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domingo, 30 de janeiro de 2011

Estatuto das Cidades e os desafios para Itaperuna




Hoje completam-se dois anos que estou morando com minha família em Itaperuna. Me mudei pra cá, em janeiro de 2009, para assumir a vaga de professor do Instituto Federal Fluminense no seu recém-criado campus. Hoje me considero um nativo do Caminho da Pedra Preta.
Quando traçamos a linha do tempo da política em Itaperuna podemos ver que nos últimos 30 anos a prefeitura esteve praticamente nas mãos de dois homens: Cláudio Cerqueira Bastos (o Claudão) e Péricles Olivier. A ascensão de Fernando Fernandes, o Paulada, ao cargo de Prefeito traz um significado muito especial qual seja a subida ao poder de um homem oriundo das camadas populares do município de Itaperuna. Neste momento assistimos na população um misto de sentimentos. Alguns são irônicos, outros descrentes, há os que são maldosos. Tem gente pagando pra ver e outros querendo ver o circo pegar fogo. Mas no meio disso há também pessoas com a esperança do poeta: “tudo vai dar certo”. Eu me enquadro neste último grupo e espero que o atual prefeito faça uma gestão para o bem de Itaperuna e que promova as melhorias tão necessárias na nossa cidade.
Assistimos a dança das cadeiras e novas peças entram no cenário com vistas a azeitar a máquina pública municipal. Creio que não há receita de bolo para se governar uma cidade, no entanto um ingrediente é fundamental para se governar: a democracia. E democracia é sinônimo de participação popular.
Neste ano de 2011 a Lei que veio atender à antigas reivindicações dos movimentos sociais pela gestão democrática das cidades completará 10 anos, trata-se do Estatuto da Cidade, Lei nº 10.257/2001. Esta lei reforça o papel do poder público municipal como principal executor da política de desenvolvimento urbano. O Estatuto da Cidade destaca as funções sociais do município e da propriedade urbana, o conceito de cidades sustentáveis, os direitos à terra, moradia, saneamento ambiental, transporte, serviços públicos, trabalho e lazer.
Assim como acontece em todo o Brasil, em Itaperuna também assistimos à injustiças e segregação social que decorrem da permissividade do Poder Público com setores dominantes, que tiram proveito do tráfico de influências para agregar valor a seus patrimônios e especular sobre a terra urbana. Para que os interesses da população em geral entrem na ordem do dia das ações do governo municipal é necessário a participação popular direta por meio da ação de órgãos colegiados, conselhos municipais e a realização de debates, audiências e consultas públicas.
Mas essas conquistas não caem do céu como o maná no deserto. É necessário que os movimentos sociais e cada cidadão cobrem do atual prefeito e da Câmara de Vereadores ações para garantir que o poder emane, de fato, do povo.

Adriano Ferrarez, é professor de Física do IFF campus Itaperuna

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Direitos Autorais: COPYRIGHT X COPYLEFT*





*COPYLEFT - é uma forma de usar a legislação de proteção dos direitos autorais com o objetivo de retirar barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa devido à aplicação clássica das normas de propriedade intelectual, exigindo que as mesmas liberdades sejam preservadas em versões modificadas. O copyleft diferere assim do domínio público, que não apresenta tais exigências. "Copyleft" é um trocadilho com o termo "copyright" que, traduzido literalmente, significa "direitos de copia.

Reproduzo a seguir matéria, veiculada no Portal Vermelho, sobre a decisão da Ministra da Cultura em retirar as licenças Creative Commons (CC) do sítio do MinC. O Creative Commons é um projeto global, presente em mais de 40 países, que cria um novo modelo de gestão dos direitos autorais. No Brasil, ele é coordenado pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. Ele permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e outros, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade. Assim, se eu sou um criador intelectual, e desejo que a minha obra seja livremente circulada pela Internet, posso optar por licenciar o meu trabalho escolhendo alguma das licenças do Creative Commons. Com isso, qualquer pessoa, em qualquer país, vai saber claramente que possui o direito de utilizar a obra, de acordo com a licença escolhida. Um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados traz avanços no conceito de “acesso interativo” e “compartilhamentos de arquivos” na internet. Esse Projeto de Lei mexe com muitos interesses. Na linha de frente contra essa proposta está o ECAD - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição e alguns artistas e intelectuais. Esse é um debate que todos que gostam de música, literatura, cinema, enfim da arte como um todo deve acompanhar.

