição) e morre (fato).

Por Antônio Mello, em seu blog
Emissoras de rádio e TV e portais de grandes grupos da mídia partem para uma cobertura sensacionalista do fato (fato), entrevistando pais e mães (de preferência estas) desesperados (fato) para conquistarem audiência (fato) e aumentarem market share (meta).

O povo (essa entidade que sempre joga o verbo para a terceira pessoa, pois nunca nos inclui) gosta disso (fato?). Pelo menos é o que alegam responsáveis pela cobertura. "Se não dermos, a concorrência dá", argumentam.

Mas a exposição sensacionalista de um fato, sua transformação em espetáculo midiático, pode estimular a reprodução dos fatos, como ocorre nos Estados Unidos (fato).

A mídia vai encarar a suposição como uma possibilidade de mercado (fato) que talvez aumente market share (meta).

Outros vão morrer (fato), mas a grande mídia se importa com tudo, exceto os fatos (fato).

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