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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Já se passaram 90 dias, mas a tragédia da região serrana do RJ não passa


Foto: Erisson Wagner


Foto: Erisson Wagner


Foto: Erisson Wagner




Parece que todos nós nos esquecemos dos fatos ocorridos em 12 de janeiro de 2011. A hecatombe que assolou a região serrana do Estado do Rio de Janeiro deixou consequências muito graves. Infelizmente a cobertura dos fatos não durou mais que 15 dias. A próxima tragédia que será esquecida é a do Realengo. Esquecida sem que as devidas providências sejam tomadas para evitar que as mesmas se repitam. Há pouco tempo li uma notícia num jornal em que era relatado que muitos dos moradores do Morro do Bumba (Niterói) não haviam recebido seu aluguel social depois de 1 ano desde os desmoronamentos. Todos nós ficamos sensibilizados com a tragédia da região serrana. Fizemos doações nos primeiros dias, mas o fato é que a necessidade daqueles moradores permanecem. Como dizia Paulo Freire: "A Justiça Social deve vir antes da caridade. As manifestações em Teresópolis são mais do que justas. Espero que elas repercutam e que esse povo possa ter condições ao menos materiais para tocar a sua vida. O povo de Teresópolis tem toda a minha solidariedade.

Protesto marca 90 dias da tragédia na região serrana do Rio

Os 90 dias da tragédia das chuvas na região serrana fluminense serão marcados hoje (12) em Teresópolis - um das cidades mais atingidas –, por uma manifestação popular cobrando transparência nos gastos públicos e o fim do descaso com os desabrigados. São esperadas 10 mil pessoas no protesto, previsto para as 17h, no centro da cidade.
A 90 quilômetros do Rio, Teresópolis ainda sofre os efeitos do transbordamento de rios e deslizamentos de encostas que deixaram 389 vítimas e mais de 5 mil desabrigados, dos quais 236 estão em abrigos até hoje. Desse total, cerca de 2,5 mil recebem o aluguel social de R$ 500. A procura pelo benefício é grande e não há recursos para atender a todos.

Segundo o presidente da Associação das Vítimas de 12 de Janeiro, Joel Alves Caldeira, um dos organizadores da manifestação, desde o desastre a cidade está abandonada. As obras não são suficientes para recuperar os estragos e as pessoas estão brigando para conseguir o aluguel social. Segundo ele, o dinheiro transferido para o município não chega a quem precisa.

“Queremos mais transparência. A gente não está vendo resultado do montante de dinheiro que veio para Teresópolis”, afirmou Joel Alves, que já encaminhou denúncia aos ministérios públicos Estadual e Federal solicitando apuração nos contratos e projetos da prefeitura.

A presidente da organização não governamental Nossa Teresópolis, Rita Telles, que também participará do protesto, denuncia a situação na cidade, onde há muito entulho, vias obstruidas e casas condenadas à demolição. A presidente também cobra agilidade no restabelecimento de serviços públicos e critica a falta de ação da prefeitura para ajudar na gestão de galpões com mantimentos.

“As ações não são suficientes. Não há uma política organizada. A prefeitura disse que não ia ligar os serviços para as pessoas não voltarem para suas casas, mas sem ter para onde ir, elas estão voltando sem nenhuma condição”, afirmou Rita Telles.

Os moradores de abrigos também pretendem comparecer à manifestação. Eles reclamam das condições da alimentação, da falta de segurança e de organização. Famílias querem trabalho para completar o aluguel social e culpam as constantes trocas na Secretaria de Assistência Social pelo descaso – em menos de dois meses, dois gestores ocuparam a pasta.

“A prefeitura poderia contratar os desabrigados para fazer o serviço aqui, como a segurança, a comida e a limpeza”, disse a desempregada Simone Xavier, de 32 anos, do Abrigo Renascer.

Durante a manifestação, a população deve pressionar pela abertura de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os gastos da prefeitura. Em março, a Câmara de Vereadores de Teresópolis abriu uma CPI com essa função, mas os movimentos sociais não confiam no trabalho da comissão, que seria comandada por partidos ligados ao prefeito.

A prefeitura de Teresópolis alega que o dano provocado pelas chuvas foi muito grande e que definiu 90 ações prioritárias, como a desobstrução de ruas e avenidas, executadas em parceria com o governo estadual. Por meio da asessoria de imprensa, também nega qualquer crise política e avalia que os protestos na cidade têm “cunho político-partidário, organizados pela oposição ao prefeito”.

A manifestação de hoje será na Praça Olímpica, no centro. De lá, os manifestantes caminham até a Câmara de Vereadores, onde está previsto um ato ecumênico em memória das vítimas. O protesto tem o apoio de 42 entidades, entre associações de moradores, comerciantes e sindicatos.

Agência Brasil

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