Ato de ministra da Cultura provoca polêmica na internet

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, provocou sua primeira polêmica pública, que se tornou visível no Twitter e em vários blogs. As manifestações decorrem da decisão da ministra de retirar do site do Ministério da Cultura as licenças Creative Commons (CC). A medida foi interpretada por militantes do compartilhamento digital como uma adesão às teses mais conservadoras do direito autoral no país.
O Creative Commons --iniciativa de uma fundação norte-americana-- é um sistema de gestão de direitos autorais alternativo ao tradicional copyright. O MinC havia aderido a esse sistema na gestão Lula, quando a pasta foi comandada por Gilberto Gil (2003-2008) e, em seguida, por Juca Ferreira.

Historicamente, Ana é defensora do modo de arrecadação por meio do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), o que a opõe frontalmente ao projeto de renovação do marco legal do setor que está no Congresso.

No sábado, o Ministério da Cultura emitiu uma nota lacônica de esclarecimento, na qual limita-se a dizer que "a retirada da referência ao Creative Commons da página principal do Ministério da Cultura se deu porque a legislação brasileira permite a liberação de conteúdo". A seguir, o texto dizia que isso não impedia que o Creative Commons ou outras formas de licenciamento sejam utilizados pelos interessados: "Não há necessidade de o ministério dar destaque a uma iniciativa específica".

A própria ministra, questionada sobre a decisão, reafirmou o conteúdo da nota. "A Constituição permite que o autor libere seus direitos. Só achei inadequado que tivesse esse logo no site", afirmou Hollanda em breve conversa com jornalistas ontem à tarde, enquanto acompanhava a reinauguração da Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista.

Ela garantiu que quem utilizava conteúdo ligado ao Ministério através do Creative Commons pode continuar utilizando. "O dono da obra, o autor, escolhe qual a forma para ceder ou não sua obra. Pode liberar sem custos, permitir para um uso específico. Isso depende do autor e ninguém vai ser impedido de usar. Quem usava vai continuar usando, sem problema nenhum."

Perguntada se ela representa interesses do Ecad, a ministra negou. "Eu não represento interesses do Ecad. O Ecad existe, existe uma representação nele que passa pelo Gilberto Gil, por mim, Caetano, Chico, Pixinguinha, Cartola. Todo mundo tem que entrar em alguma associação para poder receber, e essas associações juntas formam o escritório central. Pessoalmente eu sou uma cantora e compositora e obrigatoriamente tenho que estar em alguma associação."

Visão comercial

Para alguns, as declarações da ministra não afastam de sua decisão a sinalização política que pode fortalecer os setores que enxergam a internet apenas como mais um veículo de comunicação e fonte de lucros e resistem a aderir à nova visão de democratização dos conteúdos publicados na rede.

Diversos sites de direitos livres, do Brasil e do Exterior, organizaram protestos. Endereçaram mensagens para a ministra Ana de Hollanda e seu principal colaborador, Antonio Grassi, presidente da Fundação Nacional de Artes. Muitos demonstravam desapontamento com a decisão, que consideram que faz regredir a discussão sobre o software livre e os direitos de reprodução na rede.

Os manifestantes lembram que a própria ministra, em seu site pessoal, disponibiliza vídeos de músicas para as quais não tem autorização, de forma não comercial.

Em 2004, Gil se tornou o primeiro compositor brasileiro a ceder direitos de uma canção à licença. O governo federal passou a utilizar maciçamente as licenças – o próprio Blog do Planalto é licenciado dessa forma.

Protestos na rede

No Twitter Creative Commons, o advogado americano Lawrence Lessig lembrou que, há um ano, a então candidata a presidente Dilma Rousseff esteve com ele durante a Campus Party e manifestou simpatia pela causa do copyleft.

Ronaldo Lemos, diretor do centro que gerencia o Creative Commons, da Fundação Getúlio Vargas, viu uma decisão "política" no caso. "A visão da ministra, pela remoção do Creative Commons, e pelo que disse em seu discurso de posse, é a visão das entidades arrecadadoras, é a visão do Ecad", afirmou.

O sociólogo Sergio Amadeu, conhecido pela defesa do software livre, também publicou artigo questionando a decisão do MinC. Segundo ele, no mesmo dia que a ministra Ana de Hollanda atacou o Creative Commons retirando a licença do site, a ministra do Planejamento, Miriam Belquior, publicou a normativa que consolida o software livre como a essência do software público que deve ser usada pelo governo. "É indiscutível o descompasso que a ministra da Cultura tem em relação à política de compartilhamento do governo Dilma", afirmou Amadeu em artigo publicado no site Carta Maior.

No texto, ele diz ainda que "os defensores da indústria de intermediação e advogados do Ecad lançam um ataque à política de compartilhamento de conhecimento e bens culturais lançada pelo presidente Lula. Na sua jornada contra a criatividade e em defesa dos velhos esquemas de controle da cultura, chegam aos absurdos da desinformação ou da mentira".

O jornalista Renato Rovai, editor da revista Fórum, foi na mesma linha. Acusou a ministra de lançar "uma ofensiva contra a liberdade do conhecimento". "A decisao da ministra é pavorosa porque, entre outras coisas, rasga um compromisso de campanha da candidata Dilma Roussef. O site de sua campanha foi publicado em Creative Commons o que denotava compromisso com esse formato", lembra Rovai em artigo publicado no site Novae.

Para ele, o fato de o MinC deixar de licenciar o seu site em Creative Commons foi um ato político. "Uma declaração de que há uma nova postura no ministério em relação ao debate dos direitos autorais".

Já o jornalista Luis Nassif preferiu adotar um tom mais moderado. E em artigo no site Brasilianas ponderou: "No fundo, a discussão revelou um enorme desencontro de informações. Tanto no MinC quanto nos defensores do Creative Commons há a preocupação de preservar o direito do autor, seja escritor, compositor, instrumentista, cantor. Mas há uma realidade mais forte que se impõe, que é a maneira como a indústria cultural irá se desenvolver no novo ambiente virtual. Esse é o grande desafio deste e dos próximos governos".

"Ato soberano"

Um dos poucos que saiu em defesa da ministra foi o jornalista Pedro Ayres, do blog Crônicas e Críticas da América Latina. Ele argumenta que "romper com o CC foi um ato soberano e de profunda autonomia ante o servilismo do colonizado de alguns, principalmente porque em nada afeta a liberdade de criação dos autores brasileiros". Segundo Ayres, "só mesmo um ridículo pequeno-burguês pode ver ameaça onde apenas existe o resguardo dos legítimos direitos dos autores nacionais".

Do Portal Vermelho - www.vermelho.org.br

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Por que o "Príncipe da Sociologia" não fala do crack???





Temos assistido a "cruzada" de FHC pela legalização da maconha. Me faz lembrar o Gabeira em sua jornada pró-cânhamo. FHC está doidinho querendo aparecer. Daqui a pouco veremos FHC de tanguinha de crochê na Praia de Copacabana. Reproduzo abaixo um artigo do blog Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, de fevereiro de 2010, acerca dessa questão.

Por que o FHC defende as drogas e ignora o crack. É para fazer sucesso no exterior

28/fevereiro/2010

Ele não tem um único compromisso como Brasil

FHC poderia se dedicar a causas úteis.

Como investigar a sowetização dos nordestinos na Zona Leste de São Paulo.

Como investigar a marginalização social dos nordestinos nas favelas de São Paulo.

Como investigar por que a educação pública em São Paulo entrou em colapso.

Como investigar por que a desigualdade de renda em Sao Paulo é uma das mais altas do Brasil.

Não, FHC não está preocupado com o Brasil.

A patológica vaidade busca plateias internacionais, cheias de holofote.

Por isso, ele abraçou uma causa chic, up-to-date em alguns salões de tapete vermelho e champagne rosé.

A defesa dos drogados chics, dos meninos e meninas de classe média, que são apanhados com uma trouxinha de maconha ou uma carreirinha de cocaina.

O Farol de Alexandria não sabe do que fala.

Não sabe que o problema da droga no Brasil não tem nada que se possa tratar num salão de convenções do Waldorf Astoria.

A barra aqui é outra: é o crack.

Que mata.

E custa pouco.

É droga da desvastação dos pobres e miseráveis.

Esse pessoal que o Serra tranca numa jaula, num espetáculo que secretário do Poste chamou de “pirotecnia”.

Com o crack o Farol não faz sucesso.

Ele não conhece ninguem viciado em crack.

Ele quer descriminalizar, passar a mão na cabeca do crack?

E aí, sem polícia, como é que faz?

Deixa o pessoal se entupir de crack, e aí?

Manda os miseraveis drogados para a porta do iFHC ?

Para a porta do Cebrap ?

Como sempre, o Farol nao tem compromisso com o Brasil.

Ele é um colonizado, irremediavelmente.

Se o amigo navegante quer ver o que um líder político deveria falar sobre a materia, vale a pena ler o que a Ministra Dilma Rousseff disse á revista Epoca:

Do amigo navegante Fernando

Dilma – A droga é uma coisa muito complicada. Não podemos tratar da questão da droga no Brasl só com descriminalização. Estou muito preocupada com o crack. O crack mata, é muito barato, está entrando em toda periferia e nas pequenas cidades. Não vamos tratar o crack única e exclusivamente com repressão, mas com uma grande rede social, que o governo integra. Há muita entidade filantrópica nas clínicas de recuperação. A gente tem de cuidar de recuperar quem já está viciado e cuidar de impedir que entrem outros. Tem que cuidar também para criar uma política de esclarecimentos sobre isso. Não acho que os órgãos governamentais, Estado, municípios e União, vão conseguir sozinhos. Vamos precisar de todas as igrejas e entidades que têm uma política efetva de combate às drogas. A questão da droga no século XXI é muito diferente daquele tempo de Woodstock, que tinha um componente libertário.

FHC sempre esteve de joelhos diante do imperialismo ianque




Reproduzo a seguir editorial do Portal Vermelho de 25 de janeiro que faz uma pequena annálise de como foram os 8 anos de política externa de FHC. Me lembro da frase de Chico Buarque acerca da diplomacia brasileira na era Lula: "É um governo que fala de igual para igual: não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai e, por isso mesmo, é respeitado no mundo inteiro”.


Fernando Henrique Cardoso não se enxerga?

A linguagem popular é rica de expressões que têm muitas vezes uma precisão cruel. Uma delas é “ele não se enxerga”, que se aplica como uma luva às declarações recentes – mas não novas – do ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso sobre a política externa do governo Lula e do chanceler Celso Amorim, mantida pela presidente Dilma Rousseff e pelo chanceler Antônio Patriota.

Basta lembrar alguns episódios vexaminosos da diplomacia comandada por Fernando Henrique Cardoso para que se tenha a dimensão dos disparates que ele e seus partidários conservadores e pró-americanos repetem sobre a diplomacia brasileira autônoma e independente reinaugurada por Lula e Celso Amorim.

Um desses episódios foi a demissão do diplomata Samuel Pinheiro Guimarães da presidência do IPRI (Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais do Itamaraty), em 2001. Outro, em 2002, foi a demissão do embaixador José Maurício Bustani da direção geral da Opaq (Organização da ONU para as Armas Químicas). Outro, ainda mais devastador para o orgulho nacional, ocorreu em 2002 sendo protagonista o próprio chanceler tucano Celso Lafer que, em visita oficial aos EUA para apoiar o governo local depois dos ataques terroristas de 11de setembro de 2001, aceitou submeter-se à rígida revista policial nos aeroportos de Nova York e de Washington, chegando inclusive a tirar os sapatos, como exigiam os agentes que faziam a revista.

Há uma coerência entre estes episódios vergonhosos. Enquanto o ministro constrangia o Brasil com sua atitude servil, os diplomatas punidos (Samuel Pinheiro Guimarães e José Maurício Bustani) pagaram por sua altivez e dignidade e por não aceitarem dobrar-se ante as imposições da diplomacia norte-americana. Guimarães sempre foi um crítico da ALCA; Bustani rejeitou as pressões do governo de Washington para usar seu cargo na ONU e “criminalizar” nações independentes acusadas mentirosamente por Bush e seus pupilos de detentoras de armas químicas, como ocorreu com o Iraque, contra quem aquelas alegações falsas serviram para legitimar a agressão que destruiu o país e infelicitou o povo.

Esta é a diplomacia que Fernando Henrique Cardoso quer de volta: a dos sem sapatos nem vergonha na cara, submissos passivamente às imposições norte-americanas. Um estudioso, o historiador Moniz Bandeira, chegou a escrever que a política externa de Fernando Henrique Cardoso foi um “simples acessório dos interesses hegemônicos dos Estados Unidos, no mundo e, em especial, na América Latina”. Ele tem razão.

Aquela foi uma política de cabeça baixa, pés descalços e “sim senhor”, que não volta mais. Outro dito popular muito valorizado nos arraiais tucanos diz que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. É o que eles fizeram no governo, rosnando para países pequenos e pobres (como a Bolívia, por exemplo), e curvando a espinha ante os poderosos do mundo, como os governantes de Washington.

O Brasil democrático nem manda nem obedece – trata todos os povos e nações como iguais, cujos interesses precisam ser articulados soberanamente em acordos que contemplem as necessidades e os limites de cada um. Esta é a melhor tradição diplomática brasileira, retomada por Lula e Celso Lafer e que projetou o Brasil no mundo como um parceiro da paz e da busca do desenvolvimento e do progresso para todos os povos. O resto é conversa fiada de gente saudosa do poder do qual foi escorraçada pelo voto popular e cujas chances de voltar são cada vez mais remotas.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Carlos Lessa: sonhar com o petróleo, mas pôr as barbas de molho






Considero o Prof. Carlos Lessa um dos maiores economistas do Brasil. Da escola de Celso Furtado tem no DNA o desenvolvimentismo. Reproduzo abaixo uma importante reflexão do Prof. Carlos Lessa acerca de nossa soberania.


Do Portal Vermelho



Carlos Lessa: sonhar com o petróleo, mas pôr as barbas de molho

Ano Novo, novo presidente, novo Congresso e é uma contramão afetiva violenta fazer prognósticos sobre a conjuntura econômica mundial, bem como explicitar dúvidas essenciais em relação à provável política econômica brasileira.

Por Carlos Lessa, no Valor Econômico
Quero sonhar com a potencialidade da civilização brasileira, que tem como ponto de partida um povão admirável, sem arrogância, aberto a novidades e extremamente criativo e cordial.

Creio que a mão de Deus nos deu a Amazônia verde, cujo potencial desconhecemos, mas que nos permite sonhar com importantes descobertas. A verdade é que a mão de Deus também nos deu o pré-sal (uma suspeita antiga da geologia brasileira) e uma capacidade tecnológica nacional que dominou a técnica de prospecção em águas profundas e abaixo de uma capa de muitos quilômetros de sal.

As perfurações já feitas dobraram as reservas de petróleo brasileiro. É plausível encontrar muito mais petróleo pois a formação geológica submarina se estende do Espírito Santo até Santa Catarina (inclusive). Grosseiramente, é um retângulo com 800 quilômetros de extensão, 200 quilômetros de largura, afastado da costa brasileira.

Não sei em que estágio se encontra, mas posso afirmar estar em curso um ambicioso projeto tecnológico para superar as plataformas de operação e instalar um sistema robotizado e interligado, que racionalizará e reduzirá custos de extração.

Há quem diga que o pré-sal, tranquilamente, ampliará as reservas brasileiras entre 40 a 70 bilhões de barris de óleo de ótima qualidade. Alguém mais exagerado fala de 100 bilhões ou mais, o que converteria o Brasil em terceira maior reserva petrolífera do mundo.

Esta é uma situação potencialmente admirável, pois será possível multiplicar a energia à disposição dos brasileiros; hoje, o brasileiro utiliza por ano menos que o cidadão do mundo. Como temos uma enorme potencialidade hidrelétrica, devemos afastar o cálice de termeletricidade movida a derivados de petróleo. Aliás, existem três perigos em uma grande riqueza energética:

a) Adição em consumo de petróleo (vício americano). No Brasil, temos adição a diesel pela utilização excessiva do transporte rodoviário. Em 2010, a produção de veículos a motor cresceu 11% e a circulação urbana e metropolitana caminha para o colapso. Não tenho dúvida de que haverá tendência a subsidiar o comprador de veículo, já altamente endividado, principalmente se for política ampliar a produção automobilística;

b) Valorização da moeda nacional (o real), tornando vantajosa toda e qualquer importação. Os europeus denominaram essa "doença" de holandesa, pois aquele país transferiu suas unidades industriais para o exterior e desmantelou sua produção agropecuária. Quando acabou seu gás do Mar do Norte, viveu uma crise devastadora.

c) O país, objeto de desejo pelas potências, está no quintal da maior de todas, bebedora frenética de petróleo. Dadas as tendências mundiais de evolução do consumo de petróleo e tamanho das reservas, já está sinalizada uma era de produção de baixo consumo de carbono. Novas tecnologias energéticas estão em pesquisa, entretanto vivemos a sociedade do desperdício, onde há uma pedagogia diuturna para criar um consumidor compulsivo da nova coisa, da nova cor, do novo formato, etc. Alguém já disse que o shopping é uma escola de consumidores irracionais, lugar sem paisagem, sem orientação espaço-temporal, luz controlada e, em alguns, como nos cassinos — reforço de oxigênio.

A vitória da vida curta é a bijuteria acabando com a joia, a caneta, o relógio, o isqueiro descartáveis. É meritório todo esforço de reciclagem, porém sem a adoção de uma tecnologia que aumente a vida útil do objeto e de uma psicologia social que elimine o prazer de estraçalhar embalagens, não há petróleo para segurar esse mundo.

Nada é mais importante para qualquer potência do que garantir suprimento de petróleo. O Brasil tem que botar suas barbas de molho. É um erro estratégico o país se converter em exportador de óleo cru; é escancarar as portas para as potências. Nossa entidade estratégica é a Petrobras.

Há uma intensa relação afetiva entre o brasileiro e a sua empresa, porém a Petrobras é vulnerável. Acidentes em campos de petróleo submarino são terríveis, haja vista o que está ocorrendo no Atlântico Norte; o pré-sal é lindeiro das duas maiores concentrações demográficas do Brasil. A Petrobras não noticia suas medidas de precaução; creio que a Aepet e o Sindipetro deveriam ser os fiscais dessas medidas e toda constatação de falha deveria ter prioridade nacional.

Detesto visões conspiratórias, mas acidentes casuais podem ser simulados e realizados com o propósito de desmoralizar a política de petróleo do Brasil. Imaginem o horror de Copacabana ou Guarujá recebendo em suas praias cutículas de petróleo e cadáveres de peixes e aves marinhas; imaginem uma chaminé alimentada pelo incêndio de óleo do pré-sal. A pesquisa brasileira de mísseis ficou prejudicada com o morticínio da pequena equipe de especialistas em Alcântara. Foi um acidente?

A melhor solução é intensificar o patrulhamento militar da área. A Marinha tem que dispor de todos os meios; as rotas que tangenciam o pré-sal tem que ser patrulhadas com radares de altíssima precisão, embarcações rápidas com capacidade de defesa, helicópteros navais. As dotações militares tem que ser multiplicadas e espero que já estejam concluídos os estudos e projetos necessários para essa multiplicação.

* Carlos Lessa é professor emérito de Economia Brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Censo 2009 nos EUA: “American Way Of Life” em xeque




Gostaria de esclarecer que não tenho nada contra o povo estadunidense (americanos somos todos os nascidos na América seja ela do Sul, Central ou do Norte. E norte-americanos são também os mexicanos e canadenses). Na realidade sou solidário a ele e gostaria que fossem libertos dos grilhões da alienação e da opressão que os aprisionam no universo paralelo parecido com um Matrix.
Me opunho de forma obstinada ao imperialismo estadunidense e aos ataques que este desferiu e desfere cotidianamente contra a auto-determinação e soberania dos povos do mundo.
Recentemente foram divulgados dados preliminares do censo de 2009 realizado nos EUA e que mostra o crescimento vertiginoso da pobreza naquele país.

Ê Tio Sam não é mais aquele!

De acordo com o censo 1 em cada 6 estadunidenses são pobres. Dentre os pobres a maioria tem mais de 65 anos para todos os grupos demográficos. O que tem levado esses cidadãos dos EUA à pobreza são os altos custos dos serviços de saúde. Nos EUA não existe serviço público nesta área, sendo que esse serviço é controlado por verdadeiros cartéis de planos de saúde. Barack Obama aprovou uma necessária reforma do sistema de saúde, mas esta vem sofrendo ataques virulentos da ultra-direita yankee. Ontem (19/01), a grande conquista que os estadunidenses tiveram com o governo democrata – a reforma, foi derrubada pela Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA.
Para conhecer um pouco mais acerca da saúde na terra de Tio Sam vide o documentário “Sicko” do cineasta Michael Moore. É imperdível! Quero ver alguém elogiar o “americam way of life” sem corar, após assistir a esse filme.
Apesar de seus problemas o nosso SUS é uma grande vitória do povo brasileiro.
Comparando as políticas públicas para os idosos nos EUA e as adotadas aqui no Brasil vemos uma enorme diferença. Aqui nas terras tupiniquins aprovamos em setembro de 2003 o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) um enorme avanço que confere respeito e dignidade à terceira idade brasileira. Outro avanço que o presidente Lula fez questão de destacar foi o acesso dos aposentados ao crédito. Com essa políticas creio a expectativa de vida de nós brasileiros só tende a aumentar. Na última década ela cresceu de 70 para 73 anos.

O “milagre” da multiplicação dos pobres: Já são quase 48 milhões nos EUA

O número de pobres na maior potência capitalista do mundo já chega próximo dos 48 milhões. Nas regiões oeste e noroeste os desafortunados chegam a 20% da população. De acordo com alguns economistas as pessoas desempregadas e subempregadas já são 30 milhões. A esse quadro soma-se a perda do poder de compra dos salários cujo valor hora permanece inalterado desde 1964.

E a renda se concentra

De acordo com artigo de Umberto Martins e José Carlos Ruy, os ricos isentos de impostos ficam cada vez mais ricos. Dados revelam que 0,01% da população ganha 976 vezes mais do que 90% dos americanos. Metade da população dos EUA detém somente 2,5% da riqueza nacional. Enquanto isso, o 1% mais rico acumula 33,8% das riquezas e a carga tributária para os milionários foi reduzida de mais de 60% em meados da década de 60 para menos de 40% hoje. Essas foram algumas das benesses que os republicanos liderados por George W. Bush deram para a elite estadunidense.

Enquanto isso Obama Fala-Mansa...

Barack Obama não teve força ou coragem suficiente para alterar esse quadro, apesar de prometer a superação da desigualdade social. Poderia se aconselhar com o “cara” e implantar programas sociais como o Bolsa Família que foi um dos fatores que contribuiu para que entre 2004 e 2008 o número de pobres no Brasil caisse de 33,2% para 22,9% (de acordo com o IBGE).

Assistam ao filme de José Joffily: Olhos Azuis, um duelo na fronteira

Já que estamos falando dos EUA vale aqui uma outra dica de cinema. Trata-se do filme de José Joffily: Olhos Azuis, um duelo na fronteira. O filme tem como protagonista o ator David Rasche, interpretando um policial do Departamento de Imigração do Aeroporto JFK, de Nova York. Ainda no elenco Irandhir Santos, mais um grande talento nordestino, o mesmo que interpreta Diogo Fraga (Professor de História e defensor dos direitos humanos) em Tropa de Elite II. Olhos Azuis traz a “humanização” de um yankee que se torna solidário no câncer em busca da redenção, mostra também a paranóia reinante nos Estados Unidos e a forma como esse Estado vê os latino-americanos, e também africanos, árabes, asiáticos, etc.

Adriano Ferrarez, é Professor de Física do IFF Campus Itaperuna

domingo, 16 de janeiro de 2011

Faleceu o Prefeito de Itaperuna, Cláudio Cerqueira Bastos





Faleceu na manhã deste domingo (16/01) o Prefeito de Itaperuna, Claudão

O falecimento ocorreu às 11h30min de hoje, 16/01, no Hospital São José do Avaí. O prefeito Cláudio Cerqueira Bastos estava internado desde o dia 28 de dezembro de 2010 tratando de uma pneumonia. No dia 24 de janeiro, Claudão como era conhecido completaria 92 anos.
O corpo do prefeito está sendo velado no Itaperuna Tênis Clube (ITC) e será enterrado nesta segunda-feira às 10h em Comendador Venâncio.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Salário de Ronaldinho Gaúcho e o Salário Mínimo





Primeiramente quero dizer que nutro esse sentimento irracional de torcer por um time de futebol. Digo irracional pois há muito tempo que o futebol vem deixando de ser esporte e tem se tornado um negócio que rende bilhões aos donos da bola. Vários clubes tradicionais da Europa como o Milan, Chelsea, Málaga encontram-se nas mãos dos Berlusconis, Abramovichs e xeques Abdallah Ben Nasser Al-Thani da vida.
Em segundo lugar tenho é necessário confessar que quando vi Ronaldinho Gaúcho fazer aquele gol da virada no 2 a 1 contra a Inglaterra na Copa de 2002, tive a impressão de que ele suplantaria Pelé como o “melhor” jogador de futebol de todos os tempos. Isso seria para mim uma grande alegria pois não tenho qualquer simpatia por Edson Arantes do Nascimento. Essa minha impressão foi corroborada pelo título de melhor do mundo de 2004 e 2005 dado pela FIFA.
Tenho que justificar o “melhor” entre aspas para Pelé, porque pra mim o melhor pode ser suplantado, mas o inigualável não. No futebol o maior de todos os tempos foi mesmo o Mané “Alegria do Povo”. Estava vendo recentemente um documentário a respeito do Botafogo em que Gerson “Canhotinha” dizia que um outro Pelé poderá existir, mas igual a Garrinha não haverá outro.
Deixando essa nostalgia gostaria de tecer algumas reflexões acerca do caso Ronaldinho Gaúcho.

Cala a boca Pelé!

Não se pode dizer muito acerca da veracidade da paixão de Ronaldinho Gaúcho (RG) pelo Grêmio. O fato é que um provérbio (russo ou chinês) já dizia: “onde o dinheiro fala a verdade cala”. Mas vermos Pelé dar conselho à Ronaldinho Gaúcho é do “arco-da-velha”. Pelé disse em uma entrevista: “Já que o amor de Ronaldinho pelo Grêmio é tão grande ele deveria jogar no Grêmio de graça, pois sua vida já está arrumada”. A cantora Pity nos diz em um de seus rocks: “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”. Em 1974 Pelé não disputou a Copa do Mundo. Bom seria se fosse como forma de protestar contra o aparelhamento do futebol pela ditadura militar, mas como se sabe para Pelé quando perguntado em 1972 sobre o Brasil ele respondia: “Não há ditadura militar no Brasil. O Brasil é um país liberal, uma terra de felicidade. Somos um povo livre. Nossos dirigentes sabem o que é melhor para nós, e nos governam com tolerância e patriotismo". Os brasileiros não se esquecem do “amor” de Pelé pelo Brasil e o Cosmos agradeceu.

R$ 1,3 milhão e R$ 540,00

No dia do desfecho da novela Ronaldinho Gaúcho, que creio deu mais IBOPE que a trama de Totó, estava batendo papo com um dos auxiliares de serviços do meu trabalho e ele me disse: - É muito dinheiro para um homem só! É uma grana que não dá nem pra imaginar!
Não perdi a deixa pra questionar o “monstro Sist”: - Pois é meu prezado, as pessoas deveriam ganhar o suficiente para viver com dignidade: ter moradia digna, educação de qualidade, assistência à saúde, acesso à cultura e ao lazer e no mínimo três refeições diárias”.
Acessei uma planilha eletrônica e comecei a fazer uns cálculos: - “Veja só meu velho: Se dividirmos o salário de Ronaldinho Gaúcho pelo valor do novo salário mínimo tem-se: 1.300.000/540,00 = 2.407,41, que é o número de mínimos correspondente ao soldo de RG. Agora se dividirmos 2.407,41 por 12 encontramos o número de anos que um assalariado mínimo deverá trabalhar para receber os R$ 1,3 milhão. Então: 2.407,41/12 = 200,62. Veja bem o cara teria que trabalhar mais de 200 anos. Se a gente considerar que a expectativa de vida do brasileiro aumentou para 73 anos ao longo da última década, o indivíduo tem que viver 2,75 vidas para ganhar o que o RG recebe num mês”.

Quanto vale RG?

A perspectiva é de que RG renda ao rossonero da gávea R$ 56 milhões apenas em 2011. Se fizermos: R$ 1.300.000,00 x 12 = R$ 15.600.000,00 em 2011. O lucro do patrão é de mais de R$ 40.000.000,00!!! Caramba!!! Ronaldinho Gaúcho é vítima da mais-valia!!! Isso justificaria então o seu salário tão alto? E os trabalhadores bem que mereciam um mínimo maior, né?

Será que a gente ainda pode sonhar?

Gostaria muito que o esporte, e o futebol em particular, fosse uma verdadeira fonte de felicidade para as massas e não esse grande balcão de negócios que estamos assistindo. Alguns dirão que estou desafinado. Prefiro ficar com os belos versos do João: “You may say I'm dreamer. But not only one” e acreditar que o sonho não acabou.

Adriano Henrique Ferrarez é físico, professor do IFF Campus Itaperuna.